The Darkness is Coming
3 As consequências do karma
Jack Frost sabia que era questão de tempo para ele. Tempo para correr atrás, para pensar e para agir, fazer algo antes que ele fosse o primeiro a sumir de vez, mas se nem voar podia... Como iria impedir a própria “morte”?
Era pesado falar daquela forma, mas de forma clara, era assim que se entendia e até temia quando Fada ou até mesmo Breu descobrissem, o senhor da escuridão rindo da miséria que o guardião da diversão estava passando, sofrendo como o outro estava no momento.
Tremeu ao recordar da conversa que teve com Coelhão, recordava do tempo que ninguém conseguia vê-lo, passavam através de si e sua presença era insignificante para até mesmo para os grandiosos guardiões, aqueles que eram vistos pelas crianças e agora... Agora, Jack Frost era um guardião e que estava se esvaindo, não conseguia sair do Polo sem um globo de neve.
Recordava que a um tempo atrás a Mãe Natureza tinha tido uma filha, talvez à oitenta anos e disso veio Karma, talvez ela fosse uma das causas da qual o mundo mais decaiu e Jack já estava colocando a culpa em alguém pela própria desgraça, mas era só parar e refletir do nascimento da garota até os dias atuais.
Tentava arranjar um tempo com Fada para conseguir voltar a voar como antes. Falhava a maior parte, mas conseguia o mínimo possível e mesmo assim era parabenizado pela amiga, que o incentivava quando perdia o ânimo.
Mas Fada deveria olhar para si mesma. A raiz de suas asas pareciam se tornar como a de um pássaro, não mais de um beija-flor e isso só confirmava um temor de Jack...
De que a doença dos medonhos do Breu estavam afetando os que estavam ao seu redor, não só isso como a diminuição da própria crença.
Claro que a Fada não iria deixar de voar assim como Jack, afinal, as crianças bem menores a adoram.
— O seu cajado lhe dá o necessário para voar, não? – Fada perguntou, descansando em um canto das pilastras penduradas se seu santuário — Não vá achando que sou sua amiga que darei um descanso, nem pensar! — Falou determinada.
— Eu que sou o espirito mais malicioso e que controla tempestades de neve, travessuras no Polo e antes atormentava o Coelhão, mas não consigo nem voar cinco metros do "chão" daqui que fico exausto — Resmungou — Então, por favor, uma pausa!
Drama, drama e um tom certo de humor para conseguir a simpatia e compaixão da Fada sem atrair suspeitas demais. Como ela não sabia, Jack preferia que fosse assim, não queria arruinar o bom humor dela que iluminava o dia de qualquer um, levantava até o astral de Jack e trazia a falsa esperança de que tudo ficaria bem. Apenas... Bem.
— Deixe de preguiça, sei que você não pediu uma soneca das areias dos sonhos do Sandyman — Sorriu e Jack sentou ao seu lado.
Observavam as fadinhas trabalhando com o pouco que restou da história contada da Fada. Nenhuma delas parava e nem mesmo a Fadinha paravam com suas funções, mas as vezes a pequena ia até eles e cumprimentava Jack.
— Sandyman é único que mantem o sorriso no rosto, chega a dar inveja — Jack comentou e um silêncio perdurou entre ambos — Ele foi o primeiro guardião que conheci... Mas acho que ele ou eu já comentamos sobre isso — Falou e Fada negou.
— Nunca ouvi essa história, mas gostaria de ouvir uma... Relacionada a crença das crianças, na verdade, queria conversar isso a sério com alguém sem ser cortada ou desmotivada a acreditar — Confessou e Jack franziu o cenho — Jack, o que você e os rapazes estavam conversando a semanas atrás? Sinto que tem relação com o fato de que você não consegue voar como antes, mas relacionei ao fato de que fosse a falta do divertimento das crianças.
Uma coisa que incomodava Jack era que Fada não era nem um pouco boba, ela sempre curiosa queria uma resposta rápida e ali estava ele para tirar qualquer dúvida da mesma.
— Um assunto delicado...
— Só envolvem os rapazes, típico — Fada resmungou, dando uma risada descrente e deixando Jack surpreso — Não gosto quando me escondem as coisas...
— Não estamos escondendo nada, Fad—.
— Jack, olhe as minhas asas... Elas estão se tornando o meu primitivo de séculos atrás — Sussurrou, alarmada — Não esconda as coisas de mim quando na verdade estou no mesmo vento que você ou os outros — Negou com a cabeça, decepcionada.
— É uma longa história da qual não tem tanta explicação coerente — Falou, envergonhado.
— Apenas me conte... — Pediu, tocando o ombro de Jack — Por favor...
— O seu lado primitivo deve estar voltando por conta da falta de crença das crianças, certo? — Sugeriu e Fada concordou — O mesmo está acontecendo comigo, mas ao invés disso.... É como se eu estivesse me tornando invisível novamente, não para vocês ou a maior parte das crianças, mas como se estivesse sendo consumido.
— A Mãe Natureza conversou com todos sobre isso, que ela estava começando a ficar suja e deprimida, comentou que ficava sem ar por conta do desmatamento constante e "ilegal" dos humanos — Fada acrescentou.
— Mas o meu caso não é só a falta de crença, Fada... — Jack sussurrou — Tem algo sujo crescendo em mim, como uma praga... Uma doença — Falou, cauteloso e Fada o olhava, séria — Acho que... Acho que os medonhos ou os pesadelos do Breu vieram para mim e estão se alastrando como um tumor...
E dito, Jack levantou a manga do casaco moletom azul, atraindo o olhar horrorizado da mesma, essa da qual cobriu a boca e seu olhar lilás estava arregalado pela surpresa.
— Mas Breu é um completo hospedeiro dos pesadelos... Como isso pode acontecer? — Sussurrou.
— Fada, eu não sou um hospedeiro, sou alguém que foi infectado e está morrendo, com muitas aspas no morrendo, porquê disso eu estou desaparecendo, ficando fraco e não poderoso — Contou, escondendo a mancha — Eu preciso de ajuda, mas não sei como ser ajudado... Nem considero que posso ter salvação...
— Não diga uma coisa dessas, por favor... — Fada sussurrou, tocando o rosto de Jack com delicadeza, mas suas mãos tremiam — Tem que ter alguma maneira de acabar com isso.
— Será que tem, Fada? — Rebateu, rindo sem graça — Eu não acredito nem em mim mesmo.
— Talvez esse tipo de coisa esteja acontecendo com os outros guardiões, podemos falar com eles, pedir para que a Mãe Nat—.
— Não quero ajuda dela, não mesmo — Negou e Fada ficou frustrada com a resposta — Não gosto nem da presença da filha dela, desde que a garota nasceu... A maior parte dos desastres que fizeram declínio na infância e na diversão das crianças só cresceram desde que ela nasceu.
— Jack!
— E quem liga que ela paga na mesma moeda com uma frase trocada? — Rebateu.
— Mais respeito com ela, Jack! — Fada pediu em tom de reprovação — Ela não tem culpa que os humanos fazem e a mesma apenas reflete, ela não tem poder sobre isso.
Jack duvidava que ela não tivesse controle sobre seus poderes, não gostava da sensação do vazio e da raiz causadora, essa que era alvo de sua angustia. Mas iria parar, pela Fada.
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