The Captain and The Petal.
32 Thirty-first Chapter. - You're my safe harbour.
Notas iniciais

Você é meu porto seguro.
Uma semana nunca havia se passado tão lentamente. O silêncio de rádio a deixara preocupada. Ela estava no limite e Tony não a deixara ir até onde Steve, Nat e Sam estavam, pois parece que seu namorado ingrato havia se comunicado com ele, mas a deixara ali, sem resposta alguma.
Ela bufou, se remexendo na cama enorme, tentando encontrar uma posição para dormir, foi quando ouviu.
Primeiro, foi uma batida forte na porta, então, algo metálico caindo no chão.
Lynna pulou para fora da cama, agarrando a faca que escondia debaixo do travesseiro, esgueirando-se até a sala de estar do apartamento de Steve, pronta para atacar quem quer que tivesse tirado-a da névoa sonolenta e inquieta que ela estava.
Com um grito de guerra, ela avançou para o invasor, apenas para arregalar os olhos ao se dar conta da enorme figura azul-escura, que a abraçara fortemente, ignorando o objeto pontiagudo em suas mãos.
— Finalmente! — foi tudo o que ela conseguiu distinguir dos sussurros do loiro quando ele a apertou ainda mais contra seu peito. Ela era capaz de sentir o material da estrela em sua bochecha.
— Steve, você está bem? — Lynna perguntou, afastando-se dele para dar uma olhada em suas feições. Não, ele não parece nada bem. — Por que não me mandou nada?
Ele suspirou, para depois fazer uma careta, retorcendo feiamente um corte que ele tinha acima da sobrancelha.
— Eu não queria que eles te rastreassem. — murmurou.
— Você está muito ferido! — foi tudo o que ela conseguiu dizer, e ainda saiu tudo engasgado. — Por que não vamos à ala médica?
Ele negou.
— Não, por favor. Eu quero ficar aqui com você. — ele parecia uma criança perdida quando disse isso. Seus olhos estavam tão arregalados, que ela não tinha como negar nada a ele.
— Tudo bem. — suspirou, acariciando seu rosto. — Mas eu vou querer saber o que aconteceu.
Ele suspirou fortemente, gemendo de dor.
— Sim. — murmurou ofegante, cambaleando em direção ao quarto, sentando-se na beira da cama. — Eu sei que vai.
Seu olhar parecia ferido. Ele encarou-a, hesitante, então ela soube que havia bastante lenha nessa fogueira.
— Eu só queria ter certeza de que você estava segura... — ele recomeçou, ainda mais hesitante. — Ela se parecia tanto... — fechou os olhos com força, então, Lynna viu algo praticamente inédito. Steve chorava. Lagrimas grossas, contínuas como uma cachoeira. Ele estendeu os braços, enrolando-a como um polvo. O seu instinto foi esticar as mãos e afagar os seus cabelos. — Eu tentei ajudá-la, mas ela já havia morrido. Foi minha culpa!
— Shiii... — Lynna murmurou, acariciando seu couro cabeludo, enquanto o embalava suavemente. Ela podia apalpar a sua dor. — Não foi sua culpa, meu amor. — disse. — Nem sempre nós poderemos salvar a todos.
Ele levantou a cabeça, encarando-a nos olhos.
— Mas eu podia salvar ela! Eu tinha tudo em minhas mãos e hesitei! — ele soluçou. — Quando a moça me pediu por socorro, não era ela que eu via. Era você! — ele fechou os olhos com força, fazendo com que mais lágrimas descessem rapidamente. — Havia um tanque na base. Eles estavam fazendo experimentos com a pobre moça. Nós tentamos para-los, mas já era tarde... a moça foi jogada lá dentro e morreu sufocada.
Lynna sufocou um soluço, encostando a cabeça do loiro em seu peito, afagando seus cabelos.
— Se eu tivesse agido mais rápido... — ele amargurou.
— Não havia saída. — ela disse tranquilamente, enquanto se esforçava para não chorar junto. — Mesmo que vocês tivessem tirado-a de lá, ela morreria de qualquer forma. São poucas as que sobreviveram mais que dois dias ao veneno. — beijou sua cabeça. — Você não pode segurar o peso do mundo em seus ombros, Steven.
