Notas iniciais
Está aí outro capítulo pra vocês, divirtam-se.

Por mais que ele tentasse ser engraçado, ou então me consolar, eu não movia um músculo. Não saía sorriso e nem lágrimas, nada. Algumas garotas, inclusive minhas amigas, se aproveitariam da situação. Os dois eram ambos maravilhosos fisicamente e pareciam ser uns amores por dentro, mas o meu caso era completamente diferente. Eu estava completamente parada de frente pros dois, como uma estátua. Uma estátua cujos cabelos voavam conforme o vento passava. Uma estátua cujo coração doía, pois não ficaria com quem ama. – A primeira coisa que me veio em mente após a palavra namorado foi ele. Meu melhor amigo, meu porto seguro. Minha paixão por muito tempo, um amor que eu escondia. E agora eu não teria mais chance? Não é justo. Elijah era tudo pra mim, por mais que ele não soubesse. E mesmo que eu quase chore quando o ver hoje, ele é o único que pode me ajudar.

Fechei os olhos com força, cerrei os punhos e abri a porta. Minha mãe me chamou, mas fui direto para a escada. Subi e entrei no meu quarto. Procurei minha carteira, pus um tênis de corrida e peguei a primeira bolsa que vi. Não importava que horas fossem eu ia vê-lo. Nem que fosse para pedir um conselho ou para despejar tudo e depois me arrepender. – Quando desci, meus pais jogaram perguntas como: “Aonde você vai? Temos coisas para resolver!” ou “Filha, você sabe para onde está indo? Responda!” Mas nada ia me parar, pelo menos hoje eu não teria que engolir aquela verdade. Peguei as chaves do meu carro do lado da porta e saí. Passei por Damon e Stefan, abri a porta do Ford preto e acelerei.


Finalmente havia chegado, estacionei o carro do outro lado da rua e atravessei. A casa continuava como eu me lembrava do lado de fora, mas agora eu sabia que os irmãos dele e de Klaus estavam lá. Kol e Rebekah iam passar alguns meses na cidade, pois Finn havia falecido e eles não conseguiam ficar na casa do irmão mais velho sem se lembrar dele. O que significava algumas mudanças na decoração ou na forma de receber as visitas. Ainda mais às seis da manhã.

Toquei a campainha, Klaus atendeu somente no quarto toque.

— Não acha que está meio cedo para visitar alguém senhorita Gilbert? – Ele disse com um olhar sarcástico. Ele deu um sorriso ao dizer: – Eu realmente deveria mandá-la de volta para casa por essa insolência.

— É caso de vida ou morte. – Segurei minhas duas mãos e implorei fingidamente. – Por favor!

— Elijah está no quarto. – Ele abriu um pouco a porta e gesticulou para que eu passasse. Assim que entrei, ele saiu e foi em direção ao carro. — Deixara a porta destrancada.

Adentrei a sala de estar que era um tanto mórbida. Alguns quadros estavam pendurados na parede e todos eram singulares, bem diferentes. Havia uma mesinha com algumas taças na parede esquerda e do seu lado a passagem para onde ficava a escada. – O quarto dele era no segundo andar. – Comecei a subir e lembrei que nunca havia realmente entrado lá, só havia ficado no corredor esperando por ele. Meu coração acelerou quando eu estendi a mão para bater na porta de madeira. Bati três vezes até a maçaneta começar a rodar. – Foram os três segundos mais angustiantes da minha vida até agora.

Quando a porta se abriu, o vi parado na frente com um sorriso. Ele estava vestindo uma camisa de gola V cinza, e não parecia ter acordado naquela hora. Estava bem demais, mais elétrico do que o normal. Não era de costume vê-lo tão feliz como estava somente naquele segundo. E era capaz de eu estragar aquele sorriso lindo com apenas uma frase...

Soltei uma onda de ar e o abracei. Ele me abraçou de volta e me puxou pra dentro. Ao fechar a porta me perguntou:

— O que aconteceu menina? – Ele afagava o meu cabelo enquanto dizia as palavras.

