The Blind Side Of Love

7 The Worst Day Since Yesterday.


Notas iniciais
Esse capítulo têm dois ponto de vista, como eu havia prometido. Primeiro é o da Emily e depois do "-x-" vem o da Ali. Fiquem atentos! É isso aí, espero que gostem.

No outro dia, acordei bem cedo, mas Ali já não estava mais na cama e a falta de seu calor me servia como um fiel despertador, visto que eu não demorava a acordar quando sentia a ausência do corpo quente e delicado sempre colado ao meu.

Mas, ao invés disso, em seu travesseiro havia um bilhete junto de uma rosa. Olhei ao redor e cheguei à conclusão de que não havia muito tempo que ela tinha saído, uma vez que era possível sentir o cheiro de baunilha preenchendo todo o quarto. Como o mais perfeito rastro de Ali. Com um meio sorriso, voltei a encarar o bilhete outra vez, sorrindo para a letra de mão caprichada que, brevemente, dizia:

Desculpe não ter acordado você antes de sair, mas nós duas sabemos o que teria acontecido se eu tivesse feito isso. Entretanto, estarei muito ansiosa (e entediada) na aula de Embriologia esperando você chegar.

Com amor,

Assim que terminei de ler, deixei o bilhete cair em meu colo e peguei a rosa sobre o travesseiro, apreciando o perfume conforme afastava as cobertas para o lado. Levantei-me da cama e comecei a procurar pelo meu celular, encontrando-o em cima da mesa de centro na sala. Digitei uma mensagem rápida para Ali, querendo saber a que horas ela teria sua última aula.

Mal terminei de pressionar o dedo em enviar, fechando o aplicativo, e meu celular apitou, avisando-me que eu tinha acabado de receber uma mensagem de Spencer.

“Como está sendo sua semana? Aposto que não tão estressante quanto a minha.”, podia-se ler assim que reabri o aplicativo de mensagens.

“Tenho certeza que não, você sempre ganha.”, respondi imediatamente, rindo conforme seguia em direção à cozinha.

Antes que eu pudesse alcançar a geladeira, meu celular apitou outra vez, alertando-me sobre as duas mensagens que eu acabei de receber. Abri primeiro a de Spencer, sorrindo para sua resposta superficial e, ao mesmo tempo, divertida:

“O que posso fazer? Eu sou uma Hastings!”, tirei a jarra de água de dentro da geladeira, pensando numa resposta enquanto pegava um copo e o enchia de água. Abri, então, a mensagem de Ali, deparando-me com sua resposta:

Às quatro da tarde, talvez. Hoje tenho uma palestra às duas. Uma droga, eu sei.”, o que eu prontamente retornei com um breve e sincero “Boa sorte”. Incapaz de conter o sorriso bobo que se apossou de meus lábios, fui surpreendida com um súbito e agradável frio no estômago ao imaginar Ali vestindo um jaleco. Aquilo era demais para mim.

Enquanto me distraía com pensamentos aleatórios, tratei de checar se Ali não havia se esquecido de colocar comida para Eros, tendo a resposta logo que ouvi os miados agudos e arrastados assim que me aproximei de sua vasilha. Era óbvio que ela tinha esquecido, já que, provavelmente, teve que sair correndo para não perder a aula de Anatomia. Apesar de não se importar em cumprir horários, Ali odiava chegar atrasada nas aulas que mais importavam.

Depois de alimentar Eros e largar meu celular em qualquer lugar do quarto, tirei o conjunto de moletom que eu usava e fui tomar banho. Precisava estar novinha em folha para conseguir passar o resto do dia e, praticamente, a tarde inteira na feira de Biomedicina. Sorte minha que Ali estaria comigo após o término de seu quinto período.

***

Algumas horas depois, no entanto, estava terminando de me afastar do painel de palestras que eu havia acabado de participar quando senti alguém tocar meu braço subitamente, chamando minha atenção de imediato. Logo que virei meu pescoço, escutei a voz aguda e animada de Summer ecoar em meus ouvidos ao me bombardear de perguntas sobre todos aqueles palestrantes profissionais da área da Biomedicina.

— Pensei que não estivesse interessada nas palestras. — Murmurei com um sorriso inquiridor, lembrando-me do momento exato em que ela havia desdenhado dos temas escolhidos para às duas da tarde assim que chegamos ao Campus da Columbia.

Agora, quase três horas depois, estávamos nos encaminhando em direção à outra parte do Campus, onde aconteciam as exposições de pesquisas e seminários acadêmicos dos veteranos. Durante todo o caminho, Summer tagarelava com certa indignação e incontestável bom humor sobre ter sido deixada de lado por Chloe por causa de algum veterano bonitão.

— Ei, falando em ser deixada de lado... — Começou, fitando-me com os olhos cheios de deboche. — Onde está Alison? Eu pensei ter escutado você dizendo que ela viria ou algo assim. — Deu de ombros, voltando a olhar para frente.

— Não faço a mínima ideia. — Foi tudo o que consegui formular, buscando meu celular dentro da minha bolsa.

