The Big Four: Friends Besides Everything
15 Capítulo XIII - Namoro ou Amizade? Faça sua escolha!
Notas iniciais
Pov's Jack
Acordo com o meu despertador tocando a mesma música ridícula que toca todo dia de manhã — vontade de anunciar ele na OLX. Levanto da cama com um pulo e vou direto para o banheiro. Hoje eu estou mais animado do que o normal. Óbvio que eu deveria estar assim, afinal não é todo dia que se ganha uma namorada, né? Bom, é isso mesmo que vocês estão pensando: Eu e a Punz, finalmente, estamos juntos — fogos de artifício!!! Pego minha jaqueta de couro preta, uma blusa polo branca, minha calça jeans escura e me visto rapidamente antes de calçar meu tênis Nike.
Desço as escadas deslizando pelos corrimões e ignoro totalmente o sermão da minha mãe, dizendo "Menino, você vai cair daí", e o meu pai reclamando "Jack, pra quê tanta pressa?". Pego meu café da manha e como em um minuto. Os rostos confusos de meus pais e da minha irmãzinha me fazem desacelerar um pouco.
— Que foi gente?
— Nada demais. Apenas o fato de você estar parecendo que vai apagar um incêndio! — responde minha mãe.
— Ah! Desculpe — o clima fica meio estranho, então decido que é hora de ir. Dou um beijo na minha mãe, outro no meu pai e um abraço na minha irmã, Colin. Bato a porta de leve olho para o céu e vejo que o dia não está muito bonito hoje. Está mais com cara de que vai chover de tanta nuvem no céu. Dou de cara com nosso motorista, James. Ele me cumprimenta e retribuo da mesma forma.
Chego à escola mais ou menos uns quinze minutos após e encontro Punz e a Tochinha conversando em um banco em frente ao portão da escola.
— Jack — Punz me chama para sentar ao seu lado. Só de vê-la de longe, meu coração já começa a se transformar numa bateria de escola de samba. Fico mais nervoso a cada passo que dou em direção a ela.
— Oi Tochinha — cumprimento Merida — Oi minha princesa — cumprimento Punz, me inclinando para lhe dar um beijo. De repente sento alguém me empurrar e abro os olhos só pra ver tanto Punz quanto Merida olhando pra mim com uma cara surpresa e confusa.
— Jack, o que você pensa que está fazendo? — Punz pergunta. Estranho, será que ela não gosta de demonstrações de afeto? Ou era porque estávamos em público? Será que ela quer esconder nosso relacionamento?
— Estou tentando dar um beijo de bom dia na minha namorada, por quê? — Eu falei como se isso fosse a coisa mais normal do mundo — mas não é? Punz olha para mim com uma expressão mais confusa ainda e eu começo a afundar mais ainda nessa confusão.
— Namorada? Eu? — me pergunta pasma e boquiaberta.
— Bem como em briga de namorado e namorada ninguém mete a colherada, vou me retirar. Com licença — Merida se despede com um sorriso travesso no rosto.
— Jack, o que está acontecendo? — Punz pergunta um pouco mais calma.
— Depois da festa da Merida eu pensei que nós, — explico, conforme aponto pra nós dois — estivéssemos juntos.
—O que? Você tá louco?
— Por que louco? Rolou o maior clima entre a gente e nós quase nos beijamos, então eu achei que isso era motivo suficiente pra gente começar a...
— Nananinanão. Pra isso acontecer, você vai ter que pedir, que nem todo bom namorado faz. Por que se não isso vai significar que você vai virar namorado da Merida também, né? Afinal você a beijou na festa — ela fala fazendo biquinho.
—Ok! Já entendi! Então, que assim seja — falo, me ajoelhando — Rapunzel, quer ser minha namorada?
— Ownnnnnttttt... Não! — ela fala e depois vira-se em direção à escola. Fico completamente paralisado e confuso. Ela disse não? Porque não? O que eu fiz de errado? Ah, óbvio Jack! Você fez tudo errado, você sempre faz tudo errado! Não era pra ter se ajoelhado, seu idiota! Ficou fofo demais.
