The Brightest Witch of Her Age
1 Capítulo Único
— Senhorita Weasley... — o professor de Poções apoiou-se delicadamente sob sua mesa, fitando Rose com todo o cuidado quem alguém poderia ter. Ela abaixou seu braço lentamente, olhando para os lados, confusa. — Será que a senhorita pode deixar os outros alunos responderem pelo menos uma vez no dia?
A garota congelou na cadeira, de olhos arregalados, parecendo mal ouvir as risadas coletivas da sala. Abaixou a cabeça, inspirando fundo, não escondendo a raiva que distorcia seu rosto. Encostou-se em sua cadeira e cruzou os braços, fitando o professor falar e fazer mil perguntas para a sala, ela sabia todas as respostas, mas se ele prefere ter respostas rasas e incompletas, então vá em frente.
O homem segurou o riso a aula inteira, tentando ignorar o olhar penetrante de sua estudante, e tentou chama-la para conversar no fim do turno, mas ela saiu da sala de queixo erguido, flutuando em sua nuvem de ego.
Ela tirou seus livros da frente de seu crachá de Monitora Chefe quando passou por primeiranistas que cochichavam, os olhando com desconfiança. Ignorou o grupo de garotas sonserinas a olhando com escárnio e bagunçou mais ainda o seu afro, não pedindo licença ao quase atropelá-las. Ao contrário de sua mãe, não precisou de ajuda para aceitar seu cabelo da forma como era. Se ela nasceu com um cabelo que nascia para cima, então era perfeita para ele.
Gostava da sensação de ser única em um exército de cabelos lisos.
— Eu era como você, quando eu era mais jovem, claro... — confessou Minerva McGonagall quando Rose foi reportada por um professor após chamar um aluno de “acéfalo”, o empurrando e performando o trabalho, que era para ser em conjunto, no lugar de todos de seu grupo. Fora no seu primeiro mês de aula em seu primeiro ano. — E senhorita Weasley, acredite, o mundo ainda não está pronto para mulheres como nós.
Mas assim como a maioria dos conselhos, ela simplesmente ignorou.
Rose não se importa em ser ignorada e tachada de chata por corrigir a burrice alheia, aliás, as pessoas deveriam agradecer a ajuda dela.
— Ahhh, finalmente te achei! — Scorpius sentou-se ao seu lado na mesa da Grifinória, não se importando com o olhar dela de reprovação por ele fazer aquilo. — Eu estou tendo um dia horrível!
— Coitadinho do menininho branco... — murmurou ela, enfiando seus livros na bolsa, sem olhá-lo.
— Ok, tchau. — Scorpius ameaçou levantar-se, mas a garota riu, puxando sua capa, depositando um beijo rápido sob seus lábios. Assistiu seu rosto ficar vermelho, como se fosse a primeira vez. Voltou a guardar suas coisas, rindo.
— Então... Você pensou no que eu disse? — Rose continuou colocando suas coisas em sua bolsa, sentindo sua pressão baixar. Ela pensou no que Scorpius dissera no momento em que ele disse e a resposta ainda era não, ela não iria mudar de ideia nunca. Olhou o garoto a sua frente, temeroso, segurando um sorriso. Sempre que sentia que estava a ponto de quebrar seu coração, se lembrava de quando Scorpius lhe disse que quer ser o amor de sua vida da mesma forma que ela é da sua. — Eu sei que você está ocupada pensando em quem vai passar o cargo de Capitã do time e toda a loucura dos N.I.E.M’s, mas... Eu falei com a minha tia lá na Rússia e bem, eu já consegui um apartamento!
Rose forçou um sorriso, fechando sua bolsa. Passou a mão na bochecha de Scorpius, carinhosamente.
— Falamos disso mais tarde. — disse ela, se levantando. Matou o sorriso assim que virou as costas, finalmente conseguindo respirar. Ela se sente um monstro com Scorpius, mas ele precisava entender que eles não namoravam e aquilo não era um relacionamento sério e provavelmente nunca seria porque ela sabia exatamente para onde iria e a Rússia não estava na lista.
Subiu as escadas para a sala Comunal, sem antes parar e dar um berro em alunos da Lufa Lufa que estavam estourando algumas bombinhas em um andar abaixo. Passou a mão na testa, não acreditando que mesmo faltando apenas três meses para o fim de Hogwarts, ela ainda conseguia passar raiva. Disse a senha e entrou na sala comunal, olhando o quadro de avisos, procurando alguma novidade.
— Ei, Rose. — procurou o chamado, achando Lily no sofá com sua namorada. — Chegou uma carta para você.
A garota marchou até Lily, arrancando a carta da sua mão.
— Que droga de coruja, por que ela entrega minhas coisas para você? — Lily riu, assim como sua namorada. — Será que dá pra você parar de alimentá-la pelo menos?
— O que eu posso fazer se até as corujas me amam? — brincou ela.
Rose sentiu seu coração parar ao ver o remetente.