Ele ficou calado por alguns minutos, até reclamar de algum tipo de dor.
— Você tem que ir a ala médica. — Lynna voltou a falar, afastando-se um pouco do supersoldado.
— Não. — ele disse cortantemente. — Vai curar logo, eu prometo.
Ela chiou.
— Você não pode simplesmente dizer isso. — resmungou.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Amanhã estarei tão bom quanto novo. — teimou.
— Ah, mas não vai ficar assim mesmo. — estreitou os olhos. — Você vai tomar um banho e eu mesma verei suas feridas. — afastou-se do calor de seu corpo, assumindo uma postura severa.
— Mas...
— Sem mais, Steven! Você está indo tomar banho, e eu posso garantir, se não me obedecer, vai implorar para que a doutora Cho o avalie mais tarde.
Ela viu o instante em que ele engoliu em seco, para depois sumir no banheiro. Com seus poderes, “conjurou” um banquinho, fazendo-o sentar-se. Sua grande estrutura ocupando a maior parte do espaço no boxe, mas ela não se importava.
Lentamente, ela correu seus dedos pela espinha do loiro, até chegar ao topo do zíper, correndo-o para baixo, revelando a pele escoriada do supersoldado, fazendo-a engolir em seco.
Ele abriu a boca para protestar e tentou impedi-la de ver, mas num movimento fluido, a parte de cima de seu traje furtivo foi parar ao lado da pia. Agora as marcas de cortes e um ferimento de bala estavam expostos ao seu olhar critico, assim como os roxos e vermelho-escuros das pancadas que ele sofreu.
Lynna deu meia volta, encarando-o com um olhar preocupado.
— Meu amor, não é saudável ser um saco de pancada, não importa o tamanho que você tenha! — ela disse, embalando seu rosto nas mãos relativamente pequenas. — Isso é terrível!
Ele baixou o olhar.
— Amanhã estará curado. — murmurou.
Ela engoliu em seco.
— Era assim que você ficava quando lutava nos anos 40?
Ele deu-lhe um sorriso triste.
— Pior.
Ela chiou, beijando sua testa carinhosamente, antes de afastando-se para o quarto, catando uma de suas facas, então, voltou, encontrando-o na mesma posição, o que era algo bom. Ele acompanhou todos os seus movimentos, até que ela parou em frente a pia, capturando o kit de primeiros socorros com a ajuda de seus poderes, resmungando por viver ao redor de um gigante que colocava as coisas nos piores lugares.
Lynna aproximou-se do loiro, pedindo que ele se levantasse com um aceno, para que ela pudesse tirar suas botas e calças. Ele ainda tentou ajudá-la, mas resolveu ficar quieto após magoar a dor aguda em suas costelas.
Pacientemente, ela ligou o chuveiro, limpando-o do sangue e da fuligem, fazendo-o chiar quando o jato gelado pinicou suas feridas.
Uma vez limpo, Steve voltou a sentar-se no banco, enquanto Lynna verificava suas feridas, limpando-as com soro fisiológico. A maioria dos cortes eram superficiais, amortecidos pelo kevlar, mas havia um em seu braço esquerdo que parecia bem feio.
Ela chiou.
— Vou precisar suturar. — disse. Os olhos do loiro se arregalaram, fazendo-a sorrir suavemente. — Que foi? Eu já fiz isso mais vezes do que pode imaginar. — piscou, para depois erguer a perna direita, apontando para uma cicatriz fina e meio torta em sua coxa interna. — Ferimento de bala, em Madrid.
Steve sorriu com o cenho franzido.
— Parece bem torto. — brincou suavemente.
Ela riu, fazendo um gesto de descaso, enquanto descia a perna.
— Espere até vê a coleção que o seu amigo tem. — riu ainda mais por causa da lembrança. — Nem sempre nós tínhamos médicos disponíveis em nossas missões. Era cada um por si, e eu devo admitir que eu era a melhor nisso. — mostrou-lhe uma cicatriz fina e muito torta na lateral esquerda da barriga. — Como pode ver.
O loiro gargalhou, traçando levemente o dedo sob a pele que ela havia exposto.
