The Bet (JPLE)
36 Se eles não ficam juntos sozinhos, nós os juntaremos
Notas iniciais
Por Sirius Black
Comigo não tinha essa história de "esperara raiva de James Potter passar". Aquele lá não ia parar para pensar nem tão cedo. E, afinal, eu conhecia meu eleitorado.
Então, como um lindo ser pensante que eu era, fiz um plano... plano esse que minha maravilhosa Marlene – leia-se delicada com tom irônico – disse que era repleto de falhas como um por cento de chance de puro de sucesso.
James não sabia que eu e Remus havíamos ido à casa de Lily. Se soubesse... Oh, se soubesse da gravidez da Lily! Grávida dele...
Eu nunca fui o cara mais correto desse mundo – e nunca serei – mas tenho conhecimento do que é o amor! E James amava Lily, assim como ela também o amava. Só que os dois eram muito cabeças duras para falarem um com o outro.
James não sabia que eu e Remus havíamos ido até a casa de Lily. Se ele soubesse... se ele soubesse que Lily estava grávida dele... Eu nunca fui o cara mais correto desse mundo – e nunca serei –, mas sabia o que era amor. E James amava Lily, assim como ela também o amava. E os dois eram cabeças duras demais para falarem um com o outro.
Não posso negar que fiquei com raiva de Lily no início, porque fiquei sim. Mas eu sabia que para tudo havia uma explicação, devia de haver. E Lily... Ela não era capaz disso. Ela errou, sim, mas James também errara... Várias vezes!
Primeiramente com essa aposta, que eu disse desde o começo, que nunca daria certo.
Meses atrás...
– Vai dar certo! – Exclamei, empolgado. – Cara, você tem que fazer isso. Ela vai ficar aos seus pés depois.
– Ela vai odiar – James olhou para o contrato. – Mas quem se importa, não é mesmo?
– Não é? Vai dar certo! – Dei alguns tapinhas em seu ombro, sorrindo.
Dias atuais...
Ok... talvez – apenas talvez – eu tenha dado algum incentivo para isso... Mas foi ideia dele! Não tive qualquer participação com a ideia de gerico dele. Pelo menos nisso, porque no resto...
– Onde esteve, Almofadinhas? – Ele perguntou, e nada pude fazer a não ser olhar com culpa.
– Er... na casa da Lene... E você? – Cruzei os braços, assentindo. James ergueu as sobrancelhas para mim.
– Acabei de marcar um encontro para mais tarde... – Ele sorriu satisfeito, piscando um olho. Eu suspirei. Esse era o modo dele de mostrar que estava, na verdade, de coração partido: saindo com outras mulheres.
– James... você tem que conversar com a Lily...
– Não fale nada sobre ela, Sirius. – Interrompeu seriamente. Balancei a cabeça, mas ergui as mãos em sinal de rendição.
– Uma hora ou outra vocês terão que conversar. – Apontei o dedo para ele. – E, dessa vez, creio que você deva tomar a iniciativa!
– O que está escondendo, Sirius?
– Não estou escondendo nada. Só estou dizendo a verdade. – Fiz uma pausa para encará-lo. – E você sabe disso!
– Engraçado... Não sabia que você tinha roubado o lugar de Remus na posição de conselheiro – James revirou os olhos e eu bufei.
– Tá legal, veado.
– O que você vai aprontar?
– Nada. – Respondi, voltando a pegar meu casaco.
– Está indo aonde, criatura? – quis saber ele.
– Dar uma volta, por que, aparentemente, você tem um encontro... – Abri a porta e a fechei.
(...)
Eu andava de um lado para o outro com as mãos nas costas, olhava seriamente para Dorcas, Remus e Marlene enquanto pensava em como começar...
– Fale logo o que quer falar, Sirius – Mandou Marlene, impaciente. O que ela não me pedia sorrindo, que eu fazia chorando?
– Esses dois precisam se resolver. – Falei em voz alta, apontando para a parede. Nós estávamos na casa de Lene e Lily era sua vizinha, por isso, achei melhor diminuir o tom da voz. – Não aguento mais ver o James sair com mulheres para esquecer a Lily. E a Lily... A Lily têm que contar sobre o bebê! — A última frase saiu em um sussurro.
– O que você quer dizer, Sirius? – Perguntou Dorcas.
– Se eles não ficam juntos sozinhos, nós os juntaremos. – respondi, e foi inevitável não sorrir malicioso.
– E você precisa de nós três?
– Eles precisam de nós quatro, caro amigo Remus – Corrigi. – Eles dois são muito parecidos. Nunca vão voltar sozinhos.
– E por isso bolou um plano? – Lene cruzou os braços enquanto perguntava.
