The Blood of a God
15 Capitulo XV
Notas iniciais

POV BELLA
Acordei do mesmo modo pelo qual eu vi ao mundo. Contra a minha própria vontade, chorando e querendo mais 5 minutos. Ainda estava escuro, e segundo o relógio, era por volta da meia-noite. “AI CARAMBA, EU TO ATRASADA!"
Eu tive que acordar cedo. Não entendo porque isso existe. Eu estou em busca de uma vida em que eu acordasse para comer e voltar dormir de novo. Se eu não tivesse isso, um dracma seria bem vindo para decidir aqueles assuntos pendentes com minha mãe. Achar alguém com dracmas era muito fácil. Difícil mesmo foi achar alguem que me daria um. Antes do jantar de ontem, eu fui atrás das únicas pessoas com quem eu poderia barganhar: Camila e Ana Flávia. Essas duas gêmeas manjam nesse assunto.
Me arrumei o mais rápido que pude, peguei tudo o que precisava pra convencer as duas e sai o mais silenciosa possível. O que foi meio impossível. No meio do caminho, eu bati meu dedinho no beliche da frente. “Deuses do Olimpo, como isso dói!” Eu teria preferido levar um tiro, mas tampei minha boca pra não gritar.
O bom, é que eles dormem que nem uma pedra. Parecem ate filhos de Hipnos, aquele deus dos sonhos ou algo parecido.
Eu estava indo para o nosso ponto de encontro que no caso era a lojinha do acampamento. Ela era comandada pelos filhos de Hermes, vendendo qualquer tipo de tralha ou itens para missões. Por mera "coincidência" Ana e Mila estavam no comando hoje.
Quando eu passei pela Casa Grande, uma multidão de campistas estavam em volta de uma menina, e Quíron a ajudava.
Minha curiosidade era maior que qualquer coisa, exceto a minha fome. Pois hora da comida, é uma hora sagrada. Me aproximei para ver o que tinha acontecido.
Como sempre, demorei um pouco a entender quando eu vi de primeira, mas aí caiu a ficha. Na parede estava escrito com o que me parecia sangue :
Os titas uma vez governaram
A terra e o tempo fracassaram
O céu ira gorvernar
E a humanidade assim irá de se restaurar
A primeira coisa que veio na minha cabeça foi "Mas que xabirasca esquisita e essa?". Só então eu lembrei das histórias que eu ouvi de Percy. A Batalha de Manhattan. A Guerra dos Titãs. A Ressurreição de Gaia. Num segundo, tudo aquilo fazia sentido, mas eu estava muito ocupada demais pra prestar atenção naquilo. Saberia dos boatos de manhã.
Deixei pra lá e saí correndo para a lojinha. No meio do caminho, acabei encontrando Myh caminhando com um livro na mão. Corri mais um pouco e ajustei a caminhada para andar ao seu lado.
– Hey Myh!
– Olá Bella, como vai?
– Suave,eu to indo pra lojinha… Quer vir comigo? — Ela deu de ombros e concordou com a cabeça.
Quando chegamos lá, as meninas estavam jogando cartas em uma mesinha de vidro. As duas estavam com o cabelo preso em coques-rabos-de-cavalo, fazendo com que elas parecessem reflexos uma da outra.
Dei três batidas na porta de vidro, e Mila/Ana abriu a porta. Ao nos ver, puxou nós duas para a frente e fechou a porta atrás de nós. Eu não sabia mais quem era quem.
– Eita. Que foi? Nem cumprimenta mais? — Perguntei, me equilibrando em uma estante de madeira.
– Desculpe "queridas". — Ela imitou uma aspas com os dedos. — Ta legal. Oi Bella, oi Mi. — Disse Mila/Ana. Ela voltou a se sentar na cadeira, e pegou o baralho de volta.
– Olá, meninas esperem um pouco, esperem só eu ganhar dela. — Disse Ana. Consegui diferenciar porque uma era um pouco mais alta que a outra.
– Ah... Claro, como se vc fosse conseguir! — Disse Mila, irritada.
Myh caiu na gargalhada ao ver as cartas que estavam na manga de Flávia caindo no chão, fazendo placs sonoros. Flávia corou, e Mila se levantou, socando a mesa.
– EI! VOCÊ ESTÁ ROUBANDO- Gritou ela. Como se isso fosse novidade.
