MERIDA

Acordo com meus irmãos gritando da cozinha. Levando de minha cama de casal num suspiro, meus cabelos ruivos rebeldes caindo no rosto. Ao descer as escadas para ver o por que da algazarra, encontro toda a família reunida para o café da manhã. Harris tenta cortar um pedaço de bolo, mas Hamish o empurra para o lado, e Hubert é quase atingido por uma faca voadora.

- Meninos! Parem com isso! Vão acabar se machucando!- diz minha mãe enquanto dá uma mordida em uma maçã enquanto digita algo em seu Blackberry e ao mesmo tempo prepara o lanche de meus irmãos. Desde que ela aceitou essa nova proposta de emprego, anda muito ocupada para focar sua atenção em apenas uma coisa.

- Bom dia família! – digo sonolenta ao sentar em uma das cadeiras de mármore. – Pai, passa a manteiga! – grito, já sabendo o que me espera. Meu pai no mesmo instante pega o pote de manteiga (aberto, caso contrário a brincadeira não teria graça) e lança para mim no ar. Geralmente eu consigo agarra-lo, porém hoje minha amada margarina decidiu ignorar minhas mãos estendidas e ir em direção a minha mãe, que foi atingida em cheio e sua roupa casual se lambuzou toda com a manteiga gordurosa. Ela para de mexer no celular e fita a mancha, incrédula.

- MERIDA!!!!- grita, fazendo meus irmãos pararem de brincar com a faca e olharem em minha direção, para depois saírem correndo da cozinha. Grandes irmãos, sempre me apoiando nas horas difíceis ...

- Foi mal, mãe....

- FOI PÉSSIMO! Vou ter que trocar de roupa!- diz ela, ainda nervosa e quase esmagando o celular com uma das mãos.

- Que grande sacrifício...- murmura meu pai, e nós dois trocamos um risinho, até minha mãe olhar com repreensão para meu pai, então paramos.

- Vou ao meu closet trocar este traje, e quando eu voltar conversaremos. Eu e seu pai temos assuntos importantes para tratar com você.- ela me fita e depois se retira da cozinha.

- Cara, o que foi que eu fiz agora?- pergunto à meu pai.

- Só atingiu sua mãe com um pote de manteiga. Nada de mais...- diz meu pai, e vejo por sua expressão que ele está se divertindo com tudo isso.

- Ei! Foi você que jogou! Se não fosse sua péssima mira não estaria encrencada agora...- protesto.

Mamãe chega, agora vestindo um terninho de executiva e seus saltos vermelhos (não sei o que mudou na roupa, exceto a ausência da mancha). Ela senta em uma das cadeiras e me encara, e ficamos os três em silêncio por loooongos segundos.

- Desembucha. – digo. Ela suspira e desvia o olhar para meu pai.

- Merida, como você sabe eu consegui um novo emprego, que tem nos proporcionado luxo e uma boa qualidade de vida. Porém, a proposta mudou, e só poderei continuar no emprego se me mudar para o local fixo da empresa. E você já foi informada que a emprese de comunicações TESP fica em...

- Boston- sussurro, imaginando aonde ela quer chegar com esse papo.

- Exato. Então para onde mamãe tem que ir?- ela me pergunta, como se eu tivesse 3 anos.

- Boston.

- Isso!- ela exclama, satisfeita consigo mesma.

- Ok mãe. Vai com Deus e me manda um cartão postal!- digo, me levantando para ir para meu quarto.

- VOLTE AQUI MERIDA!- grita. Sento-me novamente.- Todos iremos morar em Boston.

- O QUE!!??- grito. Como ela pôde decidir isso? Toda minha vida está aqui! Meu time de beisebol está aqui! Los Angeles é minha vida!

- Merida, eu e seu pai conversamos e concordamos que você precisa ter mais responsabilidades. Veja bem; quarta feira, horário de ir para o colégio e você está ainda de pijama. – olho para baixo e percebo que realmente ainda estou com meu moletom. Mas eu nem mesmo pretendia ir para aula; geralmente só vou segunda, terça e sexta, por que temos aula de educação física. – Iremos partir daqui um mês. Arrume o que quer levar.

- NÃO VOU À LUGAR NENHUM COM VOCÊS! MUITO MENOS PARA BOSTON!

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Estou sentada ao lado de Harris no assento do avião, com destino à Boston. Durmo a viagem toda. T-O-D-A. Quando acordo sigo papai direto para o táxi, que nos levará à nossa nova casa. Ao chegar lá, tudo que consigo dizer e pensar é UOU.

