Notas iniciais
Desculpe a demora gente, mas aqui está. Ah, quero agradecer pelos comentários anteriores, fiquei super feliz de saber que vocês estão gostando da fic ^^

Como eu saí da escola mais cedo não pude contar com a carona de tia Jane. Mandei uma mensagem de texto para ela dizendo que tinha tido dois períodos a menos e então, peguei um ônibus até o centro de Forks e resolvi passar na escola de Lucas para surpreendê-lo. E, além do mais, eu poderia dar uma olhada nos alunos; a garota do meu sonho parecia ter idade de estar na escola, portanto era uma chance de... de... Nem eu mesma sabia. Só sabia que precisava ao menos ver a garota, quem sabe isso pudesse me ajudar entender melhor o que tudo isso significava.

É claro que eu precisava também de uma distração. Eu realmente gostara da hora que passara com Jacob mais cedo, porém nunca pretendera deixá-lo descobrir tanto de mim. Tudo bem, eu não dissera nada, ainda assim, a visão da cicatriz em meu pulso revelara tudo aquilo que eu estive tentando esconder. Ele realmente parecia um cara legal, mas eu simplesmente não podia esperar que ele fosse entender ou mesmo aceitar o fato de que eu era uma suicida viciada em antidepressivos. Quanto mais deixá-lo saber que eu podia prever o futuro.

Aproximei-me do estacionamento e esperei por Lucas. Depois de alguns minutos notei que alunos começavam a sair da escola. Senti meu pulso acelerar ante a perspectiva de encontrar a garota do sonho, e minhas mãos voaram instintivamente para o meu bolso procurando pelos remédios. Tive que fazer uma nota mental para pedir a tia Jane para comprar mais, Jacob derrubara todo o meu frasco no chão...

AH!

Lá estava ela! Bella. A garota com cabelos castanhos e de rosto redondo. Ao lado dela caminhava o... o namorado dela. O tal – eu me recusava a classificá-lo como uma criatura mítica. Estava tão absorta pela visão dos dois que, de início, não percebi aquele que deveria ter visto desde o início: Lucas.

Lucas caminhando e rindo com eles. Lucas, meu primo, rindo com as pessoas que ontem mesmo estavam discutindo sobre se tornar ou não um monstro em meu sonho. Escondi-me rapidamente atrás de uma van, tentando controlar minha respiração rápida. Se aquilo tudo fosse verdade – e eu temia que fosse –, se aquele garoto pálido fosse mesmo um vampiro, então Lucas estava em perigo. Eu precisava fazer alguma coisa... Não podia deixar Lucas se envolver em seja o que for que esteja acontecendo.

Observei os três caminhando em direção ao centro do estacionamento e resolvi dar meia volta e ir para casa.

Durante o restante da semana eu tentei tirar informações do Lucas sobre o casal. Bella Swan e Edward Cullen eram os nomes deles. Lucas estava na turma de inglês deles e eles tiveram que fazer um trabalho em grupo. Lucas pareceu demonstrar gostar deles, e eu tive que conter os tremores só de pensar no que poderia acontecer com meu primo. Ainda assim, havia algo que não se encaixava: se o tal Cullen era mesmo um vampiro, por que ele perdia tempo na escola? Será que ele não machucava ninguém? A namorada dele era humana e ela aparentava estar bem... Contudo, minha visão mostrou que ele se considerava um monstro e Bella queria ser um deles...

Isso tudo era muito confuso e estava além da minha capacidade de compreensão. Ainda assim eu me sentia responsável por essa situação já que andava tendo outras visões. Agora era toda a noite o mesmo sonho: igual ao primeiro que tive sobre Bella, que alguém a atacava em uma rua escura. Eu nunca conseguia ver direito o rosto do agressor, embora soubesse que era um vampiro. Será que existiam tantos deles aqui em Forks?

De qualquer maneira, ainda havia outros assuntos que ocupavam minha mente. Eu ainda estava intrigada com toda aquela história de Kim e Jared. Depois daquele encontro deles no corredor, Kim andava com ele o tempo todo. Tivemos uma pequena conversa no refeitório no dia seguinte e ela me contou que havia começado a namorar ele. Fiquei bastante surpresa por que, por mais que eu não entendesse muito de relacionamentos, duvidava que as coisas fossem sempre tão rápidas assim.

Jacob tentou falar comigo no outro dia também, mas não consegui encará-lo.

– Ei, tudo bem? – ele me perguntara no corredor, pouco antes do sinal dar início às aulas.

Meus olhos seguiram direto ao encontro dos dele. O castanho faiscou e eu não pude encarar por muito tempo; era como olhar para o sol.

– Ótima. – murmurei. – Hã, eu tenho que ir agora. Prova de História.

Dei as costas para ele, mas Jacob segurou meu braço.

– Olha, desculpa por aquilo ontem. Não quis te deixar desconfortável.

– Não tem problema. Sério. – falei, olhando para os pés. – Eu tenho mesmo que ir.

