The Crown Of Hearts.
5 - Capitulo 4:
Notas iniciais
POV Oliver
De alguma maneira no momento de maior desespero dela, eu havia conseguido alcançar seu cavalo desgovernado e não havia sequer hesitado em pular do meu para o cavalo dela, tomando facilmente as rédeas de suas mãos moles e as prendendo entre as minhas.
— Oliver! — A Princesa gritou se segurando firmemente ao meu corpo, com os olhos arregalados olhando para a frente onde o cavalo ainda desenfreado descia trotando sem parar para puro e total desespero dela. Concentrei-me em manter meu corpo firme sobre o animal tentando ignorar a forma como a voz dela pronunciou o meu nome e fez todos os pelos do meu corpo se eriçarem. Fazia muito tempo que alguém além de Barry e algumas pessoas mais próximas me chamavam apenas de Oliver.
— Segure-se firme em mim, Princesa! — Ordenei com o meu corpo colado atrás do dela, cerrando a mandíbula com a força pela velocidade que estávamos sendo carregados pelo animal. Minha ordem foi o bastante para que ela virasse o corpo e se agarrasse desajeitadamente o máximo que conseguia ao meu e de repente mesmo com aquele monte de roupas e embolação de sua capa eu pude sentir ela trêmula e o cheiro de rosas invadindo novamente minhas narinas. Meus braços estavam firmes em volta dela, ajudando a mantê-la no cavalo sem escorregar e tentando conter o cavalo descontrolado. Minha voz voltou a soar, desta vez bruta e ainda mais forte, ordenando para que o cavalo parasse. E a única coisa que parecia ultrapassar o som da minha voz era as batidas do meu coração que estava ensurdecedor contra o meu peito.
Foi necessário questão de minutos após o incidente até que ela se desse conta que eu havia conseguido acalmar o animal e fazê-lo obedecer às minhas ordens. Estava voltando com o cavalo obedientemente trotando segundo os meus comandos ao lugar onde Barry e as acompanhantes dela provavelmente estariam nos aguardando. Baixei os olhos para observá-la e ver se ela estava bem, e para a minha surpresa encontrei o olhar dela também buscando o meu. Os olhos arregalados, a pele pálida, bochechas e nariz rosados, mas provavelmente por causa do frio impiedoso. Meus olhos caíram levemente até os lábios dela e os percebi trêmulos. Ela continuava aterrorizada! Subi o olhar encontrando o dela novamente e pude notar um detalhe que havia ignorado anteriormente: Lágrimas haviam molhado o semblante dela. Franzi a testa em total preocupação. Deus! Como aquilo havia acontecido? Não era possível que logo aquele dia, seu cavalo mais manso fizesse aquele estrago. Não consiga acreditar que havia sido justo com a pequena e indefesa Princesa que esse infortuno havia ocorrido. Tinha que ter tido mais cuidado, o que faria se algo mais grave tivesse acontecido? Se ele não conseguisse domar o animal? Como contaria a Barry que sua noiva havia sido massacrada pelo animal ou sido lançada violentamente contra uma árvore? Fechei os olhos tentando acalmar o pânico que me bateu. Estava tudo bem agora, felizmente, graças aos céus havia conseguido salvá-la de um acidente mais grave.
— Serei eternamente grata, Majestade! — Ouvi a voz trêmula dela, baixinha ser sussurrada contra minha pele exposta do pescoço, abri os olhos e a vi me olhando abatida ainda se apoiando em meus braços, ainda estava temendo e sua face estava encharcada de suor.
— Vamos procurar os outros e voltar para o castelo... — Falei, afastando o meu olhar do dela e olhado em volta para a floresta de nós. — Você, Princesa já sofreu emoções demais por hoje!
Cavalguei devagar até encontrar meu irmão e as duas francesas que estavam agoniadas ainda no lugar onde todo o terror começou, com os cavalos amarrados nas árvores. Assim que colocaram os olhos sobre o cavalo chegando correram em nossa direção.
— Mon Dieu, Fel! — Marie gritou empurrando meu braço do meio do caminho, na ponta dos pés e envolveu a amiga mole em seus braços, puxando o corpo dela para baixo por ser pequena demais. — Como você está? Está tudo bem? Estás Inteira? Machucou-se? Meu Deus! Como eu temi por sua vida! — Perguntou, afoita afastando-se o suficiente do corpo da amiga apenas para checar que esta estava inteira, enquanto a Princesa respondia sem forçar as palavras dela em francês. Ergui os olhos das duas e procurei Barry que estava próximo de nós com os braços cruzados, roendo a unha, com os cabelos extremamente bagunçados e com o semblante culpado. Entreabri os lábios e soltei um longo suspiro, balançando a cabeça negativamente.
— Venha, Princesa. — Caitlyn também se aproximou, estendendo a mão a amiga. -Desça um pouco desse cavalo, tenho certeza que você precisa se afastar dessa... Besta!
Apertei os lábios um contra o outro, engolindo um sorriso pela forma que ela havia falado e soltei a rédea do cavalo.
— Está se sentindo bem? — Perguntei, pousando a mão no ombro da Princesa que já estava pronta para descer do cavalo. Ela ergueu a cabeça, me olhando e assentiu, sorrindo miúda.
