The Daughter of Shadows
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Pov: Amanda.
O quarto em que eu e Piper nos encontrávamos era com toda certeza duas vezes o tamanho do meu chalé no Acampamento. As paredes eram cobertas com um papel de parede preto e o chão também (n/a: no caso do chão é carpete e não papel de parede). As enormes janelas eram guardadas por pesadas cortinas de seda negra. Duas belíssimas camas de casal estavam encostadas na parede a, mais ou menos, 30 metros de distância. Entre elas, uma pequenina flor descansava em um vaso em cima de uma cômoda de madeira velha.
– Que flor bonita. — falei. — Você sabe o nome?
– Adoraria saber.
Fiquei contemplando as pequeninas pétalas prateadas da flor até alguém bater na porta. Piper se prontificou a abrir. Era Chelsea.
– Olá meninas. Estão bem eu espero.
– Bem obrigada. — respondi. — Trouxe algumas roupas para vocês. Podem tomar um banho antes do jantar.
– Tomar banho? — Piper perguntou. — Aonde?
– No banheiro. — Chelsea respondeu como se fosse óbvio.
Ela apontou para uma porta na parede da direita, ao lado de uma das camas.
– Obrigada. — respondi enquanto Piper pegava as roupas.
Chelsea sorriu e se retirou.
– Até que enfim um banho. — Piper falou.
– Pode ir primeiro.
Piper entrou no banheiro e fechou a porta. Sentei em uma cadeira de frente para a janela. Piper saiu uma meia hora depois vestindo um vestido azul marinho de mangas curtas que ia até os joelhos. Ela se aproximou de mim e olhou pela janela.
–Se eu estiver certa... — falei. — Aqueles são os Campos de Asfódelos.
Apontei para um campo no horizonte, três bilhões de vezes maior que um campo de futebol. Um pelotão de fantasmas vagava por lá sem se preocupar para onde estavam indo.
– Exatamente!
– E aquele lá... — apontei um pouco para a esquerda. — São os Campos de Punição.
Comparado aos Campos de Punição, os Campos de Asfódelos pareciam o paraíso. .
–E lá longe... — apontei para a direita. — É o Elísio.
O Elísio era definitivamente o paraíso. Parecia ser o único lugar feliz por ali.
– Sim. Estou vendo que as aulas de mitologia estão dando resultado. — ela disse.
Sorri.
– Quero ir pra lá quando morrer.
– Aposto que irá. Mas pare de falar em morrer.
Peguei uma roupa qualquer e entrei no banheiro. A decoração era preta e branca. Tirei minha roupa do acampamento e entrei no chuveiro. Esfreguei bem meu corpo e o cabelo esperando tirar toda a sujeira e o cansaço. Sai do banho, enrolei a toalha em volta do corpo e prendi o cabelo em um coque frouxo. Vesti o vestido preto de mangas compridas, até os joelhos e saí do banheiro.
– Fomos convidadas para o jantar. Ainda vai demorar quinze minutos. Achei que poderíamos explorar o castelo.
– Tipo, só nós duas? Sem a Tori, nem a Chelsea nem ninguém?
– É. Vai ser emocionante.
– Mas e se Hades nos pegar?
– É um risco que estou disposta a correr.
Coloquei meu tênis e prendi o cabelo direito. Saímos do quarto e começamos a explorar o castelo. Passamos pelo quarto dos meninos e ouvimos alguns burburinhos. Tori vinha caminhando pelo corredor. Vestia um vestido vermelho escuro parecido com o meu. Piper apontou para o quarto. Tori levou o indicador aos lábios e andou cuidadosamente. Colocou a mão na maçaneta e abriu a porta com tudo.
– Buu!!!
Só tive tempo de ver Tori e Piper saírem correndo. Corri atrás delas. Pude sentir um tênis passar zunindo pela minha cabeça. Tori entrou em vários corredores como se já conhecesse o caminho. Minha única escolha foi segui — lá. Por fim, ela parou em um corredor um pouco sombrio, respirando com dificuldade.
– Ai meu rim. Faz tanto tempo que eu não faço isso.
