The Bet (JPLE)
24 SDCP ataca novamente
Notas iniciais
Enjoy it ;)
Por James Potter
Ela bateu a porta em minha cara e eu fiquei parado, ali, olhando para a porta do quarto com um aperto no coração – algo que eu nunca senti antes. E eu soube que eu, com certeza, fiz a maior merda da minha vida. Lily tinha razão em sentir nojo de mim, pois até eu sentia.
Escorei-me pela porta, sentei-me no chão e ali fiquei até adormecer.
(…)
Lily não voltou a falar comigo e eu também não a pressionei. Até que porque eu sabia que estava errado. Claro que isso me matava, mas eu me sentia ainda mais morto por ter brigado com o meu irmão. De certa maneira, eu sabia que Sirius jamais faria alguma coisa dessas. Contudo, o maldito ciúmes me deixara cego demais, que eu não conseguia nem pensar. E eu continuava triste.
Eu sabia que eu estava sentindo a tal ( fui eu que inventei ) de SDCP – Síndrome da Consciência Pesada –, pois me sentia péssimo por duvidar de Sirius e por magoar de verdade a Lily. Aí, você pergunta: James Potter, se sentindo baixo? Sem dizer o quanto ele é maravilhoso? E eu respondo: Amigos, eu dou valor a amizade do que qualquer bobagem de alta-estima. E eu prezava meus amigos acima de tudo.
Pedi férias (se é que professor podia ter isso) antecipadas e fiquei naquele quarto de hóspedes sem falar com ninguém. Acredite, Alice viera aqui tentar com que eu voltasse ao normal. Mas a minha SDCP estava no auge e nem levantar de minha cama eu não conseguia. Depois de muito tentar, e ver que não ia adiantar, minha irmã desistiu.
Eu não tinha – pela primeira vez em toda a minha vida de Maroto – coragem de olhar para Lily e muito menos Sirius, que não viera aqui. Eu tinha ouvido, por alto, que ele estava feliz com Marlene, o que me fez sentir ainda mais sujo e para baixo. Eu tinha sido tão estúpido! Mais do que eu já era; eu tinha ultrapassado o limite da estupidez. É, meus caros... olha o que a culpa faz. Nunca, jamais, queiram sentir algo como isso. Era horrível!
Agora, eu estava deitado em “minha” cama, olhando para o teto, sem vontade de sair dali nem para comer – o que era raro. Da primeira vez que eu saí de casa, para ver se respirar o ar fresco melhorava alguma coisa, eu vi Miranda na rua, correndo. Ela tentou flertar comigo outra vez – mesmo que Lily tenha se segurado para não matá-la –, mas eu, pela primeira vez (estava ficando bom no quesito “primeira vez”), lhe dei o fora. Miranda ficou ultrajada, porém, eu não liguei. Eu nunca a quis, para início de conversa.
Tirei o olhar do teto e fui até minha mochila, com o intuito de ir procurar a pulseira de Lily (meu lírio). Assim que eu a achei, eu fiquei o olhando. Eu me perguntava o por quê eu ter tirado a pulseira dela. Por mais que eu estivesse quase morrendo de SCDP, eu não a devolveria agora. Eu ainda queria ter uma lembrança dela e só lhe daria quando eu me sentisse seguro.
Passei a tarde toda olhando para aquela pulseira, quando recebi minha primeira visita naquela semana. Só queria saber por quê raios Lily deixava que entrasse na casa dela, quando eu mais queria ficar sozinho com a minha culpa. Que era o que eu merecia.
Eu só abri a porta, porque pareciam que iam derrubá-la e porque Lily ia me culpar se isso acontecesse. E, do jeito que eu estava, era bem capaz de eu aceitar aquilo como verdade.
Para a minha surpresa, Dorcas estava parada, com as mãos na cintura, daquele jeito que misturava o lado policial e o lado original dela (que era o de maluca) e me olhando cono se fosse me algemar.
–Dorcas, o que você estpa fazendo aqui? – perguntei um tanto supreso, um tanto rude.
Ela revirou os olhos e entrou no quarto sem a minha permissão. Sabendo que ela não saíria dali sem dizer o que queria, fechei a porta e a encarei. Dorcas olhava para o chiqueiro que havia cirado no quarto de hóspedes de Lily. Conhecendo Dorcas, deveria estar enojada. Até eu estava.