– VOCÊ TAMBÉM! — Flávia puxou a manga esquerda de Mila e mais cartas caíram no chão. Sem conseguir conter, estávamos quase rolando no chão de tanto rir.
– Então Bella, o que voce tem a nos oferecer?- Disse Mila, afastando a cadeira, dando a volta e se debruçando sobre o balcão da loja.
Tirei a sacola em que tinha colocado o "suborno" dos ombros e coloquei sobre o balcão. As duas olharam durante um tempo, se entreolharam e sorriram.
– Negócio fechado. Acho que você merece até dois. — Flávia me entregou dois dracmas, guardou as coisas em uma gaveta e as duas voltaram para o jogo.
Enquanto saíamos da loja, Myh se virou para mim e perguntou:
– Ei, o que voce deu para as duas?
– Hum... Vejamos, dois pacotes de bala Fini, um pote de Nutella extra grande e um pé de cabra.
– Onde você conseguiu tudo isso?
– Os doces, eu já tinha. O pé de cabra eu peguei "emprestado" da forja.
– Ah… Entendi. — Ela abaixou a cabeça. “Será que ela quer falar com o pai?” Minha consciência me venceu.
– Myh… Você quer um dracma pra ligar pro seu pai?
– Sério? — Os olhos dela brilharam. Assenti com a cabeça e estendi a moeda. — Valeu. — Ela a pegou e guardou no bolso da calça. — Vou voltar pro chalé de Atena. Tchau.
– Até, Myh.
– E boa sorte com sua mãe!
– E você com seu pai! — Ela se afastou, e enquanto corria gritou um "Obrigada!"
Corri para o chalé de Poseidon. Quando abri a porta, o mais silenciosa possível, todos ainda dormiam. Esperaria para ligar para minha mãe de manhã. Me deitei na cama e fui dormir.
Assim que acordei,o chalé estava vazio. Todos já estavam no pavilhão tomando café. Não tinha fome, então fui pro canto onde a pequena fonte de pedra estava. Quando conheci o chalé, me mostraram que tinha uma fonte d'água com dracmas de ouro dentro e que dava para se comunicar usando mensagem de Íris. Mila tinha ensinado a mim e a Isa a como fazer, e nós três mandamos trotes para as campistas do chalé de Afrodite dizendo que a New York Fashion Week tinha sido cancelada.
Peguei o dracma de dentro do bolso e joguei no arco-íris formado pela fonte.
– Ó, deusa do arco-íris, aceite minha oferenda. — O arco íris tremulou. — Mostre-me Regina Stolf.
Lá estava ela. Os mesmos cabelos cor de mel, os mesmos olhos verdes e o mesmo maldito café da manhã de sempre: waffles com mel salpicados de canela.
– M… Mãe?
– Filha? É você? Pelo céus eu estava com tanta saudade! — Parecia a mesma de sempre. As mesma olheiras por domir no sofa assistindo TV. O olhar de cansaço por causa do trabalho. A felicidade em me ver. As vezes acho que ela precisa de um namorado.
– Eu também estava morrendo de saudades mãe. — Dei um sorriso triste. Eu realmente estava muito feliz em vê-la, mesmo que eu ainda esteja acostumada com a ausência. Ela era minha mãe, afinal de contas.
– Querida. Seu pai me contou que você e suas amigas estão no acampamento. — Ela me pegou de surpresa. — Ah por favor, acha que seu pai não me contou? Como esta sendo aí? — Ela me perguntou com uma cara de que nao gostava muito da idéia.
– Mãe... Eu… Eu tenho uma pergunta para te fazer.
– Pode falar filha. — O tom dela era calmo, quase reconfortante. Quase nunca tínhamos essa conversa entre mãe e filha.
– M-Mãe... Eu quero saber sobre meu pai. Quero saber porque você escondeu ele de mim. — Disse com uma voz firme, mesmo estando com as mãos trêmulas.
Lá em casa, mamãe colocou uma regra de quais perguntas não deveriam ser feitas. Essa era uma delas. Mas acho que já não importava mais. Ela se sentou na cadeira, cruzou as mãos sobre a mesa e disse:
– Eu sabia que esse dia iria chegar. Bella, acho que você ja sabe que seu pai é Poseidon ?
– Sim, eu sei. Eu… Salvei minha amiga de se afogar, aí ele… Me reclamou.
