The Boy Next Door

2 'Cause you don't really love me


Notas iniciais
Capítulo 2 pra vocês. Hope you enjoy :)
(desculpa pela angst...)

–Capítulo 2-

Fomos andando lentamente até a casa dele. Quando chegamos à porta, eu quase comecei a chorar. Havia sete anos que eu não parava naquela porta. Sete anos que eu não ia todo dia pra casa do Finn e passava a tarde toda lá. Era nostalgia demais para um segundo só.

Ele abriu a porta e nós entramos na pequena salinha de entrada. Ele jogou as chaves por cima de uma mesinha encostada em uma das paredes, que tinham um papel de parede listrado azul, com um efeito antigo. Tudo bem que a decoração não era a mesa, mas o sentimento continuou sendo nostálgico.

Quando entramos na sala maior, percebi que a pior parte de entrar na casa de Finn já havia passado, já que a nostalgia diminuiu um pouco.

Mas como eu estava enganada a respeito da pior parte ter passado.

“Oi, Finn, eu precisava falar com você sobre...” começou a mãe dele, Carole, que estava sentada no sofá, assistindo televisão. Ela se interrompeu e ficou me encarando de boca aberta. Não consegui identificar se aquilo era um olhar de surpresa positivo ou negativo.

“Rachel? Rachel Berry?”. Eu apenas dei um sorriso de lado como resposta. No instante seguinte, Carole estava atravessando a sala e me abraçando. “Rachel, como você cresceu!” ela disse, com felicidade, enquanto me abraçava. Se formos ser realistas, eu não cresci tanto assim. Minha altura continuava sendo abaixo da média para meninas da minha idade.

Eu apenas ignorei esse fato e retribui o abraço com força, até porque eu tinha sentido saudade da Carole. Não era possível negar que eu passei boa parte da minha infância com ela, já que eu tinha dois pais gays, ela era o que eu tinha de mais próximo de mãe. Eu passava dias na casa dos Hudson, cozinhando, brincando de se maquiar, fazendo desfiles de moda com ela, enquanto Finn tinha algum esporte ou jogava videogame.

“Eu senti sua falta, sweetie” ela me disse, com voz chorosa.

“Eu também” respondi, sem ser por vontade própria, no mesmo tom.

Ficamos assim por alguns minutos até que ela me soltou e sorriu pra mim. “Hoje é seu aniversário, não é? Pois é, eu não esqueci”. Ela sorriu, o que me fez rir de leve. De onde veio essa minha vontade de rir e sorrir de tudo eu não sei. “Feliz aniversário” ela disse, me abraçando mais uma vez enquanto me desejava coisas positivas. Dessa vez, nos soltamos muito mais rapidamente. “Ah, e eu fiz alguns cupcakes. Vocês tão indo lá pra cima?”. Finn tentou interrompê-la, mas Carole não lhe deu oportunidade. “Eu vou colocar em um prato, assim vocês podem comer no quarto do Finn”. Ela sorriu e foi para a cozinha.

“Algo me diz que a gente vai ter que ficar aqui em casa um pouquinho mais de tempo do que planejado” Finn disse, se sentando no sofá para esperar a sua mãe.

“Não tem problema” eu respondi, me sentando do lado dele. “Então” eu comecei. “Cadê o Kurt e o Burt?”

“Eu acho que o Burt ainda tá na oficina e o Kurt deve tá lá no quarto dele, cantando músicas da Broadway.”

“Bem que eu tinha achado que tinha ouvido alguma coisa quando entrei aqui...”

“Deve ter sido ele. Se você quiser ir subindo... A minha mãe deve tá preparando um monte de coisa, então vai demorar. Eu te encontro lá em cima.”

Eu acenei e me levantei do enorme e confortável sofá e fui indo para a escada coberta com carpete que dava para os quartos, banheiros e o escritório.

Eu fui subindo bem lentamente, observando a enorme quantidade de quadros que estava presente na parede verde clara da sala. Fotos de Finn bebê na praia, Finn bebê no parque, Finn criança na escola, provavelmente para o primeiro dia de aula. Por acaso eu estava do lado dele em quase todas as suas fotos. A gente era assim tão grudado? Eu sorri por dentro com a quantidade de lembranças e continuei escada acima.

Chegando no corredor, eu podia afirmar com certeza que tinha alguém cantando em algum dos quartos. Cantando notas bastante agudas. Notas que nenhum garoto de 15 anos alcançaria. Quem será que estava na casa além de Kurt? Finn não havia mencionado mais ninguém.

