The Blind Side Of Love

15 You’re Gonna See a Lot Of Me.


Notas iniciais
Aleluia! Finalmente consegui terminar esse capítulo. Podem glorificar de pé, porque foi uma verdadeira batalha. Por isso, sem desculpas, espero que gostem.

Quatro semanas após o Natal, tudo tinha voltado ao normal, principalmente as aulas na Columbia. Emily e eu tínhamos horários diferentes e totalmente bagunçados, o que nos deixava com pouquíssimo tempo para nos vermos. Não comíamos mais juntas e mal nos víamos no fim de cada período. Era extremamente desanimador e, sempre que eu parava para pensar sobre isso, batia um desespero desolador da falta que eu sentia de quando ainda podíamos nos encontrar entre uma aula e outra para tomar café – ou simplesmente aliviar a forte tensão sexual que pairava entre nós duas em um dos laboratórios vazios do campus de Biomedicina.

Agora, no entanto, ao invés de passar o sábado à noite estudando, como eu havia programado, estava sentada no colo de Emily, com os dedos enroscados entre os fios longos e macios de seus cabelos, beijando-a profunda e languidamente, enquanto deslizava minha mão livre por todo o torso firme e delicioso. Ela também não ficava muito atrás, arrastando suas mãos famintas pelas laterais do meu corpo, buscando pedaços expostos da minha pele, até alcançar as minhas pernas, agarrando-as com força antes de se erguer da poltrona e me deitar no sofá, com a respiração pesada e difícil.

— Nós deveríamos estar estudando. — Emily murmurou quando eu enrolei meus dedos na bainha de sua camiseta, puxando-a por sobre sua cabeça e, então, deixando-a cair no chão.

Isto... — Gesticulei para o que estávamos fazendo. — É muito mais importante.

E, sem perder tempo, escorreguei a minha mão pelo seu abdômen liso e rígido, pausando brevemente ao alcançar o cós de seu moletom, e a enfiando em sua calcinha. Em deixou um gemido rouco e choroso escapar assim que deslizei meus dedos em sua intimidade quente e úmida. Aproveitei para morder seu lábio inferior com força, engolindo os sons suaves, enquanto ela se rendia aos movimentos que eu fazia.

Emily enrolou seus dedos entre meus cabelos, aprofundando nossos beijos ainda mais, ao tempo em que, com a mão livre, deslizava as alças da camiseta regata que eu usava até a altura do meu busto, onde agarrou um dos meus seios com a mão e o outro com a boca. Era uma sensação deliciosa – senti-la empurrar os quadris contra os meus dedos, no mesmo ritmo, enquanto sua língua acariciava meu mamilo rígido e sensível, com cuidado e devoção.

Enquanto mantínhamos o mesmo embalo, Emily suspirava contra a minha pele, e eu apertava as minhas unhas em suas costas, deixando-me levar com os sons guturais, quase como súplicas, que sua garganta produzia. Meus dedos agora entravam e saíam de dentro dela, com força e rapidez, fazendo-a se desconcentrar e erguer o rosto, capturando meus lábios desesperadamente. Ela estava tão perto de se derramar para mim, eu podia sentir – através das paredes rígidas e estreitas – e, quando finalmente aconteceu, ainda continuei bombeando devagar, até que seu corpo parou de tremer.

— Eu senti tanta falta disso. — Murmurei contra sua têmpora, enquanto Em tinha seu rosto enterrado em meu pescoço, suspirando profundamente. — Você é tão suave. E quente. — Continuei devagar, arrastando meus lábios até o seu ouvido, conforme meus dedos percorriam toda a extensão de seus braços e costas.

— Foram só alguns dias, Ali. — Em riu suavemente ao erguer o rosto e olhar para mim, com as pupilas cheias e ainda dilatadas.

— Não importa, foram dias horríveis. — Afastei uma mecha de cabelo que caía em seu olho, emaranhando meus dedos entre os fios ao trazê-la para mais perto e beijá-la na boca.

Ela se colocou em cima de mim, entre as minhas pernas, interrompendo o beijo lentamente ao se afastar e ficar de joelhos. Emily pausou por um instante, absorvendo o que estava diante de seus olhos, com as íris brilhantes, antes de escorregar suas mãos suavemente pela minha camiseta e tirá-la. Ela fez a mesma coisa com o short de flanela e a calcinha, descendo pelas minhas pernas de uma vez.

Em... — Suspirei longamente ao senti-la arrastar a ponta de seus dedos pelo meu abdômen, tortuosamente, em uma linha reta, até alcançar o meio das minhas pernas. — Tire a sua roupa. Eu quero você nua também.

— Ainda não, amor.

