The Boy Next Door
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Dizer que eu fiquei sem reação é pouco. Eu apenas fiquei parada olhando o papel, de queixo caído e olhos vidrados. Finn acabava de dizer que estava apaixonado por mim. Finn estava apaixonado por mim. Mas como? Por que ele se apaixonaria por mim tendo alguém como Quinn?
Verdade seja dita, eu não era perfeita. Estava longe de ser. Meu corpo definitivamente não era bonito, quer dizer, minha barriga não era super malhada como a das Cheerleaders da minha escola, nem minhas pernas ou braços. Meu corpo era simplesmente aceitável, o que me irritava muito. Isso sem falar dos meus seios, que eram quase inexistentes.
Mas o meu nariz era existente. E como era.
Eu não sabia como responder para Finn. Simplesmente não sabia. Mas, naquele momento, Kurt invadiu o quarto correndo e fechou as cortinas, não deixando Finn ver que era ele.
“Rachel!!”, gritou ele. “O que você tá fazendo aí parada? O menino acaba de se declarar pra você e você fica aí sem fazer nada??”
Eu continuei sem responder. Eu não sabia o que fazer num momento como esse. Ninguém nunca me contou.
“Ok. Visivelmente eu que vou ter que resolver essa história. Bom, pelo menos me ajuda me dizendo o que você tá sentindo.”, ele disse, com a caneta na mão sentado no chão, ao lado do bloco de folhas.
Eu continuei sem falar nada. Apenas sentei na minha cama, ereta. O que eu deveria fazer?
“Rachel!!”, repetiu ele. “Raaaaacheeeeeel!!!”, gritou ele, mais alto ainda.
Pisquei algumas vezes e lentamente tirei meu olhar da janela, pousando-o em Kurt. “O que foi?”
“Finn. Se. Declarou. Pra. Você. Igual. Ao. Garoto. No. Clipe. Da. Taylor. Swift. E. Você. Tem. Que. Responder.”
“Ah.”, sussurrei. “O que eu devo responder?”, eu disse, sem expressão, ainda em estado de choque.
“Bom, era isso que eu tava te perguntando até agora.”
“Eu não sei o que eu devo responder.”
“Ótimo.”, ele disse, largando a caneta no chão e se levantando. Ele pegou meu braço e me puxou para fora do quarto, me deixando lá. Kurt voltou para dentro do quarto. Alguns segundos depois ele estava de volta e começou a me levar para o lado de fora da minha casa.
“Kurt... O que...”, eu perguntei, confusa.
“Só... Vai.”, ele disse, sem parar de me guiar para o lado de fora. Chegando à porta, ele abriu-a e me empurrou para a varanda, fechando a mesma. Sim, eu fui trancada do lado de fora da minha própria casa pelo meu vizinho.
Eu ainda estava um pouco tonta, então não tentei protestar para entrar, apenas sentei na cadeira que ficava na varanda. Eu coloquei minha cabeça entre as mãos, respirando fundo. Meus sentimentos não tinham férias. Nem no fim do ano. O que eu havia feito de errado para merecer isso? Eu estava começando a ficar cansada de sentir tantas coisas em apenas um dia.
De repente, interrompendo meu raciocínio, alguém pegou no meu ombro.
Cansada, nem levantei a cabeça para responder. “O que foi.”, disse, quase inaudível.
“Você sempre vem aqui?”, perguntou uma voz familiar.
Ok, isso era um pouco estranho. Eu, sentada na varanda de uma casa e alguém chegar e perguntar se eu sempre vou ali, como se o local fosse um parque ou algo do tipo. Eu deveria sentir medo? Fugir? Gritar? Ignorar? Responder com bastante cuidado? Acabei optando pela última opção. “Sim...?”, eu respondi, levantando a cabeça. Quando percebi quem era, quase gritei. “Jesse??”
Antes de continuar a narração, seria conveniente se eu falasse um pouco sobre a nova presença.
