Notas iniciais
Olá lindios e lindias ^^ Bem vindos a outra história minha ~Yaaaay. Eu sei que essa ideia não é nova, e que varias pessoas já fizeram igual, mas mesmo havendo fics aqui no Nyah com a mesma ideia ainda acho que essa fic será bem aceita. Eu vou adicionar um pouco de "jeitinho da autora linda e maravilhosa (e modesta vale lembrar)" E vai ficar uma fic super mega especial - ou pelo menos eu espero - ^^' Enfim espero que gostem dessa nova história, mesmo que eu não vá atualiza-la até terminar a de Yume Nikki, mas não se preocupem pq eu realmente quero faze-la então não vou abandona-la. Nos vemos lá embaixo lindios >30

Era um dia normal na grande Londres. Uma manhã chuvosa, nublada e de um vento de trincar os dentes. O subúrbio Londrino também estava como de costume: Com lixo, drogados e prostitutas andando pelos becos imundos, e os delinquentes que viviam sem preocupações nos prédios abandonados que tomavam para si¹. Jackson Frost era um desses delinquentes.

O garoto de cabelos brancos estava sentado no peitoril da janela olhando para as gotas que escorriam sobre o vidro, era a única janela aberta naquele enorme quarto de hotel, deixando-o com uma fraca luz azulada espalhada sobre os móveis, velhos e empoeirados ,cobertos por lençóis e com grandes quadros emoldurados encostados a eles, que Jack não se deu ao trabalho de mexer. Nas mãos do garoto havia uma foto, um tanto amassada, diga-se de passagem.

– Ei Frost! Vão acabar com toda a comida se não vier logo — Disse um garoto abrindo a porta, fazendo com que a luz amarelada e desagradável do corredor entrasse no quarto.

– Já estou indo.

– Ah, você está olhando para essa foto no escuro de novo? — Indagou o garoto apoiando-se na moldura da porta. Ele tinha cabelos loiros e raspados de um lado, olhos castanho escuro e lábios finos e delicados, sua beleza era perceptível mesmo com todos aqueles pircings tentando esconde-la — Sabe que isso vai te deixar maluco um dia, não sabe?

– Dá um tempo Henry — Respondeu o albino secamente guardando a foto no bolso e se levantando fazendo uma careta saiu do quarto deixando o outro garoto para trás.

– Calma aí Frost, só estou querendo ajudar — Henry podia ser tudo, mas mentiroso não era — a menos se fosse pego, aí então mostrava-se ótimo na arte de contar mentiras — apesar de tudo ele realmente estava preocupado com o albino — Só acho que não é bom você ficar remoendo coisas do passado.

– Eu sei tá legal — Respondeu ríspido, mais até do que gostaria, suspirou pesadamente e disse de forma mais calma — É só que... Não é tão fácil assim esquecer.

Henry não respondeu, apenas acompanhou o amigo pelo corredor. O quarto de Jack era um dos últimos, antes dele havia cerca de seis outros quartos com números dourados — manchados e descascados — que se estendiam no velho corredor entapeçado.

Era visível mesmo por cima das grossas camadas de poeira que cobriam o lugar de cima a baixo que o hotel tinha sido muito bonito um dia. Os lustres decorados, os vasos — já muitos quebrados pelos atuais moradores — as escadas, os móveis, tudo indicava a velha glória do prédio.

Henry e Jack desceram pelas largas escadas do saguão principal desviando de alguns sacos de lixo e cacos de vidro e dirigiram-se para uma sala de jantar a direita onde uma mesa gigantesca ocupava o centro do cômodo, agora coberta com mais sacolas de lixo e caixas de pizza abertas. Vários garotos de diversas idades, de mais jovens aparentando ter doze ou treze anos, até mais velhos, de dezoito ou dezenove anos, estavam espalhados ao redor da mesa comendo, rindo, e até alguns brigando por pedaços de comida. A atmosfera, apesar de tudo, era agradável.

– Olha só quem resolveu aparecer — Disse um garoto de cabelos castanho ao notar a presença dos dois garotos na porta. Ele parecia ser um ou dois anos mais velho que Jack e segurava um cano atrás do pescoço — Já íamos comer tudo sem você.