Dorcas deu um giro m meu quarto, chutando uns pares de tênis de corrida para um lado, pegado uma camisa seuja com as pontas dos dedos e colocando numa pilha de roupas mais sujas ainda que eu havia feito num coanto do quarto; abrindo a janela; saindo do quarto e voltando dois minutos depois com um purificador de ar em spray, borrifando quase o frasco todo para, enfim, me olhar.
Respirou fundo.
– Está um pouco melhor – disse ela, olhando em volta. – Para melhorar de verdade, só com uma faxina caprichada – e fez uma careta.
– Eu ainda estou aqui, Dorcas – acenei para que ela fosse logo ao assunto. Ela me olhou seriamente.
– Eu estou vendo.
– Então anda logo, Doe – revirei os olhos, cruzando os braços. Dorcas sentou-se em “minha” cama, suspirando; deu um tapinha ao seu lado e eu fui até ela, sentando-se no lugar indicado.
– Jay-Jay, Jamie, Jimy, Jayzie...
– Dorcas, ao assunto, por favor – eu a interrompei, constrangido pelos apelidos.
– Ok. Bem, você está há muito tempo... – ela olhou para o quarto com uma expressão de nojo – aqui. E, não sei se você já olhou um espelho, você está parecendo um mendigo.
– O que quer dizer? – perguntei, emburrado. Eu sabia que estava horrível, mas este era um castigo.
– Que é para você sair deste quarto, baby – Dorcas falou como aqueles policiais de filmes antigos. Eu revirei os olhos; eu sabia que ela estava aqui era por causa disso.
– Pela primeira vez, Dorcas, eu não farei o que me pede – respondi, deitando-me na cama. – Certifique-se de fechar a porta ao sair – completei, colocando os braços atrás da cabeça e fechando os olhos.
Eu a ouvi bufar. Ela tirou meus óculos e me fez abrir os olhos, ou seja, Dorcas abriu minhas pálpebras com os dedos. Levantei-me depressa, com uma baita dor nos olhos, e caí ao chão, pois eu não enxergava nada.
– Obrigado, Dorcas – resmunguei, massageando o meu tornozelo. – Quer me devolver os óculos, por favor?
Vi sua imagem borrada se aproximar de mim e recolocar os óculos em meu rosto. Assim que eu pude focalizá-la, constatei que a desgraçada ria da minha cara.
– Desculpe. – Ela enxugou uma lágrima. – Você tem que voltar a trabalhar, James.
– Não vou sair daqui, Dorcas. – Respondi ainda no chão, sem olhá-la. – Não agora.
Eu tinha consciência de seu olhar sobre mim. Mas eu ainda não queria olhá-la; parecia que ninguém me entendia. Aquilo era para o meu próprio bem.
– Você não é assim, James – suspirou Dorcas. – Mas não vou lhe pressionar... Contudo, deixe eu contar um segredo – eu a olhei. – Você está perdendo a chance de conquistá-la ficando... aqui.
Ela estava coberta de razão. Mas eu preferi ignorá-la. Nisso, eu era realmente bom.
(…)
Eu estava dormindo quando a segunda visita chegou. Parecia que eu estava naquele filme dos fantasmas que só passava no dia de Natal. Porém, infelizmente, sem a parte dos fantasmas. Ela eram muito mais irritantes do que eles.
Então, estava eu, envolto nas cobertas, quando a luz foi acesa, os meus cobertores foram atirados para longe e a janela foi aberta. Por um instante, eu fiquei confuso; depois, fiquei com raiva. A pessoa queria ter uma morte dolorosa. Quem ela pensava que era para me acordar daquele jeito? Abri os olhos.
Primeiro, vi as botas de cano médio, depois, um casaco de moltom, cabelos castanhos ondulados até a cintura . Um batom vermelho marcava a boca de Marlene. O que ela estava fazendo ali? Ela devia estar com Sirius. Feliz e alegre. Marlene não deveria estar ali, arrancando as minhas cobertas para longe. Ela deveria estar com raiva de mim e nunca mais olhar na minha cara. Nem eu queria olhar para a minha cara – sério, eu estava horrível.