Puxo-a pelo braço:
— Ué, porque não? Eu fiz algo errado?
— Óbvio Jack. Um pedido de namoro tem que ser romântico e especial. Não simples assim, do nada — ela explica. Fico mais confuso ainda e ela parece perceber minha confusão e solta uma risadinha meio sarcástica e revira os olhos.
— Mas eu não fui romântico? Eu até me ajoelhei aqui e...
— Aff! Quer saber, porque você não pede uns conselhos pro Soluço? Aí depois a gente conversa, ok? — Punz fala enquanto acena pro Espirro, que havia acabado de chegar. — Beijos gato — se despede indo ao encontro de Merida. Fico tão pasmo que nem percebo o Espirro chegando e colocando a mão em meu ombro.
— Fala aê, Picolé. O que aconteceu aqui? Não vai me dizer que vocês brigaram de novo, porque depois daquilo tudo na sexta...
— Espirro, o que é ser romântico? — pergunto, o interrompendo e fazendo o que eu acho que é a cara mais séria que eu já fiz em minha vida.
— O quê? Pra que isso, cara? Você nunca precisou disso. Só de piscar o time feminino inteiro vêm correndo pros seus pés! — ele fala com uma expressão super confusa.
— A resposta é: Punz. Ela é a causa de toda minha curiosidade — falo tentando explicar a situação. A única resposta que eu recebo dele é uma cara de mais confusão e espanto. Reviro os olhos e lhe explico detalhe por detalhe até que finalmente ele consegue recordar de tudo e entender do que eu estava falando. Sinceramente, não sei como consegui aturar isso por mais de 16 anos.
— Então você quer ser romântico pra pedir a Punz em namoro e pra isso você precisa da minha ajuda, certo? — ele me pergunta, esboçando um sorriso travesso. Eu assinto. — Você chamou o cara certo para o trabalho!
—Ok, "Guru do Amor", o que eu faço agora?— reviro os olhos em sinal de deboche e ele nem percebe.
— Você, por enquanto nada! Deixa tudo nas mãos do papai aqui, e só se preocupe em agir normalmente, não dar pistas da nossa missão e mantenha o alvo em vista...
— Soluço, nós não estamos em uma operação secreta do FBI! Me poupe, né? — falo já perdendo a paciência. Eu juro que se ele demorar mais um segundo pra me falar essa sua ideia maluca eu...
— Ok, você venceu! Eu te conto meu plano brilhante — fala me puxando pra perto dele e começou a me explicar o que vamos fazer. É, até que o Picolé manja bem mesmo nesse assunto.
— Então o que você acha? Ficou ruim? Você quer mudar alguma coisa...
— Não, está perfeito! — digo totalmente feliz. Dessa vez a Punz não me escapa. Não vejo a hora de colocar tudo em prática e conquistar logo a garota dos meus sonhos! Já posso até imaginar a cara dela quando ver...
— Cara, ela vai estar tão na sua... — Soluço faladando uma de Greg do Todo Mundo Odeia o Chris (não é atoa que a mãe dele parece a Rochelle) e interrompendo os meus pensamentos.
Bate o sinal e vamos direto para a sala de aula. Espirro vai falar com a Tochinha sobre o plano enquanto eu me assento ao lado de Punz. Hoje tem teste do chato do Rogério no último tempo — aff, odeio História — e eu tenho certeza que vou tirar um zero bonito, — já mencionei que odeio História, né? — mas o bom é que hoje também tem tempo vago porque a professora de Ciências faltou, e isso significa tempo o suficiente pra organizar tudo! Só falta agora a Tochinha não estragar tudo e distrair bem a Punz, afinal, é pra ser tudo uma surpresa, não?