– Bem isso foi quando eu ainda trabalhava na marinha. Eu era jovem e apaixonada pelo mar. Tinha um ótimo emprego e uma vida muito boa,saia para festas com amigas e me divertia mas nunca cheguei a me apaixonar. Seu pai foi meu primeiro amor. A gente se conheceu em uma festa na praia e começamos a conversar e nos apaixonamos. Para mim seu pai era um simples pescador apaixonado pelo mar como eu. Estávamos junto havia dois meses quando eu então descobri que estava gravida de você. Foi uma grande surpresa para mim e achei que seria uma grande surpresa para seu pai. Então resolvi guardar essa notícia para o dia do luau na praia. Quando chegou o dia, seu pai veio conversar comigo e ele estava sério e calmo como sempre. Ele me contou que era um deus,o deus do mar. Claro que de primeira eu não pude acreditar, isso não passava de um mito não é? Então ele me mostrou que era verdade. Me levou para o fundo do mar foi incrível, você iria adorar. — A voz dela se carregou de tristeza. — Eu contei para ele sobre você. Ele ficou muito feliz. Ele me explicou tudo, sobre o Acampamento,sobre o Olimpo,sobre os deuses,tudo. Me disse que tentaria ficar junto de você enquanto você crescesse,mas ele disse que os deuses provavelmente não permitiriam. Poseidon me disse que você não deveria saber de nada disso até seus poderes se tornarem impossíveis de ignorar,ou até um sátiro te buscar. Concordei e me calei. Passamos mais alguns dias juntos e então me demiti e me mudei pada o Brooklyn. Ganhei o emprego na agência de turismo, e vivo assim até hoje. Me lembro dele. — Ela sorriu. — Pele bronzeada,cabelos escuros,olhos verdes… Usava roupa típica havaiana e chinelos. Enquanto você crescia, minha atenção era voltada totalmente a você,meu amor. Cheguei a me esquecer dele por um tempo. — Os olhos dela estavam carregados de lágrimas. — Bella, eu sou sua mãe e te protegi e protejo da melhor maneira que posso. Eu quero que você saiba que eu te amo de verdade. É por isso que eu quero que você fique aí, com seus amigos. Não quero que se preocupe comigo, pois eu vou ficar bem. — As lágrimas rolaram pelo seu rosto. Eu não sabia o que fazer e nem o que pensar. A única coisa que eu queria era poder abraça-la e enxugar suas lágrimas. Sem perceber, eu estava chorando também. — Filha, eu te amo, me perdoe por não falar de seu pai. Sei que isso é importante para você,mas agora que já sabe da verdade, não quero que isso mude você. Você é perfeita do jeito que é. Não deixe que coisas sem importância atrapalhem seu caminho. -Eu sabia que mesmo que ela não passasse muito tempo comigo agora, ela me ama de verdade. E eu também.
– Mãe, eu também amo você e te entendo. Você é a única coisa importante para mim. — Sorri. Ouvi um barulho vindo da porta do chalé. — Mãe, tenho que ir,obrigada por esclarecer as coisas. Beijo, te amo
– Não foi nada filha, também te amo- Balancei a névoa e ela se dissolveu.
Fiquei parada por um tempo, desnorteada por conta de tudo o que eu ouvi,mas eu me sentia leve ao mesmo tempo, como se eu tivesse tirado um peso das minhas costas. Me deitei na minha cama e acabei pegando no sono.
Sabe quando você acorda e não lembra nem o seu proprio nome? Capaz de alguém perguntar como você se chama e você responder "Batata"? Foi isso que aconteceu comigo. Eu não tive sonhos e eu não sei se isso era um sinal bom ou ruim. Penteei meus cabelos e prendi com um rabo de cavalo. Saí do chalé e fui atrás de alguma coisa pra fazer.
Eu estava próxima da arena quando vi que Myh estava lá dentro. Me aproximei dela e percebi que ela estava suando e ofegando sem parar. Olhei para a menina que praticava com ela. Era uma menina morena, com cabelos castanhos e olhos multicoloridos. Uma trança caía sobre seus ombros,e uma pena de falcão a decorava.
– Olá Bella — Disse Myh. — Tudo bem?
– Tudo sim. — Respondi.
– Olá Bella, eu sou Piper. — Ela sorriu e guardou a espada.