Mal sentiu suas pernas quando correu para dentro do dormitório, fechando as cortinas de sua cama, isolando-se de tudo e todos. Abriu a carta delicadamente, tremendo. Leu as palavras com urgência, uma, duas, três vezes, sentindo sua pressão baixar de vez. Apoiou-se na cama, colocando uma das mãos no peito, ofegante.
Apertou a carta contra seu peito, querendo gritar de felicidade, mas primeiro iria escrever para sua mãe, contando que fora admitida no melhor curso de Medicina Bruxa da Grã Bretanha. Foi difícil para ela a escolha de uma profissão, uma vez que ela sabe que é excelente em absolutamente tudo que faz, quase escolheu a profissão de seu tio Bill, mas a ideia de ser uma medibruxa sempre a atraiu.
Saiu do dormitório, sentindo-se a dona do mundo.
As pessoas sempre davam desculpas para a existência de Rose, as pessoas ainda tinham dificuldade em aceitar que uma mulher negra pode conseguir as coisas. E se aceitam, a usam como um grande milagre, uma inspiração a ser seguida: Ei, por que está se vitimizando? Rose Weasley não fez isso, ela batalhou!
Ela sentia um pouco de culpa quando passava pelos bolsistas de todos os países, da Jamaica a Bolívia, apesar deles a olharem com admiração. Não queria ser usada como exemplo falso, ela era privilegiada, uma exceção da regra. Encontrou Scorpius novamente, sentindo seus braços envolve-la. Ele era adorável, apesar de ter uma personalidade recata, ele tinha um ego que precisava ser constantemente polido e aquilo a deixava entediada.
— Tudo bem? Você parece animada. — indagou ele.
— Eu...
Rose olhou Scorpius, sentindo-se estranha.
Ela acha bonitinho como Scorpius mergulhou naquele relacionamento como se fosse uma piscina com cloro demais. Ele gosta muito dela e ela sente culpa por ser tão amada e não conseguir retribuir como deveria. As pessoas não gostavam dela, e ela sabia que era uma pessoa difícil. Além disso, ela era negra. E não moreninha, ou mestiça, ela era escura, quase a último tom. Mas eles estavam na Grã Bretanha e você tinha que fingir que não sabe a cor das pessoas.
Lembrou-se de suas férias, de estar sentada na cozinha, descarregando em sua mãe todas as suas frustrações enquanto ela assinava um pergaminho atrás do outro. Lembrou-se de seus fios brancos através de suas tranças recém feitas e de seus óculos meia lua. Lembrou-se de como ela pousou a pena e olhou para a filha, decidida a interrompê-la.
— Rose, você é quase uma extensão minha, não precisa me explicar o que sente, porque eu também senti e pensei tudo isso. — disse a mulher, e talvez a única pessoa que em que Rose realmente considerava os conselhos. Ela voltou aos seus pergaminhos. — Você sabe o que fazer, pare de pedir conselhos que não vai seguir.
Ela conseguiu vencer as Olímpiadas de Poções, Transfiguração, Defesa Contra as Artes das Trevas e Xadrez, Hogwarts tem todos esses troféus em seu nome. Foi Capitã do time da Grifinória, quase matando seu pai de orgulho e Monitora Chefe, ninguém é estúpido em dizer que Rose não é uma das melhores alunas de Hogwarts.
Rose sente culpa de ser quem é, porque você nasce simples ou nasce como ela. Como sua mãe. Como Minerva McGonagall. Como Morgana LeFay.
— Eu passei para a melhor escola bruxa de medicina da Grã Bretanha. — disse ela, tranquila. Scorpius olhou seus olhos escuros, assentindo lentamente, parecendo estar engolindo um monte de sentimentos ao mesmo tempo. Ele sorriu para o nada, finalmente soltando o ar de seus pulmões.
— Eu tive um pouquinho de esperança... Foi idiota, eu me auto iludi. — confessou ele, vermelho. — Isso não significa que vamos colocar um fim nisso, certo?
Rose não respondeu, mas sorriu, fazendo Scorpius sorrir mais ainda.
— Ainda bem, porque raramente acontece o que aconteceu entre nós... Amor a primeira vista. — Rose gargalhou, deixando a cabeça pender para trás. Scorpius também riu, colocando as mãos no bolso.
— Você enlouqueceu? Eu te ignorei por anos! E por que está falando por mim?
— É um fato, pare de negar, Rose Malfoy.
— Arrrrghhhh! — contorceu-se ela, tapando os ouvidos. — Não faça isso!
— Imagine, nós dois, você com um longo vestido branco… AI! — Scorpius acariciou seu braço socado, rindo. Se ela era uma extensão de sua mãe, isso significava que ela um dia encontraria alguém que ela não precisaria de explicar...
Talvez ela já tenha encontrado.
Notas finais
Voltando a programação normal... hahahaha
Espero que gostem dessa Rose inspirada na do Cursed Child, ela parece ter uma personalidade fortissima.
Até
;)
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