Tornei a fechar os olhos e suspirei.
– O que foi, Marlene? – perguntei ainda sem abrir os olhos.
Ela bufou e deu um tapa na minha testa, me fazendo levantar de repente. Parecia que eu tinha virado um saco de pancadas!
– Ei! – exclamei, esfregando a minha testa e olhando feio para ela. – Machucou, caramba.
– Você é tão imbecil, Potter! – Marlene colocou as mãos na cintura.
– Eu sei – respondi. – E você é bruta.
– Levanta dessa cama, James Potter!
– Não, obrigado. – Falei e então a olhei. – Mas estou curioso... por quê está aqui?
– Bem... Sirius está mal também, James. Você não vê? – Ela parecia mais calma e eu desviei o olhar. Não queria ficar ainda mais culpado.
– Eu sinto vergonha. – Respondi por fim, mas sem olhá-la. – Eu magoei meu melhor amigo e Lily me odeia mais do que antes. Não posso... não consigo olhar para eles.
Marlene suspirou e sentou-se ao meu lado. Sinceramente, era horrível me sentir daquele jeito. Mas eu sabia que merecia aquilo.
– Ela vai te perdoar. Saí desse quarto! – Marlene levantou as mãos para o ar. – O James Potter que eu conheço não é assim.
– Lamento, Marlene. Mas, olhar para você, é ainda mais pior. – Virei-me para o outro lado, sem olhar para ela.
Senti a cama ficar mais leve quando Marlene deixou o quarto. Voltei a fechar os olhos e esperei que o sono viesse.
(…)
No dia seguinte, acordei antes que o sol nascesse para tomar café da manhã. Daquele jeito era mais fácil; eu não encrava Lily e nem ela me encarava. E pronto: todos ficavam felizes. Quero dizer, nem todos.
Acendi a luz da cozinha e fui até a geladeira. Eu contribuía com as contas e a comida. Deixava o dinheiro debaixo da porta do quarto dela e voltava para cama. Não era nem a metade do que eu fizera, mas era um começo.
– Potter? – A voz dela chegou aos meus ouvidos. Sabia que estava descendo as escadas e, infelizmente, eu não podia fugir. Então a fiz a coisa mais estúpida, digna de mim:
–É a Lene, Lily – afinei a voz, tentando escapar de algum modo antes que ela chegasse a cozinha.
– Primeiro: Lene não acorda a essa hora – ela apareceu no batente da porta da cozinha. – E, depois, essa vozinha não engana ninguém, James Potter. – Eu não respondi e fiquei a olhando até que Lily bufou. – É bom ver você aqui, porque assim você não foge.
Ela esperou que eu desse alguma resposta, mas eu realmente não estava a fim. Não estava mais com inspiração para aquilo. Em outras palavras: eu não estava feliz. A SDCP havia sugado todas as minhas forças.
– Ok... – Lily sentou-se à mesa e continuou a me fitar. – Você está horrível!
– Tô sabendo – falei a ela ergueu uma das sobrancelhas. Virei-me de costas e comecei a preparar uma espécie de salada de frutas. Eu ainda a amava e ela estar ali tornava tudo mais difícil.
– Olha, eu não sou sua mãe para falar o que você deve ou não fazer – disse ela, batucando as unhas no tampo da mesa, mas eu ainda podia sentir o olhar dela nas minhas costas. – Contudo, eu posso lhe aconselhar. – Eu nada falei, mas estava ouvindo com atenção. – Sabe por quê eu deixei que Lene, Alice, Remus e Dorcas entrasse em seu quarto? – Ela sabia que eu não ia responder, por isso continuou: – Ficar trancafiado aqui não vai melhorar em nada. Ao contrário: só vai piorar. Quer voltar a falar com seu amigo? Faça alguma coisa! Tome uma atitude e essa culpa que você sente vai sumir.
Eu me virei para olhá-la. Ela ainda estava sentada, me encarando.
– Você me perdoa? – perguntei com um fio de esperança na voz.
– Não sei... volta a ser quem você é e a gente resolve isso depois. – Ela se levantou. – Pense no que eu falei, Potter... Tenha um bom dia.
