The Bodyguard

1 Assimilando o problema


Notas iniciais
Foi escrito com muito carinho e dor de cabeça, boa leitura ♥ Q

Tóquio, 03h45min AM

Naraku, uma das casas noturnas mais badaladas da capital acabara de ser deixada as pressas por Matsumoto Takanori, o filho de um famoso chefe de máfia local, por motivos óbvios. Nos últimos meses uma briga entre as maiores máfias regionais havia começado, tudo por dinheiro e liderança. Claro que os envolvidos não se resumiam apenas nos líderes e sim neles e suas famílias que ficavam a mercê dos perigosos mercenários contratados para eliminar a concorrência. Este era o motivo que fazia o jovem Takanori correr o mais rápido possível por um beco, à medida que os passos alheios tornavam-se mais altos, ecoando por causa do chão molhado, seu coração palpitava e as pernas tremiam.

Merda! Praguejou chegando ao fim do beco e dar de cara com uma cerca, não pensou duas vezes em pular nela e começar a subir, se durante o ensino médio nas aulas de educação física era posto em frente a uma corda para subir e nunca conseguira, por que seria diferente agora? Já era a segunda vez que subia e em um momento cogitou em olhar para trás, maldita hora, lá estavam os três no começo do beco apontando-lhe uma 38 cada.

Matsumoto filho! Ao que devemos a desonra de sua visita em nossa boate? Disse o mais gordo dos três em tom de deboche. Takanori já havia pulado para o outro lado, e mesmo assim não se sentia e não estava seguro, a qualquer momento poderiam atirar. Cansou de se esconder nas asas do papai?

Essa espelunca é dos Ueda? Perguntou enojado.

Como ousa mencionar os Ueda com essa boca imunda? Bradou o mais alto, disparando contra ele afoitamente por centímetros não o acertando. Takanori recuou um pouco, fazendo os demais rirem. Parece que os Matsumoto vão perder o único herdeiro da família.

Sabem que a família não cai tão fácil. Pronunciou-se o moreno rindo com os demais.

Verdade, os Matsumoto brotam até do esgoto. Balbuciou com desdém o mais velho dentre eles, tornando a mirar a arma para Takanori. Chega de papo, ultimas palavras Matsumoto filho...

Agora é com vocês, Skinner! Snyder! Houston! Berrou olhando para cima.

Como era possível? Não haviam percebido atiradores sobre os prédios, ou qualquer outro membro da família rival, dispersaram-se para os cantos do beco observando atentamente a claraboia de cada prédio enquanto Takanori calmamente, para não chamar a atenção para si, afastava-se mais deles. Enlouquecidos com a possibilidade de falhar em sua missão atiraram para cima a qualquer sinal de movimento. Assim que teve plena certeza que não estavam mais se importando com a sua presença, Takanori respirou fundo e correu do beco o mais rápido possível, quase tropeçando próprios pés, não olharia pra trás novamente. Infelizmente um deles reparou e sem pensar duas vezes, abaixou a guarda pouco se importando com a própria segurança e atirou contra ele, acertando-o na perna. O jovem cambaleou para frente e saiu do campo de visão dos três escorando-se na parede de um bar ao dobrar para a esquerda.

E agora? Gemeu procurando por um conhecido qualquer, apenas sorriu o ver a limusine preta estacionar em frente a si. Carro bem conhecido, especialmente pela placa com as inicias da família e o dragão prateado que adornava o seu capo. Dois homens desceram, o mais alto empunhava a arma prateada com detalhes vermelhos, marca registada de um subordinado Matsumoto. Outro um pouco menor que o primeiro, o ajudou a entrar, foi a primeira vez na noite que teve certeza que ia para sua cama e não para um caixão. Obrigado.

Irreverente! Berrou o senhor já grisalho, mas não menos charmoso a frente de Takanori. O que você tem na cabeça meu filho? Nada?

Matsumoto Miato era um senhor de 50 anos dotado de sabedoria e, infelizmente, crueldade contra os seus subordinados e devedores. Anos trabalhando em uma máfia e herdando um império de seu pai o fizeram assim. Desde os 15 participava dos negócios de seu velho e quando ele morreu tinha por volta de 20. Qualquer um poderia passar por cima de um garoto de 20 anos, mas ele era um Matsumoto, um dragão da Yakuza, sangue frio. Liquidou quem questionava suas decisões e assim manteve o império erguido. Três anos mais tarde conheceu uma moça em uma cidade no interior de Kanagawa, apaixonaram-se incondicionalmente, mas sempre deixou bem claro o que lhe aguardaria caso se casasse com ele.