— Uma coisa terrível! Eu vou ser forçada a me casar Elijah, casar! Meus pais fizeram um acordo para quitar suas dívidas com o Giuseppe Salvatore, e agora vou ter que me casar com um dos filhos dele. Eu não quero, não posso! – As lágrimas finalmente desceram. E o rio que caía dos meus olhos molhava a camisa dele. Eu não estava histérica, mas o pavor na minha voz era evidente. Tão evidente que a cada palavra, ele me abraçava mais forte tentando me consolar. Ficamos em silêncio por alguns minutos até ele conseguir emitir algum som.

— Isso é uma das coisas mais injustas que já ouvi. – Ele apoiou o queixo em minha cabeça. – Eu gostaria de ter algo a dizer para lhe confortar, mas infelizmente não tenho... Quem sabe você não aprende a amar o seu futuro... Marido?

“Aprende a amar...” A frase ecoou na minha cabeça. Não havia como eu aprender a amar alguém, ou você ama ou você não ama, simples. Aquela oração seria reconfortante se eu não estivesse apaixonada por ele. O que fez a frase ter um efeito negativo, doloroso. Fazia dias em que eu pensava em como contar a ele, mas nunca pensei que eu faria isso no meio de uma situação tão insana e confusa.

— Como se aprende a deixar de amar alguém? – Eu perguntei, limpando as lágrimas. Então me afastei e me levantei em seguida. Ele ficou atento a mim, seguindo-me com os olhos enquanto eu andava de um lado para o outro. – É impossível, não é? Dizem que só se cura um amor com outro amor, mas o problema é que eu não quero que este seja curado. Elijah...

— Eu só quero que saiba que vou estar aqui para o que precisar, e se você realmente ama alguém, lute por ele. É sério, a pior coisa do mundo é perder um amor porque você não tentou. – Elijah dizia aquilo de uma maneira triste e solitária, ele ainda pensava em Katherine? Uma garota de cabelos morenos que o encantara, e depois de namorar seu irmão, sumiu no mundo. – Mas eu sei que esse cara vai amá-la de volta.

— Não... Obrigada pela ajuda, mas duvido que você conseguiria convencer a si mesmo de que eu poderia fazê-lo feliz como ela. – Dei dois passos para trás e depois fui em direção à porta, deixando ele para trás boquiaberto. Pendurado na maçaneta estava o chaveiro que eu havia o dado. Segurei-o antes de abrir a porta e sair. – Estou destinada, fadada a me casar com um estranho. Desculpe-me se estou sendo irracional.

Não pude esperar e escutar qualquer que fosse sua resposta. Descendo as escadas, quase tropecei em cima de Kol enquanto ele subia. Ao me desviar pulei quatro degraus e não caí e nem escorreguei no tapete, o que além de ter sido pura sorte, me deu certo tempo. Eu já estava na porta principal quando Elijah apareceu no topo da escada gritando meu nome e pedindo para que eu ficasse. – Por mais que eu quisesse ficar e me segurar à esperança de uma paixão correspondida, não consegui. Só de olhar para trás me coração doía. Abri a porta e saí em direção à rua, em direção a aceitação de que eu me casaria e não seria com ele.

Quando entrei no carro e liguei a ignição, o celular começou a tocar. Estava escrito o nome dele no visor e eu deixei tocando até parar. Se eu estava sendo dramática? Sim, mas eu não podia mais falar com ele se fosse para esquecê-lo, não é? Eu não o esqueceria tão rápido, tinha que ter um atalho. – Liguei o rádio, tentando limpar a mente e pensar no que fazer a seguir. Pisei no acelerador e me dirigi à Mystic Falls High School, onde todos provavelmente estariam em dez minutos. Eu não ia para a escola no meu aniversário, mas agora eu simplesmente precisava ir. Normalidade era necessária.

Quando cheguei ao estacionamento, havia várias vagas livres. Quase ninguém tinha chegado exceto os professores. Acho que era aquilo que eu queria; paz. Havia acontecido muita coisa para somente quarenta minutos do dia acordada. Mas antes que eu pudesse suspirar e dormir dentro do carro enquanto não havia seres vivos no local, vi uma cena que eu simplesmente não acreditaria se eu não tivesse, de fato, visto. – No estacionamento havia um banco que ficava na parte mais escura, não tinha iluminação. Aquele banco ficava a poucos metros de distância da minha vaga favorita, e lá estavam eles; Caroline Forbes e Klaus Mikaelson, sentados e se beijando com se não houvesse amanhã. Eles brigavam como cão e gato, eu nunca imaginaria que aquilo poderia acontecer.