— Agora... — Lynna recomeçou. — Vamos começar? — arqueou a sobrancelha, indo até a maleta e retirando a linha e agulha, cortando um pedaço considerável, para depois passá-la pelo buraco. — A vantagem é que o anestésico faz efeito mais rápido. — piscou. — Local ou geral?
Ele arqueou a sobrancelha.
— Eu deveria confiar em você ao redor de agulhas? — perguntou, gemendo ao receber um tapa no ombro. — Você sabe que é verdade. Elas são facas em miniatura.
Ela bufou, negando com a cabeça, então, seu dedo se incendiou, exibindo o gás rosado. Lynna espalhou-o pelo corte no antebraço do loiro, até que ela sentisse que a carne estava dormente ao toque.
O primeiro ponto foi um pouco feio, mas os outros ficaram menores e mais harmônicos. Pelo menos ela conseguiu fazê-los ficarem retos. Não era nenhum trabalho de profissional, mas era o trabalho de alguém que havia sobrevivido muito para “aperfeiçoar” a técnica.
Lynna partiu a linha com a faca, aproximando-se do ferimento de bala no pescoço. Pegou de raspão, mas ela não queria nem imaginar se o projétil tivesse ficado alojado ali.
Mais uma vez, ela acariciou a pele com o seu gás até que ela estivesse dormente, então voltou a suturar a ferida, cobrindo-a com pomada, assim como a sua “irmã gêmea siamesa”.
— Pronto. — disse por fim. — Agora vamos cuidar dessas contusões. — ela apalpou as costelas de Steve, que reclamou de dor. Ela suspirou aliviada por não encontrar nenhuma delas quebradas, devia ser apenas uma luxação, mas ela (infelizmente) não era dotada de poderes de raio-x. — Seria perfeito se você procurasse a ala médica. — disse preocupadamente, acariciando o lado que estava mais dolorido. — E não abra a boca para dizer que vai se curar! Eu não confio totalmente no soro. Você vai sofrer!
Ele sorriu, segurando sua mão, acariciando as costas dela.
— Eu não ligo. — murmurou. — Tudo o que importa está diante de mim. — deu-lhe aquele sorriso filho da mãe que a fazia desarmar. — E eu não estou mais sentindo dor.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Acho que você deveria ter tomado mais aulas com Natasha. — resmungou. — Ainda continua péssimo em mentiras.
Ele sorriu.
— Eu acho que já disse que não consigo mentir para você. — murmurou, segurando seu rosto com a mão gigante. — Obrigado por ficar comigo. — beijou-a suavemente, fazendo-a inebriar-se em seu gosto quente.
— Você não precisa agradecer, krasivyy. — ela murmurou de volta, acariciando seus cabelos. — Agora, eu acho que preciso retirar a torneirinha para terminar seu banho, meu bebê grande.
Ele riu suavemente, levantando-se do banco para que ela fizesse o que havia dito.
Lynna também tomou banho, enrolando-se num suéter fofinho ao chegar ao quarto, deparando-se Steve sentado na beira da cama do seu lado, enquanto acompanhava cada passo que ela dava no cômodo, com os olhos pidões e melancólicos, que lhe pegaram desprevenida.
Ele parecia ainda mais com aquele jovem do painel no museu quando fazia isso.
— Você ainda não está se sentindo bem, não é? — ela perguntou docemente, tocando seu rosto. Ele negou, aconchegando-se contra ela. — Eu sei o que eu posso fazer para te ajudar.
Lentamente, ela o levou mais para cima na cama, colocando-o em seu travesseiro, para depois enrola-lo como uma mamãe polvo, acariciando seus cabelos enquanto cantava uma musica de ninar que sua avó cantava para ela quando criança.
A respiração acelerada do loiro foi se acalmando aos poucos, então, ela deduziu que deu certo.
Quando a melodia acabou, ele sussurrou, quase ininteligivelmente.
— Eu te amo, você é meu porto seguro.
Ela sorriu emocionadamente para as sombras, beijando o topo de sua cabeça, caindo na inconsciência logo em seguida.
*
Quatro anos depois...