Eu, curiosa como sempre, manti os ouvidos atentos para descobrir de qual dos quartos vinha a origem do barulho. Fui até o final do corredor para perceber que vinha da penúltima porta à direita, que era o antigo quarto de hóspedes, se eu não me engano.

Encostei o meu ouvido na porta apenas para ter certeza de que tinha alguém ali dentro. E eu estava certa. Pude ouvir perfeitamente bem alguém cantando agudos perfeitos (mais especificamente da música “Defying Gravity”, de Wicked). Eu em silêncio abri a porta e levei um pequeno susto.

Kurt estava parado no meio do quarto, virado de frente para uma televisão que estava mostrando um karaokê. Ele estava segurando um microfone que se conectava a algum dos muitos aparelhos da estante da TV, que ficava encostada na parede. O quarto todo era em tons de cinza, preto e branco, parecido com quartos de revistas de decoração.

“K-Kurt?” eu disse, olhando a cena diante de mim com certa surpresa. A voz que eu tinha ouvido do lado de fora era Kurt? Kurt? O menino de 15 anos? Como um menino tinha uma voz tão afeminada daquela forma?

É claro que quando eu o encontrei quando éramos crianças a voz dele não era exatamente grossa, mas eu ignorei porque eu sabia que a voz de meninos ficava bastante estranha durante a puberdade. Mas a voz do Kurt era fina porque... Enfim, era fina.

E perfeita, devo dizer. Nunca na minha vida vi alguém fazer um agudo daqueles diante de mim sem desafinar (com exceção de mim mesma, é claro).

“R-Rachel!! E-e-eu... Hm... C-como v-vai?”. Naquele momento ele provou ser possível ficar com um rosto mais vermelho que tomate. “Faz m-muito t-tempo que a g-gente não se vê, n-não é?”

“Kurt, você tem talento. Não precisa se envergonhar.”

Ele respirou fundo algumas vezes, fazendo seu rosto voltar ao leve vermelho usual. “É só porque eu não costumo ter gente me vendo enquanto eu canto. Principalmente notas altas”

“Não se preocupa. Mas então, você gosta de Wicked?”

Ele fechou os olhos e levantou levemente a cabeça, falando as seguintes palavras com muita intensidade. “Broadway. É. A. Minha. Vida.”

“Isso é uma piada, não é?”

“Na verdade, não...” ele me fitou com um olhar confuso, tentando me interpretar.

“Eu nasci pra ir pra Brodway e ensaio canto e dança desde os meus três meses de idade. Eu nunca na minha vida encontrei alguém com o mesmo sentimento por musicais que eu. Nunca.”

Mesmo que meus interesses hoje em dia não eram tão intensos quanto antes, eu ainda achava Broadway algo mais que mágico.

Seus olhos estavam tão radiantes que eu quase achei que ele estava chorando. Ele se atirou na minha direção para me abraçar, o que me fez perder o equilíbrio. “A gente vai pra Broadway juntos!!”

Eu ri e o abracei de volta. Acho que eu conseguiria ser amiga do Kurt.

“Bora, Rachel” disse Finn, parado à porta. Eu larguei Kurt, ainda rindo, e segui o garoto alto até o seu quarto, que era a última porta à esquerda.

Porém, antes de entrar no quarto dele, eu parei na porta para observar o local. Era um quarto com pôsteres em todos os centímetros visíveis da parede de cor escura do ambiente. Quais pôsteres? De todos os tipos. Com frases, desenhos, letras, bandas, seriados, filmes, futebol americano...

Na parede ao lado direito da parede da porta havia uma enorme cama de madeira, com uma cômoda do lado direito, parecendo que tinha um porta retrato em cima. Na parede da entrada do cômodo havia um grande armário, com espelhos escuros nas portas.

Do lado oposto à porta do quarto havia uma janela, com as cortinas brancas empurradas para o lado, mostrando o luar.

“Desculpa a bagunça, mas é que a gente veio pra cá hoje e ele meio que tá como o pessoal da mudança deixou e-” ele tentou se desculpar.

“Não, tá... perfeito” eu falei, na esperança de tranquilizá-lo um pouco. Mas eu estava sendo honesta. O quarto estava realmente a cara dele. Se eu pensasse em um novo quarto para Finn, seria algo como esse.

Ele me olhou com uma expressão alegre. “É-É sério?”

Eu sorri. “É claro que sim.”

Eu me sentei na cama de pernas cruzadas, com as minhas costas encostadas na parte de trás. Eu estava cansada.

