The Daughter of Shadows
4 Filha de Hermes
Notas iniciais
Pov: Amanda
Acordei de bom humor, o que é estranho para uma pessoa como eu. Na verdade, eu acordei e fiquei de olhos fechados tentando assimilar os acontecimentos de ontem. Mas então, eu senti alguma coisa na minha testa e abri os olhos muito rápido o que, é claro, acabou assustando a pessoa. Quando pude ver quem era, reconheci o garoto loiro que estava ajudando os pacientes ontem à noite.
– Menina do céu! – ele disse assustado. – Assim você me mata do coração.
Sara acabou acordando com todo aquele barulho.
– O que está acontecendo? – perguntou sobressaltada – Quem é você?
– Ah, oi! Desculpe se acordei você. É que eu vim checar a temperatura dela. — disse ele apontando para mim.
– E o que é que você vem fazer na enfermaria ás... 05:21 da manhã? – perguntou ela olhando no relógio.
Ele bufou e respondeu:
– É que o Dan estava consertando alguma coisa e acabou martelando o dedo. Então eu vim ajuda-lo e essa pessoa aqui, — ele apontou para mim com um ar acusador – estava queimando de febre.
Eu e Sara colocamos a mão em minha testa ao mesmo tempo. Realmente eu estava fervendo.
– E... Quem é Dan? – perguntou Sara
– É aquele garoto ali. – ele apontou para um garoto sentado em uma cadeira, com a mão enfaixada, a mais ou menos, 3 camas depois da minha. Ele era alto, magro e seus cabelos eram castanhos e bagunçados. Até que era bonito. Ele acenou. Acenei de volta.
– Sei. E então? O que vai fazer com ela? – perguntou Sara
– Vou dar um remédio para febre. – ele pegou dois comprimidos e um copo de água – E talvez um sonífero. Engula.
Ele enfiou os comprimidos goela abaixo, literalmente. Então tomei a água. Ele jogou os comprimidos tão rápido, que fez minha garganta coçar e eu tossir. Acabei cuspindo água no meu lençol.
– Ops.
– Desculpe. – murmurei.
– Não tem problema. Melhor eu pegar outro lençol.
Sara sussurrou alguma coisa como: “Quem acorda 5:00 da manhã para consertar as coisas? ” “Não sei” respondi.
O garoto voltou com lençóis sequinhos para mim.
– Aqui está.
Estendi o lençol com a ajuda da Sara. Deitei e puxei as cobertas.
– Obrigada.
– Por nada.
– E você não respondeu a minha pergunta. – disse Sara.
– Como assim?
– Quem é você?
– Ah é! Prazer, sou Will Solace. Filho de Apolo.
– Prazer, Sara Whitfield. Filha de... Na verdade, ainda não sei.
– E você?
– Amanda Levine.
– Bom, acho que vocês estão bem. – ele disse bocejando – Vou ver como o Dan está e depois vou dormir. Boa noite garotas.
Ele apagou o abajur e foi embora.
Em menos de um minuto, já estava roncando. Acho que por causa do sonífero.
Dormi como uma pedra. Mas como sou semideusa, não pude deixar de sonhar. Mas a questão é, sonhos de semideuses são, na maioria das vezes, vislumbres do futuro.
Sonhei que estava morrendo. Isso mesmo, morrendo. Estava na beira de um penhasco, quase caindo, sendo sustentada por um galho muito fino. Eu gritava por socorro, mas ninguém me atendia. Por fim, o galho se quebrou e eu despenquei para a morte. Senti alguma coisa puxando meu braço e eu parei de cair com um solavanco. Senti meu braço se deslocar. A dor era tanta, que acabei desmaiando.
Então o sonho mudou, eu estava em um lugar parecido com um acampamento, mas era completamente diferente do Acampamento Meio-Sangue. Era enorme. Eu estava sentada no gramado de uma colina. Era tão grande que eu não conseguia ver tudo, só conseguia ver alguns prédios, templos e um rio. Três adolescentes estavam parados em pé na minha frente. Um garoto e duas garotas. O menino era alto, tinha cabelos louros claros, olhos azuis e uma pequena cicatriz no lábio superior. Usava calça jeans e uma camiseta roxa escrita SPQR. A garota a sua direita não era simplesmente bonita. Era linda. Seus cabelos eram marrom-chocolate que mesmo cortados irregularmente, a deixavam linda e olhos que pareciam mudar de cor. Estava vestindo calça jeans e uma camiseta azul. A garota a sua esquerda parecia ter, mais ou menos, 16 anos, tinha pele clara, olhos negros e cabelos pretos e longos, presos em uma trança. Usava uma toga roxa e armadura dourada.
Eles falavam comigo, mas eu não conseguia ouvir. Eles pareciam perceber que eu não os entendia e isso os deixava confusos. Então, o garoto começou a me sacudir e ouvi uma voz me chamando.
– Amanda!
Acordei assustada. Sara estava me sacudindo.
– Que bom que você acordou. Sabe, eu já perdi o sono. São 7h46, que tal irmos tomar o café?
– Acho uma ótima ideia. Estou morrendo de fome.
Will Solace apareceu do nada, e perguntou:
– Olá. Está tudo bem com vocês?
– Está sim. – respondeu Sara.
– Na verdade não está. – eu disse – Minha cabeça está explodindo. Tive um sonho.
– Espera ai. Vou buscar um analgésico. – disse ele.
Ficamos em silencio enquanto ele buscava o remédio.
– Toma. Você se sentirá melhor. Quer contar seu sonho pra gente?
