The Cassandra Curse [cancelada]
17 — Capítulo 16 —
Notas iniciais

— Bem — Carlisle riu desconfortavelmente. — Eu não tenho certeza se isso é...
— Por favor — eu insisti. — Eu tenho a sensação de que se eu souber mais, então talvez as minhas visões fiquem mais claras.
Eu sabia que os tinha convencido quando Edward balançou a cabeça compreensivelmente. Ele trocou um olhar com Carlisle.
— Acho que ela tem o direito de querer saber mais. Tenho certeza de que você nunca quis realmente entrar nesse mundo, não é mesmo Cassandra? Mas já que está aqui, não acho que fará mal aprender mais umas coisas.
Eu sorri.
— Obrigada.
O grito de Bella me distraiu. Ela e Jacob estavam conversando no fundo da sala; ela parecia exaltada.
Edward imediatamente foi até ela. Revirei os olhos e disse “até mais” aos outros. Saí do escritório para encontrar Lucas. Se eu quisesse sair escondida de madrugada, então teria de estar em casa por tempo suficiente para poder fingir que tinha ido dormir.
Eu sabia que devia me sentir culpada por tantas mentiras, mas era a única maneira de proteger a minha família de toda aquela loucura. Edward tinha razão: eu nunca quisera entrar nesse mundo.
Encontrei Lucas em uma roda de amigos, rindo e se divertindo. Senti-me mal em ter de atrapalhá-lo.
— Ei, aí está você! — ele disse quando me viu. — Mamãe disse que você estava aqui, mas eu não entendi nada.
Falei alto para me fazer ouvir acima da música.
— Hmm. Lembra-se do meu amigo Jacob? Bella tinha que resolver umas coisas com ele e precisava da minha ajuda.
Não era mentira. Tecnicamente.
Lucas balançou a cabeça, parecendo não dar a mínima para a minha história fajuta.
— Tanto faz — respondeu ele. — Está ficando meio tarde. Acho que podemos ir indo, não acha?
Sorri.
Era tudo o que eu queria.
Lucas e eu estávamos indo para o carro quando ouvi o meu nome sendo gritado. Olhei para trás e vi Jacob descendo as escadas.
— Eu preciso falar com você.
— Continua Lucas — murmurei.
Ele me olhou confusamente.
— Não é o seu amigo?
Para o bem da minha mentira eu tive de dizer:
— Sim, mas eu não estou a fim de falar com ele agora. Entra no carro.
Corri para abrir a porta do carona, porém Jacob pegou o meu braço no último segundo.
— Ei. Qual é, Cass? Vai fingir que não me ouviu?
— Algum problema? — perguntou Lucas com os olhos pousados na mão de Jacob segurando o meu braço.
— Acho que ainda não tivemos o prazer de nos conhecermos — disse Jacob educadamente. — Desculpe. Cass é meio mal educada, às vezes.
— Jacob, pare — pedi. — Eu estou sem paciência para isso hoje.
— Eu só preciso falar com você. Cinco minutos.
— Não.
— Por favor.
— Ei — chamou Lucas. — Ela disse não. Solte o braço dela.
Eu vi a irritação nos olhos de Jacob, mas ele fez o que Lucas pediu. É claro que ele não iria querer começar nenhuma briga.
— Tudo bem. Mas, olha, eu só preciso perguntar uma coisa.
Suspirei cansadamente.
— O que é?
Ele me olhou firme nos olhos.
— Você concordou em encontrar os nossos amigos também. Posso saber por quê?
Ele estava falando de hoje mais tarde.
— Por que eu não quis ficar de fora — respondi simplesmente.
Então, eu entrei no carro e pedi para Lucas dar o fora dali.
***
Acho que era seguro dizer que os meus tios estavam mais do que furiosos comigo. Eu fora uma boa garota e ficara ouvindo os sermões durante a noite sem falar absolutamente nada. É claro, eles me colocaram de castigo. Algo que nunca havia acontecido comigo; meus pais nunca haviam tido necessidade de fazer isso. Pelo contrário, eles às vezes quase me obrigavam a sair.
Eu aceitei numa boa. Quer dizer, eu ainda iria sair de madrugada. Mas, amanhã sim. Amanhã eu iria obedecer direitinho.
Disse aos meus tios que iria dormir e fui para o meu quarto. Abri a porta e apertei os olhos no escuro. Procurei pelo interruptor quando senti uma mão tapando a minha boca e outra agarrar a minha cintura.
Senti o medo embolar o meu estômago antes da voz dele soar em meu ouvido.
— Sou eu, Jacob. Desculpa.
Ele me soltou. Acendi a luz e bati a porta trancando-a.
— Você ficou louco? — sussurrei com irritação.
Jacob só podia ter perdido a cabeça.
— Meus tios e primo estão acordados!
Incrivelmente, ele apenas riu. Senti vontade de bater nele.
—Eu sei. Foi mal. Mas, você não me deu escolha.
— Jacob, é sério. Você tem que parar com isso.
O seu sorriso sumiu.
— Não até você me ouvir.
Suspirei. Não adiantava. Jacob era a pessoa mais insistente do planeta.
— Tá legal — eu disse.
Jacob arregalou os olhos, aparentemente surpreso que eu tivesse concordado.
— Sério?
Balancei a cabeça em afirmativa.
— Sim. Diga o que tem para dizer.
Acenei em direção à cadeira da escrivaninha para ele sentar enquanto eu me acomodava em cima da cama.