Jesse St. James era o que eu tinha de mais próximo de melhor amigo, já que ele costumava fazer coral comigo e até hoje tentava puxar conversa ou dar em cima de mim. Ele era doido por mim. No dia dos namorados há mais ou menos dois anos, ele mandou entregar na minha sala um enorme buquê de flores vermelhas. Nem preciso dizer que foi um dos maiores micos da minha vida. Eu, depressiva como era naquela época (ou continuava sendo?), esqueci propositalmente as flores em cima da minha mesa na escola. Ele não estava nem um pouco abalado no dia seguinte, até porque trouxe outro, maior ainda, e entregou pessoalmente para mim. Eu, com medo de ele resolver trazer mais flores no dia seguinte se eu fizesse alguma coisa com as que ele tinha acabado de me dar, agradeci e, chegando em casa, joguei no enorme lixo da cozinha, sem deixar ninguém ver.
“Minha nossa. Você é tão engraçado, Jesse. Por que você não faz stand up?”, eu perguntei, carregada de ironia.
Ele riu. “Acho que você que deveria.”. Ele desviou os olhos do meu rosto, olhando em volta. Ele avistou alguma coisa que o fez travar o maxilar, mas ignorei. “O que você está fazendo aqui a essa hora? Não é exatamente seguro. Pode aparecer o maluco e te levar embora.”
“E esse maluco é você?”, perguntei, olhando-o com raiva. Eu estava tentando organizar meus pensamentos mas Jesse me impedia.
Ele não respondeu e desviou os olhos. “Eu estava com saudades de você, Rachel. Faz umas duas semanas que eu não te vejo por causa das férias... Não posso te visitar em casa?”
“Não.”
“Olha, Rachel, vou ser bastante honesto com você e eu não quero estragar a nossa amizade e não quero que você ria da minha cara.”, ele disse, se virando para ficar de frente para mim.
Eu suspirei, me preparando para qualquer coisa, também me virando para ficar de frente para ele.
“Eu gosto de você.”, ele disse.
Não consegui me segurar e deixar uma das minhas sobrancelhas com certo desprezo. Mas Jesse não viu dessa forma, ele achou que eu estava esperando ele continuar, na verdade.
“Eu te amo, Rachel. Muito.”, ele disse, lentamente aproximando o rosto do meu. Eu, em choque novamente, nem reagi. Seus lábios encostaram delicadamente nos meus quando ele finalmente me beijou. Sem nem perceber, eu estava respondendo ao beijo. Não posso negar que beijar ele era bom, muito bom.
Fiquei pensando se seria assim que as coisas ficariam, mas então lembrei do que Finn havia me falado (na verdade, escrito) há apenas alguns minutos e me afastei da boca Jesse, ao mesmo tempo que meu pai abria a porta da frente.
“Rachel, eu acho melhor você entrar em casa. Pode até ficar acordada, mas do lado de dentro. Ah, e o Jesse fica de fora.”, ele disse, quase dormindo.
Jesse riu. “Não tem problema, senhor. Eu falo com Rachel amanhã.”, ele disse, me lançando um sorriso antes de ir embora andando, o que fazia sentido, já que sua casa não era assim tão longe.
Eu ainda estava em um estado de semi choque, então apenas levantei a mão, querendo, na verdade, acenar. Meu pai entrou em casa e fechou a porta, sem nem me esperar entrar. Ele devia estar com muito sono.
Eu fiquei alguns minutos, apenas ali sentada, olhando para o nada, com a boca entreaberta, até que um movimento no jardim ao lado chamou minha atenção. Quando eu olhei, não havia nada. Pisquei algumas vezes, me levantei e entrei em casa.
Quando eu abri a porta do meu quarto, eu vi Kurt sentado na minha cama, parado, olhando para a porta, na verdade, para mim.
“Por que você fez isso, Rachel?”, ele perguntou, sério.
“Isso o que?”, perguntei, confusa. Kurt às vezes não entendia que era melhor falar logo do que ficar enrolando.
“Dificulta bastante meu trabalho como cupido se você ficar por aí beijando outros caras.”
Eu na mesma hora fiquei bastante vermelha. “O-o que? V-você v-viu?”. Eu poderia tranquilamente considerar isso invasão de privacidade.
“Não só eu...”
