The Cassandra Curse [cancelada]
14 — Capítulo 13 —
Notas iniciais

— O que você está fazendo? — eu gritei enquanto Jacob me carregava nas costas.
— Estou levando-a para casa — ouvi-o dizer calmamente.
Levantei a cabeça logo a tempo de ver Embry correr atrás de nós.
— Jake, isso não tem graça! Coloque-a no chão!
Jacob voltou-se para Embry um pouco rápido demais, e eu apertei forte o ombro dele, grunhindo em frustração.
— Jacob, me solta!— gritei novamente.
— Embry, fica fora disso — disse Jacob.
Eu apenas pude imaginar a expressão de incredulidade de Embry quando ele respondeu:
— Cara, isso é um encontro! O que é isso? Você não pode simplesmente levá-la!
— Eu estou cuidando da Cass, ok?
— Eu vou vomitar! — falei, sentindo o sangue subir à cabeça. Isso tudo era ridículo demais.
Jacob me tirou de seu ombro e me segurou estilo noiva. Não tive nem mesmo tempo de tentar sair de seus braços quando ele me colocou em seu carro.
— Ei!
— Jacob, eu vou te dar uma surra! — ouvi Embry vociferar enquanto Jacob fazia a volta pelo carro.
— É, sim, vai sonhando — o outro respondeu.
Jacob entrou no carro e o ligou.
— Eu não acredito que você acabou de fazer isso! — eu disse.
Jacob parecia quase calmo demais enquanto dirigia. Pelo retrovisor, vi Embry fazer um gesto obsceno com o dedo.
— Que educado, o seu namoradinho!
— Ele não é o meu namorado! Você estragou tudo, Jacob. Eu estava me divertindo pela primeira vez em semanas.
Ele riu.
— Se ele não é o seu namorado, então por que você estava saindo com ele? E olha, eu não sei você, mas eu estou achando isso aqui divertido.
Senti minhas mãos ficarem geladas, como sempre acontecia quando ficava com raiva. Por um momento, eu senti que poderia socar a cara de Jacob.
— Você não tem o direito de fazer isso!
— Eu estou tentando protegê-la — ele justificou.
— Me proteger do quê? — minha voz subiu uma oitava.
— A cidade está sendo atacada por vampiros, queridinha.
— Não ouse usar esse tom paternal comigo! — cuspi. — Você não pode simplesmente aparecer na minha vida e achar que tem algum direito de fazer decisões por mim.
Ele não falou nada, concentrando-se na estrada. Eu ainda sentia que podia dar um soco nele, então cruzei os braços firmemente e tentei lidar com o fato de que meu primeiro encontro havia sido um completo desastre.
— Quer saber? Isso é ótimo, sabia? — falei entre dentes. Jacob me olhou confusamente. — A primeira coisa normal que eu tento fazer e você estraga tudo!
A expressão dele suavizou.
— Cass, você é normal. — ele disse de modo baixo. — Você não precisa provar nada.
Tentei ignorar o bolo se formando em minha garganta e foquei o olhar nas árvores passando por nós rapidamente.
— Eu... eu não estava tentando provar nada, só...
Não consegui continuar. Não consegui dizer a ele o quanto eu queria ser normal. O quanto eu precisava disso. Eu estava tão cansada de viver como se o mundo a minha volta fosse completamente exterior. Como se eu estivesse separada de todos os outros por uma parede de vidro. Eu podia ver tudo, mas nunca participar. Para sempre enjaulada.
Nós havíamos parado em frente a minha casa sem eu sequer perceber. Jacob desligou o motor, e instalou-se silêncio no carro por alguns segundos.
Ele olhou para mim.
— Cass, você é... Você não enxerga o quanto é especial.
Voltei meus olhos rapidamente para ele.
— O que eu sou não faz de mim especial. Faz de mim alguém amaldiçoada.
— Cass, não fale assim.
— Sim, eu sou.
— Quando eu digo que você é especial não é porque pode ver o futuro, mas porque é uma das pessoas mais altruísta, honesta, e generosa que já conheci — ele disse, nem um traço de dúvida em seu rosto. — E quanto ao seu dom, eu acho que é apenas uma particularidade sua que faz parte de quem você é. Assim como ser capaz de me transformar em lobo faz parte de quem eu sou. Você só precisa aprender a lidar com isso.
O bolo havia voltado em minha garganta. Soltei uma risada débil para esconder o fato de que havia ficado tocada com suas palavras. Jacob aproximou o rosto do meu, os olhos fixos em minha expressão.
— Não duvide disso.
Fiquei muito parada, sequer ousando respirar, embora a falta de ar estivesse começando a me deixar tonta. Ou talvez fosse apenas a proximidade do rosto dele. Eu não sabia de onde estava vindo isso tudo. Achei que aquele circo todo com Embry fosse apenas Jacob sendo irritante, mas agora... Talvez sua recusa em me deixar sair com ele significasse algo mais...