– Porra Henry, por que chamou ele? Poderíamos ter comido sua parte – Desta vez um garoto ruivo pronunciou-se de forma jocosa fazendo o restante dos garotos rirem, até mesmo Jack, mesmo que apenas tenha sido um sorriso sútil.

– Cala a boca Edwin, se deixar você comer o quanto quiser passamos fome – Retrucou Henry. As risadas e brincadeiras se prolongaram por mais alguns momentos até que um estrondo forte contra a mesa fez-se ouvir na sala.

– É Henry, por que trouxe ele? – O silêncio se instalou na sala e todos mantinham os olhos em uma figura que estava sentada um pouco mais afastada de todos. O garoto mantinha seus braços cruzados e pés em cima da mesa — provavelmente foi assim que causou o forte barulho que chamou a atenção de todos — O garoto devia ser o mais velho entre eles, tinha cabelos negros e oleosos, e olhos escuros como carvão, era grande, mas não um armário, também não era muito forte, mas uma coisa não podia se negar: Sua presença esmagadora deixaria qualquer um apreensivo.

– Pega leve Wayne – Henry resolver quebrar o silêncio. O garoto o encarou com o canto dos olhos, lentamente descruzou os braços as pernas e se levantou indo em direção a Jack.

– Cala a boca Henry, você conhece as regras. "Quem não trabalha não come" – Dirigiu-se ao loiro, mas sem olhar pra ele, estava com seus olhos focados nos do albino, ficando a poucos centímetros de seu rosto — Por que não apareceu hoje Frost?

– Não é da sua conta.

– Pois eu acho que é – Retrucou o moreno, a irritação em seus olhos era evidente, mas Jack não se sentia intimidado – Tivemos que assaltar aquela loja sozinhos, e quase fomos pegos por que o vigia do nosso grupo não estava lá para fazer o seu trabalho.

– Foi mal, tá legal, não vai acontecer de novo.

– É claro que não vai! Por que se acontecer está fora Frost – Respondeu Wayne ácido e estridente pressionando seu indicador contra o peito do albino.

Depois de um curto período silencioso encarando um ao outro o albino colocou as mãos nos bolsos de seu moletom azul e se dirigiu a porta dos fundos, esbarrando de propósito no ombro de Wayne em quanto saía.

– Ah, espera Jack a comida – Disse Henry empurrando Wayne da mesma forma e indo em direção ao albino.

– Perdi a fome – Bateu a porta atrás de si e sentou em um dos últimos degraus em frente à porta.

A chuva já havia parado, mas as gotas que caiam das marquises ainda formavam pequenas poças no asfalto. Jack suspirou pesadamente fazendo com que vapor saísse de seus lábios, era ridículo que para ter paz precisasse ficar em um beco escuro e mal cheiroso.

Ele não gostava dali, não queria estar ali, mas não tinha muita escolha depois de tudo que já fizera, não teria coragem de voltar para o orfanato. Não se sentiria em casa. Nem lá, nem em lugar nenhum, se sentia perdido como um vira-lata fadado a vagar pelas ruas sem rumo. Talvez merecesse mesmo ficar naquele beco escuro e mal cheiroso.

Podia ser estupido pensar assim, ou até mesmo dramático demais, mas era como ele se sentia. Depois que Emma se foi, tudo ficou cinza e sem vida e parecia que seria assim para sempre.

Jack saiu de seus devaneios ao ouvir um ruído perto das latas de lixo a sua frente. O albino ficou encarando-as esperando que um rato ou coisa do tipo aparecesse, mas não foi isso que aconteceu.

Um gato alaranjado saiu dentre os inúmeros sacos plásticos no asfalto molhado. A criatura esguia e silenciosa andou graciosamente em direção a Jack e ficou fitando-o ao pé da escada.

– Como vai bola de pelos? — perguntou Jack pegado o animal no colo — também está sozinho?

O bicho era muito bem cuidado e gordo para ser de rua, notou Jack, e tinha em seu pescoço uma fina fita verde com um pingente pendurado nele. Jack virou o pingente para ver se encontrava o endereço a que pertencia o bicho, mas tudo que encontrou foi uma palavra escrita com uma caligrafia estranha: "Anniken". Talvez esse fosse o nome do gato.