Ela não diria que foi fácil. Nem todas as coisas de sua vida surgiram facilmente, e exatamente agora elas ainda não seriam, mas quatro anos se passaram harmoniosamente bem, para falar a verdade.
Lynna estava surpresa em ver como tudo havia funcionado bem. Apesar de fazerem quatro anos que ela não tem um pingo de notícias vindas de seu antigo parceiro, sua vida no Complexo está – estranhamente – maravilhosamente bem, por mais que seu subconsciente surdo esteja lhe dizendo para vigiar as entrelinhas.
Este ano seria marcado por vários acontecimentos bons.
Primeiro de tudo, ela finalmente havia marcado a formatura das Bailarinas para o final do ano, no solstício de inverno, quando as datas festivas do natal iriam se aproximar;
Seus olhos estavam prestes a rever sua herança deixada por sua avó, o seu pedaço dela na Terra;
Ela e Steve estavam finalmente se programando para saírem de férias – ok, duas semanas não podem ser consideradas como férias, podem? –, para explorarem os Alpes ou simplesmente encontrar um lugar calmo para descansar.
Ás vezes não parecia que eles estavam juntos há quase quatro anos. Parecia que eles estavam juntos desde sempre.
Eventualmente, seus amigos comentavam como eles eram inseparáveis e o quão irritantes eles eram quando um ficava longe um do outro, mas isso era apenas seus amigos sendo uns pés no saco. Nada com que ela não estivesse acostumada.
Contudo, havia algo que ela não conseguia se desligar.
Com a descoberta de suas origens e consequentemente seus verdadeiros poderes, conforme o treinamento, Lynna conseguia ser ainda mais sensitiva com a história de “prever o futuro”.
Não era como se ela ficasse estatelada num lugar e começasse a ter insights. Não. Era algo lento, que lhe queimava por dentro e lhe deixava agoniada. Ela sabia que algo muito ruim estava por vir, por mais que não quisesse acreditar.
De uns tempos para cá, ela descobriu que a maioria de suas visões realmente aconteciam.
Coisa que lhe deixava extremamente apreensiva, pois ela não sabia dizer se seus pesadelos eram apenas fruto de sua imaginação, ou ela estava realmente “prevendo o futuro”.
A maioria de suas previsões tinha a ver com Bucky. Em todas elas, ele estava preso em algum tipo de armadilha.
Lynna só esperava que ele estivesse bem. Que onde quer que ele estivesse, a Hydra não tivesse a pachorra de vir atrás dele. Não antes que ela pudesse encontrá-lo.
Suspirou alto, encarando o teto.
Dormir havia se tornado um exercício difícil após um pesadelo terrível.
Contudo, ela estava feliz que o tempo intenso de convivência com um supersoldado tivesse lhe ensinado a não acordar gritando. Ela passou a dominar essa arte muito bem.
Ou nem tanto.
— Eu sei que está acordada. — ouviu a voz rouca e abafada pelo travesseiro. Ela se virou de lado, encontrando olhos azuis brilhando para a escuridão do quarto. — Quer que eu ligue o abajur?
Lynna franziu o nariz, negando.
— Não precisa. — sua voz saiu mais aterrorizada do que ela gostaria.
Steve sentou-se, encarando-a com a testa vincada de preocupação.
— São os pesadelos, não é? Eles têm te atormentado muito essa semana... — murmurou, retirando seu cabelo da testa.
— Como você...?
Ele riu baixinho.
— Acha mesmo que eu não poderia senti-la se mexer? Eu consigo ouvir tudo, até mesmo os seus murmúrios. — disse tranquilamente. — Eu fiquei quieto porque não queria assustá-la, ou deixá-la ainda mais desconfortável, mas depois de uma semana seguida, acho que devemos falar sobre isso.
Apesar da escuridão, dava para perceber o vermelho em suas bochechas.
— Eu não queria incomodá-lo. Você também tem muitos problemas...
Ele segurou sua bochecha.
— Eu pensei que estivéssemos compartilhando nossos problemas. — sussurrou, afagando a pele embaixo de seu dedão. — Ainda somos um casal, não somos? — brincou.
Ela riu, levantando-se para sentar-se em frente ao loiro.