Pov's Rapunzel
Bate o sinal e o professor passa recolhendo nossos testes. Até que não foi tão difícil assim, deu pra tirar uma nota boa. Arrumo minhas coisas e vou direto pro meu armário [NA (Garota de Berk): Escolas com armário *---* Só eu que sempre quis estudar em uma?]. De soslaio, vejo Merida vindo atrás de mim.
— E aí Punz, o que você achou da prova? —ela pergunta. Seu olhar era de uma mistura de nervosismo e curiosidade.
— É, até que estava fácil. Deu pra tirar uma boa nota — sorrio esperançosa.
— Que bom, porque eu... — suspira — Vai fazer o quê agora?
— Eu vou rapidinho guardar meus livros e depois vou embora — falo me dirigindo aos armários. Abro a tranca da porta e me deparo com um papelzinho caindo no chão. O pego discretamente.
Nele está escrito:
"Seu sorriso me faz viver,
seu sonho me faz sonhar.
Se você gosta de surpresas,
vá pro laboratório e uma você verá."
Ass.: Admirador não tão secreto.
Fico paralisada. Quem faria uma coisa tão fofa assim? Será que foi o Flynn tentando se desculpar pelo ocorrido da festa, ou será que foi o... Uma chama começa a se acender em meu peito e logo se apaga quando lembro em quem estou pensando. Ah, óbvio que não! O Frost nunca pensaria em uma coisa dessas. Resolvo ir para o laboratório pra ver se descubro quem é.
— Merida, eu vou dar uma passadinha no... Merida? — ué, pra onde ela foi? Ah, quer saber, deixa pra lá!
Fecho a porta do armário e vou direto para o laboratório. Chego lá em menos de dois minutos. Bato na porta antes de abri-la e como não obtenho resposta, abro a porta com vontade. Estou muito ansiosa. Entro no local e vejo um ursinho de pelúcia em cima de uma das mesas. O pego e percebo que há outro papel, cujo dizia assim:
"Um passo já foi,
agora só faltam mais quatro.
Se quiser saber quem eu sou,
vá pra porta do vestiário."
Ass.: Admirador não tão secreto.
Ai meu coração! Tô sentindo que vou ter um ataque cardíaco aqui! Saio correndo do laboratório levando meu ursinho junto. Quando chego ao corredor noto que há algo errado. Mas cadê todo mundo? Tá, eu sei que é a hora da saída, todo mundo tá mais que louco pra ir embora, mas mesmo assim o corredor ainda fica meio que lotado de aluno. Estranho... Deixo meus pensamentos de lado e saio correndo para o vestiário. Chegando lá, vejo uma rosa amarela no chão em frente à porta, com outro bilhete.
Nesse bilhete dizia:
"Dourada que nem seu cabelo,
essa é a flor que você mais gosta.
Vá para a sala de vídeo
e continue procurando sua resposta."
Ass.: Admirador não tão secreto.
Ok, agora eu surto de vez. A única pessoa que sabe que essa é minha flor favorita é a Merida. Será que é ela que está fazendo algum tipo de brincadeirinha sem graça comigo? Bem, até que poderia ser, afinal, agora faz sentido ela ter saído assim do nada depois que eu encontrei o primeiro bilhete e também ter sumido no nosso tempo vago e no intervalo. Se bem que penando bem, o Soluço também sumiu no tempo vago... Argh, minha vontade agora é de largar isso tudo ir embora, mas decido ficar. Até porque se isso for mesmo uma brincadeira, no final, cabeças vão rolar! Continuo andando até que chego à sala de vídeo. Quando entro lá, vejo que tinha começado a passar um vídeo com a minha música favorita. Vejo então uma frase se formando na tela:
"17 anos sendo meiga, linda,
e extremamente educada.
Mas ao mesmo tempo sendo sempre
tão forte e determinada.
Se você gostou desse vídeo,
vá direto para a quadra.
Mas segure seu coração,
pois você ainda não viu nada."
Ass.: Admirador não tão secreto.