Ela pouco se importou em se casar com o líder da segunda maior família dentro da Yakuza.

Dois anos mais tarde teve seu primeiro herdeiro, Matsumoto Takanori, que atualmente tinha 25 anos de idade, e era alvo de outra família principal da organização. Os Ueda.

Onze anos depois, tiveram uma menina, Matsumoto Hana.

Infelizmente sua esposa veio a falecer após o parto, Hana foi criada por uma das babas da casa sobre a vigilância de seu pai.

Pai, o senhor sabe que eu amo cantar e que eu não vou parar com isso por causa de uma organizaçãozinha de merda como a dos Ueda! Bradou furioso, mas não deixando de gemer em resposta ao ter um disco de algodão prensado sobre a ferida feita pelo tiro. C-Cuidado. Disse à enfermeira que sorriu apenas.

Organização de merda, mas que quase te matou! Respondeu-lhe ao se sentar em sua preciosa cadeira de couro, atrás da mesa escondida por diversos contratos e cartas.

Se os seus homens estivessem comigo, nada disso teria acontecido.

Você fugiu deles! Disse o homem procurando manter a calma que já se esvaia, no em tanto não podia culpar completamente o filho, Takanori não tinha ideia do que estava acontecendo dentro da Yakuza, não plenamente. Já chega, você não canta mais!

O que? Não pode me tirar isso! Não isso! — Gritou outra vez, e assim teve o algodão mais uma vez pressionado sobre o ferimento, em reflexo fechou o punho e o bateu no braço da poltrona em que se encontrava. PARA COM ISSO!

Chega Takanori!

VOCÊ NÃO PODE ME TIRAR DA MUSICA! Bradou erguendo-se da poltrona bruscamente, fazendo com que a enfermeira, espantada, afastasse-se um pouco. NÃO DA MUSICA!

TAKANORI! Berrou fitando o filho furiosamente, e este antes de virar-se jogou os papeis da mesa no chão.

VOCÊ É SÓ UM VELHO QUE NÃO SABE DE NADA! Correu pela sala sobre o tapete vermelho sangue de encontro à porta de madeira, e ao passar por ela a fechou violentamente escorando-se nela e escorrendo até chão, não, não havia choro, apenas uma expressão de frustração e raiva. Maldito velho. Disse para si ofegante.

Takanori-kun... Balbuciou um dos empregados preparando-se para ir atrás do menor, foi interrompido por um gesto brusco do pai do pequeno.

O senhor abaixou o braço calmamente ainda fitando a porta pelo qual o filho saíra, juntou ambas as mãos, apoiando o queixo nelas enquanto suspirava derrotado. Sabia que Takanori tinha uma personalidade muito forte, sempre fora assim. Desde o jardim de infância quando brigava com os colegas ou poucos amigos que tinha. Levou isso pelo ensino fundamental e médio, principalmente quando era motivo de chacota dos colegas. Brigava, xingava, era suspenso e nunca aprendia, mesmo assim continuava com um sorriso enorme no rosto. Isso até perder a mãe, aos 16 anos de idade.

A música o trouxe de volta de uma depressão.

O tirar dos palcos ou deixa-lo? Qual que fosse a escolha o mataria.

Se deixa-lo os Ueda vão acabar com ele. Skinner pronunciou-se calmo enquanto olhava o patrão de uma das poltronas distribuídas em um circulo no escritório. Os demais murmuraram algo em consenso com o que fora dito, Miato suspirou e fechou os olhos por um momento. Sabe do que falo Matsumoto-sama.

E você sugere o que? Franziu a testa desgostoso. Ninguém é confiável o suficiente para cuidar dele.

A coisa está realmente tão séria, a ponto de ele precisar de um segurança? Foi a vez de Houston trazer a atenção para si, o jovem inglês ascendeu um cigarro observando os demais de soslaio. Não acho que a coisa esteja tão séria assim, ele se virou muito bem sem nós.

O que me faz perguntar, onde vocês estavam? Okada o mais velho da sala, questionou aos outros três que deveriam cuidar de Takanori aquela noite de um dos cantos da sala, não soltou em momento algum seu copo de uísque que dançava pelos dedos esguios. Pelo que sei vocês poderiam muito bem estar trabalhando para os Ueda.