“Finny!” a mãe de Finn gritou, provavelmente das escadas. “Pode me ajudar a trazer as coisas aí pra cima?”. Ele revirou os olhos mas foi ajudar a mãe.

Depois que ele saiu do quarto, aproveitei para olhar com atenção o porta retrato da cômoda. Ele tinha uma delicada moldura branca, com alguns arabescos. A foto era de uma garota com um sorriso perfeito e cabelos loiros, delicadamente enrolados, e depois com a pequena franja presa para o lado com a ajuda de grampos rosa claro. Seu nariz tinha o formato perfeito: não muito grande, nem muito pequeno; não muito estreito, nem muito largo. O olho era um verde acinzentado e era possível ver uma sombra de olho brilhante, bastante discreta, acompanhada com uma fina camada de rímel preto. Eu imaginei que aquela era a namorada de Finn, Quinn. A garota parecia uma boneca. Ela era muito bonita e parecia ser adorável.

Eu ouvi os passos de Finn pelas escadas então voltei a me sentar normalmente e observei-o arrumar as pequenas mesas-bandejas em cima da cama. Em cima das mesinhas havia todo tipo de comida que você pode imaginar.

“Carole, não-” eu comecei, antes de ser interrompida.

“Não, não, Rachel. Eu tenho certeza de que faz tempo que você não come nada. Comam tudo”. Ela sorriu e saiu do quarto, fechando a porta.

Finn riu e começou a fazer um prato generoso, enquanto eu peguei um brownie. “Sabe, eu tô muito feliz” ele disse, de repente.

“Ah, é? Por que?” eu perguntei, dando uma primeira mordida no brownie. Eu tinha me esquecido de como o brownie da Carole era o melhor de todos.

“De te ver de novo, de voltar a morar aqui, de ter minha melhor amiga de volta...”

“Ela ainda não se decidiu se te quer de volta. Ela tem medo de que você a magoe de novo”. Eu abaixei o rosto e continuei a comer o brownie em silêncio.

Ele suspirou e colocou o enorme prato –agora quase vazio- cuidadosamente em cima de uma das mesinhas, se levantou da cama e se sentou de frente pra mim. Ele pegou o meu rosto com as mãos e não tirou os olhos do meu por nenhum segundo enquanto falava. “Rachel Berry, o que eu fiz com você há sete anos foi um erro e talvez eu viva sem me desculpar, mas eu voltei por sua causa. Eu voltei porque eu não conseguia viver sem você. Eu voltei porque eu senti sua falta mais do que é saudável. Eu voltei porque o que eu vivia não era exatamente vida. Eu nunca tinha um dia perfeito, e eu percebi que era porque eu não tinha um dia com você presente. Você tá entendo, Rachel? Você tá entendendo o quanto eu me arrependo por ter te deixado tão mal? Você tá entendendo o quanto eu me importo e preciso de você?”.

Eu acenei com a cabeça. “Eu... E-eu acho que sim.”

“Ok.”

“Então, vamos conversar” eu disse, oferecendo um sorriso para mostrar o quanto eu gostei do pequeno discurso dele.

“Sobre o que você quer conversar?” ele perguntou, deitando com a cabeça sobre as minhas pernas cruzadas.

Que fofo.

“Hm...” eu disse, olhando em volta, até que meu olhar passou pelo quadro ao lado da cama. “Que tal a gente falar sobre a Quinn? Eu quero saber mais sobre ela.”

“Bom, eu conheci a Quinn há mais ou menos um ano porque um amigo me apresentou a ela. A gente começou a se falar mais nos últimos seis meses, que foi quando ela entrou no time das líderes de torcida. Como eu sou do time de futebol, a gente acabou convivendo mais juntos. Mas a gente, pelo menos eu, comecei a realmente gostar dela há uns dois meses e pedi ela em namoro há um e meio.”

“Ah. Ela é bem bonita, pelo menos na foto” eu disse, passando a mão pelo cabelo dele.

“Ela é.”

Ficamos um tempo assim, só curtindo o momento, com ele deitado no meu colo e eu mexendo em seu cabelo. Era uma cena pacífica, sabe? Fez parecer que não haviam problemas. Fez parecer que tudo era muito fácil e tranquilo. Fez parecer que nem todo mundo não gostava de mim. Fez parecer que eu tinha algum tipo de futuro planejado, sabe?