Eu encarei a porta vazia por alguns minutos, antes de voltar a cortar as frutas. Por incrível que pareça, o conselho de Lily permaneceu em minha cabeça durante um bom tempo. Algo que nem Dorcas nem Marlene conseguiram fazer. Ao terminar de cortar as frutas, eu já tinha uma ideia do que eu deveria fazer.
Aquela maldita SDCP iria embora.
(…)
Quando cheguei à escola, reuni meus alunos e lhes contei o que deveria fazer. Alguns tinham aula com Sirius e outros com Lily, então eles já tinham alguma familiaridade com os professores. Uns poucos ficaram no ginásio comigo para finalizar o meu plano.
O conselho de Lily me fizera tão bem, que eu comecei a me animar. Eu não sei por quê, mas as palavras dela funcionavam. Eu até tinha voltado a ficar a pessoa maravilhosa que eu era!
Eu havia pedido permissão para Alice Longbottom para retirar alguns alunos da sala de Lily e Sirius para fazer aquilo. Tudo estava conforme o planejado e agora só esperar os sinais de que eles estavam vindo.
Sim, James Potter estava nervoso. SDCP fazia isso com as pessoas. Já sentiram isso? Pois é, não queiram sentir. É algo que lhe deixa tão mal, que você não consegue deixar de pensar do erro que cometeu. Você fica impotente, incapacitado de fazer qualquer coisa para mudar aquela situação, além de sentir um peso em seu coração. É pior do que quebrar algum osso.
Tentei não pensar na besteira que eu havia feito enquanto eu esperava-os no ginásio. Eu demorara uns dois dias para prepar minhas desculpas no estilo James Potter. Ok, eu esperava que desse certo. Senão, eu teria de pensar em algo mais mirabolante... E a minha criatividade não vinha assim com muita frequência. Se Lily não tivesse falado comigo, eu ainda estaria dentro daquele quarto escuro.
– Professor – um dos meus alunos me tirou dos meus devaneios. Eu o olhei. – Eles estão vindo.
– Ok – falei e olhei para os outros. – Ao seus postos! – Todos correram para minha frente. Eu era alto e, infelizmente, meus anos não eram tão grandes. Então eu tive de me abaixar.
Ouvi a voz de Lily perguntar o que estava acontecendo e Sirius ficar em silêncio, o que não era do feitio dele. Sussurrei um “Agora” e todos levantaram as placas ao mesmo tempo. Lily arfou e eu nada escutei de Sirius. Fiquei apreensivo com isso, mas seguei com o resto do plano. Meus queridos alunos se espalharam e eu me levantei também segurando uma placa. Essa dizia ME PERDOEM! FUI UM IDIOTA!; nas outras, eram apenas umas pequenas histórias do que havia acontecido.
Matt havia desenhado a historinha (ele era realmente muito bom naquilo),mas eu havia escrito a última placa e eu esperava que eles conseguissem ler. Minha letra era muito feia, ao contrário de mim.
A placa cobria o meu rosto. Como eu não podia vê-los com aquilo na minha cara, eu abaixei a cartolina e observei seus rostos. Lily estava vermelha, tentando não sorrir (o que ela não teve muito sucesso); Sirius estava sério, olhando para as placas e aquilo era bem preocupante.
Eu sorri. Aquele sorriso só tipo: tenho-quarenta-e-dois-dentes-superbrilhantes e Sirius me olhou.
– Cara, – disse ele – isso é muito... mariquinha. – Ele sorriu e veio correndo até a mim, me abraçando. As crianças gritaram em comemoração. – Ah, Potter! Eu o perdoo!
Ouvi a risada de Lily perto da gente e a olhei.
– Isso parece coisa de mariquinha – ela sorriu. – Bem vindo de volta, Potter – falou e deu as costas. E, naquela hora, eu percebi que aquele era o jeito de ela dizer que havia me perdoado.
Sirius a olhar voltar para sala e depois me olhou.
– O que foi isso? – perguntou. Eu sorri.
– SDCP – respondi e ele fez uma careta de compreensão.
– Sei como é... Isso é muito ruim e eu passei o braço no ombro do meu amigo, ainda sem parar de sorrir.
– Mas agora eu estou muito melhor – olhei para os meus alunos. – Aula livre! – gritei e eles gritaram de volta.
Notas finais
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