Afastei-me dela e por minha vez desci do cavalo, pronto para dar a volta no animal e prendê-lo em uma das árvores quando fui interrompido.
— Princesa! — Caitlyn gritou me fazendo correr até ela e encontrando com uma Felicity desmaiada nos braços dela e quase caindo no chão. O caos rapidamente se manifestou e entre Barry afoito, tirando a noiva dos braços de Caitlyn, pude ver Marie brigando com Caitlyn e eu soube que teria que agir mais uma vez, caso contrário não sairíamos daquele lugar.
O peso do corpo dela em meus braços, a cabeça apoiada em meu peitoral, nada daquilo me ajudava a focar em levá-la até seus aposentos. Não com o seu cheiro único de rosas invadindo as minhas narinas e me entorpecendo ainda mais. Meus pés firmes pisavam nos degraus que pareciam infinitos, meus braços a seguravam, mas minha mente parecia rodar.
Não evitei e me amaldiçoei uma mais vez. Maldita hora em que havia dito a Barry que eu a levaria comigo em meu cavalo e ele trataria de ir mais rápido e já mandar preparar tudo para quando chegássemos com ela desacordada no Castelo, não teríamos que aguardar mais tempo do que o necessário até que o médico ajeitasse as coisas e fosse examiná-la.
Ela era noiva dele, ele que deveria ter a trago até aqui a cavalo e estar com ela nos braços. Engoli seco, ignorando o incomodo na garganta, não estava gostando nada da sensação estranha que aquele perfume me trazia, gostava menos ainda de saber que quem o carregava por aí não era nada mais nada menos que a noiva de meu irmão.
Cheguei no topo da escada e apressei os passos até alcançar a porta aberta dos aposentos dela, lugar curiosamente abarrotado de pessoas. Barry, Ladies Caitlyn e Marie, o médico e as três criadas. Ignorei-os, passando por eles até alcançar a cama, pousando a Princesa sobre as dezenas de travesseiros e almofadas. Afastei-me e logo ela foi rodeada por eles e pelo médico do castelo que já começava a examiná-la. Lancei um último olhar a ela que estava deitada, com os olhos fechados e corpo pálido, no meio daquela muvuca de cabeças e pedi mentalmente para que ela se recuperasse bem daquele susto.
Girei os calcanhares, direcionando-me para a saída a fim de deixá-los tranquilos, saberia como ela estava mais tarde por Barry, já havia feito a minha parte e agora tinha assuntos urgentes para tratar.
— Majestade. — Senti uma mão leve encostar em meu ombro. Virei o rosto encontrando Lady Caitlyn. — Quero agradecer por tudo o que a alteza fez hoje pela Princesa... — Falou com as bochechas coradas, dando um passo avante e parando ao meu lado. — Não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se não tivesses tão nobremente ido atrás daquele cavalo. — Assenti, engolindo seco ainda a observando. A ideia de pensar naquilo fazia meu corpo tremer e um gosto amargo inundar meus lábios de uma forma insana e incompreendida até por mim mesmo.
— Faria qualquer coisa para manter qualquer uma de vocês seguras. Principalmente ela que é noiva de Barry, ela é da família. — Falei antes de dar as costas não sem antes ver a surpresa tomar conta do semblante dela.
O dia passou rapidamente e o cansaço já começava a ser sentido por meu corpo, tanto é que logo após o jantar — contrariando todos os meus costumes — me retirei e subi até meus aposentos, não sem antes conversar com Barry que ainda encontrava-se preocupado mas tranquilo pois o médico havia lhe assegurado que o desmaio da Princesa havia sido causado pela descarga de adrenalina havia passado e que após um bom repouso ela estaria bem.
Após um longo banho de banheira de água quente, deitei-me entregando-me ao sono.
A brisa da noite entrava pela janela aberta do quarto, o lugar praticamente tomado pela escuridão era apenas iluminado pelas velas que lhe trazia conforto e mistério. Meus pés descalços avançaram pela porta até estar completamente dentro do cômodo, varri o local com os olhos tomado pela curiosidade. Senti a respiração ficar presa nos pulmões ao bater os olhos no centro do quarto. Havia uma enorme e imponente cama com dossel, ele possuía cortinas de linho no mais puro branco e apesar de estarem fechadas podia-se ver a sombra das costas nuas de uma mulher. Instantaneamente senti minha garganta secar e meu corpo aquecer. Avancei curioso em passos calmos até mais perto da cama, sem tirar os olhos daquela silhueta, tomando meu tempo e estudando cada curva, apreciando cada pedacinho de pele que me era ofertado.
Tentei visualizar o rosto dela, mas os longos cabelos estavam jogados de lado, tampando-lhe completamente o rosto. Minhas mãos já estavam sedentas por tocá-la, de alguma forma todo o meu corpo parecia impaciente. Aproximei-me mais e com a garganta seca conclui que tudo o que a cobria era a peça íntima inferior. Ergui a mão e segurei na cortina, abrindo-a devagar, desvendando completamente a mulher a minha frente sem qualquer impedimento.
Passei a língua sobre os lábios, umedecendo-os e puxando a cortina para o lado até eu poder entrar na cama, ajoelhei-me no colchão sentindo meu coração acelerar, minhas mãos soarem e meu corpo — mesmo quente como fogo — ser tomado por um arrepio quando me vi envolto por um só cheiro: O de rosas.
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