– Quanto tempo? — perguntei recuperando fôlego.
– Ah... Algumas décadas.
Ela examinou o corredor e entrou em alguns quartos. Subimos uma enorme escada em espiral e paramos em um corredor sem saída.
– Droga! — ela praguejou.
– O que foi? — Piper perguntou um tanto aflita.
– Estamos perdidas!
– Achei que soubesse por onde estava indo. — falei. — Eu sabia, mas eu posso ter virado algum corredor errado.
–O que faremos?
– Voltamos. Por aqui senhoritas.
Ela desceu as escadas, entrou em alguns corredores e espiou alguns quartos. Pude vê-la mexer na barra do vestido pelo menos um milhão de vezes. Parecia desconfortável.
– Está bonita. — comentou Piper.
–Hum... Eu realmente não queria vestí-lo. Chelsea meio que me obrigou. Mas obrigada. Você está adorável com esse vestido.
– O que não fica bem nela? — falei. — Filha de Afrodite.
Piper me deu uma cotovelada. Nós rimos. De repente uma voz grossa ressoou atrás de nós.
– Posso ajudá-las? — perguntou Hades.
– Ai caramba. — Tori murmurou.
Nos viramos lentamente.
– Oi pai. — falei.
– Suponho que estejam perdidas.
– Estamos perfeitamente bem senhor Hades.
– Receio que não deveriam estar aqui a essa hora, não é mesmo srta. McLean?
Eu e Tori nos encolhemos, mas Piper não parecia com medo.
– Na verdade, senhor Hades... Creio que não estamos incomodando ninguém. Então podemos muito bem passear pelo castelo ao invés de ficarmos trancafiadas no quarto, não acha?
Nesse momento achei que Piper seria transformada em uma poça de escuridão. Pude sentir que Tori estava com a mesma sensação. Mas ao contrário disso, Hades apenas assentiu.
– Esta certa srta. McLean. Agora queiram me acompanhar. O jantar está servido.
– Perfeitamente. — Piper respondeu.
Hades empurrou nós três para as sombras. Num milésimo de segundo, estávamos em um salão gigantesco em frente a uma enorme porta. Tori e eu conseguimos nos manter em pé. Piper teria caído se Hades não a tivesse segurado pelo braço.
– Você está bem srta. McLean?
Piper parecia a ponto de vomitar. Ela se recompôs e assentiu.
– Estou bem.
– Ótimo. Entremos então.
Com um aceno de sua mão, a porta se abriu ruidosamente revelando um imenso salão. Na mesa de jantar, Nico, Percy, Matt e Will estavam sentados usando belíssimas roupas. Chelsea estava sentada do outro lado da mesa. Usava um vestido de mangas curtas verde escuro.
– Por favor queiram nos desculpar o atraso. As senhoritas se perderam.
– Adoraria lhe lembrar senhor Hades, de que não estávamos perdidas. — disse Piper.
Dei uma olhada para os meninos. Estavam boquiabertos com tanta ousadia.
– Seja como for. Sentem — se. Senhor Willey?
– Sim? — disse Matt ainda um pouco surpreso.
– Por favor, gostaria que recolhesse seu queixo do chão para que nenhum zumbi acabe pisando.
Matt fechou a boca.
– Sim senhor.
Eu e Piper nos sentamos perto de Chelsea. Tori ia se sentar perto de Nico, até Hades repreendê-la.
– Tori.
– Que foi?
Ele apontou para um lugar ao lado de Chelsea. Ela bufou e foi se sentar. Logo depois que sentamos, foi servido um banquete. Presunto cozido, frango com molho de laranja e algumas batatas e cenouras assadas, um patê de figado de ganso com um nome muito estranho que eu não sabia pronunciar, sopas, saladas, tacos de tofu para Piper e muito mais coisas que eu não conseguia enxergar. Comecei a encher meu prato com tudo o que consegui. Para algumas pessoas, o Mundo Inferior não era muito agradável. Mas eu tinha que admitir... A comida era realmente boa.
– E então, Tori e você maninha. O que fazem aqui? Vocês me parecem muito vivas. — disse Percy.