— Bem, já que Cruella De Vil não está aqui... — Summer cantarolou, interligando nossos braços enquanto eu destravava a tela do celular e discava o número de Ali, que caiu direto na caixa postal. — Deus! Mal posso acreditar que ela afrouxou um pouco a sua coleira. Qual é a sensação?

Observei um grupo de professores e biomédicos conversarem com alguns alunos, parecendo orientá-los de alguma forma. Imaginei como seria daqui a alguns anos, com Ali e eu formadas, e como seria nossa vida. Claro que eu iria receber meu diploma primeiro que ela, mas, tendo em mente fazer mestrado, ainda estaríamos praticamente dando os mesmos passos.

E, finalmente, antes de responder à provocação de Summer, deixei uma risadinha divertida e nada ofendida escapar. Afinal, eu já estava começando a me habituar com suas maneiras. Não era como se ela quisesse ser rude ou venenosa, mas descontraída. Ela sempre estava sorrindo, o que, na maior parte do tempo, influenciava meu humor também.

— E depois você ainda pergunta por que ela não gosta de você. — Comentei vagamente, soando mais malvada do que pretendia.

— Talvez seja porque eu posso roubar você dela em um piscar de olhos. — Summer disse, encarando-me com seriedade antes de sorrir preguiçosamente, o que me fez enrugar as sobrancelhas. — O quê? Olhe para mim, Em, eu sou uma concorrente poderosíssima! Não ouse negar, Fields.

— Eu nunca faria isso. — Tentei arduamente reprimir uma risada, mas a maneira espontânea e despreocupada que ela agia perto de qualquer pessoa, inclusive de Ali, tornava tal tarefa impossível.

— Viu? É por isso que somos amigas. — Observou de forma zombeteira. — Ah! E, aliás, obrigada por confirmar que sua namorada realmente não gosta de mim. Eu também não sou uma grande fã dela, mas ainda assim...

— Ela não é tão terrível quanto você pensa. — Prometi, impedindo-a de continuar dando voz aos seus pensamentos. — Não chega ao nível Cruella, pelo menos.

— Se você diz... — Deu de ombros, apertando meu braço com sua mão, enquanto com a outra acenava para algumas pessoas que passavam por nós.

Balancei a cabeça devagar, sorrindo com sua falsa superficialidade. Decidi, portanto, que tentaria falar com Ali mais tarde, deslizando meu celular para dentro do bolso traseiro da minha calça jeans escura. Continuamos andando até chegarmos ao outro lado do Campus, onde havia inúmeros telões exibindo algumas pesquisas dos alunos do terceiro semestre.

— Eu vou tentar encontrar Chloe. — Summer anunciou, fazendo um gesto com o dedo indicador. — Espere por mim.

Limitei-me a assentir com um leve aceno de cabeça, voltando minha atenção a uma pesquisa sobre clonagem de espécies exposta orgulhosamente no telão a minha frente. Ovelha Dolly, podia-se ler logo no início do artigo, Primeiro mamífero clonado abriu portas para novas pesquisas, continuava enfaticamente. Aparentemente, aquilo servia como base para uma análise completa do quão viável uma clonagem humana seria, se a considerássemos com a mente aberta.

— Santo Deus! — Ouvi alguém murmurar perto de mim, como se tivesse sido um ato involuntário e imperceptível. — Isto é insano.

Virei meu pescoço em direção à origem do som, avistando uma garota de pele alva, cabelos longos e ondulados, com a atenção focada na mesma pesquisa; os olhos ligeiramente arregalados e a mão no queixo denunciavam certo alarde em sua expressão. Pelo visível assombro, considerei a possibilidade de se tratar de alguma religiosa com princípios austeros.

— Algo errado? — Não pude evitar em perguntar, sorrindo quando a garota se virou para mim, ligeiramente assustada com minha interrupção. — Você parece meio... Lívida. — Observei quando ela não respondeu.

— Eu só... — Gaguejou, gesticulando com a mão em direção ao telão. — Quando eu penso que o ser humano não pode ficar mais interessante, isso acontece para provar que estou errada. — Ela disse, soando um pouco nervosa e, ao mesmo tempo, curiosa.

— Você sabe, a Ciência tem esse poder. — Cruzei os braços sobre o peito, rindo internamente de sua postura rígida e desconcertada. — Ela torna tudo possível.

— Aparentemente, brincar de Deus é o novo preto, não é mesmo? — Retorquiu com um leve e implícito tom de humor em sua voz. — Mas não é como se eu estivesse surpresa, no entanto. — Seus olhos acinzentados brilharam diante da possibilidade.

Ela se virou, ficando de frente para mim, e meus olhos automaticamente desceram até um pouco abaixo de seu busto, onde havia um crachá pendurado com o nome Kira Bostwick. Ergui meus olhos até os dela outra vez, sorrindo amigavelmente ao perceber sua ligeira hesitação.

— Ah, agora eu entendo por que você parece tão fora de órbita aqui. — Apontei em direção ao seu crachá, onde se podia ler Psicologia abaixo de seu nome.

— Não completamente. — Ela ergueu o dedo indicador, gesticulando com um pouco mais de firmeza. — Eu me lembro de ter aprendido algo sobre isso no meu primeiro semestre, mas, você sabe, não levei muito a sério.