Eu até tinha, até alguns anos atrás. Desde bem pequena meu sonho era estrear na Broadway, então eu fiz todo tipo de preparação existente: coral, aula, fonoaudióloga... Eu fazia coral, gostava e até levava jeito pra coisa –pelo menos era o que o meu professor dizia-, mas quando Finn se mudou, eu simplesmente perdi a vontade de continuar. Esqueci do meu sonho e desde então nunca mais achei outro.

“O que você pretende fazer depois da escola?” eu lhe perguntei.

“Eu honestamente não sei”. Ele ficou um tempo calado. “E você?” ele completou, depois de algum tempo.

“Eu também não sei” eu disse, um pouco triste.

“Eu lembro que quando a gente era criança seu sonho era ser uma estrela... da Broadway. O que aconteceu com esse sonho?”

“Ficou impossível demais para continuar a sonhar” eu respondi, simplesmente.

“O que?”. Ele se levantou e me encarou intensamente. “Rachel, preste bastante atenção no que eu vou lhe dizer agora, certo?”. Eu acenei com a cabeça. “Nenhum, nenhum sonho é impossível demais, entendeu? Nunca pare de sonhar porque o sonho parece ser impossível ou improvável demais.”

“Hm... Eu simplesmente não vejo porque ficar a espera de algo que nunca vai acontecer.”

“E como você sabe que nunca vai acontecer?”

“Porque eu simplesmente sei...”. Ele continuou a me encarar, exigindo algum tipo de resposta. “Porque eu não tenho mais vontade nenhuma de voltar a fazer coral ou qualquer coisa relacionada a música. Até pensei em ser crítica de livros, mas eu achei algo específico demais.”

“Rach, você nasceu pra ser uma estrela. Não. Você nasceu uma estrela. Um talento que nem o seu não pode ser ignorado desse jeito.”

“E posso saber como você sabe de todo esse meu ‘talento’?” eu perguntei, começando a me irritar.

“Kurt.”

Aquele boca grande. Um dia eu ainda acerto minhas contas com ele.

“E também porque você cantava quando era criança...”, ele completou.

Eu me forcei a rir. Mas espera aí. Desde quando que eu ria apenas para parecer simpática? Até onde eu sabia as pessoas me achavam antipática, estranha e antissocial. Me forcei a parar com a estranha risada forçada.

Finn já ia dizer alguma coisa quando o telefone tocou.

“Alô?”, ele disse, quando atendeu a ligação. “Ah, oi, baby... Não, não, agora eu posso falar”, ele falou. O garoto alto fez algum sinal com as mãos avisando que ia para o corredor. Eu respondi com um aceno e ele se retirou.

Eu estava começando a pensar se meus pais achariam ou não ruim eu chegar tarde em casa, já que eu estava saindo com Finn, um menino que eles conheciam muito bem, assim como seus pais.

Antes de eu começar a pensar em qualquer coisa, sem querer comecei a ouvir algo que vinha do outro lado da porta. Pareciam ser vozes- Não. Era uma voz. A voz de Finn. Era Finn no telefone. Mas por ele estar no corredor, eu só conseguia ouvir pedaços (não me olhe com essa cara. Isso não é espionar, até porque eu estava ouvindo -mais ou menos- contra a minha vontade).

“Mas por que [...], Quinn?” ele dizia para a namorada. Se eu observasse o que ele disse e do jeito que ele disse, poderia dizer que ela tinha feito alguma coisa que o tinha magoado. Ou até de novo algo que o magoou no passado.

“...faria isso comigo? Não, não faria”. A medida que a conversa avançava o tom de voz dele aumentava. Começou a ficar bastante óbvio que eles estavam discutindo. Mas, sobre o que?

“Você nem conhece ela!! Como pode dizer uma coisa tão horrível?”. Ok, sem dúvida eles estavam discutindo. E parecia ser grave.

“Quantas vezes eu tenho que repetir que ela não significa nada comparada a você??”. Não. Espera um pouco. De quem Finn estava falando? Quem quer que fosse, não foi muito legal.

“Eu já disse uma vez e digo de novo”, ele falou, com o tom de voz mais controlado, mas ainda assim muito sério. “Rachel. Não. Significa. Nada. Fui claro?”

Já chega, eu sussurrei comigo mesma. Me levantei da cama silenciosamente e sai pelo quarto, fazendo questão de fechar a porta fazendo o maior ruído. O barulho foi tanto que Kurt saiu do quarto com uma expressão confusa. Para a minha satisfação, Finn estava me olhando com uma cara de quem acaba de entender o que aconteceu.