Jacob parecia estranhamente nervoso. Eu sei que também deveria estar, mas depois de todas as nossas brigas eu já estava cansada.
— Tudo bem — ele começou. — Antes de qualquer coisa eu quero dizer que sinto muito mesmo pelo o que você viu no outro dia.
— Você já disse isso — cortei-o com a voz sem emoção.
Ele mordeu o lábio.
— Eu sei, mas eu não vou parar de dizer o quanto lamento. Foi terrível. Eu me sinto péssimo desde então.
Ele estendeu a mão para me tocar, porém eu me retraí. Ele engoliu em seco e desviou os olhos para baixo.
— Acho que você também não está tendo o melhor dos momentos.
— Você acha?
— Então, me diz o que eu tenho que fazer para recompensá-la.
Senti minha garganta se contrair.
— É esse o ponto, Jacob. Você não pode.
A última coisa que eu queria era chorar, mas se eu continuasse a olhar em seus olhos era isso mesmo que iria acontecer.
— Só... Só seja sincero comigo.
Ele franziu a testa levemente, mas concordou com a cabeça.
— Você acha que um dia vai deixar de amar a Bella?
Jacob inspirou profundamente.
— Eu não sei — ele sussurrou.
Tentei não deixar aquilo me magoar. Continuei:
— Você sente alguma coisa por mim?
Jacob me olhou fixamente.
— Você sabe que sim.
Dei um sorriso sem humor.
— Eu não sei de nada quando se trata de você, Jake. Você me beijou em uma noite e no outro dia beijou Bella...
Ele fechou os olhos.
— Eu só queria saber... como era.
Franzi a testa.
— Como era o quê? Beijar ela ou eu?
— Ela — ele admitiu abrindo-os novamente.
— E por que você me beijou? — perguntei com a voz baixa. Não sabia se queria ouvir a resposta.
Jacob hesitou por alguns segundos, apenas me olhando. Então, ele saiu da cadeira e sentou ao meu lado na cama. Meu coração acelerou só de sentir o calor dele tão perto de mim. Ele levou a palma de sua mão ao meu rosto e o tocou de leve, levando arrepios a minha pele. Engoli em seco.
— Eu a beijei porque... porque não achei que ia conseguir ficar mais um dia sem fazer isso.
Minha respiração estava rala e meu coração estava batendo muito forte. O rosto de Jacob estava muito perto do meu, e fechando a distância a cada segundo. Eu sabia o que ele estava prestes a fazer. E, para falar a verdade, eu não queria impedi-lo.
— Eu devia mandar você embora — sussurrei.
Jacob colocou uma mão em minha coxa. Uma onda elétrica perpassou o meu corpo. Os olhos escuros dele estavam atentos ao meu rosto o tempo todo; lendo a minha expressão.
— Então, manda — ele disse em um som que teria sido muito mais desafiador se ele não tivesse que sussurrar. Ele se aproximou ainda mais.
— Você é um idiota — eu não sabia o que estava dizendo. Com Jacob tão perto de mim era como se eu não conseguisse funcionar normalmente.
— Eu sei.
Os lábios dele estavam quase tocando os meus quando ele disse isso. Antes que eu sequer pudesse pensar direito, ele me beijou.
Dessa vez, eu sabia o que estava por vir. Retribuí o beijo instantaneamente e pressionei meus lábios contra os dele mais forte ao colocar a minha mão em sua nuca. Jacob reagiu rapidamente e me segurou pela cintura.
Ele tinha um gosto que eu não sabia ao certo identificar. Mas, era doce. Definitivamente doce. Eu nunca havia sentido algo assim. A proximidade com outra pessoa. A paixão que me fazia desejar nunca me separar de alguém. Eu achava que conhecia Jacob, no entanto, ao beijá-lo, eu sentia que havia muito mais a descobrir.
Minhas mãos iam de sua nuca, para os seus ombros largos, seu peito, seus braços... Ele gemia contra a minha boca, o que só me encorajava a continuar a tocá-lo daquela maneira.
Jacob também parecia estar tendo uma sensação similar. Quando separamos os nossos lábios para respirar ofegantes, ele beijou cada centímetro do meu corpo que não estava coberto por roupas. Minha mandíbula, pescoço, ombros... Olhando em seus olhos, vi que eles estavam mais escuros do que o habitual.
Ele parou quando chegou ao ponto onde a cicatriz marcava o meu pulso. Impulsivamente, tentei escondê-la.
— Não. — ele murmurou, antes de encostar os lábios brevemente na cicatriz.
Senti a tristeza ameaçar tomar conta de mim. Porém, antes que isso acontecesse, ele estava me beijando novamente. Sem quebrar o beijo, ele me deitou na cama. Levando o seu tempo, acariciando o meu rosto ele se separou de mim.
Virei para deitar de lado, me aconchegando para mais perto dele. O calor de Jacob estava em todo o lugar. Cobrindo a minha pele. Dentro de mim. Passei meus dedos em seu rosto de leve, apreciando cada centímetro. Ele fechou os olhos e relaxou. Eu nunca o havia visto tão em paz.
— Jake...
— Shh — ele disse baixinho. — Vamos deixar para falar sobre isso depois. Agora... vamos apenas dormir.
Ele passou o braço pela minha cintura e me apertou contra o seu corpo.
Ignorando o fato de que eu teria de lidar com o que acontecera mais tarde, fechei meus olhos também e deixei-me levar pelo embalo de sua respiração profunda.
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