– Não seria Sirius Black se não fizesse um... – Revirei os olhos. – Mas a questão não é essa! James ama Lily e Lily ama James. Nossos melhores amigos se amam e estão separados por causa de um seboso. Vocês vão deixar isso acontecer? – Parei de andar, encarando-os desconfiado, passado minha pequena avaliação, voltei a andar e falar – Lily pode perder o bebê se ficar em depressão... (E eu não posso ficar sem o meu afilhado.) James vai ficar saindo com tudo quanto é mulher sem nunca preencher o vazio... E então? O que me dizem?
Meus amigos ficaram me olhando por um longo tempo, antes de começarem a rir. Cruzei os braços, ofendido, afinal, eu estava falando sério.
– Nós vamos te ajudar, Sirius. Só queríamos saber até onde o seu discurso chegaria... – Lene veio para o meu lado e depositou um beijo em minha bochecha. – Também estamos cansados de vê-los assim... Então, qual o plano? — Não pude me conter e bati palmas.
– Uns dias atrás, eu ouvi James falar com Frank para mudá-lo de escola...
– O quê?! – Eles gritaram em uníssono.
– Deixem eu terminar de falar! – Sibilei, com eles assentindo, prossegui meu relato dos fatos. – Todos nós sabemos que ele quer mudar por causa da Lily. Mas eu convenci Frank a deixá-lo na escola...
– Como? – Dorcas perguntou e Remus se adiantando, mas eu sabia que eles sabiam a resposta.
– Foi Sirius que fez a Alice ficar com Frank. História pra outro dia. Continue, Sirius.
– Obrigado, Aluado – Fiz uma reverência, ao qual Remus revirou os olhos. – Ele me deve favores.
– Por que favores?
– Porque fazer Alice ficar com ele demorou mais de um mês! Ele mesmo me disse que devia mais do que um favor, portanto pedi logo por três... – Respondi e meus amigos se calaram. – O primeiro favor foi em não atender o pedido daquele veado. O segundo foi deixar que usássemos a escola à noite e o terceiro... — Suspense. — Foi as chaves da dispensa. – Terminei, sorrindo e assentindo, como se fosse uma ideia brilhante. – Eu esperava conversar com James hoje, mas ele se recusa a escutar.
– Sirius, para que a chave da dispensa? – Dorcas perguntou lentamente.
– Ainda não ficou óbvio? – Todos negaram com a cabeça. – Ok, iremos distrair James e Lily, vamos os conduzir até a escola e os trancaremos na dispensa.
– Que plano idiota, Sirius – Comentou Lene. – Lily não é estúpida.
– Então fale a verdade para ela! – Sugeri, vendo nas expressões de Lene e Dorcas que isso não era uma opção. – Ótimo. Se um de vocês tiverem um plano melhor, sou todo ouvidos.
Como já esperava, os três ficaram em silêncio. Ah, como eu adorava estar certo! Agora só faltava pedir os favores para o Frank, mas esses três não precisavam saber que eu ainda não havia falado com ele.
(...)
– Ei, Alice – Chamei a irmã de James e ela me olhou. – Não viu James por aí, viu?
– Não, por quê? – Ela respondeu.
– Nada, não. Ah, parabéns pela promoção... – Sorri, depois a abracei. – Ser a orientadora vai fazer bem a você. Deveria orientar James, já que ele não escuta ninguém.
– O que quer dizer? – Alice ergueu uma das sobrancelhas. – O que está aprontado?
– Operação Cupido. – Admiti, dando de ombros.
– James e Lily? Por que ela merece meu irmão?
– Por que James merece Lily? Sério? Ele fez um contrato e apostou uma grana forte com ela. – Rebati e depois balancei a cabeça. – Amo o Pontas, mas sei que Lily não fez por mal. E se você não quer ajudar, tanto faz. O Frank está aí hoje, não é?
Alice assentiu, surpresa com a minha atitude, e eu segui para a sala da diretoria. Eu esperava sinceramente que Alice e Frank não estivessem fazendo... vocês-sabem-o-quê.
Bati na porta e ouvi um "Entre", Frank estava sentado atrás da mesa, mas não vi Alice por ali.
– Estou interrompendo algo? – Perguntei, olhando ao redor, debaixo da mesa, quem sabe?
– Não. — Frank riu. – Fale, Sirius.
– Lembra que você disse que me devia alguns favores? Uns três, mais ou menos...
– Nunca esqueceria isso. – Respondeu Frank.
– Está na hora de cobrá-los... – Disse seriamente. Frank assentiu, percebendo que eu realmente precisava da ajuda dele.
Depois que eu conversei com Frank, saí da sala da diretoria feliz. A escola estaria à nossa disposição essa noite. Só teria de falar com as meninas e tudo estaria resolvido.