Meu coração dispara e meus pensamentos agora somente se centram em uma coisa: saber urgentemente quem é esse tal admirador. Meu Deus, como uma pessoa pode fazer uma coisa tão fofa assim? Não aguento mais de tanta curiosidade e vou voando para a quadra. Quando chego lá e o que eu vejo faz com que minha respiração fique presa em minha garganta. Há um cartaz preso na parede com vários coraçõezinhos em volta. Chego mais perto e entendo o que está escrito nele:
"Rosas são vermelhas
e violetas são azuis.
Vá para o jardim na cobertura,
onde você encontrará a calma
na sua própria luz."
Ass.: Admirador não tão secreto.
Jardim na cobertura? Isso não faz nenhum sentido! Essa escola não tem nenhum jardim, ainda mais na cobertura. Isso definitivamente só pode ser uma brincadeira sem graça e eu estou perdendo meu tempo nisso e... Mais uma vez alguma coisa prova que eu estou errada. Existe um caminho, feito uma trilha toda enfeitada das mesmas flores amarelas que eu encontrei no vestuário. Sigo a trilha e me deparo com uma escada que eu nem sabia que existia até esse momento. Subo e quando chego ao topo meu coração para pela quarta vez hoje. Sério, ainda não sei como não morri. Na cobertura está montado um pequeno jardim com as mais variadas flores de todas as cores. É lindo, de tirar o fôlego! No final, avisto um Puff vermelho com um espelho em formato de coração sobre ele. Ando até lá e vejo que há outro bilhete. Esse é bem maior que os outros, mais ou menos uma folha inteira. Abro-o e leio o que nele está escrito:
"Na luz dos teus olhos
me perco e me ilumino.
Somente o teu sorriso
é o meu prazer e meu fascínio.
Dirija-se à entrada da escola
e lá encontrará o seu ultimo destino.
Logo saberás quem eu sou.
Então aguente firme e prenda a respiração,
pois o futuro você decide,
com um simples SIM ou NÃO. "
Ass.: Admirador não tão secreto.
Oh My God! A curiosidade vem mais do que à tona. Meu coração, depois de ter parado quatro vezes, agora parece que levou um choque e tá mais vivinho do que nunca esteve. Só falta sair pela boca de tanta emoção. Olho para o espero e percebo que ele mira diretamente em meus olhos. Lágrimas começam a se formar e pisco várias vezes para tentar não chorar. Então era isso que o bilhete anterior queria dizer. Verde é a cor da calma, e meus olhos são verdes! Meu coração vai se acalmando aos poucos enquanto me perco na visão de meus olhos e vários pensamentos vêm se achegando em minha cabeça. Primeiro, eu vou literalmente matar quem fez isso comigo, porque acho que já devo ter emagrecido uns dois quilos de tanta correria e meu coração está correndo um sério risco de sofrer um ataque, mas também vou totalmente grata pelas coisas tão fofas e lindas que me mostrou. Segundo, se isso for uma brincadeirinha sem graça, o que eu já duvido muito nessa altura do campeonato, eu vou esganar aquela pessoa até não sobrar nem um fio de cabelo para contar a história. Terceiro, se for quem eu estou pensando que está fazendo isso comigo... A única coisa que vou fazer é me atirar nos braços dela e nunca mais deixar escapar. Sou despertada por um barulho de trovão. Pego o bilhete e saio correndo para meu destino final, deixando o jardim para trás. Desço desesperadamente e corro corredor abaixo até que chego á entrada. Paro. Seguro minha respiração, tomo coragem, empurro as portas e...
Quase desmaio com a visão á minha frente. Estão quase todos os nossos amigos do lado de fora segurando balões em formato de coração. Vagueio meus olhos por todo aquele pessoal até que paro na pessoa em destaque, com as mãos no bolso e sorrindo pra mim. Lágrimas novamente chegam aos meus olhos, só que dessa vez não tenho a reação nem de tentar faze-las pararem de jorrar em meu rosto.