Balancei a cabeça lentamente, assentindo enquanto comprimia os lábios, pensativa. Olhei para o papel que ela segurava, reconhecendo algumas palavras ao ler superficialmente o que estava escrito. Cerrei os olhos, imaginando o que ela estaria fazendo aqui. Sem conseguir pensar em algo no momento, voltei a fitá-la rapidamente, encontrando seu olhar fixado em mim.

— Precisa de alguma ajuda? — Perguntei, curvando os lábios em um meio sorriso, que destacava minha boa vontade.

— Bem, não sou de se recusar a aprender algo novo. — Kira disse, afastando uma mecha de seu cabelo loiro acinzentado para trás da orelha. — Eu tenho essa ânsia de querer entender tudo o que foge da minha competência. — Esclareceu, erguendo sua folha com um artigo irrelevante sobre Imunologia. — Talvez você possa me ajudar com isso?

— Eu posso tentar. — Concordei, lembrando-me do resumo básico que Diana havia me dado sobre Imunologia da última vez em que estudamos juntas, já que, infelizmente, isso era algo que eu só iria começar a estudar no terceiro semestre. — Por onde quer começar?

— Que tal pelo começo? — Sugeriu com um sorriso contido, olhando-me com expectativa.

— Boa ideia. — Concordei entre risos, feliz que colocaria em prática o que eu já sabia, mantendo-me ocupada até Ali chegar. Kira me fitou com o cenho franzido, abrindo a boca sem parecer muito certa do que estava prestes a dizer.

— Aliás, eu não sei o seu nome.

Olhei para baixo, procurando pelo meu crachá de identificação, lembrando-me então que eu havia colocado dentro da bolsa depois que saí da palestra. Não era necessário andar com aquela coisa até a feira acabar e, desde que ficava balançando a cada vez que eu me movia, apenas optei por arrancá-lo de meu pescoço e jogar na bolsa de qualquer jeito.

— Ah, sim! — Balancei a cabeça rapidamente, sentindo-me embaraçada por não ter me apresentado antes de qualquer coisa. — Desculpe por isso. Eu sou Emily Fields! — Estiquei minha mão em sua direção, sorrindo com inegável timidez.

Suspirei quando ela aceitou meu cumprimento de bom grado e, então, começou a perguntar sobre tudo o que envolvia a Biomedicina. Era nítido seu interesse em aprender tudo o que podia e quase espantoso a forma como ela absorvia as informações com tanta rapidez. E tão logo que comecei a ajudá-la a entender sobre os conceitos básicos da Imunologia Celular e Molecular, Summer reapareceu trazendo Chloe e Diana em seu encalço.

No entanto, antes que elas pudessem se aproximar o bastante, o celular de Kira começou a tocar incessantemente. Primeiro, ela o ignorou, mas não foi o suficiente para fazer a pessoa que estava ligando desistir. Ela se desculpou, dizendo que precisava ir embora e, então, partiu, porém não antes de me agradecer pelo meu tempo.

— Eu não acredito que você estava lendo a minha pesquisa. — Diana sussurrou depois de alguns instantes, mostrando-se surpresa ao deixar seu queixo cair enquanto me encarava com um meio sorriso.

— O quê? — Arqueei minhas sobrancelhas, descruzando os braços e a fitando fixamente. — Então quer dizer que você é o gênio por trás disso? — Ela apenas assentiu, erguendo um ombro como se dissesse que não era nada demais, o que me fez acrescentar: — Por que eu não estou surpresa?

Sem dizer nada, ela se aproximou deliberadamente de mim, fazendo nossos corpos se encostarem quando esticou o braço para tocar a tela com a ponta do dedo. Segui seus movimentos com atenção, recebendo um choque quase de imediato ao me deparar com a assinatura da pesquisa. No rodapé, podia-se claramente ler: Diana Atwood.

— Ei, quem era aquela? — Chloe perguntou ao se aproximar de braços dados com Summer.

— Só alguém que acabei de conhecer. — Respondi, voltando minha atenção para as duas com os batimentos cardíacos um pouco fora de ritmo. — Onde vocês estavam? — Troquei o tópico da conversa rapidamente, antes que uma das duas pudesse soltar alguma provocação.

— Fazendo amizades. — Summer respondeu animadamente, soltando-se de Chloe e vindo até mim. — Igual a você, Srta. Espertinha. — Ela riu, puxando-me pelo braço para começarmos a andar logo após Chloe perguntar se já estávamos prontas para irmos embora. E, depois de um longo e cansativo dia, nós estávamos.

***

Assim que as portas do elevador se abriram, dei alguns passos para dentro do apartamento, sentindo o cheiro de lavanda e o calor agradável me acolherem imediatamente. Por algum motivo desconhecido, eu estava me sentindo estranhamente nostálgica, ou talvez fosse apenas tristeza por Ali ter me dado um bolo.