A casa é enorme. Tem quartos para todos os membros, e corro direto para escolher o meu. Escolho o que fica bem em cima da casa, que deveria servir de sótão, mas é ideal para mim. Coloco as três malas em cima da cama (não tenho muita coisa) e observo a vista da janelinha, que dá para o jardim. Exceto o fato de (a) estar frio, (b) o quintal não ser grande o bastante para jogar bola com meus irmãos e (c) eu estar com uma pequena ansiedade devido à nova escola, acho que vou gostar de Boston.

- MERIDAAAAA!!!- ouço meu pai gritando do andar de baixo. Desço as escadas correndo.

- O que foi pai?

- Eu e sua mãe vamos levar os meninos ao parque. Quer vir conosco?- pergunta enquanto coloca seu casaco marrom.

- Nah.

- Você não pode ficar aqui trancafiada — se intromete minha mãe- Olha só que dia lindo! Vá conhecer os vizinhos!

Suspiro indignada com a ordem, mas mesmo assim saio para dar uma volta no bairro. Antes de sair pego meu skate e coloco meu moletom, afinal, tem que ter pelo menos uma pessoa que possa andar de skate comigo em Boston.

JACK

Tio North acaba de sair, o que indica que ficarei sozinho por cinco semanas. Ele precisa fazer uma viagem de negócios, e por ser corretor de imóveis, essas viagens já se tornaram frequentes. Mas eu não me importo em ficar sozinho; todas as vezes que ele sai por mais de dois dias, acabo fazendo uma “festinha” (que tem sempre uns duzentos convidados, garotas, bebidas e um som tão alto que chaga a fazer os moradores de outros bairros reclamarem), e pode apostar que desta vez não será diferente. Estou sentado na bancada que divide a sala de estar da cozinha, tomando café da manhã. Nossa casa é bastante simples, porém aconchegante e perfeita para mim. Amanhã começarão as aulas no colégio, e estou ansioso para rever meus colegas, apesar de preferir ficar em casa assistindo televisão e tocando guitarra.

Ouço a campainha tocar, engulo um colherada de cereal com leite e corro para a porta de entrada. Ao abri-la me deparo com uma garota ruiva, os cabelos cheios e bastante rebeldes. Ela usa uma calça jeans rasgada e um moletom cinza, e segura um skate em uma das mãos.

- O-lá?

- Oi. Sou nova aqui. Quer andar de skate?

- Não sei andar de skate.- confesso, sem graça.

- Então pelo menos me faça companhia. Que tal corrermos pelo bairro?- ela convida enquanto coloca o skate de lado.

- E-eu nem te conheço...

- Não se preocupe, não vou te sequestrar. Sou Merida.- ela diz, enquanto estende a mão para um comprimento. Eu seguro sua mão e ficamos assim por alguns segundos. – Ai. Sua mão é fria.

- Eu sei. Sou Jack.

- Então Jack... vamos correr?

- Ok.- entro em casa e coloco rapidamente meus tênis, então saímos pela calçada do bairro.

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- Então Merida... você disse que é nova no bairro. De onde você é?- pergunto sem folego, enquanto corremos com passos longos. A garota é muito rápida, tenho que fazer força para não ficar para trás.

- Sou de Los Angeles. Minha mãe foi transferida para cá, e infelizmente me obrigou a vir também.

- Hum. Quais as primeiras impressões da cidade?- pergunto.

- É frio. E os moradores tem cabelos muito claros.- diz, contendo o riso. Percebo então que ela se refere a tonalidade de meu cabelo, e solto uma risada.

- O seu cabelo também não é dos mais comuns. – digo. Ela apenas ri e balança as madeixas encaracoladas de um lado para o outro.

- Então Jack...sabe algo sobre a High School Sphel? – pergunta, e percebo que se refere ao meu colégio.

- Eu estudo lá. Por que?

- Então parece que iremos estudar juntos, por que meus pais me colocaram lá.

- Legal. Quer dizer que esta não é a ultima vez que te vejo ,não é?- pergunto. Estamos chegando perto de um banco, então ela para e se senta, acompanhada por mim.

- Pois é. Parece que vamos no ver bastante... – ela olha para três meninos ruivos que estão passando pela calçada, sujos de areia. – Jack, tenho que ir. Foi bom te conhecer, até mais. – diz, e então me dá um beijo na bochecha e se levanta do banco, indo em direção aos meninos.

Fico alguns minutos no banco, pensando naquela garota e em sua confiança. É a primeira vez que vejo alguém assim, como eu. Sigo a pé para casa, e avisto no jardim um skate azul, lembrando-me de que Merida o esqueceu em minha casa. Está muito tarde para devolve-lo, então apenas o levo para dentro e vou para meu quarto. Acho que fiz uma nova amiga...

Notas finais
É isso! A história ainda não se desenrolou totalmente, ainda ha muito por vir. Comente o que estão achando ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.