Jack começa a caminhar lentamente em minha direção. Recupero meus sentidos e vou até ele também, com o coração batendo muito mais rápido do que antes. Percebo que ele fechou a jaqueta preta, de modo que parece que está de smoking, tirando apenas o tênis e a calça jeans. Isso até chega a ser engraçado, porque, coincidentemente, eu vim pra escola com um vestido branco soltinho. Solto uma risadinha de leve quando ele se chega a mim, pega minha mãe e se ajoelha na minha frente, me fazendo lembrar uma sena parecida hoje pela manhã.
— Ai meu Deus... — digo totalmente nervosa, esperando o que vinha por vir. E o pior de tudo é que eu já sei o que vem a seguir e fico com medo da minha reação em relação a isso. Uma série de pensamentos e lembranças vagueia em minha mente. Como por exemplo, a primeira vez que o vi, brincando com o Soluço de guerra de espadas e como nossos olhos se encontraram e eu fiquei morrendo de vergonha. Ou então uma vez em que nós quatro saímos juntos, eu, ele, Soluço e Merida e fomos fazer um piquenique. Fizemos uma guerra de comida e tivemos que ser retirados do parque por causa disso. E outros pensamentos piores, como quando ele beijou a Merida na sexta, ou então a fama de garanhão dele, que me fazem duvidar se realmente isso é o certo. Entro em uma discussão comigo mesma e somente paro quando percebo que Jack vai começar a falar alguma coisa.
— Rapunzel, dona do meu coração e de todos os meus pensamentos, hoje venho aqui te dizer tudo o que sinto por você — diz também nervoso e tímido — Desde quando você voltou pra cá, percebi que minha vida sem você não fazia nenhum sentido, e que eu precisava desesperadamente ficar perto de você a cada segundo e eu tive a brilhante ideia de me tornar seu amigo. Então todos esses anos se passaram e eu vim sendo meu melhor amigo, seu companheiro, seu protetor, defensor, sempre querendo seu bem e sempre guardando uma paixão por você bem no fundo do coração. Muitas vezes também fui um idiota ao tentar encobrir isso tendo a fama de garanhão ao invés de perceber que isso só fazia eu me afastar mais ainda de você. Mas agora o fato é que eu não aguento mais ficar perto de você e não poder te tocar, te abraçar, te beijar, te chamar de minha, ter você só pra mim — ele para de falar e começa a mexer no bolso da calça, ainda sorrindo e olhando para mim — E é por tudo isso, por todo esse amor que eu sinto por você, por querer olhar todos os dias no verde dos teus olhos e navegar no mar da tua calma, por você ser a coisa mais importante pra mim e por eu não conseguir mais aguentar o medo que eu tenho de perder você, que eu venho aqui fazer uma única pergunta que vai decidir nosso caminho daqui pra frente: Quer namorar comigo? — finalmente ele pergunta com os olhos cheios de lágrimas e abrindo uma pequena caixinha preta, revelando um belíssimo anel de prata com uma flor dourada em cima. Eu automaticamente respondo a única coisa que podia naquela hora:
— Sim, eu aceito!
— Você aceita? — ele me pergunta já derramando lágrimas. Eu aceno um sim com a cabeça e sorrio pra ele. Ele me retribui colocando o anel no meu dedo. Jack se levanta e nossos olhos se encontram. Por um momento imagino como se toda a gritaria do pessoal tivesse sumido e que só houvesse nós dois ali, naquele local. Ele me puxa pela cintura e envolvo meus braços em volta do seu pescoço, ainda sem quebrar o olhar. É quando nossos lábios se encontram pela primeira vez. É como uma explosão de amor, alegria, saudade, esperança, tudo misturado numa só conexão. Nossos lábios se movem perfeitamente em sincronia, até que finalmente nos separamos em busca de ar.