Jack acariciou suas orelhas percebendo que em sua pelagem havia uma estreita linha branca que atravessava seu corpo, jack achou um pouco estranho, mas não pôde ficar intrigado por muito mais tempo, pois o gato repentinamente pulou de seus braços e saiu correndo beco a dentro.

Deu de ombros e continuou a olhar para as nuvens cinzentas que ainda cobriam os céus.

{❄❅❄}

Jack estava novamente em seu quarto, Henry havia lhe levado comida quando Wayne não estava por perto. Ele ficava grato por isso, mas realmente queria ficar sozinho.

Jogado na cama ficou a olhar nostalgicamente para a foto de antes. Nela havia uma garotinha sorridente com cabelos e olhos castanhos, que abraçava um garoto albino com uma expressão não muito feliz.

– Emma² – Sussurrou o garoto sentindo seus olhos ficarem marejados, logo limpou suas lágrimas e se dirigiu a janela.

Olhou pela janela a vista deserta da rua, tentando afastar as memórias sobre a garotinha sorridente de seus pensamentos. Ao colocar sua mão sobre o vidro ele notou que o mesmo começou a ficar mais gelado e a superfície começou a congelar lentamente ao redor de seus dedos.

O garoto assustado afastou-se cambaleante da janela, ele passou os dedos lentamente pela palma da mão e sentiu-a tão gelada quanto à própria neve.

"Isso não pode estar acontecendo... não agora" pensou Jack desesperado.

Jack fitava sua mão de olhos arregalados sem saber o que fazer o garoto só desviou o olhar de suas mãos ao ouvir um barulho em baixo da janela. Ele olhou atentamente para a rua escura a procura de qualquer sinal de vida. Viu então movimentação perto das latas de lixo do prédio ao lado, até que uma figura emergiu das sombras. O gato de antes.

Jack estava nervoso demais pra ligar pro animal, suas mãos estavam cada vez mais frias e o ar do quarto também, a cada respiração descompassada que dava fumaça saia de seus lábios. Mas o gato não saia dali, sentou na calçada e ficou olhando para Jack com seus grandes olhos que refletiam a fraca luz dos postes e começou a miar incessantemente.

Jack o observou de cenho franzido através do vidro, os olhos verdes o encaravam quase como se pudessem ver tudo através de sua pele. O bicho voltou a miar, o que já estava lhe dando nos nervos.

– Tá legal, tá legal apenas... Pare de fazer barulho — Jack por fim abriu a janela, ficando apreensivo ao ver linhas de gelo estenderem-se na madeira onde havia tocado. O gato miou de novo tirando a atenção de Jack no estranho fato de estar congelando coisas apenas ao toca-las.

– Já vai, já vai... — Pensou ter pirado de vez, estava conversando com um gato como se ele pudesse entender. Assim que abriu a janela Jack sentiu o ar gelado da noite contra suas bochechas.

"como se o quarto já não estivesse suficientemente gelado agora".

Ele se voltou para onde o gato estava para ver se conseguia faze-lo ir embora, mas ele não estava mais lá, Jack pensou aliviado que o animal havia se cansado e ido embora, mas esse alívio desapareceu ao notar que o bicho estava pulando com destreza no peitoril das janelas do prédio.

O gato rapidamente subiu pelos andares — que não eram muitos — como uma sombra, e em um salto pulou até o peitoril da janela de Jack. O bicho pulou para dentro do quarto e sentou-se ao pé da porta, Jack tinha certeza de que a porta que estava fechada há um minuto, mas agora ela estava escancarada. O menino incrédulo ficou um tempo estático vendo o gato o encarar atentamente.

– Ei bola de pelos, você não pode ficar aqui — Disse finalmente — O pessoal vai querer te cozinhar se vir você.

O gato não se mexeu ou teve qualquer reação, apenas continuou fitando Jack. O albino então resolveu tentar chegar perto do animal, péssima ideia, o gato rapidamente se virou e saiu correndo corredor a fora fazendo Jack segui-lo.

– Ei, calma aí Frost! Aonde você vai? — Jack acabou esbarrando em quem quer que fosse o desavisado que passava pelo corredor, no caso Henry.

– Sem tempo pra falar — Disse desaparecendo na curva do corredor.

O gato correu pelos largos corredores com uma agilidade e destreza surpreendente, parecia até que suas patas não tocavam a tapeçaria esburacada e cheia de manchas. Jack o perseguia avidamente. Se Wayne pegasse aquele bicho, Deus sabe o que faria com ele.

