The Bet (JPLE)
33 Que vença o melhor
Notas iniciais
A semana de competições finalmente chegou. Eu só não sabia se isso era bom ou ruim... provavelmente ruim para mim, mas eu não queria pensar nisso. Não podia pensar em uma derrota; não agora.
A escola secundária Frank Longbottom estava sendo preparada para o primeiro dia de competição. Como boa professora que eu era, fui obrigada a ajudar na decoração; então, por dois dias, não pude treinar o meu time e nem ver Harry. Mas eu tinha certeza de que ele apareceria no dia do jogo.
Na mesma semana, fiquei sabendo que o jogo de basquete seria no mesmo dia da competição acadêmica que James iria coordenar. E isso era uma vantagem, pois eu não o veria fracassar e nem ele me veria fracassar. Melhor assim.
Eu estava andando para o ginásio, onde seria a competição do coral, quando uma mão me puxou para uma sala vazia. Na verdade, tudo estava deserto, pois todos estavam no ginásio, aguardando a competição iniciar.
Virei-me para gritar e, quando eu vi quem era, o grito ficou preso na minha garganta. James estava sorrindo, se divertindo à minha custa. Fechei a cara e me virei para sair dali e seguir o caminho que eu estava indo. Porém, senti duas mãos novamente em meu braço, fazendo-me girar e bater contra seu peito. Meu coração se acelerou ao olhá-lo.
– O que está fazendo, James? – perguntei, tentando esconder meu sorriso. – A competição já vai começar.
James tirou um dos seus braços de minha cintura e olhou em seu relógio de pulso.
– Temos... trinta minutos, ruiva – ele me olhou novamente, passando o braço pela minha cintura outra vez. – Relaxa.
– Então fala o que quer – pedi, passando os braços pela sua cintura.
– Quero ter certeza de que, quando você perder depois de amanhã, estaremos de bem – respondeu ele, passando os dedos pelo meu cabelo solto.
– E como você sabe que vai ganhar? – ergui uma das sobrancelhas, olhando-o.
– Sinto no fundo dos meus ossos – James sorriu, convencido. Balancei a cabeça e saí de seu abraço; mas, como ele era teimoso, não me deixou ir muito longe. – Para de drama, Lily, e se entregue para mim.
Eu soltei uma risada e balancei outra vez a cabeça.
– Entregue-se você a mim.
– Então você me quer?
– Não disse isso – desconversei. A verdade era que eu sempre o queria.
– Mas quis dizer. Qual o problema? Eu não tenho medo de dizer.
– O quê?
– Eu quero você.
– Aqui? – perguntei, surpresa.
– E agora – respondeu, segurando a base das minhas costas e me beijou.
Era uma droga quando ele me beijava daquele jeito. Eu parava de pensar no certo e no errado e me entregava abertamente (no sentido literal) para ele. Mas querem saber de algo? Eu estava pouco me importando para isso.
James segurava a base das minhas costas com a mão direita, enquanto a esquerda segurava a minha nuca. Sua língua pediu passagem e eu cedi, sentindo o contato com a minha, apreciando seu gosto. Ele andou comigo até me encostar na mesa do professor e me prensar ali. Ele sugou meu lábio inferior e eu gemi, sentindo-me totalmente extasiada. Com James era sempre assim: perfeito. Ele era realmente muito bom.
Suas mãos foram para meus ombros e desceram, logo depois, para o fecho do meu vestido, abrindo-o com delicadeza. Eu o empurrei para frente, desgrudando nossos lábios por alguns segundos. Virei-me de costas e deslizei o vestido, que caiu no chão com um baque surdo. Como aquele vestido não precisava de sutiã, eu estava apenas de calcinha. Eu o olhei, ainda de costas, e sorri. Quase não vi quando James me agarrou pelas costas, pressionando seu membro contra minhas nádegas. Estremeci de prazer com o contato.
James virou meu rosto e beijou-me outra vez, enquanto eu sentia seus dedos deslizarem na parte interna das minhas coxas e subir e subir, até chegar em um dos meus seios, cujo foi acariciado precisamente por sua mão macia e leve. Gemi e passei um dos braços por seu pescoço, ainda sem tirar meus lábios dos dele. A outra mão dele invadiu a parte mais íntima do meu corpo e acariciou com destreza. Eu ia acabar enlouquecendo.
Virei e comecei a tirar a roupa que ele usava, às vezes roçando de leve meus dedos em sua ereção. Ele suspirava e depois prendia a respiração. Eu o empurrei de volta para a mesa do professor e tirei sua cueca. Ele me olhou de forma faminta e sorria seu sorriso mais maroto. Mordi o lábio inferior ao olhá-lo nu. Era uma visão totalmente excitante. Eu o beijei e minha mão desceu até seu membro rijo e comecei a acariciá-lo. James soltava gemidos e eu os abafava com beijos.
Cansado de ser torturado, James tirou minha mão e me colocou na posicão inicial. Beijou meus lábios, sugando, mordendo, me enlouquecendo... então James abriu com leveza minhas pernas. Passou a língua na minha parte íntima e eu segurei sua cabeça, jogando a minha para trás, delirando. Puxei seus cabelos para cima e ele sorriu ao me olhar. Seus dedos novamente afastaram minhas coxas uma da outra e posicionou-se entre minhas pernas.
– Lily, eu... – James sussurrou ao me abraçar.
