The Blood of a God
29 capitulo XXVIII
Notas iniciais

POV Cora
“Meus deuses, parabéns Coraline, você fala demais! Agora eu quero ver vocês saírem dessa, ô sonsa!” Calada consciência, fica na tua.
– Certo. – Disse, baixinho, empunhando a espada com mais força. – Minha boca é um túmulo. – Isa riu. – O que foi?
– Lembra quando – Isa não conseguia parar de rir, e era engraçado ver ela ficando sem ar. Talvez fosse disso que o mundo precisasse. Risadas. – A Malice disse... Pro Nico... Que... “Não me importo com o que morreu dentro da sua boca, apenas cale a boca e não conte pra ninguém.” ?
– Mas eu não tenho mau hálito. Tenho? – Chequei. Aquilo só fez com que ela risse ainda mais. – Viu, eu não tenho. – Acabei caindo na risada também.
– Isadora e Coraline. – Cortou-nos Urano. – Quem diria que uma filha de Hades e outra de Zeus se tornariam amigas?
– Nossos pais não tem nada a ver com o que nós somos. — Respondi.
– Os opostos não se atraem, as diferenças que se completam. — Continuou Isa.
– Isso foi bem gay. — Disse, rindo.
– Eu sei! — Isa riu também. Gabriel parecia indignado por não estarmos ligando pra ele. Já Urano, não parecia acreditar no que via, como se nós fossemos a criatura macabra, e não eles.
– Com licença. — Isa e eu respiramos por um momento e nos voltamos para Biel. — Perdão a interrupção, mas eu estou prestes a dominar o mundo.
– Pode dominar. — Disse Isa, brincando. — Aposto que você vai ser aquele tipo de político: — Ela engrossou a voz — Eu irei dominar o mundo! — Logo em seguida, voltou a voz normal. — Mas não faz porcaria nenhuma!
– Você duvida que eu não faça nada? Destruição, isso não é nada? — Biel sorriu, irônico.
– Duvidar, eu não duvido. Duvido mesmo é que consiga, com nós duas te atrapalhando.
– Vocês não passam de duas moscas que serão esmagadas por mim! — Bradou ele.
– Eca. Moscas? Não podem ser joaninhas? — Disse, baixinho, mas parece que todos ouviram. Isa me olhava, incrédula. — O que foi? São mais fofas.
– Vocês estão claramente me avacalhando. — Disse Biel, frustrado. Urano provavelmente estava querendo dar um facepalm em si.
– Nós? — Isa se fingiu surpresa. — Nossa, desculpe, nem percebi.
– Já chega! — Bradou Urano, com a voz grossa retumbando por toda a extensão da floresta. — JÁ CHEGA DE ME IGNORAREM, PIRRALHAS!
– Ah, oi vovô! — Isa acenou freneticamente, quase morrendo de rir. Urano, irritado como só, gerou uma esfera de energia azul na mão, e arremessou no espaço vazio entre nós duas, jogando-nas em direções opostas. Me levantei da grama lentamente, meio tonta. — Ta porra. Que isso?
– Ainda não perceberam o que estamos fazendo? — Gabriel se aproximou, com a espada na mão e uma esfera azul na outra.
– Ahnn... Não. — Isa e eu respondemos ao mesmo tempo, nos entreolhamos e rimos. Gabriel parecia furioso, cada vez que dávamos risada.
– Eu vou recriar o universo. Cada um que se opor a mim, será destruído de forma tão brutal, que se arrependerá de ter feito a escolha errada! Sua amiguinha... — Continuou ele, pensativo. — Qual o nome dela? Ah sim, Isabella. — Uma flecha cortou meu coração. — Ela morreu tão fácil... Será que vocês duas também?
– Ora seu...! — Me levantei de um pulo, de espada empunhada, mas Biel foi mais rápido. Com um escudo de energia, cortou meu golpe, e com a espada, um pedaço do meu cabelo. Me afastei, atônita, com fios de cabelo caindo na minha mão. — Viado filho da puta, meu cabelo!
– Ai. — Disse Isa.
– Tudo que vai. Volta. — Biel avançou, furioso. Defendi os golpes o máximo que pude, mas meu braço ficava cada vez mais cansado, e os golpes recebidos pareciam mais fortes.
Isa atirava flechas de energia, algumas em Biel, mas a maioria, em Urano. “Se Urano for dissipado, teremos uma chance.” O titã respondia com esferas de energia e pequenos big-bangs, mas a maioria errava, já que não tinha como prestar atenção em nós duas ao mesmo tempo.
Troquei da espada para a lança, a empunhei com força e cravei no ombro de Urano, bradando:
– Morra! — Assim que senti a ponta da lança perfurar a “carne” do titã, senti a lança ficar mais leve. A removi lentamente, e não havia mais ponta. A pele de Urano era como ácido. — Merda.
Biel se virou contra mim, e parei o golpe com o cabo da lança. Ele o forçou, partindo o cabo de madeira em dois. Isa aproveitou e acertou mais uma flecha de energia.
Ela olhou pra mim, e com os lábios silenciosos, disse “Troca”. E correu na nossa direção me afastei de Biel e Urano, indo para o limite da clareira.
– Vocês duas... — Disse Biel, enquanto parava golpes da espada da Isa — Já ouviram a frase... O céu não pode ser tocado? — Ele riu, como um psicopata.
– Você, seu descarado, matou a minha melhor amiga e irmã da Cora, POR. QUE!? — Gritou Isa, furiosa. Mesmo de longe, podia ver que os olhos azuis estavam tempestuosos.
– Era necessário! — Disse Biel, com a voz trêmula. — Era necessário... — Reforçou ele, mais uma vez.