— Eu te amo — sussurra pra mim enquanto encosta sua testa na minha. Aquelas três palavrinha encheram meu coração de felicidade e emoção. Agora sim tenho certeza de que eu não preciso mais ter medo, não preciso mais esconder o que eu sinto. Finalmente eu sou livre pra repetir essas três palavras sem medo nenhum, mesmo já tendo dito antes.
—Eu também te amo — o abraço.
Viramos de mãos dadas e vamos, agradecendo ao pessoal pelos "parabéns" e "felicidades", em direção à Merida e o Soluço, que vem correndo — literalmente — ao nosso encontro. Nós quatro nos abraçamos e eles também nos desejam parabéns e felicidades.
— Bom, agradeçam ao mestre aqui, porque se não fosse por minhas ideias românticas isso aqui não estaria acontecendo — Soluço diz apontando pra si mesmo, totalmente se achando. Ás vezes eu penso que não deve existir pessoa no mundo mais convencida que ele, mas quando olho pra certo "Picolé" ao lado, retiro totalmente meu pensamento.
— E agradeçam também a mim, porque eu que organizei tudo isso aqui — Merida fala com um belo sorriso no rosto. Dou-lhe um abraço de urso, quase sufocando a coitada.
— Obrigada por tudo, amiga. Não sei o que eu seria sem você.
— De nada, Punz. Eu faria de tudo pela minha melhor amiga — sorrio. Uma pontada de curiosidade bate em mim.
— Povo, como vocês fizeram tudo isso sem que eu percebesse, hein?
— Bom, os bilhetes, o cartaz e o vídeo, eu e o pessoal que fizemos — Soluço fala, apontando pra Gabriel e Jessie, que também são nossos amigos.
— A organização fui eu que tomei conta, como eu já tinha dito antes. Nós fomos colocando as coisas enquanto você ia de um lugar pro outro, torcendo pra que você não ia alcançar a gente — Merida fala com um sorriso orgulhoso no rosto.
— E com quem vão ficar as coisas?
— As coisas, como o espelho, por exemplo, nós pegamos emprestados. As flores nós pegamos do Jardim, que com certeza você não sabia que existia né? — Jack pergunta e balanço a cabeça, mostrando que sim — Os cartazes e todo o resto vão ficar por conta da Jessie, do Gabriel e do pessoal que toma conta do jardim. Já o anel era da minha tia. Ela deu pra mim antes de viajas pros EUA, ano passado. Ela falou pra entrega-lo para alguém especial, e é exatamente isso que eu fiz hoje.
— Ownnt, que fofo! — exclamo, lhe dando um abraço — É, Soluço, pelo jeito você é um bom professor — disse risonha.
— O quê? Como assim? — pergunta confuso.
— Em apenas uma aula já fez o Jack conseguir falar alguma coisa romântica — falo rindo. Jack fecha a cara, mas logo depois começa a rir também. Escutamos um barulho de trovão e vários pingos de chuva começam a cair sobre nós. O pessoal todo praticamente já foi embora e nós andamos até uma árvore mais próxima.
— O que vocês acham de sairmos pra comemorar? — Jack pergunta pra mim, envolvendo um braço em meus ombros — Um cineminha talvez?
— Por que não? — respondo com um belo sorriso — Vocês dois vêm?
— Acho melhor não, a gente não quer atrapalhar o lance de vocês e tal... — Soluço explica passando a mão no cabelo.
— Que isso! Nada disso faria sentido sem vocês!
— Bom, eu não tenho nada de importante em casa mesmo — Merida fala virando-se pro Soluço, com um sorriso travesso no rosto.
— Tá, eu topo! — Aceita se juntando a nós. Abrimos o guarda chuva e caminhamos até o ponto de ônibus mais próximo.
— Bom, — Jack começa a falar com um olhar malicioso e eu já sabia que vinha bobagem aí — já que a gente tá nesse clima romântico, quando é que vocês dois vão se resolver hein? — pergunta olhando pra duas pessoinhas que agora estavam totalmente vermelhos de vergonha.
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