The Crown Of Hearts.
2 - Capitulo 1:
Notas iniciais
– Olhe lá! — Barry apontou a carruagem que acabará de parar diante do palácio — Já está tudo pronto para a minha partida, meu irmão. Irei de carruagem até ao porto por ser mais confortável e de lá pegarei o barco que me levará a mim e aos meus soldados ao Reino du Louvre. — Disse, informando passo a passo como seria a viagem. Oliver assentiu, observando os guardas acabarem de guardar as bagagens do Príncipe.
– Quero que sejas cuidadoso por lá, meu irmão. Não quero que se meta em problemas, não esqueças que estarás no Reino da família de sua noiva e que apesar disso, não estás impune se cometeres loucuras. — Aconselhou, virando-se de modo a observar o semblante contente e relaxado do mais novo.
Barry sorriu, assentindo despreocupado.
– Mande meus cumprimentos ao Rei Habner e a Rainha Charlotte. — Pediu, avançando em direção a carruagem, acompanhando Barry.
– Fique tranquilo, Oliver. Irei e voltarei em um piscar de olhos! Nem terás tempo de sentir saudades minhas, meu irmão! — Brincou, erguendo a mão e apertando o ombro tenso do mais velho. — Mandarei seus cumprimentos ao Rei e a Rainha!
Oliver assentiu se despedindo do irmão, dando as últimas instruções e vendo a carruagem se afastar até sair dos portões do palácio.
Os pensamentos de Oliver voaram aos benefícios que a viagem do Príncipe lhe traria. Ele finalmente iria poder ter seu luto em paz, sentir a dor da perda da única mulher que fora capaz de amá-lo e ser digna de seu amor. Longe dos olhos do irmão poderia deixar os ombros abaixarem-se, as costas dobrarem-se e as lágrimas caírem sem nenhum remorso ou temor que seus aposentos fossem invadidos ou seu próprio escritório tomado pela voz animada de Barry e pelas palavras emboladas do mesmo. Trancaria-se em seus aposentos e lá ficaria até surgir uma emergência ou até a volta do irmão. Os pensamentos dele foram interrompidos quando sentiu uma mão pequena pousar em suas costas. Olhou por cima dos ombros, encontrando a Lady Lance.
Uma jovem mulher, com os cabelos castanhos ondulados que emolduravam-lhe a face e deslizavam até o meio das costas. Os lábios pintados de vermelho, as bochechas ressaltadas pelo rouge e o longo vestido preto envolvendo perfeitamente a figura.
– Daria todo o ouro do Reino por seus pensamentos, meu querido. — Sussurrou próxima ao ouvido dele, antes de afastar-se e parar até estar ao lado dele, agora com as mãos frente ao corpo.
Os olhos dele continuaram acompanhando-a por um instante.
– Felizmente você não é a tesoureira do Reino, perderia todo o nosso ouro e ainda assim não saberia o que se passa em meus pensamentos. — Falou, fazendo-a retrair-se fechando o semblante imediatamente.
– Pelo amor de Deus! — Ela resmungou estalando a língua em desagrado e olhando-o de lado. — Se continuar a nadar nesse poço de amargura acabará por se afogar. — Falou entre dentes.
Oliver se manteve-se em silêncio, desviando os olhos da figura feminina, pousando-os uma última vez sobre o jardim central diante do castelo e permitindo-se sentir uma última vez a rajada gelada do frio antes de virar-se dando as costas e pisando duro para dentro do castelo.
I knock the ice from my bones
Try not to feel the cold
Caught in the thought of that time
When everything was fine, everything was mine
Everything was fine, everything was mine
Oliver empurrou a porta secreta no fundo da biblioteca e adentrou o estreito túnel, o castiçal com duas velas acessas na mão esquerda enquanto a direita escorregava pelas paredes firmes com passos quase hesitantes. Virou a cabeça lentamente e olhou para trás se perguntando se mais uma vez seguiria até o fim do túnel, mas mais uma vez o coração palpitou forte e as pernas apressaram-se a continuar o caminho.
