Notas iniciais
Oe negada :3 Pov do Eric pra vocês e.e - L.T

POV Eric

Estávamos vigiando a costa havia apenas alguns minutos, mas pareciam horas intermináveis. Chamei dois telquines para serem meus guarda costas, mesmo com os outros insistindo que deveríamos levar mais deles.
Tolice, aquilo atrairia a atenção dos hipocampos em que eles estavam montados, e eles perceberiam que haveria algo errado. Sem falar que a "comitiva" seria mais fácil de ser notada.
Quando perceberam que eu não mudaria de ideia, insistiram que deveria ficar e que eles deveriam ir no lugar. Ah não, não depois da última vez.
Mandei aquele ciclope servir de espião, e o que o idiota fez? Atacou-os e foi morto. Alertei-o que os semideuses estariam acompanhados de dois meio-sangues mais experientes, mas não. Ele tinha que contradizer minhas especificações.
Uma leve brisa trazia o cheiro do oceano, não muito distante de nós. Havia manipulado a Névoa para que parecêssemos três adolescentes rebeldes, como se fizéssemos parte de uma gangue ou algo do tipo. Não era totalmente mentira, especialmente no meu caso.
Assim que desmontaram dos hipocamos, a coisa finalmente iria se movimentar. Identifiquei-os logo de cara, as características olimpianas pareciam estampadas em suas faces.
Provavelmente os meros mortais estavam vendo apenas adolescentes com jet skis, e não cavalos marinhos coloridos.
Uma filha de Zeus, um garoto e uma garota de Poseidon. Uma de Hades, um de Apolo e uma menina de Atena. “E apenas eu e Sarah como Hecáte.” Tentei afastar o pensamento da mente, mas outro surgiu como impulso. “Ela ainda se lembra de mim? Não. Não seja tonto. Você está dado como desaparecido há quase sete anos. Não seja idiota. Ninguém lembra de você.”
Eles ficaram parados no cais durante um tempo. Aparentemente os dois filhos de Poseidon estavam falando com os cavalos marinhos. Quando acabaram o papo, eles se viraram e foram embora.
A filha de Atena parecia meio nervosa, como se pressentisse algo. Como se isso fosse possível. A de Hades parecia que iria vomitar. Pelo visto água não era seu ponto forte.
Esperamos eles caminharem até o outro quarteirão da cidade e virarem a esquina, até que pude observa-los pela Névoa.
Balancei a mão em pleno ar, e uma névoa roxa surgiu. Logo, a imagem dos seis surgiu. Nada de irrelevante aconteceu durante as horas que se seguiram, até que um dos telquines ficou entediado e disse:
– Ah qual é. Se soubéssemos que iríamos ficar sentados olhando fumaça, e não realmente seguindo-os, não teríamos vindo. — Segundo a Névoa, ele estava totalmente vestido de preto, e tinha cabelos e olhos verdes.
– Ele tem razão. — Disse o segundo. — Isso você pode fazer lá da Grécia. — Tinha o cabelo castanho com o corte de estilo militar, cortado rente a cabeça.
– Sim, mas teria que utilizar mais dos meus poderes e… — A Névoa se dissipou dos rostos dos dois, e pude ver o olhar de cachorro pidão. Digo, literalmente, já que tinham a cabeça de rottweilers. — Argh. Certo. Me sigam.
Me levantei do banco de madeira de um pulo, e os dois me seguiram. Nos dirigimos na direção de um beco entre dois prédios comerciais. Havia apenas um cachorro vira-lata deitado ali, duas caçambas de lixo e sumo do lixo apodrecido.
Fiquei com pena do cachorro, pois já havia vivido assim antes de aprender a me virar. Conjurei um pote de água e ração, e o acordei estalando os dedos.
Ele pareceu assustado, mas se alegrou ao ver a comida. Os dois telquines pareciam um pouco incomodados.
– O que foi? — Perguntei, me levantando. — Querem uma bolinha para brincar?
– Mais respeito. — Disse o telquine de cabelo verde. — Éramos servos de Hefesto. Conjuramos milhares de armas antes de sermos recrutados por Urano.
– Mas posso matar vocês com um estalo de dedos, então sugiro que calem a boca.
Peguei o lápis roxo que estava no bolso da calça e me pus a desenhar no chão irregular. Quando acabei, um pentagrama roxo pulsava magia no piso enlameado e fedorento do beco.
Proferi as palavras em latim que estava acostumado, e quando acabei, apontei para o pentagrama. Os telquines ficaram sobre ele um por um, até desaparecerem em névoa. Fui o último a entrar, e tinha total noção de que ele sumiria depois de alguns segundos.
O turbilhão roxo do pentagrama não me fazia ficar tonto e enjoado, pois já havia me acostumado. Não pude dizer o mesmo dos dois monstros. Um caiu de cara na grama e outro estava verde como os cabelos. Caí suavemente na terra, apenas sujando um pouco as calças jeans.
Estávamos em uma estrada da zona rural, e apenas algumas vacas e cavalos pastavam por aí. Um jumento zurrou em algum ponto em alguma fazenda.
Não havia movimento nenhum.
Depois de cinco minutos, comecei a achar que havíamos errado de rota, até que pude avistar os seis semideuses surgindo em uma curva.