Eram quase nove horas da noite quando me deixei cair na cama após um longo e reconfortante banho, sentindo Eros subir na cama e deitar ao meu lado, entonando miados suaves e manhosos enquanto se ajeitava para dormir. Estiquei meu braço para pegar meu celular sobre o criado mudo e tentei ligar para Ali uma última vez, caindo direto na caixa postal, antes de desistir e me render ao cansaço quase arrebatador.

Quando acordei, no entanto, escutei ruídos e sussurros vindos do lado de fora do quarto, provavelmente na sala. Precisei de alguns instantes para abrir os olhos totalmente, afastando Eros do meu braço dormente e me levantando devagar. Peguei meu celular e vi que já passavam da meia noite, sentindo arrepios pelo meu corpo coberto apenas por uma camisola de seda. Procurei pelo aquecedor e ajustei a temperatura antes de deixar o quarto.

— Ei! Não faça barulho, minha Emily está dormindo. — Ouvi a voz de Ali soando nitidamente; confusa e embargada no rumo do corredor.

— Você é a única fazendo barulho aqui. — Rebateu outra voz, e eu tinha certeza ser alguém conhecido. — Coloque seu celular para carregar. Bree provavelmente vai ligar para você para saber se não sofremos um acidente ou algo parecido...

— Ali? — Chamei com a voz rouca, aproximando-me da sala, onde ela estava sentada no chão enquanto tentava tirar seus sapatos de salto alto. — O que aconteceu com você?

Arregalei os olhos, acostumando-me com a claridade das luzes acesas, ao tempo em que também me habituava à imagem bagunçada que acabei me deparando ao analisá-la com cuidado. Encarei a figura que a ajudava a livrá-lo dos saltos, encontrando dificuldades de me lembrar de seu nome.

— Em! — Ali se ergueu do chão depois de um segundo, quase se desequilibrando no processo.

Ela veio cambaleando até mim, agarrando-me pelo pescoço e apertando nossos corpos. O forte cheiro de bebida que exalava de seu corpo embrulhou meu estômago, fazendo-me apertar os olhos em desgosto quando ela ficou na ponta dos pés descalços para pressionar nossos lábios com firmeza, conforme seus dedos gélidos passeavam pela minha nuca e pescoço.

— Ali, você está congelando! — Afastei-a delicadamente, notando que ela vestia apenas um vestido que cobria metade de suas coxas.

— Mesmo? — Ela riu, deixando seu corpo cair no sofá de qualquer jeito. — Eu não consigo sentir nada. — Murmurou enroladamente, de repente, parecendo exausta.

— Importa-se de me dizer o que aconteceu? — Perguntei à amiga de Ali, constatando que, hoje, ela estava sem condições de falar coisa com coisa.

— Não faço ideia. — Respondeu rapidamente, devolvendo meu olhar inquiridor. — Mas, aparentemente, Erin a levou a alguma festa da fraternidade e, pelo visto, acabaram bebendo mais do que deviam. Quando Bree e eu chegamos, elas já estavam completamente alteradas e eu fiquei encarregada de trazê-la em segurança.

Passei a mão pelo meu cabelo, sentindo meu peito queimar ao imaginar mil coisas desagradáveis. Odiava profundamente o pensamento de Ali numa festa cheia de pessoas de caráter duvidoso, que poderiam se aproveitar do estado de embriaguez que ela se encontrava. Incapaz de impedir meu coração de se contorcer entre cada batida errática, suspirei dolorosamente, incerta do que sentir.

— Precisa de ajuda para levá-la até o quarto? — Tornou após alguns instantes em silêncio, entregando-me a chave do Porsche de Ali.

— Não, eu assumo daqui. — Recusei com um sorriso fraco, pegando a chave enquanto escutava Ali continuar murmurando coisas ininteligíveis no sofá. — Obrigada por trazê-la.

— Sem problema. — E, com isso, ela se virou e caminhou até o elevador, desaparecendo dentro dele logo que as portas se abriram.

— Ei, acorde. — Dei a volta no sofá, ajoelhando-me de frente para Ali, que resmungou em resposta. — Vamos, Ali, levante!

— Eu não consigo, Em, meu corpo está muito pesado. — Ela disse, virando seu rosto em minha direção para me encarar; as íris confusas e brilhantes me fitando com cuidado, como se estivesse me vendo pela primeira vez. — Pare com isso.

— Com o quê? — Franzi o cenho, vendo-a tapar o rosto com os braços.

— Você está fazendo meu coração bater muito rápido. — Murmurou com a voz abafada. — E minha cabeça também.

— Isso vai passar depois que você tomar banho. — Garanti, afastando seus braços para que eu pudesse levantá-la. — E espero que isso não se repita. Não gosto de pensar em você desse jeito num lugar cheio de gente desconhecida.

— Você está brava? — Ali tentou ficar de pé, mas seu próprio peso parecia demais para ela. — Emily, eu só estava me divertindo.

— Alguém deu em cima de você? — Ignorei a postura defensiva que ela assumiu, agarrando seu maxilar com firmeza para fazê-la me olhar.

— Talvez. — Sorriu lascivamente, livrando-se do meu aperto para conseguir aproximar seu rosto do meu, roçando nossos lábios ao passar seus braços ao redor da minha nuca. — Jesus, Em! Você fica tão gostosa com ciúmes.