Ao chegar ao corredor que dava de frente ao saguão principal, o gato acelerou mais ainda e pulou por cima de onde as duas grandes escadas circulares convergiam. Jack estava rápido demais para parar e extremamente perto da borda da escadaria, se continuasse assim iria cair de uma altura considerável, mesmo que tentasse parar agora seria impossível.

Havia um jeito de aterrissar sem grandes danos, mas Jack não estava muito inclinado à aceita-lo. Estava agora quase dando de cara no corrimão, não tinha jeito era acreditar ou se machucar feio, fechou os olhos com o máximo de força e saltou.

Não ousou abrir seus olhos, apenas ficou esperando aquele momento acabar de uma vez, ficou esperando pelo brusco impacto do chão contra seu corpo, mas isso não aconteceu. Jack sentia seu corpo leve, como se estivesse flutuando, tomou coragem e abriu lentamente seus olhos, ao abri-los se deparou com os pingentes do lustre quase encostando-se a seu nariz, olhou para baixo e não sabia se ria ou entrava em pânico, estava realmente flutuando.

Sustentando seu corpo, abaixo de suas costa, havia uma massa de ar fria, que estava o suspendendo sem nenhum problema. Jack sabia que podia fazer esse tipo de coisa, mas nunca pensou que fosse dar certo.

Seu momento de alívio durou pouco quando a massa de ar foi ficando mais e mais fina. Estava prestes a se estatelar no chão e tinha que fazer alguma coisa. Tarde demais, a densidade da massa se dissipou completamente e o garoto se viu despencar de mais de seis metros de altura.

Jack já estava se preparando para o impacto, se encolhendo e fechando os olhos o mais forte que conseguiu. Ficou esperando, esperando até demais. A essa altura já deveria estar se contorcendo no chão de dor, mas nada aconteceu, abriu os olhos e tentou assimilar onde estava. Como em segundos atrás, estava encarando o lustre, mas dessa vez estava muito mais longe. O albino arriscou olhar para baixo, estava perto do chão, extremamente perto, a um palmo de distância cria ele.

Como isso era possível? Era ele quem estava fazendo isso também? Não podia ser não tinha feito nada para que aquilo acontecesse, então como? Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, a força que o mantinha no ar se desfez, e ele atingiu o chão com um baque forte, não doeu tanto assim, mas seu traseiro com certeza não tinha ficado feliz com aquilo.

Rolou pelo tapete gemendo e contorcendo-se tentando acostumar-se as poucas dores que se espalharam por seu corpo. Ao levantar a cabeça deu de cara com o gato de pelos laranja olhando-o como se zombasse dele.

– Ah agora eu te pego bicho estupido — Esbravejou o albino levantando-se desengonçadamente. O gato como se achasse muito divertido correu para o lado contrário atravessando o salão como um raio.

Jack apressou-se e o seguiu, não estava tão longe agora, mais um pouco e colocaria as mãos naquela maldita bola de pelos.

Quase como se o destino pudesse prever seus movimentos o gato desapareceu entre as farpas da madeira da porta em um grande buraco que foi deixado ao pé dela, Jack abriu a porta exatos um segundo depois na esperança de encontrar o bichano, mas para sua surpresa não havia gato algum, apenas uma garota que aparentava ser um pouco mais velha, de olhos verdes e cabelos tão alaranjados quanto os pelos do gato.

– Você é Jack Frost?

Notas finais
Entããããão o que acharam do primeiro capítulo? Espero que tenha agradado ;) nos vemos no próximo capítulo (que não sei se demorará semanas, meses ou dias) bjinhus de pastrame com panacotas pra vcs >30 ¹ - Eu não sei se o subúrbio londrino é realmente assim, se alguém é inglês aqui, ou já foi pra lá e se sentiu ofendido de alguma maneira isso não passa de uma FICÇÃO, então não levem a sério o que está escrito, tanto por que nunca nem pisei no reino unido. ² - Eu vi em alguma fanfiction - que eu não lembro agora qual - Esse nome sendo dado a irmã de Jack. Esse obviamente não é o nome real dela, mas eu achei que combinou tão bem que vou utiliza-lo também.