Cale a boca seu velho bêbado. Snyder disse divertido, jogando o ultimo dardo contra a parede de madeira que continha um circulo enumerado, errando o centro por pouco. Os Ueda também devem muito aos Kondo. Aquela raça ruim.

Há! Praguejou o velho em resposta.

Miato tornou a abrir os olhos calmamente analisando cada palavra dita enquanto observava uma foto da esposa e outra dos filhos que ficava sobre a mesa não se demorando a falar. A terceira maior família dentro da Yakuza...

Matsumoto-san, não acho que esse assunto deva ser tratado nesse momento, temos assuntos mais importantes. Outro disse alheio a situação e levantou-se. Se os Ueda subirem a organização toda vai ficar comprometida, principalmente financeiramente.

Miato passou as mãos pelos cabelos diante do homem a sua frente, estava nervoso, aquela figura o assustava um pouco, moreno cabelos repicados com um ar juvenil e bravo. Um lenço negro lhe caia do nariz até a boca. O senhor de 45 anos de idade sabia esconder a idade e, principalmente, qualquer vestígio de gentileza. Sentou-se em uma cadeira a frente de Miato, mantendo os olhos serrados, os demais se sentaram no circulo, em suas cadeiras correspondentes, quanto a Miato restou ficar em sua mesa com os olhos baixos, nenhum na sala tinha coragem de encarar aquele homem.

No entanto, se trata de seu filho, e eu sei como sente. Continuou. Existe uma pessoa, e somente uma capaz de proteger Takanori.

Há! Típico de um pai de família, por isso que nenhum de nós se envolve emocionalmente com os filhos. Okada pronunciou, mais para si do que para qualquer outro, o que não fez o moreno do lenço deixar de ouvir.

Desculpe Okada, disse algo? Tornou a se levantar e seguir em direção ao velho. Você como o mais velho entre nós deveria saber muito bem que seus filhos são o futuro da organização, bem como Takanori e meu filho. Os Ueda vão muito além do que uma família mesquinha que quer dinheiro e dotes para subir socialmente, a linhagem dos Ueda é uma linhagem de sangue, enquanto existir um Matsumoto, eles não vão descansar. Parou por um momento, retirando o lenço mostrando uma cicatriz vertical que passava pela boca. Esse é o esquema dos Ueda, matar a família Matsumo até ela sumir, ficando assim com o título de segunda maior família.

Mas isso não... Skinner tentou.

E assim que os Matsumoto não existirem mais, — Retomou pouco se importando com a interrupção feita. Eles vão vir até mim, mais uma vez.

Do que ele esta falando? Snyder perguntou o mais baixo possível a Skinner que já suava frio e permanecia inquieto. Skinner?

Há uns 20 anos atrás, — Hesitou por um instante, continuando após um suspiro. Na casa daquele homem, houve um massacre comandado pelos Ueda, eles tentaram acabar com aquela família para conseguir o título de maior na Yakuza.

Não me diga que ele é o...

Exatamente. Skinner cruzou os braços enquanto os observava. A esposa e a filha foram estupradas e mortas, ele estava com o filho e quando chegaram em casa...

... Ele matou os cinco homens que haviam feito aquilo, na frente do garoto. Desde os 10 o filho tem a tatuagem da Yakuza, desde os 10 ele trabalha na organização.

Então Matsumoto, se você quer seus filhos vivos e manter o seu nome sem uma mancha de sangue, contrate o único capaz de fazer o serviço. Não quero que sua família passe o mesmo que a aminha. Terminou voltando-se a Miato. Reita vai ser a solução disso tudo.

Reita? Só pode estar de brincadeira! Gritou alguém.

Ele nunca vai querer assumir algo assim. Outro disse.

Reita não existe mais. Prosseguiu mais um.

Vou me comunicar com ele. Bradou o homem da cicatriz. Amanhã pela manhã ele deve estar aí, agora me vou, tenho outros afazeres. Terminou escondendo o rosto novamente.

Dando por encerrada a reunião, seguiu o mesmo caminho feito anteriormente por Takanori, apoiando-se na típica bengala que a idade fornecera. Fechou os olhos por um instante parando de caminhar, seguiu logo depois, mas não reparou no rapaz escondido atrás de um móvel que o observava curioso. Takanori apenas se levantou e parou no centro do hall um tanto assustado com tudo que ouvira.

Quem é Reita? Disse baixo assim que o senhor saiu do local.

Notas finais
O que acharam? Bom? Ruim? Péssimo?