Tori olhou para Hades, um pouco receosa. Ele assentiu.
– Bem, não estamos exatamente vivas. — ela disse — Eu e Chelsea morremos no início da Segunda Guerra Mundial depois de uma missão. Fomos para o Elísio. Nós secretamente invadimos o castelo de Hades. Eu pedi que nos trouxesse de volta a vida, por sermos heroínas, mas ele recusou. Então fizemos um trato. Nós voltaríamos a vida, desde que ficássemos aqui e trabalharíamos no castelo.
– Espera! — disse Nico, aparentemente revoltado — Você deu essa chance para elas e não deu para Bianca?
– Eu ofereci essa oferta a ela, contanto que ficasse no castelo e não fosse à superfície, mas ela recusou.
Nico se silenciou e voltou a comer. Ele saiu um pouco antes de o jantar acabar. Percebi que ele estava com fome, mas não estava muito a fim de ficar ali. Depois do jantar, foi servido a sobremesa. Pudins de sabores variados, bolos, sorvetes, petit gateau, morangos, rocamboles, cupcakes, tortas, chocolates e muitas outras delícias. Me apressei em pegar uma taça de chocolate e encher de morango e chantilly. Vi Percy pegar um pedaço de bolo e sorvete azul. Comemos até estarem todos satisfeitos. Cochichei algo no ouvido de Piper e ela assentiu. Dei uma tossida básica.
– Pai!
– Sim.
– Será que a Tori e a Chelsea podem dormir no nosso quarto essa noite?
– Bem, por que não? Mas serei obrigado a mudar vocês de quarto.
– Sem problemas!
Chelsea parecia meio confusa.
– Tori, por favor leve-as ao quarto você-sabe-qual.
Ela afirmou. Nos retiramos e caminhamos discretamente para a cozinha. Alguns minutos depois, os meninos se retiraram. Pressenti que estavam meio receosos de ficarem sozinhos na companhia de Hades. As garotas, sem saber o que fazer, nos seguiram. Pedi amigavelmente a um zumbi que me fornecesse uma cesta com a maior quantidade de guloseimas que conseguisse. Em poucos minutos, ele atendeu meu pedido. Voltamos ao quarto e pedi a elas que colocassem seus melhores pijamas, pois íamos dar uma festa. Depois de todas estarem devidamente vestidas, invadimos o quarto dos meninos, que também estavam de pijamas.
– O que está acontecendo aqui? — perguntou Will.
– Hora da festa meu jovem! — eu respondi.
Eles pularam das camas e atacaram os doces. Pude ver os olhinhos de Nico brilharem. Comemos e brincamos de guerra de travesseiros até tarde. Depois, deixamos eles encarregados de devolver a cesta. Voltamos para o quarto novo. A diferença do quarto velho para o quarto novo era que ao invés de duas camas de casal, ele estava ocupado por quatro camas de solteiro. Ficamos contando histórias de terror até mais tarde. Por fim, apaguei a luz fraca e amarelada do abajur e me joguei debaixo das cobertas. Peguei no sono por bons 15 minutos. Ouvi passos e abri os olhos. Tori se esgueirava sorrateiramente para a cama de Chelsea. Acendi o abajur. Piper abriu os olhos.
– O que diabos você está fazendo na cama de Chelsea? — perguntei.
– É que eu tive um pesadelo e pedi pra Tori dormir comigo! Problema? — perguntou Chelsea.
– Nenhum! — respondi — Mas você é a namorada dela?
– É, ela é a minha garota! — disse Tori, abraçando Chelsea por debaixo do cobertor.
– Então tá! — apaguei a luz — Boa noite!
Voltei a fechar os olhos. Logo, ouvi murmúrios vindos da cama de Chelsea.
– Será que as duas pessoas se agarrando aí poderiam ficar quietas? — perguntei um pouco alto da minha cama — Eu e Piper, que não estamos pegando ninguém, estamos com a barriga doendo de tanto comer e cansadas!
– Com dor de barriga principalmente! — murmurou Piper.
Os murmúrios cessaram e pude finalmente pegar no sono.
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