– Não era necessário caralho! Assim como iniciar a porra de uma guerra, matar alguém NÃO É necessário! — Revidou ela. Aquilo parecia tê-lo atingido.
Continuamos por minutos, ou horas, assim, trocando de lugar. Flecha, espada. Espada, flecha. Flecha, espada. Espada, flecha. Parecia interminável.
Biel e Urano não se cansavam, até que, na terceira vez que Isa lutava contra a “mutação”, a espada de Biel fez-lhe um corte superficial no rosto, abaixo dos olhos.
Isa urrou de dor, e caiu no chão. Biel riu, abaixando a espada. Andou alguns passos para trás, deixando com que eu me aproximasse. Corri, amarrando o arco nas costas.
– Isa, levanta! É só a porcaria de um cortezinho! Anda! Temos que...
– Sabe o que é interessante? — Disse Biel, indiferente. — Essa espada, mesmo um pequeno corte, pode remover a alma da pessoa de seu corpo, a matando instantaneamente. Apenas mais alguns minutos e sua amiguinha não vai passar de um cadáver de olhos vidrados.
Isa sussurrou um esganiçado “O quê?!”. Aquilo não era bom. Nem um pouco. A coloquei de pé, apoiando-a em mim. Olhei para Biel, e mergulhei nas sombras de uma árvore.
– Isa, pelo amor dos deuses, não morre.
– Acredite, eu gostaria. Precisamos de um plano. Alguma ideia?
– Acho que sim. Mas isso pode te matar. Melhor não.
– Eu vou morrer de qualquer jeito. — Disse ela, com um desgosto tão grande, que chegou a doer. — Vamos logo com isso.
– Consegue invocar uma tempestade? Precisamos acertá-lo.
– Isso é o que eu sei fazer de melhor. — Isa sorriu, mas seu rosto se tornou puro assombro.
– Esqueceu-se que eu também sei fazer isso? — Sussurrou Biel, ao pé do meu ouvido direito. O susto foi tamanho, que gritei, me desconcentrando e nos tirando da sombra.
Nos recompomos o mais rápido que a tontura de Isa permitia. Biel formou mais uma esfera, menor do que as outras. E também, diferente. Parecia que uma pequena névoa dançava ao seu redor, animada, esperando ser lançada.
Seguindo o plano, prendi uma pequena “corda” de sombras ao pé de Urano, que não percebeu, apenas sorria. Com um movimento imperceptível, cutuquei Isa, que assentiu, puxando a espada. Fiz o mesmo.
– Realmente acham, que vão conseguir? Fala sério, vocês são patéticas. Se ajoelhem logo, vai ser menos doloroso. Última chance.
– Não. — Dissemos em uníssono. Puxei a mim e a Isa para as sombras novamente, mas estas, eram tão escuras que tanto fazia você permanecer de olhos fechados ou não.
Isa criou uma pequena descarga elétrica, que fluiu pelos seus dedos como água. Fechou a mão, e a eletricidade desapareceu. Silêncio. Minutos e minutos, puro silêncio.
– Funcionou? — Perguntei.
– Vamos descobrir. — Quase não ouvi a voz de Isa, tão baixa ela soou. — Antes que pergunte, eu estou bem.
Voltamos para o local da clareira, que nem existia mais. Num raio de pelo menos cem metros, todas as árvores, terra e grama, foram carbonizadas. As nuvens de tempestade ainda estavam por ali. No lugar onde estava Gabriel, não tinha nada, apenas a espada.
Olhei para Isa, que sorria.
– O viado morreu. — Ela me fitou. Estava tão pálida quanto eu, fraca, e parecia prestes a desmaiar.
Tirei um pouco de néctar do bolso, e a entreguei. Agradeceu, e se sentou. Fiz o mesmo.
– Acabou. — Disse Isa, embora ainda temerosa.
– Acabou? — Tinha lá minhas dúvidas. Mas não vejo como ele poderia ter escapado de uma descarga elétrica desse tamanho.
– Vem. Vamos dar as boas novas.
A sombra, que um dia me abordou no espelho do banheiro, tinha razão.
“Você terá a glória que merece.”
PROLÓGO
Depois que todos estavam a salvo, contamos os mortos e cuidamos dos feridos. Dentre os que faleceram, estava Bella. Quando a guerra acabou, Samuel continuava agarrado ao corpo da irmã, sem querer largá-la. O chalé de Poseidon chorava, ou estavam de cabeça baixa, prestando um pequeno luto a irmã.
Samuel só largou Bella, quando Isa lhe estendeu a mão. Pra mim, ela não havia morrido. Apenas havia ido para outro lugar, talvez, um melhor que muitos. Nunca mais senti o cheiro de maré, que antes me fazia vomitar.
Isa, que queria comparecer aos funerais, acabou ficando na enfermaria por ordem de Quíron e de todos do chalé de Apolo, que pareciam particularmente intrigados sobre as propriedades da espada, que inclusive foi mandada para análise dos filhos de Hefesto. Por sorte, ou muita sacanagem, os deuses a deixaram viver, e dias depois, Isa já estava de volta, talvez, melhor do que antes.
Cremamos todos os corpos, inclusive os dos semideuses inimigos. Sempre que não sabíamos a qual chalé pertencia, os deuses nos davam pequenas dicas. Uma coruja, uma pomba, um martelo que aparecia de forma inexplicável...
O corpo de Bella foi o último. Quem acendeu a tocha, foi Samuel, quem o cremou, também. Junto a manta com o tridente de Poseidon, estava um pequeno colar de conchas.
Assim que a fogueira foi acesa, um cheiro de maresia encobriu o ar, como se Bella estivesse nos mandando um último adeus.
Adeus.
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