Entretanto, eu precisava de um motivo. E eu o encontrei em minha sala de aula. Dei um sorriso e esperei que Matt Valentim entrasse.
– Ei, Matt – Chamei e ele parou.
– Oi, professor. O que houve?
– Por que todo mundo acha que aconteceu alguma coisa? – Exclamei preocupado e Matt ergueu uma das sobrancelhas.
– E não aconteceu?
– Sim, aconteceu. – Olhei em volta. – Vem cá! – Abri a porta e fiz um gesto para ele me acompanhar. – Você gosta do professor Potter com a senhorita Evans? Tipo, seu pai com a Alice?
– Claro que sim! Eu adoro os dois e sempre achei que eles, sabe... estavam juntos daquele jeito – Sussurrou e eu ri.
– Ótimo. Então você me ajudaria a juntar os dois novamente?
– É só me dizer o que tenho que fazer. – Sorriu e eu o acompanhei. Esperava do fundo do meu coração que o pai dele não desse um piti.
(...)
Se pudesse, colocaria uma música de efeito ao fundo, enquanto designava as tarefas para cada amigo meu. Esse plano tinha que funcionar. E era infalível. Tudo bem que a maioria dos meus planos eram furadas, mas... Eu era bom em juntar as pessoas. Talvez devesse até mesmo abrir uma agência desse tipo.
Enfim, depois de dizer o que cada um deveria fazer, fui atrás de James. Era sábado e os dois estariam em casa. Bem, pelo menos Lily estaria. Se James não estivesse, teria de caçá-lo...
Graças a uma força superior, encontrei James em nosso apartamento. Sabia disso porque ele tinha essa mania de deixar a droga dos sapatos bem ao lado da porta, ao invés de colocá-los dentro do armário. Bufei – sim, eu sou um idiota, mas gosto da minha casa arrumada. Acreditem, eu era um baderneiro na adolescência. Mas aprendi por conta própria que não se deve deixar a casa em que se mora parecendo um chiqueiro – com um tique de arrumação, coloquei os sapatos de James no lugar certo e fui até seu quarto.
Como nossa amizade vem desde que me entendia por gente, entrei em seu quarto sem bater e, imediatamente, me arrependi de ter feito isso. James estava com uma mulher qualquer na cama, nu e fazendo coisas que eu faço com a Marlene quando estávamos sozinhos, com portas trancada.
Arregalei os olhos e saí dali, traumatizado para o resto da minha vida. Sério, aquilo ficaria para sempre impresso na minha retina. Visão do inferno. Estremeci. Talvez fosse precisar de terapia quando tudo isso acabasse.
Quando, enfim, a orgia no quarto de James terminou, eu estava sentado no sofá, com a televisão no último volume, e vi a mulher sair com o sobretudo enrolado nos braços e os sapatos nos dedos. Ela me olhou, envergonhada, enquanto eu a encarava com uma das sobrancelhas erguidas, e abriu a porta da nossa casa rapidamente, mas antes dela bater a porta, falei:
– Ele não vai te ligar amanhã.
– Idiota – Como previsto, ela bateu a porta. Dei de ombros, porque realmente não me importava, mas o que eu havia dito era a mais pura verdade. Eu conhecia James e... já fiz o que James fez. Éramos irmãos.
Esperei mais alguns minutos e James saiu do banheiro, enxugando os cabelos. Ele deu aquele sorriso que costumava dar quando adolescente, era uma época em que nós estávamos descobrindo o que era ser um Maroto e ganhávamos todas as garotas que queríamos, mas James não estava feliz e eu via isso. Eu o conhecia bem demais.
– Não tem vergonha, cara? – Perguntei, abaixando o volume da televisão. — Não têm vergonha na cara?
– A culpa é sua por ter entrado sem bater! – Ele sentou ao meu lado. – O que houve? Sei que não entra no meu quarto se a coisa não é séria.
– Você está bem? – Quis saber, olhando bem para o meu amigo.
– Estou. Almofadinhas, você está estranho – James se afastou para me olhar. – O que você fez?
– Eu não fiz nada! – Levantei as mãos em rendição. – Esses últimos dias você sempre acha que fiz alguma coisa.
– É porque eu o conheço o suficiente para saber que está escondendo alguma coisa de mim – Respondeu James simplesmente.
– Ah, é isso? Então vou te dizer uma coisa, porque te conheço o bem o suficiente. – James assentiu, me dando liberdade para continuar. – Você está quebrado, cara. Está, sim. Não negue. – Ele fechou a boca e olhou para a televisão. – Está saindo com uma mulher diferente por dia!
– Como se nunca tivesse feito isso antes...