Os lábios delicados e beijáveis se curvaram em um meio sorriso quando estiquei meu braço para puxá-la pelo tecido suave de sua calça de moletom, afastando ainda mais as minhas pernas no meio do processo. Podia sentir a tensão se formando através dos músculos rígidos do meu estômago, e também a ansiedade que me deixava preparada pelo contato de nossas peles. Emily se curvou em minha direção, puxando-me para baixo conforme seus lábios se arrastavam pela minha coxa interna, deixando uma trilha de beijos molhados em seu caminho até a minha parte mais sensível e pulsante.

Não hesitei em enfiar meus dedos entre seus cabelos, segurando-os com firmeza enquanto ela deixava sua língua quente e habilidosa escorregar preguiçosamente, como se estivesse apenas saboreando a umidade crescente. Arqueei minhas costas e movimentei meus quadris contra a sua boca, gruindo sonoramente conforme as investidas se intensificavam.

Hmm... — Emily murmurou em apreciação. — Ali, você está tão quente. — Ela pressionou sua língua em meu sexo inchado, apertando minha perna com sua mão livre, enquanto a outra agora tinha seus dedos enterrados profundamente em minha entrada.

— Amor, continue assim. — Arfei quando ela alcançou um ritmo frenético e perfeito, o que me fez arrastar minhas unhas pela sua nuca. — Não pare. — Implorei novamente, baixinho dessa vez, tendo a rápida noção de que estava muito perto de chegar ao ápice.

Joguei a minha cabeça para trás, sentindo minhas entranhas se estreitarem e uma sensação conhecida se alongar por todo meu corpo, em forma de intensas ondas de prazer e calor, causando as vibrações e as batidas eufóricas do meu coração. Era como uma deleitosa explosão em meus tímpanos, seguido de uma dormência momentânea. Deixei o nome de Emily ecoar dentre meus lábios, sentindo-a suspirar chorosamente contra a carne molhada e extremamente sensível.

Ela depositou beijos longos e suaves em minha virilha, roçando seu nariz preguiçosamente na região pulsante, enquanto minha respiração começava a se estabilizar gradativamente. Ainda com os dedos entre seus cabelos, fiz com que ela escalasse meu estômago com seus lábios, deixando uma trilha de marcas pelo caminho. Em tratou de se adiantar quando alcançou minha clavícula, colidindo seus lábios contra os meus com veemência, ao mesmo tempo em que minhas mãos se apressaram em desatar o fecho de seu sutiã roxo.

— Pensei que tivesse proibido você de usar sutiã em casa. — Resmunguei entre beijos lânguidos e desajeitados, fazendo-a rir suavemente antes de espalmar sua mão em meu seio esquerdo.

— Eu sei, desculpe. — Ela disse, afastando-se o suficiente para me permitir deslizar a peça pelos seus braços.

— Chega de ficar por cima, Em. — Aproveitei sua ligeira distração para inverter nossas posições, com cuidado para não derrubar nós duas no chão.

Ajeitei-me sobre ela e comecei a puxar seu moletom para baixo, deslizando o material pelas pernas longas e torneadas, fazendo o mesmo com sua calcinha logo em seguida. Em mantinha seus dedos ocupados, acariciando e brincando com meus mamilos com os olhos cheios de suavidade e malícia. Seus toques me faziam suspirar, e rapidamente estávamos enroscadas uma na outra, fazendo amor outra vez, mas agora eu estava no controle, tocando-a em todos os lugares sensíveis.

Deslizava meus dedos dentro e fora dela, depois a minha língua, sugando-a enquanto sentia o aperto de sua mão em meu cabelo, estimulando-me a continuar, até suas costas desabarem no estofado macio do sofá. Em segundos, depois que sua entrada quente e apertada enrijeceu ao redor dos meus dedos, deixei a minha cabeça cair em seu peito, respirando com dificuldade enquanto escutava as batidas frenéticas de seu coração contra o meu ouvido – com seu gosto em minha boca.

— Você é tão maravilhosa. — Sussurrei após um suspiro trêmulo. — Não vou me cansar nunca disso.

Emily acariciava meu cabelo úmido, e eu arrastava as minhas unhas pelas suas pernas, preguiçosamente, fazendo-a se arrepiar conforme nossos corpos suados e cansados se recuperavam da recém e intensa atividade. Fechei os olhos por alguns instantes e a última coisa que me lembro de ter escutado antes de pegar no sono havia sido sua risada baixa e suave.

Acordei com a voz distante de Emily me chamando, e também com a sensação de seu corpo quente e exposto ainda sob o meu. Ela afagava meu cabelo delicadamente, ressoando meu nome algumas vezes como se não quisesse que eu despertasse com sobressalto. Ainda com os olhos fechados, murmurei algo ininteligível em troca, enquanto ela tirava alguns fios loiros do meu rosto.