— Não, Alison! — Impacientei-me, afastando-a pelos ombros com o olhar repreensivo. — Eu estou falando sério, está bem? Não me faça ficar mais desapontada do que já estou. — Suspirei ao vê-la inclinar a cabeça para o lado; uma pontada de arrependimento cruzou pelas suas características por um breve momento.

Ela resmungou algo em resposta e deu de ombros, levando suas mãos ao zíper de seu vestido para tirá-lo, encontrando certa dificuldade na tarefa. Com a minha ajuda, no entanto, Ali conseguiu se livrar da peça assim que chegamos ao banheiro, enquanto eu prendia seu cabelo num coque firme e ela terminava de se despir completamente.

— Amor... — Ela tocou meu braço com cuidado, deslizando seus dedos até a palma de minha mão. — Eu não vou tomar banho gelado. — Avisou com a voz rouca, quase manhosa, fitando-me com as pálpebras pesadas e olhos vermelhos.

— Tudo bem. — Concordei ao ajudá-la entrar no box depois de ligar o chuveiro e, então, fazê-la ficar quieta enquanto a água quente caía sobre seus ombros e costas.

Assim que ela terminou de tomar banho, com o meu auxílio, enrolei-a numa toalha e a levei até o quarto. Ali parecia um pouco mais sóbria, secando-se devagar enquanto eu escolhia alguma coisa para ela vestir e, depois, aproveitar para me secar também, já que estava praticamente ensopada.

— Emily! — Ali gritou do quarto, arrastando sua voz até que ecoasse entre as paredes do banheiro. — Amor, vem logo! Eu preciso dormir, mas não vou fazer isso sem você.

— Por que está sendo tão escandalosa? — Quis saber, voltando para o quarto e apagando as luzes antes de me engatinhar na cama.

— Para chamar sua atenção. — Murmurou sonolenta, puxando-me para mais perto dela assim que me embrenhei sob as cobertas. — E, veja só, funcionou. — Ali afundou seu rosto em meu pescoço, aspirando o cheiro do meu cabelo profundamente.

Engoli uma risada suave ao ouvi-la gemer baixo quando nossas pernas nuas se entrelaçaram, assim como os nossos dedos. Aquilo era tão reconfortante, tanto quanto nossos corpos inteiramente colados, porém a sensação amarga que pairava em meu peito por ter sido deixada de lado por ela anulava algumas pontadas de prazer que a pele de Ali em contato com a minha me proporcionavam.

— Em, por que está tão quieta? — Ouvi sua voz rouca soar, alcançando-me nos meus pensamentos mais distantes como um eco. Estava quase adormecendo quando murmurei involuntariamente:

— Você me esqueceu.

—x—

Na manhã seguinte, assim que abri os olhos, senti dores pontiagudas se arrastarem por cada pedaço do meu cérebro com o punhado de claridade que invadia metade do meu quarto. Rolei meu corpo devagar para o lado, sem querer fazer nenhum movimento muito brusco, percebendo o espaço vazio e gélido que ocupava o lugar do corpo quente e convidativo de Emily.

— Em?

Sentei-me na cama abruptamente, varrendo o quarto à procura de sinais sonoros e visuais de que Emily estivesse no banho, ou em qualquer lugar do apartamento para ser notada, porém tudo o que obtive de resposta foi o silêncio quase angustiante. Senti meu coração pular uma batida assim que tive certeza de que Emily havia saído.

— Droga! — Amaldiçoei, esfregando o rosto com as mãos.

Afastei as cobertas com estampa de onça e me coloquei de pé numa agilidade impressionante, não me importando com as terríveis pontadas em minha cabeça. Até mesmo meu corpo parecia um pouco dolorido depois de toda a bebedeira de ontem, e só de me lembrar disso fez com que a sala inteira começasse a girar.

Busquei meu celular dentro da minha bolsa, esquecendo por um instante de que ele estava descarregado. Suspirei profundamente, mordendo o lábio com força enquanto eu colocava para carregar. Estava frustrada comigo mesma por ter me esquecido da feira de Biomedicina que eu havia prometido à Emily que iria. Como eu iria reparar essa falha estúpida?

Quase uma hora mais tarde, depois de eu tomar banho e me vestir com pijamas na cor rosa da Victoria’s Secret — boxers com estampa de zebra e uma camiseta com a frase “Let’s Get Wild” —, estava sentada na poltrona giratória da sala, com Eros dormindo no meu colo, enquanto escutava sem muito interesse Erin resmungar sobre sua ressaca.

Desde que ela chegou, trazendo Bree, Natasha e o inconveniente de seu amigo, tudo o que eu conseguia pensar era em como Emily deveria estar chateada comigo. Não havia um só momento em que eu parava de me condenar por tê-la esquecido, principalmente quando eu teria enlouquecido se fosse o contrário. Em minha mente, milhões de cenários e razões por ela não ter aparecido teriam sido criados, imaginando que, talvez, ela estivesse com alguma qualquer da universidade.