Jacob se aproximou ainda mais. Eu podia sentir o calor irradiando do rosto dele, e minha pele formigou.
— O que está fazendo? — perguntei. Minha voz não mais que um sussurro.
Ele fechou os olhos.
— Eu não sei.
Umedeci os lábios, quase fechando os olhos também. Meu coração batendo tão forte, que eu ouvia seu ressoar em meus ouvidos. Eu queria, mais que tudo, fechar a distância entre nossos lábios. Mas o que ele dissera ainda ecoava em minha mente, me avisando do perigo irresistível daquela tentação...
Eu não sei.
Afastei-me.
Ele abriu os olhos e me olhou confusamente.
— Se você não sabe, então é melhor não fazer nada.
Jacob pareceu magoado por um instante, porém, logo ele sorriu.
— É por isso que eu gosto de você. Você faz a coisa certa, Cass. Não importa o quanto custe. Eu queria ser como você. Queria poder fazer o que é certo para mim, não importa o quanto doesse. Acho que sou um pouco covarde.
— Você não é — afirmei com toda a certeza.
— Então por que eu simplesmente não tomo a decisão certa?
Eu sabia que ele falava de Bella.
— Jake...
Senti meu peito se contrair, a dor de vê-lo sofrer era demais. Eu queria poder fazer algo por ele. Mas, como ele mesmo disse, a decisão tinha que ser dele.
— Jake — comecei novamente. — Eu sinto muito ter sido dura com você. Eu deveria ter ficado ao seu lado. Deveria ter aceitado o fato de que nada vai acontecer entre nós. Ser sua amiga deveria bastar para mim. Desculpe.
Vi seu lábio tremer, seus olhos ficarem brilhantes. Acho que os meus próprios estavam assim.
— Tudo bem — ele se recompôs. — Está tudo bem. Você não precisa se desculpar. Eu é que devia estar fazendo isso.
Permiti-me dar um sorriso.
— Bem, você estragou meu encontro, então acho que está certo.
Ele riu também, mas eu sabia que ele ainda não estava bem. E odiei que não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso.
— Embry vai ficar furioso comigo pelo resto da semana, talvez mais. Mas eu não me importo.
Hesitei por um momento.
— Por que você fez aquilo? — perguntei com a voz baixa. — De verdade.
Ele evitou meu olhar e não falou nada.
Suspirei, sentindo-me um pouco decepcionada.
— Ok — tentei sorrir. — Então, acho que vou entrar agora.
— Claro, claro — ele disse sem me olhar.
Hesitei mais alguns segundos, sabendo que tinha que ir, mas, ao mesmo tempo, não querendo fazer isso. Meus músculos enrijeceram e eu senti meu coração apertar novamente. Minhas mãos mal se contendo para tocar o rosto dele.
Eu não queria deixa-lo.
Mas tinha que fazer isso.
Toquei a maçaneta da porta lentamente.
— Tchau, Jake.
O ar frio da noite me fez tremer quando saí do carro. O céu estava surpreendentemente limpo, apenas com a lua crescente brilhando fracamente. Dei alguns passos em direção à varanda quando ouvi a batida seca da porta do carro. Virei-me e fui surpreendida por ver Jacob vindo em minha direção.
— O que... — comecei.
Então, ele me calou ao pressionar seus lábios contra os meus. A princípio, não me movi. Estava perplexa demais. Porém, depois que o choque deixou meu corpo, meus sentidos começaram a funcionar e eu respondi o beijo. Os lábios dele eram macios, porém firmes. Eu sentia meu rosto quente, a temperatura de Jacob me lembrava do calor do sol da Califórnia. Seu cheiro amadeirado estava em todo o lugar. Enquanto as mãos dele seguravam meu rosto, senti-me em casa pela primeira vez. Automaticamente, minhas mãos acharam lugar em seu peito e eu pude sentir a batida frenética do coração dele. Ele provavelmente sentiu meus lábios se curvarem em um sorriso, porque ele se afastou um pouco e riu. Encorajada por sua resposta, arrisquei morder seu lábio inferior e ganhei dele um gemido baixo. Ele parou o beijo de maneira totalmente diferente de quando começou: ele levou seu tempo, lentamente acariciando minha boca, até que nós dois precisássemos de ar.
Quando Jacob se afastou, seus olhos não eram mais duros, mas o negror estava derretido. Enquanto examinava seu rosto, lutei para recuperar o ar, sentindo minha cabeça girando.
Jacob deixou suas mãos caírem para minha cintura, e senti seu o aperto firme na pele sensível de meus quadris. Os lábios de Jacob estavam semiabertos, sua respiração entrecortada. Ele parecia não estar bem decidido se devia ou não me beijar novamente.
— Eu precisava fazer isso. Boa noite, Cassandra.
Então, ele deu meia volta e entrou no carro, me deixando sentir o frio novamente. Enquanto eu via o Rabbit fazer a curva e desaparecer, não pude deixar de sorrir.
Jacob Black acabou de me dar o meu primeiro beijo.

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