— Ali, acorde. — Emily tentou mais uma vez, afastando a minha mão de um dos seus seios. — Sua mãe ligou para avisar que está na cidade. Eu a convidei para almoçar com a gente.

— O quê? — Abri os olhos imediatamente, erguendo a cabeça para fitá-la com espanto. De repente, eu estava completamente ciente do que acontecia ao redor. — Por que você faria uma coisa dessas?

— Não seja assim. — Ela disse, inclinando a cabeça ligeiramente para o lado, com os olhos serenos e pacientes. — Não me olhe como se eu tivesse feito algo terrível.

— Ah, mas você fez. — Retruquei, deixando a minha cabeça cair novamente em seu peito, sentindo-me exausta.

— Ali...

— Não, Emily! Eu não estou com humor para lidar com a minha mãe agora. Por favor, conserte isso. Ligue para ela e diga que nós já temos compromisso. — Exigi energicamente, deslizando meu polegar pela aréola sensível devagar, até arrancar um suspiro trêmulo dela.

— Eu não vou fazer isso. — Ela se negou, colocando sua mão sobre a minha. — E pare de fazer isso. Está me distraindo. Nós vamos receber sua mãe para almoçar e você vai se esforçar para ser agradável. — Continuou, empurrando-me com delicadeza para o lado para que ela pudesse se levantar.

— Eu gosto quando você é mandona, isso me deixa muito excitada, mas não exagere. — Retruquei, revelando um leve indício de humor em meu tom de voz, enquanto acompanhava os movimentos de seu corpo nu e convidativo pela sala.

— Seja boazinha e tudo vai dar certo. — Em sorriu, recolhendo sua roupa no chão antes de voltar a me encarar com um olhar amoroso. — Agora, levante desse sofá. Nós precisamos de um banho, e depois pizza.

— Que tal pizza agora? Eu iria lambuzar você todinha antes de comer... — Emily deixou uma risada deliciosa ecoar pelo cômodo, dando às costas para mim e, então, gritando antes de desaparecer no corredor:

— Vou esperar você na banheira. Dez minutos!

***

No dia seguinte, Eros me mantinha distraída, enquanto Emily parecia se divertir com algumas das histórias inofensivas que minha mãe tinha para contar sobre a nossa família. Desde que chegou, ela vinha insistindo que Emily a deixasse ajudá-la com o almoço, até que Em finalmente cedeu. Era no mínimo interessante vê-las interagindo, já que não era segredo para ninguém o quanto minha mãe adorava Emily.

Ela também apreciava a bondade e toda a calmaria que Em transmitia, dizendo que eu não podia ter escolhido alguém melhor para me relacionar. E, baseada em sua reação, nada havia mudado desde que ela percebeu que eu estava namorando a minha melhor amiga, o que me levava a pensar que ela sempre imaginou que isso pudesse acontecer. Como se soubesse desde o início que minha conexão com Emily era especial e, por tal apurada suposição, ela tinha o meu respeito.

— Eu me lembro da primeira vez em que Ali se dirigiu a mim. — Escutei Emily responder a alguma coisa que minha mãe disse assim que foquei a minha atenção no que elas conversavam na cozinha. — Estávamos na igreja e ela usava um vestido florido de verão e saltos bem altos. Ela se aproximou de mim e eu pensei que estava prestes a escutar algum comentário maldoso, mas, ao invés disso, Ali me elogiou por estar na equipe de natação. Ela disse que achava legal, e eu fiquei tão surpresa. Não acreditava que a garota mais popular e intocável de Rosewood Day estava realmente conversando comigo. Precisei me beliscar depois para saber se aquilo não tinha sido um sonho.

O barulho dos pratos e talhares tintilando fez com que sua voz se tornasse quase ininteligível, e logo eu estava de pé com Eros no meu colo, seguindo para cozinha a tempo de ouvir a animada e elegante resposta da minha mãe – que Emily sempre demonstrou ter sentimentos puros e admiráveis por mim, sendo possível notar somente com os olhares e sorrisos fáceis. Naquela época, mal sabíamos que Em já me tinha desde o começo. Eu só não queria enxergar.

— Mas, você sabe, Ali sempre teve esse efeito nas pessoas. — Ela emendou logo em seguida, parecendo bastante pensativa com a taça de vinho apoiada em seu queixo, e eu pude sentir imediatamente a ambiguidade naquela observação.

— Quando esse almoço vai ficar pronto, afinal? Eu já estou ficando com fome. — Resolvi mudar de assunto antes que ela pudesse ter a chance de se tornar ainda mais inconveniente.

— Está quase pronto. — Em respondeu, sorrindo ao se virar do balcão, onde temperava a salada, e ver Eros com a cabeça repousada em meu peito. — Sua mãe fez frango frito com purê de batata.