– Consigo sentir o cheiro deles daqui. — Disse o telquine militar. Ele respirou fundo, e depois de um tempo soltou o ar. — Chuva, mar... — Ele franziu a testa. — Morte.
– Um passarinho e uma brisa quente de verão. — Disse o verdinho. — Caraca, eles são deliciosos. Deixa a gente só provar?
– Se você quiser ser morto por Urano, então vá em frente. — Eles se calaram. — Andem, vamos nos apresentar.
Descemos o pequeno declive, e ficamos parados na estrada, os esperando. Quando estavam relativamente perto, dei um passo a frente e fiz sinal para que os outros dois se afastassem um pouco.
Assim que se aproximaram, e viram que não conseguiriam passar, fiz a Névoa ficar mais forte, parecendo que os telquines parecessem lutadores de boxe.
– Com licença, mas queremos passar. — Disse a filha de Zeus. Qual era o nome dela mesmo? Isadora? Acho que sim.
– Oh. — Fiz uma voz de deboche. — Perdão senhorita, pode passar. — Os telquines riram, e um sorriso sarcástico se formou em meu rosto. — Que tal quando homens com cabeça de cachorro surgirem?
Fiz a Névoa desaparecer, revelando os monstros como realmente eram. Homens com cabeça de cachorro. Eles rosnaram, e dei alguns passos para trás, me aproximando.
– Quem é você? — Perguntou Luigi, filho de Apolo. — E o que quer da gente?
– Oh, meu nome não importa. Venho aqui apenas para transmitir um recado. — Aquilo não fez com que ficassem mais tranquilos. — Um recado de Urano. Se pararem com essa missão, e jurarem fidelidade a ele, como eu fiz, talvez eles poupem a suas vidas inúteis.
Eles?– A filha de Hades, Coraline, deu um passo a frente. — Eles quem?
– Urano. — Fiz uma pausa. — E Gabriel.
Aquilo parecia ter realmente atingido, pois mesmo que por um milésimo de segundo, pude ver que ela percebeu que era verdade. Talvez ainda não acreditasse. — Já souberam? — Disse. — O pacto com Urano está quase pronto. A restauração está completa, e ele só precisa de um hospedeiro temporário. Ou talvez já tenha um.
Pânico passou pelos olhares dos seis, como se percebessem o quão atrasados já estavam. Pelo visto, os telquines estavam se divertindo com aquilo. Não pude deixar de sorrir, e proferi algumas palavras em latim. Uma névoa roxa surgiu, encobrindo a mim e aos cabeças de cachorro.
– Tolos. Ainda há tempo de desistir.
– NUNCA! — Ouvi o coro de vozes dos semideuses antes da magia do pentagrama nos engolir.
Fechei os olhos, e o som da magia se tornou uma espécie de relaxante. Havia ajustado a viagem para voltarmos a Grécia, e em segundos, estávamos de volta na caverna.
– Vejo que voltaram. — Gabriel surgiu das trevas. Estava mais pálido e com olheiras nos olhos, mais do que semana passada. Parecia que não dormia bem há três dias. Mas mesmo com o olhar cansado, emanava poder. — E então?
– Nada demais. A viagem deles foi absolutamente tranquila, exceto por um ultimo… Hum, importuno. — Apontei para os telquines. Gabriel não sorriu, mas soube que era isso que ele queria. Ele olhou para os dois telquines, e os dois se afastaram com os rabos entre as pernas. Isso se tivessem caudas de cães.
– Pois bem. Certifique-se de que está tudo saindo como planejamos.
– Sim, lorde. — Disse, em tom mais sério. — Devo mandar algum dos monstros para atrasá-los?
– Não, não. — O tom dele era calmo, quase como se… Estivesse prestes a matar alguém com um olhar, coisa que não duvidava. — Deixem que venham. É isso que quero. Disse a eles que estão atrasados?
– Sim, senhor.
– Bom. Então procurarão um meio de se apressarem. — Ele olhou para o nada, como se pensasse em algo. Tinha tido vários devaneios nos últimos dias. — Pégasos.– Ele cuspiu a palavra, como se fosse veneno. — Mande águias vigiarem o céu. Tenho a impressão que tentarão viajar pelo ar.
– Sim senhor. — Ele se afastou a passos rápidos, e não pude deixar de me perguntar baixinho. — Nós temos águias?
Saí pra fora da caverna, subindo o pequeno declive. A luz do sol fez meus olhos arderem, e tive que colocar óculos escuros.
Minha pergunta foi respondida quando três águias do tamanho de cavalos pousaram na minha frente.
– Oh. Eficaz.
Assim que elas levantaram voo, fiz uma pequena caminhada. Se há quatro meses tivessem me dito que eu me uniria ao exército dos titãs, passando horas recrutando monstros em suas tocas fedorentas e sendo braço-direito de um filho de Hades, eu teria rido da cara do pobre coitado e o transformado em um porco.
Se bem que, há quatro meses atrás, eu ainda estava morando em uma casa abandonada há cinquenta anos. O "covil" de Urano não era melhor, mas era mais fresco, não tinha o risco de desabar, e não cheirava a fezes de ratos.
“Espero que eles consigam chegar na fronteira do país. Mas talvez… Mesmo se chegarem, será tarde demais. Quem sabe assim entendam que o céu não é algo que pode ser tocado.”
Sorri e voltei para a escuridão da caverna.

Notas finais
Compartilhem, recomendem, adicionem aos favoritos, façam o que quiserem :v Até depois /o/ - Little Thunder