— Alison! — Ouvi a voz de Bree chamar meu nome e, logo em seguida, fui atingida com uma almofada, tirando-me imediatamente dos meus pensamentos.

— Acorda, vadia! — Erin cantarolou, rindo do olhar assassino que eu lhe enviei quando vi que a almofada também havia acertado Eros.

— Garota, qual é o seu problema? — Rosnei, passando a mão pelo meu cabelo para que os fios voltassem para onde deveriam. Era incrível como aquela cretina às vezes me tirava do sério.

— Você está muito quieta, Ali. — Bree observou, analisando-me com o cenho franzido.

— É a ressaca. — Erin afirmou, como se fosse uma verdade absoluta. — Espere... Você não está mais brava comigo, não é? — Ela mudou rapidamente sua postura, de repente parecendo receosa e aflita.

— O que você fez dessa vez? — Zach quis saber, apoiando o queixo sobre a palma da mão com um sorriso de quem esperava pelo pior. E, talvez, ele meio que estivesse certo.

— O que ela fez? Bem, deixe-me resumir para você: Erin tentou me fazer ficar com um daqueles estúpidos da Columbia! — Contei, sentindo a irritação crescer dentro de mim ao me lembrar de como ela se esforçou para me convencer a ceder às investidas do imbecil que parecia não acreditar quando eu dizia que não estava interessada.

— Bela jogada, Erin. — Zach riu, ironizando-a sem se incomodar com os olhares que nós duas demos a ele. De qual lado aquele idiota estava, afinal?

— Tudo bem, você está exagerando. — Defendeu-se ao se voltar para mim, remexendo-se no sofá quando percebeu que Bree a encarava com um olhar de reprovação. — Além disso, estávamos numa festa, onde, normalmente, as pessoas ficam.

— Erin, pelo amor de Deus, fique quieta. — Natasha pediu, revirando os olhos a cada palavra que ela dizia.

— Você é acéfala ou quê? — Exigi com o rosto em brasa, sentindo a minha cabeça reclamar do estresse que eu estava sofrendo.

— Erin, ela tem namorada. — Bree advertiu, quase como num sussurro, que sutilmente evidenciava certo desgaste. Era como se ela soubesse que aquilo era perda de tempo.

— E daí? — Deu de ombros, revirando os olhos como se tal lembrete fosse completamente sem importância. — Ela não iria ficar sabendo. “O que os olhos não veem, o coração não sente.”, não é isso o que dizem?

— Jesus, eu não acredito no que estou ouvindo. — Respirei fundo, acariciando Eros numa tentativa de controlar a vontade de assassiná-la de diversas formas.

No entanto, antes que eu pudesse acrescentar mais alguma coisa, escutei o elevador apitar e, então, as portas se abrirem. Assim como eu, ninguém se moveu, esperando para ver quem havia acabado de chegar. Desde que Aria e Hanna entravam quando bem queriam, era meio difícil tentar adivinhar quem poderia ser. Por isso, quando a voz de Emily finalmente alcançou os meus ouvidos, soltei um punhado de ar que nem sabia que estava segurando, sentindo-me aliviada por finalmente tê-la em casa.

— Não, eu não disse isso. — Escutei Emily resmungar do corredor, aproximando-se aos poucos. — Hanna, eu disse pet shop, não sex shop! Quer saber? Tanto faz... Sim, mas primeiro eu preciso de um banho... Tudo bem, até mais tarde.

O som dos passos de Emily começava a ficar mais sonoro, indicando que ela estava ainda mais próxima da sala. Bastou, portanto, apenas uma respiração mais profunda — e igualmente trêmula — para que surgisse no cômodo silencioso, vestindo seus típicos trajes de corrida. Ela ergueu o olhar do celular, lançando seus olhos em minha direção e, então, para as minhas visitas inesperadas.

— Ei... Já está acordada. — Observou com a voz não tão calorosa, abaixando o capuz de sua blusa de moletom cinza para revelar seu cabelo preso num rabo de cavalo.

Enquanto ela acenava contidamente para as meninas — e Zach —, tratei de abaixar meus olhos automaticamente pelo seu busto, notando muito a contragosto o zíper do moletom aberto até abaixo do umbigo, exibindo um top preto e o abdômen liso e impecável que somente os meus olhos podiam ver. Engoli em seco quando continuei a analisá-la, vendo-a de shorts curtos e colados nas coxas. Até demais.

Sem conseguir conter o incômodo ao vê-la tão à vontade, levantei-me rapidamente e coloquei Eros na poltrona, avançando na direção de Emily como uma felina pronta para proteger e demarcar seu território. Estava perfeitamente ciente de que havia oito pares de olhos atentos aos meus movimentos, mas eu estava em minha casa e não poderia me importar menos com isso.

— Eu vou tomar banho. — Emily avisou quando, silenciosamente, eu subi o zíper de sua blusa até a garganta, agarrando o tecido e a puxando para mais perto para que eu pudesse beijá-la com os lábios entreabertos. — Alison, eu estou suada. — Ela tentou argumentar, mas, por mais incrível que parecesse, eu adorava senti-la daquele jeito.