— Ótimo. — Murmurei com falso entusiasmo. — O que você faz aqui mesmo? A última vez que conversei com Jason, ele disse que você estava em Connecticut visitando a vovó.

— Sim, eu estava. Que bom que tocou no assunto. — Respondeu com seriedade, depositando sua taça vazia sobre o balcão. — Sua avó não está muito bem de saúde, querida, e decidiu refazer todo o testamento. Aparentemente, ela quer se certificar de que todos os netos recebam a herança em igual.

— Isso é tão triste... O que ela tem? — Emily quis saber, demonstrando sincero interesse e preocupação.

— Um tumor no cérebro. É inoperável. — Minha mãe disse, movendo-se pela cozinha com o que faltava para terminar de arrumar a mesa. — Os médicos lhe deram seis meses de vida.

Emily olhou para mim, procurando por qualquer reação de minha parte, mas não era como se eu estivesse com o coração partido. Não éramos tão próximas assim, porém eu sentia por ela da mesma forma como me sentiria por qualquer outro ser humano naquela condição. Ela estava doente, e eu devia prestar meu respeito – uma lição que se aprende quando se estuda Medicina. Mas Emily era tão gentil e benevolente, ela colocava seu coração em todas as causas e lugares, sentia-se consternada como se fizesse parte dela.

— Não se preocupe muito, meu amor. — Murmurei ao senti-la me abraçar por trás e colocar seu rosto na curva do meu pescoço. — Pode ter certeza de que ela não morre antes de ter feito tudo o que pôde. — Garanti enquanto quase me derretia em seus braços, diante de tanta generosidade e calor humano.

— Chega desse assunto. Nada de morbidez na hora das refeições. — Minha mãe interferiu, pegando sua taça do balcão e a enchendo de novo, assim que a mesa estava pronta.

— Quando foi que você voltou a beber? — Perguntei sem querer, fitando-a com intensidade e desconfiança, sentindo o corpo de Emily enrijecer contra o meu. Por um instante, pensei que ela não fosse responder, mas, então, a resposta saiu insípida de sua boca:

— Quando seu pai foi embora.

— Bem, voltar a vícios antigos não vai trazê-lo de volta, então...

Ela deu de ombros, acenando com a mão como se aquilo não tivesse a mínima importância, e Emily rapidamente trocou de assunto, puxando-me para nos sentarmos à mesa. Apesar de eu ter passado boa parte do almoço em silêncio, escutei com atenção a tudo o que as duas conversavam, de vez em quando, acenando ou murmurando algo em concordância com alguma coisa que Em dizia. Não me sentia confortável na presença de minha mãe, como também mal conseguia olhá-la sem que todo o ressentimento que nutria por ela desde os treze anos voltasse à tona. Era mais fácil deixar esse sentimento um pouco de lado quando ela estava longe.

— Você cortou o cabelo, meu bem? — Minha mãe perguntou quando estávamos na sala, e ela mexia nas fotografias que eu tirei com Eros e Emily desde o Natal.

Havia algumas fotos com as meninas também, mas não se comparava com as de Em e nosso adorável gato. Durante as primeiras semanas desde que ganhei a Polaroid, não tinha um momento em que Emily estava distraída que eu não aproveitasse para tirar foto dela, e as que ela estava estudando, comendo ou dormindo eram as minhas favoritas. Ela tinha um ângulo maravilhoso quando não estava ciente do que acontecia ao seu redor, ou da máquina fotográfica em minha mão.

— Cortei... Semana passada, eu acho. — Dei de ombros, passando a mão pelos fios dourados inconscientemente.

— Agora que eu notei. — Ela disse, sentada na poltrona, enquanto Emily e eu estávamos no sofá, com Eros pulando de um lado para o outro. — Ah, e antes que eu me esqueça! — Reiterou, cruzando as pernas com delicadeza e elegância. — Amanhã tem esse evento beneficente aqui em Manhattan, você deveria me acompanhar. Ouvi dizer que os melhores médicos da cidade estarão presentes. Emily, minha querida, você também. Eu tenho certeza de que sua presença será muito apreciada.

— Obrigada, Sra. D. Isso é muito gentil, e eu adoraria ir, mas eu não posso. — Emily recusou polidamente, endireitando-se no sofá ao puxar Eros para o seu colo. — Amanhã é um dos dias da semana em que Ali e eu ficamos na Columbia até tarde.

— Está tudo bem, querida. — Minha mãe assentiu compreensivamente, inclinando-se em direção à Emily para poder pegar sua mão. — Eu tenho eventos para comparecer em Nova Iorque até o fim do mês. Oportunidades não faltarão. Mas, de qualquer forma, adorei vê-la depois de tanto tempo.

— Que ótima notícia. — Murmurei insipidamente, com a atenção voltada para o meu celular, onde eu podia ver que Hanna havia acabado de postar uma foto em seu Instagram ao lado de uma das modelos da Victoria’s Secret. — A conversa está ótima, mas eu preciso de um banho.