— Eu espero que sim. — devolveu. Contudo, seu sorriso morreu logo em seguida. — São as visões. Eu as tenho com frequência. Contudo, não sei distinguir um pesadelo de uma visão. Tudo o que eu entendo é que eles vão acontecer, não importa o que eu faça... e são todos tão terríveis.
Como aqueles em que ela retornava à Hydra, “incorporava” a Pétala e matava todos os seus amigos e o seu amado, ou aqueles em que ela e uma criança pereciam nas mãos deles. Ela odiava esse pesadelo em específico, pois todas as vezes que acordava, sua marca no pulso – que quase nunca era notada – sempre acordava arranhada e em carne viva.
— São apenas sonhos, princesse. — Steve murmurou, segurando seu rosto com as duas mãos, fazendo movimentos nele que a ajudava a se acalmar. — São fruto da sua imaginação. Você está estressada, é natural que os pesadelos venham perturbá-la.
Oh, como ela queria acreditar em suas palavras...
Mas cada vez que ela lhe dizia que era apenas fruto de sua imaginação, um arrepio gélido lhe afirmava o contrário.
O fato dela não sentir mais a Pétala dentro de si – por mais que não reclamasse – durante esses quatro anos também lhe assustava. Desde que se lembrava, ela convivia com o fantasma cético e filho da puta. Ela estava acostumada a senti-la, mesmo que não fosse saudável para a sua mente.
Ela estando distante só afirmava ainda mais que havia uma grande tempestade se aproximando. Que seu mundinho de miniaturas e coisas brilhantes mais uma vez seria abalado, e desta vez, Lynna não sabia se poderia sair ilesa.
— E se eles forem verdade? E se vierem mesmo atrás de mim? — perguntou fragilmente, segurando na camisa do loiro com um pouco mais de força do que o necessário.
Era um fato que desde que ela havia finalmente começado a treinar seus verdadeiros poderes, provindos da Joia da Realidade, ela havia se descoberto ser tão forte quanto seu namorado.
A final de contas, ela era uma deusa, não era?
— Eu a seguirei até o fim da linha. — Steve respondeu, beijando sua testa. — Eu lhe fiz uma promessa. Ninguém encostará um dedo em você em quanto eu viver.
Ela riu baixinho.
— Eu sei. — murmurou. — Mas há uma única pessoa no mundo com quem você não vai conseguir lutar. — encarou-o seriamente. — Se eles despertarem a Pétala, você não pode me proteger de mim mesma. E você não vai lutar comigo.
Ele apertou-a contra si.
— Então lutarei para que isso não aconteça. — beijou seu cabelo. — Agora venha. Você precisa descansar.
Então, ele a deitou suavemente, puxando-a para seus braços, afagando suas costas, enquanto procurava uma posição ideal.
Lynna foi colocada de costas contra o colchão. Sua cabeça estava no centro dos travesseiros, quando o loiro se ergueu para ficar por cima dela, com um braço de cada lado de sua cabeça.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Pensei que íamos descansar. — murmurou insolentemente. — Você pretende me desestabilizar fisicamente para isso?
O loiro riu.
— Não. Na verdade, eu só ia acender o abajur. — esticou a mão para puxar a corda do objeto. — Mas se você quiser é só pedir. — piscou.
Ela revirou dramaticamente os olhos, afastando-se para que ele pudesse assumir seu lugar, então trouxe sua cabeça para seu peito.
— Eu não peço, eu ordeno. É isso o que as princesas fazem, esqueceu? — ela balançou as sobrancelhas sugestivamente.
Steve jogou a cabeça para trás, sacudindo o corpo quando riu.
— Não, eu não poderia me esquecer disso, vossa alteza? — encarou-a por baixo dos cílios.
Eles ainda brincaram um pouco, até que ela se sentisse mais calma, então o loiro fez algo que ela achou extremamente fofo: começou a cantarolar a sua canção de ninar.
Lynna até tentou ensiná-lo a cantar a melodia original, mas ele foi um desastre, então, após várias noites de pesadelos e crises de ansiedade, ele havia pegado a melodia e começava a cantarolá-la para ela.
Em questão de segundos, a inconsciência bateu, levando-a numa espiral de sono sem sonhos, que era o que ela mais desejava por agora.
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