E então o deixei no corredor que se esvaziava, à medida que todos se encaminhavam para suas respectivas aulas. Jacob não tentou outro contato comigo depois disso, e eu não consegui decidir se isso era bom ou não. Eu queria poder falar sobre o que ele viu. Explicar a verdade. Mas, pelo o que eu estava vendo nos últimos dias, essa era uma cidade com muitos segredos. E o meu era apenas mais um.

Na noite de domingo, depois de ter um jantar agradável com meus tios e Lucas, fui dormir sentindo-me exausta – havia limpado meu quarto durante toda a tarde. –, não precisei fazer mais do que cobrir-me com meu cobertor fofo e fechar os olhos para dormir.

Acordei na manhã seguinte com a mesma sensação de ter corrido uma maratona. O mesmo sonho novamente. Sonhos repetidos todas as noites era um sinal de que a hora da visão se tornar realidade estava próxima. Era como um relógio, e agora ele estava apontando para a hora em que Bella seria atacada. Sentei-me na cama e esfreguei os olhos para despertar. Não era exatamente minha responsabilidade, porém não podia sentar e assistir alguém morrer sem fazer nada. Não novamente.

A questão era: como avisá-la sem contar meu segredo? Ela nem mesmo me conhecia, como iria acreditar em mim?

Suspirei, sentindo o peso se instalar em meu peito. O peso da culpa que carregava desde muito pequena. O peso de saber e não saber o que fazer com o conhecimento. Meus olhos arderam com a cena que se repetia sempre em minha cabeça: meus pais explodindo sem eu poder fazer nada. E eu sabia... Se tivesse chegado a tempo...

Levantei da cama em um salto. Não, não iria ficar sem fazer nada dessa vez. Iria avisar Bella sobre o que estava prestes a acontecer. E faria isso amanhã mesmo.

Tia Jane me deixou na escola na manhã de segunda-feira e se despediu com um sorriso. Esperei seu carro fazer a curva na esquina para depois correr para o ponto de ônibus. Desci em frente à escola de Forks e andei em direção ao estacionamento lotado. Pus o capuz do casaco para evitar ser reconhecida, virei-me para frente a fim de vê-los assim que chegasse e esperei por Edward e Bella. Eu ainda estava apavorada com o que teria de fazer, porém não cogitei desistir; precisava fazer isso.

Depois de alguns minutos, avistei o volvo prata fazendo a curva para entrar na escola. Meu coração acelerou de repente, minhas mãos começaram a tremer e tive dificuldade de respirar. Os dois hesitaram por alguns minutos no carro e eu me perguntei o porquê. Prendi a respiração quando finalmente os vi sair, mas logo fiquei intrigada; parecia haver algo errado pelas expressões deles. Edward olhava fixamente para um ponto atrás de mim, olhei para trás e senti algo como um tijolo cair em meu estômago.

Jacob estava aqui.

O que ele estava fazendo aqui? E por que ele olhava daquele jeito para Edward e Bella? Eles se conheciam?

Escondi-me atrás de um carro imediatamente e tentei observar sem ser observada. Edward e Bella se aproximaram de Jacob, que estava encostado em sua moto preta. Pela minha posição, eu só podia ver a expressão de Jacob, que parecia tentar permanecer calmo, ainda que pudesse ser visto traços de irritação nos cantos de sua boca. Eu não fazia ideia de como os três se conheciam, mas tinha a impressão de que estava me metendo em algo que estava fora da minha alçada. Agora não poderia avisar Bella sobre o vampiro que iria atacá-la, não podia deixar Jacob saber que eu podia prever o futuro...

Fui surpreendida pelo olhar dourado de Edward Cullen. Ele estava olhando diretamente para mim, uma ruga de concentração em sua testa. Por que ele estava me encarando daquele jeito? Antes que o pânico pudesse me tomar, dei as costas e comecei a andar direto para fora da escola. Não dei nem cinco passos antes de sentir alguém puxando meu braço. Virei o rosto diretamente para Edward, o frio descendo por minha espinha.

– Quem é você? – ele perguntou com a voz baixa, aveludada.

Engoli em seco. Olhei para além de Edward e vi Bella se encaminhando em nossa direção, parecendo extremamente preocupada. Para piorar ainda mais a situação Jacob estava vindo também. Voltei a encarar Edward. Meu braço começou a ficar meio dormente pela força dele.

– Eu...

– Como sabe de tudo isso?

Seu olhar era feroz e eu me vi desejando que Jacob chegasse logo aqui; tinha a curiosa sensação de que se Jacob estivesse comigo Edward talvez não me atacasse. O estacionamento começava a esvaziar...

– Eu não vou atacá-la. – disse Edward soltando meu braço.

Meus olhos se arregalaram. Minha voz saiu aguda:

– Como...?

Jacob e Bella chegaram. Ela estava ofegante. Jacob me encarou com olhos inquisitivos. Voltei-me para Edward.

– Como soube o que eu estava...?

Ele me olhou fixamente.

– Conto o meu segredo se você me contar o seu.

Notas finais
Digaaam o que achaaam :)) Beijos