A cor que meu rosto antes tinha se esvaiu. “Meus pais também?! Kurt, você tem que me ajudar!! Eles vão ficar doidos e-”
“Que droga, Rachel! Usa a cabeça!”, ele gritou.
Eu parei por um momento apenas encarando o garoto de face avermelhada (devido ao grito) que estava na minha frente.
Ele respirou fundo. “Finn também viu, Rachel.”
Então tudo escureceu.
. . . . . . . . . . . . . . . . . .
Uma campina. Eu estava em um campina de grama bastante verde. Estava cercada de árvores, flores amarelas e roxas, arbustos... Um lugar que era pura natureza. Cheirava a natureza.
Não sei como, eu via à mim mesma sentada de pernas cruzadas no chão, apenas observando o céu. Meu cabelo estava cacheado e eu usava um tipo de tiara, feita de galhos de árvore e folhas. Eu estava usando um vestido azul claro, quase branco, com um colar. Além de todo o meu vestuário pacífico, eu estava de pé descalço.
Depois de algum tempo olhando as nuvens, eu percebi algum movimento do meu lado esquerdo. Era uma pessoa. Só consegui ver quem era quando ela adentrou na campina. Era Finn. Ele também estava usando uma roupa clara e estava de pé descalço.
Quando ele estava bem perto de mim, ele se sentou de pernas cruzadas e ficou um tempo sorrindo para mim. “Eu gosto de ter ver usando esse colar.”
Abaixei os olhos para ver que colar era aquele que eu nem havia prestado atenção. Era uma correntinha dourada, fininha, com um pingente pequeno preso. Um “F”. De “Finn”. “É”, eu disse, depois de pensar por alguns segundos. “Eu também.”
Ele esticou o braço e passou-os pelos meu ombros. Eu sorri e deitei minha cabeça em seus ombros. “Eu te amo.”, ele disse.
Eu olhei para ele, pronta para responder, quando mais uma figura com roupa pacífica apareceu. Jesse St. James. “Vamos?”, ele me perguntou, me ajudando a levantar.
Não, não, não!!, pensei, sem conseguir falar em voz alta. “Sim.”, eu respondi. O que? Eu não queria responder isso! O que estava acontecendo?! Porque eu estava me levantando por vontade própria?
“E aí, o que você quer fazer?”, Jesse perguntou, entrelaçando suas mãos nas minhas, quando eu estava em pé.
“O que você quiser fazer por mim tá bom.”, eu falei, rindo. Mas, afinal, o que diabos estava acontecendo?
Enquanto nos afastávamos da campina, pude ver Finn me olhando com uma expressão indescritível.
“Raaacheeeel!”, eu ouvi alguém gritar muito alto, mas não sabia dizer de onde.
“Raaacheeeel!”, gritaram novamente. Pisquei algumas vezes e percebi que estava deitada na cama do meu quarto.
A pessoa que estava gritando era Kurt Hummel. Aquilo foi extremamente estranho.
“Raaacheeeel!”, ele gritou, uma última vez. Eu perguntei o que havia acontecido, com a mão na cabeça, que estava estranhamente doendo muito.
Kurt explicou que, depois de ter me avisado que Finn havia me visto beijando Jesse, eu desmaiei e fiquei desacordada por uns cinco segundos. Só de ouvir isso de novo, me senti tonta.
Mas, por que diabos meu... “sonho” havia durado mais que isso? Com tudo o que aconteceu ele deveria durar pelo menos um minuto. Meu subconsciente era bastante imprevisível. Aquele dia estava indo de estranho a mais estranho ainda.
“Cadê ele?”, perguntei.
“Ele quem?”. Kurt estava com uma expressão cansada.
“Finn.”
“Acho que em casa... Aonde mais ele poderia estar?”
Eu bufei. “Eu sei que ele está em casa! Mas aonde? Ele tá na janela?”
“Por que você mesma não olha?”, Kurt disse, irritado.
Eu levantei, ignorando o protesto da minha cabeça dolorida. Eu abri a cortina rapidamente e percebi que ele estava sentado, encarando a minha janela, com uma expressão que eu não pude decifrar.
“Kurt, me dá papel e caneta. Rápido.”
Fale com o autor