The Daughter of Shadows
1 Novos Amigos
Notas iniciais
Pov: Amanda
Nem bem acordei, já dei de cara com um garoto com uma cabeça muito dura.
– Ai! — reclamei.
– Desculpe! — respondeu ele — Achei que não fosse acordar nunca mais. Você está bem?
– Sim. Onde estamos?
– No Central Park. Venha, precisamos ir. Você precisa conhecer a Sara.
– Quem é Sara?
Então, me deparei com uma garota loura um pouco magrela, de sorriso malicioso.
– Olá. — cumprimentou a garota — Que bom que acordou. Está com fome?
Ela segurava uma caixa de papelão com algumas frutas, dois pacotes de pão de queijo, três grandes fatias de torta de amoras e uma garrafa de suco.
– Onde conseguiu tudo isso? — perguntou o garoto de olhos arregalados.
– Bem, as frutas eu peguei ali atrás — ela disse apontando para as árvores que cercavam o parque — a torta e o suco foi a minha mãe que comprou e os pães de queijo eu comprei com o dinheiro que você me deu.
– Mas só tínhamos dinheiro para comprar um pacote.
– Exatamente! — ela sorriu.
– Você roubou?
– Ei, ei, ei. Eu não roubei, eu só... peguei quando ela não estava olhando.
– Devolva isso agora mesmo.
– Não posso!
– E por que não?
– Porque a dona da padaria está vindo atrás de nós agora mesmo. — disse ela apontando para a padaria. Uma mulher baixinha e roliça corria em nossa direção.
– Seus pestinhas! — xingou a mulher — Ladrõezinhos.
– Corre.
O menino pegou a minha mão e desatou a correr. Ele corria de forma engraçada, como se estivesse trotando. Sara era rápida, em questão de segundos ela conseguiu os ultrapassar. Quando estávamos quase despistando a mulher, eu tropecei em uma estúpida pedra.
– Maldito seja! — xinguei — Por que agora?
O menino voltou para me ajudar, mas quando parou, a mulher agarrou o meu braço e ele recuou assustado.
– Você vai pagar! — gritou ela — Por tudo o que roubou!
– Não! — gritei de volta — Eu não roubei nada!
Então, aconteceu a coisa mais estranha do mundo. Sara começou a atirar a "nossa comida" na cara da padeira. Ela imediatamente me soltou, porque pedaços de torta a acertaram em cheio no rosto, lambuzando-a de geleia de amoras. Recomecei a correr enquanto Sara atirava pães de queijo no ar. Quando a mulher estava quase nos alcançando, Sara jogou a garrafa de suco que quebrou na cara da padeira ensopando-a de suco de maracujá.
Corremos até ter certeza de que a mulher não estava mais nos seguindo. Paramos perto de um lago para descansar.
– Não. Consigo. Dar. Mais. Nenhum. Passo! — disse Sara para logo depois fechar os olhos e desabar na grama molhada. Corremos até ela.
– Sara! Você está bem? — perguntou o menino preocupado.
– Não. Estou cansada e com fome. Vou procurar comida.
Ela se levantou e abriu caminho entre as árvores. Ficamos sentados por alguns minutos, então pude repara no garoto que me deu uma cabeçada no nariz. Ele parecia alguns anos mais velho, usava uma calça jeans, uma camiseta que dizia Keep Calm and Preserve a Natureza e um gorro rastafári. Tinha uma barbicha no queixo.
– A Sara está demorando. Não acha? — perguntei.
– Está certa. Vamos procurá-la.
Ele se levantou. Antes que pudesse começar a andar, eu perguntei:
– Espera. Não acha estranho o fato de que estamos sentados aqui e eu ainda não sei o seu nome?
– Está certa novamente. — disse ele fazendo uma reverência — Boa noite senhorita. Eu sou Grover Underwood. Prazer em conhecê-la.
Eu levantei e entrei na brincadeira:
– Amanda Levine. O prazer é todo meu.
– Gostaria de me acompanhar em uma busca por uma garota perdida?
– Será uma honra.
Caminhamos perto de uma árvore, estava totalmente escuro, quando uma mão nos puxou para dentro. Caímos sentados em uma clareira. Sara estava sentada em um tronco diante de uma fogueira. Uma garotinha de vestido marrom estava sentada ao lado dela e remexia o fogo com um graveto. Não aparentava ter mais de 10 anos.
– Achei comida!- disse Sara.
Grover ficou boquiaberto e depois fez uma reverência, eu o imitei.
– Lady Héstia!
– Héstia? — perguntei perplexa — Tipo... Da mitologia grega? Deusa da lareira?
Grover assentiu e foi a minha vez de ficar boquiaberta.
Héstia se ajeitou em seu lugar.
– Grover, acho que terá tempo de explicar isso depois. Devem estar com fome. Por que não se sentam?
Héstia agitou a mãe e um verdadeiro banquete apareceu diante de nós.
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