Quando saí do carro, decidi ser estraga prazeres, não estava de bom humor. – Me aproximei dos dois, eles demoraram a sentir minha presença, mas quando sentiram ambos olharam para mim com uma cara de: “Eu posso explicar.”

— Posso roubá-la um instante? É rápido. – Puxei Caroline pela mão, a que não estava em cima da perna de Klaus. Que a propósito, estava nervoso e completamente sem ação.

Fui arrastando-a até o meu carro.

— O que está fazendo? – Ela perguntou. – Quer dizer, o que está fazendo aqui? Não ia faltar?

— Decidi que não quero perder as matérias de hoje, são importantes. – Ela não acreditou, eu mentia muito mal. – Eu preciso desabafar.

— Podia ter deixado para mais tarde...

— Não, eu não podia. Caroline, eu disse tudo a ele. Bem, deixei subentendido e ele percebeu, mas não pude encará-lo para ouvir a resposta. – Ela ficou com o semblante de pena. – Mas não foi por falta de coragem, foi por outra coisa... E eu vou te explicar.

Fiquei quinze minutos explicando o que de fato tinha acontecido, falei sobre tudo naquela manhã, até os detalhes mais ridículos como o fato de eu ter reparado no que minha mãe estava vestindo ou que Jeremy me acordara na hora da escola. Expliquei das dívidas e do casamento forçado, mas quando especifiquei meus “noivos” – Até pensar na palavra me dava certa angústia. – Ela não foi de muita ajuda.

— E o que tem demais? Tudo bem que casar cedo é ridículo, mas pelo menos você terá opções e duas maravilhosas opções. – Disse ela dando ênfase na palavra maravilhosa abrindo a boca exageradamente. Ela tentara me fazer rir, mas não conseguiu. – Se isso não lhe fez gargalhar, é por que é sério. Eu não tinha realmente acreditado, me desculpe. Elena, isso é loucura. Você não pode se casar! E você não pode desistir do..., como você chama? O AMOR DA SUA VIDA!

— Não... Chega de ficar me iludindo. Ele ainda nem esqueceu Katherine... Não posso competir com um fantasma do passado, Caroline. Não posso competir com a única garota que ele realmente amou, sou apenas uma menina idiota que ele conheceu por amizades em comum.

— Elijah enxerga o palmo a sua frente! Ele não é burro, garota. Ele disse ao Klaus sobre você, ele não me disse as palavras certas, mas eu tenho certeza de que ele também gosta de você! Não desista, vai se arrepender muito depois. Você sabe como eu me arrependi depois do Tyler ter se mudado? Eu fiquei péssima... – As olheiras, escondidas atrás da maquiagem, eram por causa de noites sem dormir esperando ele ligar. Tyler dissera que não podia mais ficar na cidade, e deixou Caroline sem uma explicação. Ela ficou deprimida por semanas, mas agora estava aos beijos com um Mikaelson.

— Você não está usando-o, está?

— Mas é claro que não! Eu estou dando-o uma chance, e a mim mesma também. Não posso dizer que superei Tyler, mas eu preciso continuar minha vida. Mas você ainda tem muito a viver, Elijah não está fora do seu campo de visão!

— Não estou mesmo! – Aquela voz me fez dobrar os joelhos. Se o carro não estivesse do meu lado, eu cairia no chão. Talvez por falta de equilíbrio, ou de vergonha. Elijah estava mesmo ali? Ele me seguira? Por quê? Admito que por um momento, pensei em ir para debaixo do carro. Mas lembrei havia uma porta do meu lado e tentei abri-la, enquanto Caroline saía de fininho e voltava para onde estava há algum tempo atrás. – E nem pense em escapar novamente! Nós temos que conversar.

Notas finais
É capaz de eu postar o próximo somente semana que vem, devido às outras fics. Mas quem sabe eu não posto outro amanhã? Um bônus talvez... Falando um pouco da vida dos Salvatore em casa, quem sabe?