Newt não me falou nada e quando vi Minho de braços cruzados em frente aos armários do colégio, tudo o que consegui fazer foi xingar o loiro de todos os nomes possíveis. Nem correr eu podia, já que estava usando cadeira de rodas enquanto não conseguia voltar a me sustentar em pé.

Minho me viu, seus olhos brilharam e depois transmitiram culpa.

Eu ia passar reto. Juro que ia.

Mas minhas mãos tinham vida própria e levavam a cadeira em direção a ele.

— Oi. – ele murmurou.

— Oi. – respondi o vendo encarar as cicatrizes em meu pescoço – Como você está?

— Mal. – deu de ombros se ajoelhando para ficar na altura dos meus olhos – E você?

Tinha plena consciência de que todos os outros alunos nos encaravam.

— Também estou mal fisicamente e psicologicamente. – sussurrei sentindo minha autoestima abaixar cada vez mais.

Em uma cadeira de rodas, cheias de cicatrizes e com o cabelo curtíssimo, eu estava horrível.

— Mas continua linda. – falou como se soubesse o que eu pensava.

Ri seca.

— Não precisa fingir, Minho, eu sei muito bem como estou.

A mão dele foi parar no meu rosto.

— Karine... Eu...

Então o sinal soou.

***

Não foi do dia para noite que Minho e eu finalmente ficamos juntos.

Demorou muito, na verdade.

Nossas mães demoraram a sair juntas de novo, já que ambas estavam ocupadas cuidando da gente. Quando elas voltaram a se encontrar, Minho e eu não íamos com ela, mas com o tempo ele passou a me visitar escondido quando elas estavam fora

Foi em uma dessas vezes que nos resolvemos.

— Esse filme é muito idiota. – Minho alegou deitado ao meu lado na cama.

— Parece a história de Gally e Brenda. – comentei.

— A diferença é que o casal não foi doido a ponto de se declarar publicamente que está junto no casamento dos pais.

— Ainda bem que os pais nos surpreenderam os apoiando. – falei.

— Você acha que nossas mães nos apoiariam? – ele olhou para mim acariciando meu braço.

— Não sei, elas nem sabem que nos encontramos. – confessei – E nem temos nada para elas nos apoiarem.

— Sabe... – Minho se apoiou na cama de lado – A menina no filme teve um primeiro beijo lindo. Você não achou?

— Achei, igual o meu.

— Ah. Você já teve um primeiro beijo, então? – disse a contra gosto – Foi com o Noah?

— Não, foi com você.

Então o puxei para mim.

***

Gally e Brenda foram os primeiro de nós a se casar, o que deixou Teresa visivelmente mais tranquila e a fez pedir Thomas em casamento.

Depois foi a vez de Minho e eu.

Por último Kate e Newt, dessa vez quem pediu foi ele.

Noah conheceu outra garota e descobriu, dessa vez de verdade, o que é amor à primeira vista.

Chuck se tornou um milionário filantrópico e não surpreendeu ninguém com isso.

As minhas cicatrizes e as de Minho, tanto fisicamente quando psicologicamente continuaram a existir, mas aprendemos a conviver com elas.

Depois vieram filhos e em breve teremos netos.

O tempo passou e obviamente amadurecemos bastante.

Percebemos o quanto fomos “bestas” durante a adolescência, mas foi graças a isso que chegamos aqui hoje.

Você erra? Todos nos erramos.

E cada erro nos leva a algum lugar.

Se hoje parece ruim, apenas siga em frente e descubra aonde esse erro vai te levar.

Mas ei! Também não vá cometer um erro de propósito.

Caímos e tropeçamos quase sempre, mas quando levantarmos, teremos aprendido e nunca mais cairemos da mesma maneira, então, não se desepere.

Respire fundo e siga.

Eu erra diversas vezes. Minho também errou.

Tudo isso nos levou a quem somos hoje.

Não importa seu problema, você pode vencê-lo.

Todas as quedas te ensinam algo, apenas garanta que aprendeu a lição.

Nunca se ache idiota por seus erros quando criança, adolescente e adulto. Nunca, porque eles te fizeram chegar onde está hoje e te farão chegar onde estará amanhã.

Lembre-se: Até o pior dos erros pode se tornar uma coisa boa, se aprender com ele.

Se é o que está esperando, aqui vai:

E vivemos – na medida do possível – felizes para sempre.

[...]

Notas finais
EU SEI! Sim, eu sei. Eu tinha dito que ia focar em todas as personagens, mas simplesmente não pude fazer isso. Escrevo o que a “Karine” fala para mim. É como se ela contasse sua história para mim e eu escrevesse para vocês. Entenderam? Não ia força algo. Também sei que acabei muito rápido a fanfic, mas isso foi algo que veio em meu coração. Agora, me dedicarei a outro tipo de escrita, em outro site e sinto que logo uma oportunidade de escrita profissional irá surgir. Bom, alguns tinha curiosidade e hoje vou revelar minha identidade para vocês. Eu me chamo Karine. (Sim, você leu direito e se serve como defesa, eu tinha 14 anos quando escrevi TCC pela primeira vez e só conseguia escrever se o nome da personagem fosse o mesmo que o meu.) Tenho 16 anos. Escrevo fanfics desde os 12 anos (mesmo sem saber o que era fanfic). E você pode me encontrar nessas redes sociais: Instagram: @karinern_ Twitter: @kdudesk Ah! Antes que eu me esqueça... Se você gosta do meu trabalho e quer me acompanhar nessa nova fase, me siga no Wattpad: @karine-raquel. Tenho dois contos publicados lá e em breve estarei, junto com minha melhor amiga, publicando um livro original. Ficaria honrada se dessem uma olhada. Beijos e até.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.