The Demigod Search Squad (d.s.s)

12 Em Direção à Sua Morte


Capítulo 12 – Rumo à sua Morte

Ben sentava no banco do carona atordoado. Ser um semideus e aceitar que os monstros existiam era uma coisa, mas dar de cara com um touro branco e enorme que tinha a capacidade de destruir casas como se estas fossem apenas pequenas construções de Lego, era outra bem diferente. Jason pisava fundo no acelerador, mas não conseguia fazer o carro se afastar da terrível criatura. Na verdade, o touro estava se aproximando cada vez mais do veículo.

– Para onde estamos indo? – Pipper perguntou aos gritos, tentando fazer a voz soar mais alta que o chiado do vento.

– Não sei! Só estou dirigindo em linha reta.

Ben podia ver os vizinhos olhando estagnados na direção deles, enquanto passavam a toda velocidade, mas não sabia o que enxergavam. Os amigos lhe contaram que existia uma névoa que mascarava as coisas místicas da percepção dos mortais.

–Talvez devesse fazer a curva! – gritou Frank. Jason aceitou a sugestão e virou o volante numa esquina, fazendo o carro derrapar. O enorme touro branco passou direto, movido pela inércia, o que lhes deu uma dianteira.

– Ele vai voltar... –Ben falou ainda tentando acreditar na situação em que se metera.

– Jason, – Frank falava enquanto olhava para trás, já podendo ver o touro se aproximando novamente. – Essa coisa não vai mais rápido?

–Se acelerar mais não vou conseguir fazer a curva logo a frente.

–Então anda em linha reta! – gritou Pipper.

–Vocês não se decidem!

Ben sentiu o carro acelerando de forma perigosa. Ele nem sabia mais o que era pior, enfrentar o touro ou ficar naquele veiculo sendo dirigido por um adolescente não muito experiente que já estava a quase 220 Km/h em plena Newport, de dia.

–Ele está chegando...! – gritou Frank.

–Você não pode tipo, virar um dinossauro ou sei lá? –perguntou Pipper. Ben não entendeu do que ela falava.

– À essa velocidade? Está louca? Além disso ia consumir muito de mim. Não conseguiria lutar com ele por muito tempo.

– Jason... – Ben olhava para frente espantado. –O que está fazendo... a praia está logo ai...

–É tarde demais para desviar... – falou Jason, olhos fixos no caminho.

A areia branca ficava cada vez mais próxima, se aproximando agora à 230 Km/h.

–Reduz... – falou Ben.

– Reduz. – falou Pipper.

– Reduz! – gritou Frank.

O carro tremeu quando mudou do asfalto para a areia fofa. Foram na direção do mar com fortes solavancos. Ben bateu a cabeça nas laterais do veículo e, se não estivesse com o cinto de segurança, provavelmente seria arremessado para fora. Finalmente, o automóvel de metal entrou na água ainda com velocidade. O mar revidou a pancada e o para-brisa se partiu, fazendo com que água gelada e pedaços de vidro caíssem sobre eles, inundando o interior do carro...

Ben e os outros conseguiram retirar os cintos e saírem do carro, que ainda estava na beira do mar, mas lentamente se afastava na direção do fundo. Eles se jogaram na areia molhada bem na hora em que o touro, completamente descontrolado devido à alta velocidade, chocou a própria cabeça contra o veiculo. O automóvel foi arremessado diversos metros à frente e se perdeu por completo no imenso oceano de Posseidon.

–Cara... – falou Frank com uma careta. –Quiron não vai ficar feliz com isso.

O Animal agora estava parado bem próximos deles. Fumaça saia de suas narinas raivosas.

–Fique onde está! – gritou Pipper para o bicho.

O touro respondeu dando um passo à frente.

– Acho que é imune a charmspeak, Pips... –Jason falou puxando a garota para seu lado.

–Você acha? – ela perguntou nervosa...

O enorme animal branco disparou na direção deles. Jason deu um passo para frente e ergueu as mãos. Uma rajada de vento começou à empurrar o monstro para trás, fazendo-o desacelerar, as mesmo assim se aproximava do grupo. Jason se concentrava com dificuldade, soando como se estivesse carregando algo bem pesado. Bom, se pensasse que ele estava impedindo uma criatura daquele tamanho, carregava mesmo.

Ben se impressionou pela demonstração de poder do filho de Zeus. Levou um tempo para ele se tocar que ele mesmo poderia ajudar a impedir o bicho de alcançá-los. Se colocou do lado de Jason e tentou fazer o mesmo. Ele ainda não conseguia controlar o seu poder de também manipular o vento muito bem, mas diante da pressão, até que conseguiu rápido. Claro que não era tão poderoso como Jason, mas a soma de suas habilidades começava a realmente dar trabalho ao Touro de Creta. O animal forçava as patas, derrapando na areia e sendo arrastado para trás com dificuldade.

–Não vou aguentar por muito mais tempo... –Jason se esforçou para falar, o que provocou uma rápida perda de potencia em seu ataque. O Touro aproveitou para dar mais um passo na direção deles.

Ben não entendeu o que aconteceu. No inicio, pensou que Frank estava doido, pois corria na direção da lateral do monstro, mas logo seu corpo se desfigurou e um elefante surgiu de onde o garoto asiático estava. O animal branco que ainda lutava contra o vendaval à sua frente foi surpreendido pelo ataque do novo oponente à altura. O Touro tombou para o lado oposto à frente e caiu na beirada da água.

