The Crooked Man

7 Capítulo 7 - Nenhum problema.


Notas iniciais
Pessoal, era pra eu ter postado ontem mas o Nyah engoliu o meu capítulo '-' Eu fiquei com tanta raiva e tão desanimado que decidi só postar amanhã, ou seja, hoje. Peço desculpas pelo atraso e espero que gostem do capítulo de hoje ;)

Reino Unido — Inglaterra/1842

Ah, alimentadas eram as minhas esperanças de que os acontecimentos da noite anterior tivessem sido fruto de uma imaginação fértil e da ilusão da noite. Só me dei conta de que meu medo realmente se ocasionou quando percebi a falta do lampião. O fato que me intriga é que dormi estranhamente bem, sem nem mesmo ter pesadelos. Sinceramente, creio que teria sido diferente se não fosse naquele quarto em que passei a noite, pois lá fico tranquilo e relaxado.

Depois de algum tempo de preparo, peguei Hugo e o puis dentro de meu casaco. Pensei que seria muito arriscado deixar meu amigo com aquela coisa lá fora.

Não chovia e consegui passar por todas as plantações tranquilamente. Eu tomava cuidado para não escorregar nos poços de barro que estavam lamacentos devido a chuva de ontem. Quando passei pelas pequenas estradas que surgiam e cheguei na cidade, fui de imediato para a padaria começar com o trabalho que me foi dado.

Fiquei algumas horas na fornalha com a farinha, até que me deu fome. Encerrei o trabalho e me despedi do padeiro, que fez o favor de me pagar naquela mesma hora. Era um homem de pele escura e um pouco calvo. Sempre que o via estava de avental e uma barba recém feita.

Após sair, me dirigi para um pequeno restaurante ao lado do bar de onde já entrei. Era um estabelecimento bonito e confortável. Havia seis mesas fixas, três na esquerda e três na direita. Ao lado de cada havia uma janela de visão para a rua. No fim do local encontrava-se um balcão de madeira com uma senhora idosa atrás. Me sentei em um dos bancos da direita e pedi algumas refeições com molho. Eu comia e desviava a atenção para as pessoas andando na rua. Para uma cidade pequena, o movimento era bom.

Na mesa da esquerda em relação a minha, duas crianças, um menino e uma menina, bebiam suco e davam sorrisinhos sobre algo que apontavam. Mais à frente, um homem idoso de costa curvada e com um bigode branco e espesso saboreava uma sopa. O som da porta se abrindo me fez olhar para trás e ver uma moça muito bonita indo de encontro a atendente com uma cesta de pães nas mãos.

– Ah, Annie, chegou bem na hora! Não há como fazer sanduíche sem pão, não é? — questionou a senhora sorrindo e tomando a cesta.

– Creio que esteja certa, senhora Luvergood. Tive de demorar porque o assistente do padeiro não estava lá e separei todas sozinha. Se incomodou?

Ela tinha os cabelos castanhos e olhos amendoados brilhantes. Sorria como uma garota inocente e tinha o rosto angelical e sem falhas. Tenho certeza de que qualquer homem que se preze daria sua vida por ela.

– Claro que não! Você sempre foi boa moça e me ajudou. Um pequeno atraso não significa muita coisa nessas condições.

– Assim fico mais aliviada...

– Mas agora ainda falta os carvões, Annie, daqui à pouco os mineradores vão terminar o expediente e começarão a vender — estendeu-lhe a mão com algumas moedas — aqui tem dinheiro o suficiente para um saco, volte assim que possível, tudo bem?

– Tudo! Terei um pouco de dificuldade com o peso, mas garanto que...

Ora, teria momento melhor para uma intromissão minha?

– Eu poderia ajudar, se for da vontade da senhorita! — exclamei me levantando e retirando o chapéu como forma de cavalheirismo.

Annie ficou com as faces coradas e estava prestes a responder quando a senhora Luvergood se pôs à frente e juntou as mãos.

– Agradecido seja Deus por isso! Agora, não há mais problemas nenhum.

– Mas... — quando Annie ia protestar, a idosa sussurrou algo em seu ouvido. Não tive capacidade para ouvir do que se tratava, porém, ela corou ainda mais e somente assentiu.

Ofereci meu braço para que ela, que, devagar e timidamente, entrelaçou o seu. Saímos e fomos rumo as minas que se encontravam nos limites de Biggin Hills.

– Tenho vivido aqui desde os meus 4 anos e sinto em dizer que nunca o vi antes, senhor. — aquilo foi quase um sussurro, no entanto, ouvi com clareza. Sua cabeça estava baixa e não pude ver seu olhar.

– Me mudei recentemente — ocultei que a minha casa se localizava na zona rural abandonada, não era necessário este detalhe — venho à procura de independência e vida simples. Sempre fui um garoto que viveu nas custas dos outros, entende?

– Acho muito bonito a sua atitude, senhor. — dessa vez ela levantou o rosto e de um sorrisinho. Um belo sorrisinho.

Começamos uma série de conversas sobre diversos assuntos. Podemos nos conhecer melhor conforme falávamos e isso me deixou animado. Pela primeira vez eu não tinha pensado nela. Eu disse meu nome e ela onde vivia. Parece que é órfã e mora com a tia mais velha. Com os cumprimentos que as pessoas davam, vi que ela era muito querida e conhecida por ali.

Estávamos quase chegando nas minas, onde já empilhavam os sacos de carvão do lado de fora, quando senti uma dor ardente no meu peito. Abri o casaco para ver do que se tratava e de lá saltou Hugo, que começou a correr na direção de um caminhão com trigo que chegava pela parte de trás.

– O que foi isso? — indagou Annie de forma perplexa e com os belos olhos arregalados.

– Meu gato, parece que algo agitou ele, de novo.

Peguei ela pela mão e corri para alcança-lo. Ao chegarmos no local, o caminhão já tinha parado e três homens com camisetas xadrez retiravam de lá um saco com manchas vermelhas e um cheiro horrível que me deixou impressões de déjà vu. Um corpulento com barba castanha e comprida falava com algumas pessoas que tinham ido para lá buscar os empacotamentos de cereal.

– ... então o vimos parado no meio da estrada. Com certeza quem fez isso foi a pessoa com o sangue mais frio que ouso pensar. Brincadeiras do demônio não deveriam existir.

O grupo de gente começou a murmurar e se alarmarem. Annie me puxou pelo braço, curiosa.

– Que será que aconteceu?

Não precisamos de resposta. Meu gato surgiu e fez o favor, ou não, de rasgar o saco com suas pequenas garras. De lá caiu uma figura com roupas amarrotadas e antigas. Seus braços estavam estendidos em posição quase fixa e pareciam duros. A cabeça escondida por panos deformados. O espantalho estava ali. O mesmo espantalho que estava sendo cheirado e rodeado na noite. Parando para pensar, eu percebi que nem me preocupei em checar se ele continuava nas plantações quando acordei.

– Mas que problema causa encontrar um espantalho na estrada? Pode ter sido obra da chuva forte. — alguém na multidão foi quem disse isso.

– Nenhum problema. Se isso fosse um espantalho, e não uma pessoa.

Notas finais
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