Quando eu finalmente me afastei, ela não perdeu tempo e deu às costas para mim, tomando o rumo do nosso quarto. Inspirei longa e profundamente, sem me importar em voltar para os quatro sentados em meu sofá. Pensei por um instante no que eu poderia fazer para aliviar a tensão, quase imperceptível, mas que ainda estava ali, entre Em e eu. Odiava com todo meu coração desapontá-la com coisas tão pequenas, mas não de menos importância.

Nossa... Ela sequer é real? — Ouvi Zach assobiar, fazendo-me virar para encará-lo com as sobrancelhas arqueadas. — O quê? Você tem uma namorada gostosa, já deveria ter se acostumado com os olhares.

— Ah, é? — Desafiei-o, sentindo meu sangue pulsar. — Olhe para minha mulher de novo e eu arranco seus olhos com os dentes. — Ameacei, vendo-o recuar por um instante com o tom carregado de severidade que tão naturalmente me escapuliu.

— Jesus, Alison! — Bree exclamou, rindo da mudança brusca em meu humor.

— Nós entendemos que Emily é sua, não se preocupe. — Natasha acrescentou, descruzando as pernas quando Eros fez menção de deitar em seu colo.

— Eu fico imaginando vocês duas na cama. — Zach abriu a boca outra vez; um olhar sonhador cruzou suas características por um momento, antes de ele ganhar um tapa sonoro de Erin, enquanto Natasha e Bree riram confortavelmente.

— É isso aí, bonitão. — Esbocei um sorriso maldoso e cínico, passando meus dedos devagar pelo ombro largo e musculoso ao me aproximar do canto do sofá, onde ele estava sentado. — Imagine mesmo, porque é tudo o que você pode fazer.

— Você está mesmo alimentando as fantasias dele? — Natasha arqueou as sobrancelhas, parecendo incrédula com minha naturalidade.

— Na verdade, ela só está me torturando. — Zach corrigiu, e eu assenti com um sorriso orgulhoso.

— Tudo bem, agora vocês já podem ir embora. Eu preciso fazer as pazes com a minha sereia e se não se importam... — Anunciei num rompante, gesticulando para o elevador e recebendo olhares inquiridores em troca. — Vocês não viram? Ela me chamou de Alison e, acreditem, nesta atual circunstância, não é bom.

— Isso é por causa de ontem? — Natasha perguntou, demonstrando genuíno interesse.

Limitei-me a apenas assentir, ocupada demais tentando articular alguma desculpa que fosse compreensível, mas nada parecia funcionar.

Portanto, assim que eu me vi sozinha, aproximei-me do quarto e escutei o barulho do secador ligado vindo do banheiro. Pensei em esperar sentada na cama, mas não resisti ao impulso de me encostar ao batente da porta do banheiro, cruzando os braços e observando Emily secando o cabelo, vestida em um conjunto de lingerie azul índigo da Victoria’s Secret. Ela ficava melhor do que qualquer modelo, o que dificultava a tentativa de me concentrar em algo que não fossem suas curvas.

— Como foi a feira ontem? — Perguntei assim que ela terminou de secar o cabelo, passando a penteá-lo com cuidado, enquanto eu me endireitava.

— Normal. — Respondeu, sem tirar os olhos do espelho nem por um instante para me olhar. Era como se aperfeiçoar sua aparência fosse mais importante, mas eu sabia que ela só estava chateada e não queria demonstrar.

— Nada de interessante aconteceu? — Insisti com uma pontinha de esperança beirando em meu tom de voz.

— Não. — Respondeu finalmente, fazendo-me cerrar os olhos ao vê-la hesitar antes de abrir a boca.

— Emily... — Comecei, suspirando pesadamente antes de prosseguir: — Eu sinto muito por ter esquecido, não sei o que houve comigo. — Descruzei meus braços, deixando-os cair em cada lado do meu corpo antes de fazer menção a me aproximar dela.

Encostei meu corpo ao dela, envolvendo sua cintura com os dois braços ao depositar um beijo suave em seu ombro. Arrastei meu nariz pela sua nuca, fazendo-a se arrepiar conforme eu inspirava o aroma de jasmim que sua pele quente e macia tinha. Emily relaxou os ombros logo após um suspiro, repousando suas mãos sobre a bancada de mármore enquanto sustentava meu olhar incisivo através do espelho.

— Eu prometo que vou recompensá-la! — Sussurrei suavemente, cansando-me de participar do silêncio incômodo que se instalou.

— Tanto faz. — Ela disse, balançando a cabeça rapidamente, como se para dissipar seja lá o que estivesse rondando em sua mente. — Não foi nada demais. Eu só... Esquece isso, está bem?

— Em, não faz assim. — Coloquei minhas mãos em cima das dela sobre a bancada, acariciando com delicadeza. — Eu sei que se fosse você que tivesse me esquecido eu teria enlouquecido e, provavelmente, estaria gritando agora.

— Ainda bem que somos muito diferentes, não é? — Comentou, voltando a se concentrar em sua imagem no espelho, tirando uma de suas mãos sob a minha para terminar de pentear seu cabelo. — Caso contrário, estaríamos em apuros.