–Frank... Frank é um elefante? –Ben perguntou perplexo...

...

Annabeth entrou na casa correndo. Percy estava caído inconsciente, com a barriga virada para o chão. Mais à frente, também na sala, estava uma garota de vestes e cabelos negros, também caída e também inconsciente. Annabeth não tinha tempo para a garota agora. Virou Percy de barriga para cima.

–Percy... Graças aos deuses está vivo... Percy, acorda. – O garoto não se mexeu. Estava claramente respirando, mas seu rosto inexpressivo não dava nem um sinal de vida. – Percy... –ela começava a se preocupar, sacudindo o corpo do namorado. –Acorda! –deu um tapa em sua bochecha a fim de despertá-lo, mas foi novamente inútil. –Percy! Acorda! – lagrimas desciam agora por seu rosto. Começava a perceber que talvez as coisas não fossem simples como ela queria. E se ele não acordasse mais? E se estivesse em um coma ou algo do tipo? – Você prometeu que não ia me deixar de novo, Cabeça de Alga. Nem que eu tenha que te buscar no mundo inferior... ACORDA!!!! – ela deu um soco no seu tórax. – Por favor... Eu não sei o que fazer... Você tem que acordar... Nossos amigos estão em perigo... Não pode me deixar...

...

Percy estava próximo à janela aberta, fitando o rosto do medico preocupado.

– O que está fazendo aí, Percy? – perguntou Dr. Spector. – Saia de perto da janela...

–Ela pulou... –o jovem disse. –Eu tentei segurá-la, mas não consegui...

Percy olhou para baixo, onde antes o corpo da garota repousava, mas agora não havia mais nada. Nenhum sinal de morte ou de que algo acontecera... Sua cabeça girou e ele franziu a testa sem entender...

–Percy... Não tinha nenhuma garota aqui. Estava sozinho nessa sala... –o medico falava com peso na voz.

–Não... – Percy esfregava a cabeça enquanto olhava para baixo, como se aquilo fosse “rebobinar o filme”. –Ela estava aqui... Ela pulou... Onde ela está?

–Percy... Fique calmo. – Spector deu alguns passos em sua direção. – Saia de perto da janela...

Percy olhou para o medico, confuso. Não aguentava mais aquela sensação de não entender o que acontecia. Ele já estava indo na direção do médico quando uma voz surgiu em sua cabeça...

“Você prometeu que não ia me deixar de novo, Cabeça de Alga...”. Era uma voz conhecida, que há muito ele não ouvia. Pelo tom em que falava estava triste, talvez ate chorosa, mas ele a reconheceria em qualquer lugar...

– Annabeth...? – ele murmurou. O Dr. Spector arregalou os olhos quando ouviu o nome, como se temesse que ele estivesse tendo outra recaída...

–Percy... Não existe Annabeth, se lembra? – O homem falava com cautela, tentando se aproximar dele e afastá-lo da janela. De repente, ele se deu conta de quão ridículo aquilo parecia... Não existe Annabeth? Ele não era um semideus? Como chegara a acreditar naquilo?

–É claro que existe... Ela é a minha namorada.

O Dr. Spector o olhou com medo do que ele poderia fazer.

–Percy... Não faça isso. Estava indo tão bem... Já tinha aceitado... –ele retirou um documento do bolso. – Sabe o que é isso? Sabe o que é? São os papeis que o liberam para ir para casa. Já liguei para a sua mãe. Pode continuar o tratamento lá. Não jogue isso fora.

–Isso é uma mentira. – Percy falou, pela primeira vez em algum tempo um sorriso verdadeiro se formava nos seus lábios. A certeza e simplicidade da vida retornavam à sua mente. Sabia o que precisava fazer... – Isso tudo é uma mentira, doutor. Preciso seguir a garota...

–Não! – gritou o homem.

“Você tem que acordar...”, disse a doce voz em sua mente.

– Desculpe, Edward. Preciso ir agora...

–Pare e pense no que está fazendo... –Percy ja se aproximava da janela. – Vai continuar se iludindo? Vai continuar negando as coisas terríveis que te aconteceram? Sua mãe já esta à caminho... – “Nossos amigos estão em perigo...” – Espere ela chegar, Percy. Converse com ela. Está na hora de retomar a sua vida... –Percy o olhou por um momento.

–É exatamente isso que eu pretendo fazer... Retornar à minha vida...

– Prefere fechar os olhos para o que está na sua frente? Vai escolher um sonho ao invés da realidade?

“Não pode me deixar...”

– Não. – Percy falou com simplicidade. –Vou escolher Annabeth...

E ele se deixou cair. O vento bateu atrás de sua nuca, refrescando-o enquanto ele caia em direção à sua morte. Em direção à liberdade. Em direção à Annabeth Chase...

Finalmente, atingiu o chão...

Notas finais
Certo, pessoal. Com esse capitulo gasto todo o meu "estoque" de capitulos. Esse foi o ultimo que escrevi ate agora, então, para conseguir mais tempo para narrar o proximo, vou fazer aquilo que vcs não gostam muito... 10 comentarios no capitulo 12 antes de eu lançar o 13 (e dessa vez vou me controlar para não postar antes - kkkkkk). Ao menos não vou dar spoilers pro proximo como fiz nas outras vezes... (comentem!!!)