Levantei-me do sofá sem cerimônias, deixando as duas sozinhas, mas não antes de dar uma espiadinha por sobre o ombro e perceber que Emily me fitava com certa severidade, enquanto minha mãe tinha tomado meu lugar ao lado dela, e sorria para as fotos em sua mão. Emily voltou rapidamente sua atenção para ela, e eu segui para o nosso quarto, bufando ao imaginar o que viria assim que minha mãe fosse embora.

***

Em uma folha limpa do meu caderno de anotações, conseguia tirar o melhor do tédio ao desenhar cuidadosamente uma árvore robusta e elegante, cheia de flores, com as iniciais do nome de Emily escrito no tronco e um enorme coração ao redor, enquanto os minutos para terminar a aula do Professor Ferrari se arrastavam lentamente, e a sensação de que eu estava de volta ao colégio me atingiu de uma forma engraçada e igualmente espontânea. Aquela semana parecia ter começado de forma errada e cansativa, e eu já estava ansiosa para que acabasse logo, quando, na verdade, ainda estávamos no meio dela.

Não era segredo para ninguém que eu detestava o meu professor de Anatomia, tendo a impressão de que, talvez, por implicar com tudo o que eu produzia em sala de aula, o sentimento por parte dele também seguisse o mesmo curso que o meu. E, por isso, adorava pensar que ele poderia muito bem ir para o inferno, levando com ele toda aquela arrogância e antipatia, assim como a odiosa falta de temperamento, que parecia ser uma de suas principais características. Perguntava-me com frequência como alguém tão detestável conseguia tão boas referências ao ponto de ter um emprego como renomado professor da Columbia.

— Agora, antes de irmos para a parte prática, preciso de um voluntário. — Anunciou com a voz grave e vibrante, chamando a minha atenção de imediato. — Quem quer servir de exemplo? — Alguns alunos levantaram a mão no mesmo instante, e ele os analisou com atenção antes de fixar seus olhos e apontar para mim. — Srta. DiLaurentis.

— Eu não me lembro de ter levantando a mão, então... Não, obrigada. — Sorri com desdém, mas ele continuou com a mesma postura rígida e inabalável.

— Eu quero você como voluntária, então, se quiser continuar assistindo a minha aula, sugiro que ao menos finja interesse em participar dela. — Ele disse, mostrando-se firme, como se a minha resposta não houvesse sido clara o suficiente. — Agora, venha até aqui.

Ouvi sussurros e algumas risadas baixas ao meu redor, mas eu não conseguia me importar, já que toda a minha atenção estava naquele maldito pretencioso. Travei o maxilar com raiva, suspirando calmamente para não mandá-lo para algum lugar desagradável, onde era o lugar dele. Precisei de alguns segundos para processar a fúria que circulava em cada artéria do meu corpo, enquanto dava tempo para o meu cérebro articular a réplica ideal. No entanto, ao invés de dizer qualquer coisa ofensiva, levantei-me do meu lugar e, como se estivesse sendo superior, coloquei-me de frente para ele, com um sorriso cínico e forçado.

— Já que insiste, Professor Ferrari... — Concordei ironicamente, inalando o cheiro insuportável de colônia Armani que ele usava.

— Muito bem! — Ele finalmente sorriu, subindo as mangas de sua camisa branca ao se aproximar de mim. — Prestem atenção.

Ao dizer isso, ele pediu para que eu esticasse meu braço, fitando-me mais uma vez para prolongar o momento antes de colocar suas mãos em mim. O toque era para ser suave e não invasivo, mas eu não pude afastar o sentimento de desconforto que brotou dentro de mim. Ele desceu o dedo indicador devagar pelos músculos do meu braço, apontando os nervos e artérias, como mostrava a imagem na tela ao nosso lado. Aquilo mal havia começado e eu já não via a hora de terminar, mas não podia negar que daquele jeito era muito mais fácil de entender.

— Acho que isso já é o suficiente. — Murmurei quando ele se aproximou mais que o necessário, com os dedos traçando linhas invisíveis no músculo rígido do meu ombro.

O Professor Ferrari assentiu vagamente, movendo-se em direção à tela e prosseguindo com sua eficiente explicação, conforme os demais alunos anotavam em silêncio tudo o que era dito. Ajustei meu vestido calmamente, cuidando para controlar minha respiração e não transparecer nervosismo enquanto eu voltava para o meu lugar. Aquela situação tinha me deixado tensa e inquieta, tornando-se difícil de ignorar.