Diante disso, levei a minha mão livre ao seu abdômen, tocando a pele com a ponta dos dedos, enquanto começava a aplicar beijos longos e molhados em suas costas. Pressionei meu corpo contra o dela, sentindo meu corpo esquentar com aquele movimento. Ela estava se fazendo de difícil e aquilo me deixava extremamente excitada.

— Eu posso tentar me redimir. — Sugeri, apertando sua mão com firmeza antes de fazê-la virar para mim.

Sem perder tempo, aproximei-me o máximo que pude, descendo minhas mãos até alcançar sua cintura e a puxando contra mim. Apenas aquele contato fez minhas pernas tremerem e um gemido rouco escapou de minha garganta, sendo abafada logo em seguida pelos lábios de Emily. Inclinei minha cabeça levemente para o lado, expandindo o beijo em vários ângulos, enquanto Em embrenhava uma de suas mãos entre meus cabelos.

Aos poucos, ela parou os movimentos que seus lábios faziam contra os meus, respirando com dificuldade, o que me fez deslizar meus beijos pela sua mandíbula, descendo até o pescoço e me deliciando em seu ponto de pulso. Minhas mãos, a essa altura, estavam por toda parte do seu corpo, explorando cada centímetro daquelas curvas que me pertenciam por direito.

— Tudo bem, já se redimiu. — Emily suspirou, dando-me um último beijo antes de me afastar. — Agora eu preciso terminar de me arrumar.

— Do que você está falando? — Voltei a beijá-la afetuosamente, não dando espaço para ela recusar meus carinhos. — Hoje eu quero você só para mim. Não vamos deixar este apartamento para nada!

— Você esqueceu que hoje é o meu dia de levar Eros ao veterinário? — Ela perguntou, relaxando o corpo quando apertei meus braços ao redor de sua cintura.

— E daí? — Resmunguei, mordendo seu queixo devagar para não machucá-la. — Nós podemos levá-lo mais tarde.

— Não. — Negou instantaneamente, segurando meu rosto com as duas mãos para que eu parasse de tentar distraí-la. — Segunda-feira nós temos prova, lembra-se? Eu tenho uma agenda para cumprir esse final de semana. — Ela disse, fazendo-me bufar em completa frustração.

— Tudo bem. — Revirei os olhos, cedendo muito a contragosto. — Mas eu vou com você ao veterinário. — Avisei, cruzando os braços, enquanto ela se virava para o espelho.

— Não precisa, Ali. — Emily assegurou, distraindo-se ao começar a tirar suas coisas da bancada. — Da última vez, você foi comigo e ficou reclamando o tempo todo. Sem mencionar suas grosserias para o veterinário.

— Aquele imbecil não tirava os olhos dos seus seios. — Apontei, fervendo de ódio ao me lembrar daquele cretino olhando o que não devia. — Talvez, hoje eu apenas enfie a caneta nos olhos daquele maldito ao invés de agredi-lo com as minhas grosserias. Você escolhe.

— Você está exagerando. — Ela disse, fitando-me brevemente antes de terminar de colocar o secador de volta no armário.

— Emily, se tem uma coisa que eu não sou é estúpida. — Irritei-me, percebendo que ela não estava me levando a sério. — É por isso que você não quer que eu vá?

— Alison, não seja ridícula. — Ela se virou para mim, encarando-me como se estivesse cansada daquela discussão. — Até agora, eu não fazia ideia de que ele me olhava desse jeito. Você precisa superar esse seu ciúme e confiar em mim.

— Não é questão de confiança, Emily! — Exasperei, mas logo tratei de me acalmar. — Eu tenho certeza de que você não faria nada que pudesse me magoar, e é por isso que eu confio cegamente em você. Mas não consigo controlar o que eu sinto quando vejo alguém devorando você com os olhos! — Emily mordeu o lábio inferior nervosamente, pensando no que dizer e em como dizer.

— Não deixe isso subir a sua cabeça, Ali. — Ela pediu, afastando-se da bancada e vindo até mim. — Será que você não percebe que meu mundo inteiro gira ao seu redor? Eu sou insanamente apaixonada por você. Agarre-se a isso e esqueça o resto!

— Acredite, eu faço isso todos os dias. — Suspirei, curvando o canto do meu lábio num meio sorriso.

Sem dizer mais nada, balancei a cabeça devagar, envergonhada por ser tão paranoica e possessiva. Odiava me sentir como se a qualquer momento Emily fosse escapar de mim, ou como se tudo o que construímos até agora pudesse escorregar dentre meus dedos num piscar de olhos. Ela era tudo o que eu tinha e eu não aceitaria perdê-la por nada neste mundo.

Notas finais
Alison está ficando cada dia mais perigosa e estou amando escrevê-la desse jeito. Agora, preciso saber sobre vocês! O que estão achando da história até agora? Fiquem à vontade para sugerir e opinar sobre qualquer coisa, que vou ler e tentar fazer o possível para tornar real e encaixar a fanfic nas expectativas de vocês. Enfim... Obrigada por todos os comentários que tenho recebido até agora, vocês são uns amores e fico muito feliz em poder escrever para vocês! Até mais! :**