The Call Of Nárnia
1 Prólogo
Notas iniciais
Enquanto rasteja pelo chão imundo e fétido daquele corredor escuro e sem fim, ela pensava como aqueles humanos poderiam ser tão tolos a ponto de não desconfiarem de sua presença. Contudo, não os julgava totalmente. Ele a tinha criado para ser invisível e assim foi. Apenas ele fora ingênuo o suficiente para acreditar que ela se conformaria com o destino cruel e desprezível do qual foi condicionada.
Não. Ela jamais aceitaria a humilhação que lhe foi imposta. E, muito menos, o perdoaria pelos milhares de anos em que fora obrigada a viver daquela forma repulsiva. Demorou muito tempo, mas seu momento de glória finalmente chegara.
Ele finalmente veria do que ela era capaz de fazer. Poderia ser tão ou mais poderosa do que ele. Todavia, ele jamais aceitaria que ela se igualasse à ele, ela tinha certeza disso. É uma pena, pensou, que você quis pagar para ver. Então assim será.
Chegando ao seu destino, ela rastejou para dentro da cela imunda e escura do calabouço. A prisão era mal iluminada e parecia impossível respirar ali dentro. O local era formado das mais duras rochas possíveis, tendo um pequeno buraco quadrado na parede para que quem quer que estivesse preso, pudesse sentir um resquício de ar do lado de fora.
Seus olhos fitaram o prisioneiro que cada dia mais parecia padecer sob as correntes que apertavam seus pulsos e tornozelos. Sua aparência era deplorável. A barba por fazer estava imunda, assim como seus cabelos negros, cujo comprimento atingiam seus ombros. A pele antes bronzeada, estava opaca e suja graças ao ar desgastante da prisão. Os olhos escuros continham um vazio profundo, e, ao mesmo tempo, assustador para quem visse de fora.
─ Chegou o momento, meu senhor. Está pronto para sair daqui?
O olhar do homem voltou-se para ela. Seus olhos brilharam. Mas não de alegria. Era um brilho de puro ódio. A vingança queimava nas orbes castanhas.
─ Estou pronto para recuperar tudo o que é meu por direito. Inclusive ela. ─ O olhar dele voltou-se para sua companheira durante os anos cativos no calabouço. ─ Espero que você cumpra com sua palavra e entregue-me o prometido.
─ Minha palavra é honra, meu senhor. Se eu prometi, eu hei de cumprir com ela. ─ Respondeu suavemente.
─ Assim espero, minha cara. Não fiquei cativo nessa masmorra para sair de mãos vazias. Quero de volta tudo o que me pertence. Tudo.
─ E terá, como eu prometi. Bem-vindo de volta à vida... Tisroc Rabadash.
─ Que ele viva para sempre.
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