Depois de quase trinta minutos, a aula finalmente terminou e eu não hesitei em arrumar minhas coisas o mais depressa que pude, levantando-me da cadeira logo em seguida, enquanto deixava minha bolsa pender sobre o ombro, com o celular na mão e minhas pastas no outro braço. Assim que desci os degraus da sala, digitei uma rápida mensagem para Emily, conforme me apressava em direção à porta, avisando-a que estava indo até o campus de Biomedicina para vê-la. No entanto, quando alcancei o laboratório, avistei apenas suas duas amigas, Pinky e Cérebro, entre os alunos que saíam.

— Onde está Emily? — Perguntei assim que me aproximei, alternando o olhar entre as duas.

— Nós não a vimos. — Chloe respondeu, balançando a cabeça negativamente. — Hoje nós tínhamos três aulas juntas, mas ela não apareceu em nenhuma delas.

— Ela não veio com você? — Summer perguntou, sustentando o peso de seu corpo com uma perna só.

— Não. — Neguei com a cabeça, suspirando ao me lembrar do pequeno mal estar que ela teve ontem à noite. — Eu saí mais cedo hoje. Ela deve ter perdido a hora, ou algo assim.

Estranho... Nossa Emily não é de perder a hora. — Comentou, franzindo o cenho ao apoiar o braço no ombro de Chloe, que bufou em troca.

— Vamos logo para a nossa próxima aula, Summer. — Ela disse, exalando impaciência, antes de tirar o braço de sua amiga de seu ombro e puxá-la em direção aos elevadores. — Até mais, Ali. Diga à Emily que sentimos saudades.

Ajeitei as pastas em meu braço e revirei os olhos, balançando a cabeça em negação ao me virar e seguir o mesmo caminho que usei para chegar até aqui. Precisava saber como Emily estava e, por isso, tentei ligar para ela diversas vezes enquanto andava em direção ao estacionamento. Não conseguiria me concentrar até saber se minha Em estava bem, e aquela falta de notícias me deixavam sem ânimo de enfrentar qualquer coisa – principalmente depois de duas aulas com um homem que eu não suportava.

Assim que alcancei meu tão precioso Porsche, destravei as portas e coloquei minhas coisas no banco do passageiro, avistando meu professor de Anatomia entrar em sua Mercedes Benz do outro lado. Era quase impossível não reconhecer aqueles cabelos escuros como a noite e de aparência tão macia, que podia deslizar com extrema facilidade entre seus dedos. Balancei a cabeça com veemência, dissipando os pensamentos que mais embaralhavam minha mente e, então, dirigindo-me até a porta do motorista.

— Indo embora tão cedo? — Escutei a mesma voz grave me abordar, com muito charme em seu sotaque, cuja possessão em pronunciar me parecia típica da Itália Renascentista.

— Está me perseguindo agora? — Virei-me para encará-lo com um sorriso cínico, enquanto o motor de seu carro fazia barulhos suaves e quase imperceptíveis.

— Qual é o seu problema comigo, afinal? — Ele quis saber, rindo nervosamente quando eu me virei para abrir a porta do meu carro.

— Não! Qual é o seu problema comigo? — Retruquei energicamente, voltando a minha atenção para ele, com o maxilar trincado. — Você está sempre implicando comigo. Eu sou uma boa aluna e mesmo assim você desmerece tudo o que eu faço.

Escute... — Começou, saindo do carro assim que desligou o motor. — Qual é a sua prioridade? — Ele perguntou, aproximando-se de mim com segurança.

— O que diabos isso tem a ver...

— Você está fazendo Medicina, DiLaurentis. — Interrompeu-me abruptamente. — É uma área de extrema competição, onde os alunos precisam se sobressair como ótimos ou brilhantes. Você não está nessa categoria, porque seu foco é outro! Sua mente está ocupada com outras coisas, e mesmo que você seja boa, não é o suficiente. Nunca vai ser. Você precisa descobrir sua prioridade antes de qualquer coisa, porque eu não suporto alunos que estão na média. Não admito, na verdade. E sabe por quê? Isso é o que um ótimo profissional faz. Você quer mérito? Então, faça por merecer.

— Como você se atreve a falar comigo desse jeito? — Cruzei os braços, sentindo-me violada de todas as formas. Aquele animal tinha passado de todos os limites. — Você não me conhece, não sabe de nada sobre mim, ou de minhas prioridades.

— Eu conheço todos os meus alunos. — Ele disse, passando a mão em sua barba cerrada antes de se virar e entrar no carro outra vez. — Se chegar a se formar de verdade, tenho certeza de que vai entender o que estou tentando fazer. — Continuou sem realmente parecer afetado com a minha expressão de fúria. Eu poderia matá-lo agora mesmo que ele não se importaria. — Tenha um bom dia, Srta. DiLaurentis.