As botas pesadas batiam contra o chão de terra, fazendo seus passos ecoarem pelo local, levando-o cada vez mais próximo de seu alvo. Tirou uma das velas do castiçal e acendeu as grandes tochas que estavam penduradas na parede iluminando assim o local por completo finalmente podendo ver o cômodo: Um grande divã feito de ouro com o estofado vermelho sangue ocupava grande parte do local, uma grande estante estava à esquerda e na direita um manequim com um longo vestido de linho puro. E logo a frente uma mesa baixa extensa com livros e perfumes sobre ela, uma jarra de água, uma taça intocada e flores, muitas flores. Flores mortas, móveis, perfumes e objetos completamente cobertos de poeira. O tempo também não havia sido doce por ali, tudo estava sem vida, mas exatamente como ela deixara.
Os pés teimosos dele avançaram até chegar diante do divã e então pela terceira vez em três anos deixou o corpo cair sobre o estofado. As paredes engoliram o choro alto e os soluços do Rei e mais uma vez mantiveram-se fiéis sem deixar sair nenhum dos segredos murmurados por ele naquele lugar.
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put me back together again
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put me back together again
O primeiro dia de fevereiro chegou e com ele marcou o fim do luto sobre o Castelo e do Rei. Todos já estavam cientes de que a partir dali o ano realmente começaria, as cozinhas do castelo trabalhavam a todo vapor, os cocheiros alimentavam os animais, os guardas a postos. A neve continuava caindo rudemente sobre o Reino, o frio ainda mais forte e o inverno longe de acabar. Os pássaros invernais cantavam alto em volta do castelo despertando o Rei que tinha o sono extremamente leve. Os olhos fecharam-se brevemente antes de impulsionar o corpo sentando-se na cama. Passou a mão calejada pelo rosto e soltou um longo suspiro, deixou a calmaria da manhã envolver-lhe uma última vez antes de sair debaixo dos lençóis e levantar-se andando em direção ao guarda-roupas.
A copeira oficial do reino, responsável por servir a Realeza pousou diante do Rei uma taça de frutas invernais enquanto um dos chefes de guarda informava-lhe o percurso diferente que teriam que fazer no dia de hoje para chegarem até a cidade, devido à forte tempestade de neve que caíra sobre o Reino durante a madrugada.
Oliver assentia atento, fazendo comentários e alterando certos arranjos, afinal de contas ninguém ali conhecia as estradas do reino como ele. Passara muitos e muitos anos percorrendo-as com o pai, com Barry e durante o seu próprio treinamento de guerra. Star City não era apenas o seu reino, era cada artéria do seu coração e apenas por ele continuava batendo, mesmo após tanto sofrimento.
– Majestade! — Um soldado adentrou a sala de café, prostrando-se ao Rei e obtendo sua total atenção. — Os guardas que estavam fazendo a ronda avistaram a carruagem de vosso irmão, o Príncipe Barry está de volta ao reino!
O sorriso de Oliver abriu. Finalmente seu querido irmão estava de volta, começará a preocupar-se e a questionar por quanto tempo é que ele ficaria por lá. Já há mais de uma semana que havia partido e querendo ou não admitir sentirá falta do mais novo. Jogou os talheres na mesa juntamente com o guardanapo de linho e ergueu-se, levantando-se da cadeira pronto para ir em direção à entrada do castelo para receber o irmão.
– Majestade! — A voz do soldado interrompeu-lhe novamente, fazendo-o parar de andar e olhar para trás. — Ele não vem só! — O semblante de Oliver tornou-se confuso e a testa franziu. — Os soldados avistaram junto a ele mais uma carruagem... E pelo o que disseram dentro dele está... A herdeira do trono do Louvre, a Princesa Megan veio com o Príncipe e também está chegando ao Palácio.
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