– Todo dia, James? — Perguntei, ele não respondeu. — Nenhuma delas substituirá a Evans. Se você a ama, vá atrás dela e diga o que quer. Cancele aquele contrato. Diga que a ama!
– Para quê? Ela não me ama, Sirius. – Ele balançou a cabeça. – E ela tinha um namorado!
– E você a apostou! Desde o início, você só a queria para saber se era alguém do seu passado – Rebati e James me encarou. – E olha no que isso deu! James, eu tive minha cota de erros, mas deixá-la...
– Por que você quer tanto que eu volte com ela?
– Porque eu aprendi a ver os dois lados da história! – Suspirei. – E eu não suporto ver os dois acabarem com a própria vida assim. Se a Lily perder o... – Calei a boca assim que a frase quase ousou a escapar da minha boca.
– Perder o quê? – James ergueu a sobrancelhas.
– Vá atrás dela que você saberá! Mas saiba que é importante... – respondi, tentando não revelar o segredo de Lily.
– Não irei atrás de... – ele não completou a frase, pois o telefone tocou. Salvo pelo plano. – Alô – James atendeu. – O quê? Não, não tente sair. Eu já estou indo... onde está seu pai? Ok, ok. Estamos indo!
James desligou o telefone e olhou para mim, que tive de fazer uma expressão confusa.
– O que aconteceu? – perguntei, preocupado.
– É o Matt – James se levantou. – Ele falou que está preso na escola e não consegue ligar para o pai.
– Então vamos logo! — Falei, levantando também. — O que estamos esperando?
Pegamos nossos casacos e partimos.
(...)
Assim que James estacionou o carro, vi o carro de Marlene parado no outro lado da rua. Dorcas e Remus se encontravam dentro dele. Eles me viram e ergueram os polegares para mim. Eu assenti e fui atrás de James, que já adentrava a escola.
Corremos e, na metade do corredor, encontramos Marlene e Lily correndo na mesa direção que nós dois.
– O que está fazendo aqui, Evans? – perguntou James, rude.
– Sem brigas agora, Potter – rebateu ela. – Matt precisa de ajuda.
James engoliu o que ia dizer e continuamos a correr. Lene olhou para mim e eu encolhi os ombros. Ela suspirou e nos seguiu.
Era para o Matt fingir que havia ficado preso na dispensa. Não sabia como, mas Florencio Valentim concordara que o filho participasse do nosso plano. Acho que amar fazia as pessoas ficarem meio doidas. Veja eu. Eu era um canalha e um idiota – bem, o segundo, eu continuava sendo –, mas quando comecei a amar Marlene, tudo mudou.
Chegamos à cozinha e Matt batia na porta. James e Lily ficaram tão preocupados com o garoto, que não perceberam que o que ele dissera tinha falhas.
Matt fingia gritar e bater na porta da dispensa.
– Matt?! Matt! – gritou Lily, colocando a mão na barriga inconscientemente.
– Abre a porta! – James tentou abrir e conseguiu. A porta estava aberta. Ele franziu a testa, mas, não quis saber, entrou e Lily o acompanhou. – Mas o quê?
Matt riu e saiu da dispensa correndo.
– Desculpem, mas é por uma boa causa.
– Bom trabalho, garoto. – Baguncei os cabelos dele.
– Sirius? Lene? – perguntou Lily, nos olhando. – Sirius.
Ela tentou sair, mas eu não deixei.
– Perdão, mas não posso deixá-los sair – fiz um careta de pena. – Vocês estão com problemas, nós só demos um pequeno empurrão.
– Sirius, você não...
– Eu sim — interrompi James, sorrindo. – Saibam que vocês têm... – olhei para o relógio – vinte e quatro horas para se resolver. Senão... tenho mais vinte e quatro horas restantes. Aproveitem a estadia. – Pisquei um olho e fechei a porta da dispensa, trancando-a logo em seguida.
Os dois estavam tão surpresos conosco, que só perceberam que estavam presos depois que eu os tranquei.
– Sirius! – Gritaram em uníssono, batendo na porta.
Virei-me para os meus capangas e sorri, levantando minhas mãos para eles baterem. Lene balançou a cabeça, mas tinha um meio sorriso nos lábios. Ela era tão linda! Cada dia que eu a via, eu me apaixonava ainda mais.
Olhei para Matt, que sorria satisfeito. Agora eu sabia o por quê que James e Lily adoravam aquele menino.
– Vamos, Matt, você foi ótimo! Merece até um sorvete... – peguei a mão de Lene e com meu outro braço segurei em volta do pescoço do garoto, guiando-os para fora da escola.
Agora, tudo o que podia esperar é que meu plano funcionasse.
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