Contei a eles meu sonho. Will achou estranho o fato de eu não conseguir ouvir os adolescentes que falavam comigo. Ele disse que os conhecia.
– É Jason, filho de Júpiter. E Piper, sua namorada, filha de Afrodite. Essa outra, eu acho que é Reyna, filha de Belona.
Depois que terminei de contar o sonho, Will se levantou e disse:
– Vem, vou chamar Annabeth para levar vocês para o chalé de Hermes. Depois do café, acho que você deveria contar seu sonho a Quíron.
Ele saiu correndo da enfermaria. Depois de um minuto, voltou com Annabeth em seu encalço.
– Vamos garotas. Vamos conhecer o chalé de Hermes.
– Por que chalé de Hermes? Não podemos escolher nossos próprios chalés? – perguntou Sara.
– Não. – disse Annabeth, rindo – A seleção de chalés é de acordo com seu pai ou mãe olimpiano. Por exemplo, filhos de Afrodite ficam no chalé de Afrodite, filhos de Apolo ficam no chalé de Apolo.
Enquanto andávamos, vimos chalés de todos os tipos. O chalé 1 era o maior, parecia uma caixa de mármore branco. Tinha colunas pesadas na frente e as portas, se vistas de ângulo diferente, pareciam atravessadas por raios. Obviamente, era o chalé de Zeus. O chalé de Hera, número 2, era bem parecido, era decorado com delicadas colunas encimadas por romãs e flores. As paredes eram entalhadas com desenhos de pavões.
Passamos pelo chalé 5, era vermelho vivo muito mal pintado, o teto era forrado com arame farpado com uma cabeça de javali empalhada acima da porta. Era com certeza o mais feio. Provavelmente, era de Ares.
– Por que Hera e Ártemis tem um chalé? Elas não têm filhos. – argumentou Sara.
– Hera é a rainha do Olimpo. Não simpatizo muito com ela. Ela me odeia. Se não tivesse um chalé, ficaria zangada. O chalé de Ártemis é usado quando as Caçadoras precisam de um lugar seguro para ficar enquanto Ártemis faz caçadas perigosas.
O chalé de Ártemis parecia um chalé de acampamento aparentemente normal.
– Não se deixe enganar. – disse Annabeth parecendo ler meus pensamentos – O chalé de Ártemis pode parecer um chalé comum de dia, mas possui um fulgor prateado no escuro. Imagens de animais e lanças enfeitam as paredes.
Antes de chegar ao chalé de Hermes, passamos pelo chalé número 10, Afrodite. O chalé era rosa pastel, com cristais pendendo das janelas. Havia vários canteiros de rosas – sem espinhos – das mais variadas cores. Quando passamos em frente, pude sentir um perfume suave e adocicado saindo de dentro do chalé.
– Esse é o mais artificial! – sussurrou Sara.
– Eu concordo. – disse Annabeth. Nós rimos.
Chegamos ao chalé de Hermes. Ele era como um chalé de acampamento normal parecia muito velho, sua pintura marrom estava descascando e a soleira estava desgastada. Acima da porta, havia um caduceu, símbolo de Hermes.
– Chegamos. Chalé 11.
Dois garotos muito parecidos estavam parados na porta. Eles acenaram para Annabeth.
– Estes são Travis e Connor Stoll. Conselheiros do chalé de Hermes. Estas são Sara e Amanda. Indeterminadas.
– O que quer dizer com isso? – perguntei.
– É que ainda não sabem em que chalé colocar vocês. Então vocês ficam aqui. Todos os recém-chegados ficam aqui por um tempo. – explicou Travis Stoll.
– Nem todos. – disse Connor Stoll.
Entramos no chalé. Eles nos levaram até um beliche onde continham duas calças jeans, duas camisetas laranja do acampamento e duas toalhas, eles disseram para nos acomodar. Sara deu um sorriso e disse:
– Eu fico com a cama de cima.
Ela subiu para a sua cama e perguntou para Connor:
– Quanto tempo ficaremos aqui?
Ele riu como se lhe fizessem essa pergunta diariamente.
– Até você ser reclamada.
– Espero que não demore. – ela desceu da cama — Eu acho que vou tomar o café. Você vem Amanda?
– Acho que não. Vou tomar um banho. Poderia me trazer uma maçã?
– Claro. – ela sorriu e saiu do chalé, Connor e a maior parte do chalé foram com ela.
Travis me entregou duas sacolas.
– Aqui, consegui produtos de higiene para você e sua amiga.
– Como sabia que a gente viria?
– Oras, vocês estavam na enfermaria a dois dias. Vieram nos avisar.
– Obrigada. Onde fica o banheiro?
Ele riu e apontou para uma porta logo à frente.
Tomei um banho demorado. Pensei em meu sonho dessa noite, enquanto deixava a água escorrer pelas minhas costas. Quando sai do banho, o chalé estava vazio.
Vesti a calça jeans, que serviu perfeitamente, a camiseta do acampamento e o meu All Star. Penteei meu cabelo e o prendi em um rabo de cavalo. Decidi dar uma volta pelo acampamento e procurar Percy ou Annabeth. Quando passei pelo pavilhão, os campistas estavam em pé, murmuravam alguma coisa. Pude ouvir alguém dizer a palavra reclamar e o nome de Sara. Abri caminho na multidão e encontrei Sara. Um holograma de um caduceu projetava-se acima de sua cabeça.
– Sara!
– Oi. – disse ela me jogando uma maçã – Eu fui reclamada. Sou filha de Hermes.
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