– Oi. — Respondi meio tímida. — Você fazia parte dos sete da profecia,não era? — Piper assentiu com a cabeça.
– Bella,não quer treinar com a gente? — Myh perguntou. Eu não era muito boa em esgrima,mas tudo bem.
– Pode ser. — Peguei uma espada e começamos a praticar.
Passamos umas boas horas treinando e eu acho que eu estou pegando o jeito disso. Myh e eu chegamos até a duelar, e só paramos quando estávamos quase desmaiando de exaustão.
Saímos da arena e nos despedimos de Piper, que logo começou a praticar com bonecos de palha. Fomos para a área dos chalés, para cada uma de nós ir tomar um banho. Myh parou de andar e ficou parada. Parei também e perguntei:
– O que foi? — Ela não disse nada, apenas apontou. Segui os olhos para a direção em que ela apontava. — Santo oceano.
Quando olhei, não pude acreditar. Isa e Cora estavam uma em cima da outra, espancando uma a outra. Estavam quase se matando. Quíron apareceu e interrompeu a briga. Logo em seguida, Nico veio em seu encalço. Quíron disse algo a ele. Nico foi no chalé de Zeus e chamou Jason. Quíron puxou as duas pelo braço e as levou para a Casa Grande.
A multidão em volta começou a se dispersar,e Myh e eu corremos ao encontro deles. Não podíamos entrar lá dentro sem mais nem menos, então simplesmente fomos para nossos chalés.
Me sentei no beliche e fiquei brincando com a adaga que peguei na forja. Tudo aquilo estava muito confuso. Percy abriu a porta e entrou no chalé.
– E aí?
Dei um suspiro.
– Hoje o dia está muito confuso. — Ele deu um sorriso.
– Eu já tive esses dias. Acostume-se.
Ficamos conversando por um tempo quando Mi,Samu e Luigi bateram na porta.
– Oi Bella, Quíron esta nos chamando para ir a Casa Grande. — Disse Samu.
– Ah...Tudo bem. — Senti um frio na barriga. quando chegamos lá, fomos a uma sala onde estavam Cora, Isa, Quíron, Nico e Jason. Quíron fechou a porta quando entramos,e nos sentamos na mesa.
Isa sorriu para mim e para Samu. Nós não retribuímos o sorriso. Ela franziu a testa, e um corte na bochecha escorreu um pequeno feixe de sangue.
– Bem crianças. Temos uma nova profecia. Rachel a citou agora,na hora do jantar. — Ele continuou,sério — Dizia: Seis semideuses o perigo enfrentarão/O com nome de anjo será a própria traição/A morte de um colega será uma grande dor/Gregos e romanos lutam unidos com destemor/O raio e a sombra/A coruja e a onda/A luz e o mar/Juntos o céu,irão derrotar/No berço da Grécia/Deverão o mundo,assim,salvar. — Silêncio. Ninguém disse nada. Todos estavam pasmos. -Bem. Vocês seis,me refiro a vocês,Isadora,Coraline,Michelle,Isabella,Samuel e Luigi são os últimos que chegaram aqui. Suponho que Delfos só pode estar falando de vocês. O com nome de anjo. Gabriel era o nome de um anjo,e o nosso Gabriel filho de Hades,nos traiu e fugiu. A morte de um colega... Bem,esperem o pior. Gregos e Romanos lutam unidos,suponho que vocês devam passar no Acampamento Júpiter…
– Quíron,amanhã eu retornarei para lá. — Disse Jason. — Suponho que possa acompanhá-los.
– Como desejar Jason. — Quíron prosseguiu. — Raio,Isadora. Sombra,Coraline. Coruja,Michelle. Onda,Isabella. Luz,Luigi. Mar,Samuel. Juntos o céu,irão derrotar… Reforça a pichação que tivemos na parede. No berço da Grécia. Vocês terão de viajar para lá,para impedir que Urano supostamente desperte.
– Perai. Deixa eu ver se eu entendi. — Disse Myh,sem conseguir acreditar. — Você quer mandar seis semideuses aparentemente inexperientes para uma missão supostamente suicida?
– Bem-vinda ao time. — Disse Nico.
– Então… Nós vamos para a Grécia? -perguntou Isa. Aquilo era o sonho da vida dela.
Grécia? Como assim Grécia? Aquele frio na barriga voltou, e eu tive certeza de que aquilo não era um bom sinal.
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