“Mas o que...”, foi o que ele conseguiu dizer, antes de eu descer as escadas e sair pela porta da frente, em direção a noite.

. . . . . . . . . . .

Finn era um idiota. Um grande idiota. O maior idiota de todos. Eu acho que ele não tinha ideia de como eu tive um terrível conflito interno para desculpá-lo ou não. E, pelo visto, meus instintos estavam certos. Era óbvio que ele me magoaria de novo, afinal, ele continuava sendo um menino.

Por que eu não ouvi a mim mesma? Por que eu tive que ouvir a “Velha Rachel”, que era melhor amiga de Finn e não tinha problemas e não precisava se preocupar com as consequências? Por que eu não ouvi a “Nova Rachel”, que pensava antes de fazer tudo e preferia não se aproximar de ninguém para proteger o próprio coração?

Bom, não havia mais volta. Eu ia ser enterrada me arrependendo disso.

Eu, que consegui ficar sete anos protegendo a mim mesma, só precisei de Finn de volta para estragar tudo que eu havia conseguido construir. Como eu pude ser tão fraca?

Não sei. Ele tinha esse poder, de me destruir. Mas, na verdade, nada disso importava. Durante aqueles segundos que eu demorei para chegar em casa, eu resolvi que trancaria meu coração e só abriria se a pessoa fizesse o mesmo. Talvez nem se ela fizesse o mesmo.

Se eu estava com raiva? Magoada? Triste? Cansada? Arrependida? Culpando a mim mesma? Sim. Tudo isso e mais um pouco.

Quando finalmente cheguei em casa, apenas avisei aos meus pais que eu estava na casa de Finn e falei que ia ficar no meu quarto.

“Feliz aniversário mais uma vez, filha!”

“A gente te ama muito!”

Eu parei no meio das escadas ao ouvir o que eles diziam. Eu já tinha até me esquecido! Além de tudo, Finn havia feito toda essa bagunça no dia do meu aniversário. De. Quinze. Anos.

Eu percebi que precisava salvar o meu aniversário de qualquer forma. Se fosse uma situação comum eu nem me importaria de deixar a data passar em branco, mas eu não deixaria ser por causa de Finn. Ele não merecia.

Quando cheguei no meu quarto, fechei a porta e fui correndo para fechar a cortina da enorme janela do meu quarto. Mas, é claro, eu não pude fechar. Ele não me deixou fechar.

A janela do quarto dele ficava a apenas alguns metros da minha. Para a minha surpresa, a janela de Finn estava com um monte de papéis coloridos colados. E haviam coisas escritas neles. E eu simplesmente bufei.

A maioria deles dizia “Me desculpa”. Alguns tinham apenas carinhas tristes, como “:(”. Havia um que dizia “Eu falei aquilo sem pensar”, outro que dizia “Você sabe que eu só faço besteira” a ainda outro que dizia “Você não tem noção do quanto é importante para mim”.

Por incrível que parece, ainda tinha alguns centímetros quadrados onde não havia papel algum, e eu conseguia ver um Finn triste olhando para mim. Eu levei um susto e rapidamente me joguei na direção do chão.

Sem eu me revelar para ele, consegui fechar a –como era pesada!- cortina. Me levantei, deixei minha respiração acalmar e me sentei na minha escrivaninha, depois de pegar uma enorme cartolina no escritório dos meus pais e uma caneta grossa permanente.

Eu me senti um pouco mal escrevendo aquilo no papel, principalmente depois de ver Finn derrotado daquele jeito. Eu fechei os olhos por alguns segundos e voltei a minha atenção para a cartolina.

Peguei o pedaço de papel e fui lentamente para a minha janela, onde fiquei por alguns segundos parada atrás. Hesitante, puxei a cortina e percebi que ele ainda estava lá, com a mesma cara triste olhando para mim.

Com muita força de vontade me obriguei a colar o papel no vidro, de um modo que Finn pudesse ver. Vendo que era algum tipo de resposta, pareceu que ele ficou com esperanças por um segundo, mas então, lendo o que estava escrito, apenas deu um sorriso de lado e fechou a própria cortina.

Não vou mentir. Eu não me arrependi do que eu escrevi. Era totalmente verdade e eu acho que ele ainda não tinha percebido isso. Eu só não queria que ele ficasse mal.

Com uma lágrima correndo pelo meu rosto, apaguei a luz do meu quarto, me arrumei para ir dormir e fechei a cortina, dando uma última olhada apenas para ver que a cortina de Finn continuava bem fechada.


Notas finais
Reviews = love. :)