Fechei os olhos e inspirei profunda e calmamente, enquanto escutava o rugido suave do motor de seu carro assim que ele deu a partida. Quando os abri novamente, sua luxuosa Mercedes havia evaporado. Entrei no meu carro e bati a porta com força, extremamente irritada por sentir que aquele cretino poderia estar certo. Não era como se eu realmente me esforçasse para tirar boas notas nas provas e me destacar em qualquer disciplina. Um bom indício disso era que Emily não estava na Columbia e eu estava indo direto para casa por causa dela. E ali estava a minha resposta: minha prioridade era sempre Emily.

***

Entrei no quarto escuro e silencioso com cuidado para não fazer barulho, percebendo rapidamente que Emily estava enrolada entre os lençóis enquanto dormia de bruços. Mesmo com todo o esforço para ser discreta, não conseguia abafar os agradáveis e sonoros estalos dos fabulosos sapatos de salto alto que eu usava. Portanto, assim que alcancei a cama, tirei meus saltos e, então, meu vestido. Estava somente de sutiã e calcinha quando coloquei meus joelhos no colchão e depois as minhas duas mãos, engatinhando devagar até deixar meu corpo cair com delicadeza sobre o de Emily.

Toda aquela conversa estúpida com meu professor ainda mais estúpido havia me deixado extremamente carente e nostálgica pelo corpo quente e delicado da minha mulher. E eu estava feliz por ter vindo para casa, mesmo que eu só tenha assistido a três das oito aulas que eu teria hoje.

— Em... — Sussurrei com o nariz em seus cabelos, inspirando profundamente o cheiro delicioso que ela tinha. Ela murmurou algo ininteligível em resposta. — Amor, acorde, eu estou morrendo de saudades... E quero você.

— Ali... O que está fazendo? — Ela tentou se virar, mas eu não deixei.

Ao invés disso, deslizei meus dedos por sob os lençóis, sentindo a pele nua com um prazer duplicado. Emily ainda estava sonolenta, e seu corpo tão quente que, quando enfiei meus dedos entre seus cabelos espessos, notei que estavam úmidos. Quase como se houvéssemos acabado de fazer amor. Mas eu sabia que aquilo era febre. Ela realmente não tinha conseguido acordar pela manhã, e já se passavam das dez, pois estava começando a ficar doente. Afastei-me calmamente, tirando alguns fios de sua nuca ao aproximar meus lábios de seu ouvido.

— Amor, você está com febre. — Sussurrei delicadamente, deixando meu corpo rolar para o lado da cama com cuidado, enquanto Em grunhiu.

— Eu sei... Não estou me sentindo bem mesmo. — Ela conseguiu dizer, com a voz rouca e baixa. — Minha cabeça dói. Minha garganta dói. Tudo dói.

Levei minha mão ao seu rosto, que queimava sob o meu toque, acariciando-o amorosamente conforme ela abria os olhos para me fitar. Ela parecia tão cansada, e eu me perguntava se talvez fosse pela intensa e maravilhosa noite que tivemos. Escorreguei minha mão do seu rosto para seus braços, então sua cintura e, por último, suas costas, aconchegando-me em seu corpo macio e em brasa.

— O que está fazendo aqui, Ali? — Emily perguntou depois de repousar sua cabeça em meu peito, com os dedos roçando suavemente meu estômago. — Não era para você estar na Columbia?

— Era, mas eu vim cuidar de você. — Respondi honestamente. — Eu tentei te ligar, mas você não atendia. Fiquei preocupada...

— Você não tomou banho antes de deitar na cama, não é? — Acusou-me, erguendo o rosto brevemente para me fitar com repreensão, e eu precisei conter a risada.

— Bem, eu não deitei com a roupa que eu saí... — Tentei argumentar, mas Emily me interrompeu antes que eu terminasse.

— Mas o que eu disse sobre deitar na cama sem antes tomar banho? Ali, você sabe...

— Eu sei! Desculpe. — Revirei os olhos, enquanto ela desenhava linhas invisíveis com os dedos em cada pedaço de minha pele exposta.

— Eu estou brava, mas estou ainda mais cansada, por isso vou deixar para lá. — Ela disse, suspirando sonoramente antes de se afastar de mim para se levantar. — E eu preciso de um banho urgente. Você vai depois de mim. — Avisou com seriedade, prendendo o cabelo em um coque desajeitado antes de desaparecer dentro do banheiro.

Rolei meu corpo para o lado dela da cama, inalando o cheiro delicioso de frutas vermelhas que os lençóis e travesseiros tinham, sabendo que, antes que Emily voltasse do banho, eu precisava trocar a cama. Ela tinha muitas características de sua mãe, como limpeza e organização. Nunca poderia me esquecer do marcante cheiro de lavanda e cedro que a casa da Sra. Fields tinha. O aroma ficava impregnado em minhas roupas e me seguia até em casa. Era como se eu sempre estivesse com Emily, e – mesmo que na época eu não soubesse – eu gostava disso.

O celular de Emily acendeu no criado mudo, fazendo-me piscar e afastar as memórias para longe. Estiquei meu braço para pegá-lo e notei que estava no silencioso, com mais de vinte ligações perdidas, a maioria minha, e algumas mensagens que ainda não tinham sido lidas. Passei os olhos pelas mensagens de Spencer, dizendo como seu dia estava sendo terrível, então pelas de Aria, contando de seu encontro com Ezra. Nada de novo e que eu já não soubesse. Hanna, entretanto, parecia uma incógnita. Só sabíamos dela através das redes sociais, onde ela postava tudo sobre seu blog e as celebridades que ela conhecia pela cidade, enquanto buscava conteúdo para o blog. Tudo uma grande chatice.

Devolvi o celular para o criado mudo e, em menos de dois segundos, a tela acendeu outra vez, avisando sobre uma nova mensagem. Ponderei em deixá-lo como estava, mas o nome que apareceu na tela fez com que eu afastasse a ideia. Abri a mensagem mesmo sabendo que eu estava invadindo a privacidade de Emily, querendo saber o que tanto ela conversava com Kira. Tive a minha resposta imediatamente ao ver a foto de Killian em frente à televisão que ela tinha mandado para Emily, com a seguinte legenda, “Ele me acordou às sete da manhã só para assistir esse desenho. Estou exausta!”.

Lendo aquela mensagem, eu certamente podia dizer o mesmo – estava exausta dessa palpável e inconveniente proximidade das duas. Não me parecia tão inocente quanto Emily demonstrava, e também não era para me provocar da mesma forma que Summer fazia. Era fácil de distinguir essas coisas, e eu o que eu precisava fazer era extinguir. Não podia permitir que aquilo continuasse, mesmo que eu tivesse prometido a Emily que não faria nada sobre Kira. Mas, agora, a urgência de saber tudo a respeito dela agia com mais força do que qualquer coisa.

— Você ainda não trocou a cama. — Emily surgiu do banheiro enrolada em uma toalha, chamando a minha atenção de seu celular.

— Você tem novas mensagens. E ligações perdidas. — Entreguei o iPhone dourado em sua mão quando me levantei da cama, tirando todos os lençóis e fronhas para colocar outras limpas.

— Jesus, Killian é tão adorável! — Ela suspirou depois de ler as mensagens, incluindo a de Kira, enquanto vestia seu pijama de leopardo da Victoria’s Secret. — Você não acha?

— Eu acho que essa Kira está abusando da minha paciência. — Respondi rispidamente. — Ela é sua esposa agora? Porque é o que está parecendo, e eu juro que isso é muito irritante.

— Não exagere, Ali. — Emily revirou os olhos, jogando-se na cama limpa de qualquer jeito. — Kira é minha amiga.

— É mesmo, Emily? — Cruzei os braços sobre o peito, desafiando-a e deixando a roupa de cama cair no chão no processo.

— Se você não acredita em mim, o que eu ainda estou fazendo aqui? — Ela disse, erguendo o rosto em brasa para me fitar. — Eu estou cansada, Alison. Não aguento mais essas crises repentinas de ciúmes. — Confessou, enfiando o rosto entre suas mãos ao se sentar na beirada da cama. — Às vezes eu penso que seria melhor se vivêssemos separadamente...

— Você não pode estar falando sério. — Descruzei meus braços devagar, sentindo meu coração afundar com o peso de suas palavras. Ela não estava falando sério. — Emily... — Murmurei, tentando engolir o nó que se formou em minha garganta.

— Talvez fosse melhor assim. — Ela continuou, erguendo o rosto para me encarar, e eu não pensei duas vezes antes de me aproximar dela e sentar em seu colo.

— Emily Fields, você não se atreva a me deixar. — Exigi com firmeza, segurando seu rosto febril entre as duas mãos, enquanto a fitava com os olhos salpicados. — Porque eu não vou permitir.

Inclinei-me para beijá-la, sentindo sua pele quente contra a minha, fazendo-me lembrar de que eu ainda estava só de roupas íntimas. Enrolei meus dedos entre os fios de seus cabelos, apertando-a ainda mais contra mim. Emily foi rápida em entreabrir os lábios, arrastando suas mãos pelas minhas coxas devagar. Não havia a menor possibilidade que eu iria deixá-la escorregar dentre meus dedos. Éramos uma só e, se eu a perdesse, uma parte de mim também estaria perdida.

Notas finais
Aí está! Eu sei que demorei muito para atualizar, sinto como se fosse há anos, mas estava sem ânimo e criatividade para escrever. :( Mas, mesmo assim, espero que tenham gostado. Compartilhem suas opiniões comigo, porque vou adorar saber o que acharam. Enfim, até o próximo! :*