– Sim! – gemi e ele me penetrou. Arfei e senti que meu corpo estava sendo completado. Arranhei suas costas, enquanto ele investia com força e rapidez, sentindo-o mais fundo em mim.
James segurou minhas pernas e continuou seus movimentos, me deixando à beira da loucura. Eu o amava tanto! E quando fazíamos sexo, eu esquecia que ele não me amava e fingia que ele correspondia aos meus sentimentos.
Ele ainda estocava e minhas mãos desceram até suas nádegas e a apertaram. Ouvi o gemido de James, o que ele levou como estímulo. Eu não estava ligando se alguém nos escutaria ou se alguém poderia nos ver nessa situação comprometedora. Só sei que eu gritava por mais, pedia para que ele não parasse e fosse mais rápido.
Eu o ouvia dizer meu nome e eu também me ouvia o chamando. Não sei até quanto tempo ficamos assim, até que eu finalmente cheguei ao meu ápice. Senti aquela sensação forte e prazerosa, e logo depois James gozou também. Ficamos abraçados, ouvindo apenas nossas respirações aceleradas, até que nos acalmasse. Quando ele saiu de mim, eu ainda sentia as correntes elétricas pelo meu corpo.
– Eu nunca tinha feito isso na escola – falei, corando, enquanto ele me passava minha calcinha e depois o meu vestido.
James riu:
– Sabe que eu também não? – Ele vestiu a calça. – Mas foi ótimo!
– Sim, foi – meu rosto ficou ainda mais corado. James me olhou e parou de abotoar a camisa; veio até a mim e passou os dedos pelo meu rosto.
– Você fica linda corando.
De repente, me lembrei de um momento em que ele chamou meu nome, mas não como um gemido de prazer. Era quase uma... declaração?
– Jay, o que você ia me dizer naquela hora? – Talvez, se ele me contasse, nós poderíamos rasgar aquele contrato e mandar tudo para a pu...
– Que hora? – Ele perguntou, virando-se para vestir o casaco. Parecia que meu coração tinha despencado do meu peito.
Mordi o lábio e balancei a cabeça.
– Nada, não – disse eu, sentindo os meus olhos arderem. – James – respirei fundo –, fecha para mim?
Virei de costas e, segundos depois, senti seus dedos demorarem-se ao acariciar minha pele e depois fechar o vestido. Eu girei e o encarei. James parecia... ele mesmo. Nada de malícia nem expressão marota; apenas um sorriso nos lábios finos, porém precisos.
Por um momento, eu acreditei que James talvez me amasse. E era essa dúvida que eu manteria como esperança.
(...)
Enquanto íamos para o ginásio, eu e James parávamos para que eu ajeitasse meus cabelos ou passasse batom nos lábios ou calçasse os sapatos direito. Eu tive de pará-lo para abotoar a camisa dele corretamente (passando os dedos no seu peito definido, fazendo com que ele me beijasse) e fechando o zíper da sua calça.
Chegamos ao ginásio. Estava apinhado de gente; não só do colégio, como pais e mães e avós, professores e os diretores e algumas pessoas de fora que eu não sabia o por quê de estarem ali. Olhei para James e passei a mão em sua boca, para tirar a mancha do batom vermelho dali. Ele sorriu e passou a língua pelos lábios, como se tentasse sentir o gosto do meu batom. Sorri revirei os olhos.
Ele pegou a minha mão e caminhamos até nossos amigos. Até Dorcas estava ali, já que seria Remus a comandar o coral. Sorrimos para eles e James foi até Sirius, que estava conversando com Frank. Alice estava um pouco mais atrás, pois Florencio não podia ficar com os membros da escola. Eu achava legal que Alice tenha encontrado alguém igual a ela.
– Então... esse vestido desalinhado aí? – perguntou Lene assim que me viu. Ela tinha conseguido ficar conosco por causa de Sirius e Dorcas conseguiu porque... bem, porque ela era da polícia.
– Marlene! – eu corei absurdamente.
Minha amiga deu de ombros e riu maquiavelicamente para mim e cutucou Dorcas, que olhava para a multidão.
– Aí, Doe – Dorcas nos olhou. – Lily acabou de fazer sexo selvagem em uma das salas da escola.
– Queria entender como você consegue saber dessas coisas, Lene – disse Dorcas, balançando a cabeça. Lene revirou olhos.
– Simples: Lily está impregnada com o perfume de James; depois, o vestido não está no padrão Lily Evans; e... bem, sinto o cheiro de algo que não é o perfume dela nem dele. – Respondeu Lene e eu e Dorcas fizemos um barulho estranho com a boca.
– Lene, você é nojenta – dissemos eu e Dorcas em uníssono.
– Sou experiente, é diferente.
Olhei para Dorcas, que deu de ombros, rindo.
– Foi bom, pelo menos? – indagou Dorcas depois de alguns segundos. – Quebrar as regras?
Eu não ia responder, mas acabei por dizer que fora ótimo. Eu ainda podia sentir o calor que todo o corpo de James emitia. Ele transpirava sexualidade e sensualidade; era por isso que todas aquelas mulheres davam em cima dele.
Procurei-o com os olhos e o achei perto de Remus e Sirius. Entretanto, havia uma mulher (ela era professora também, mas eu nunca tinha reparado nela) de cabelos pretos, olhando para James com cobiça. Contei até dez e observei-a passar a mão no braço dele. James a olhou, falou alguma coisa e ela ficou o olhando, mas sem tirar a mão do braço dele.
Respirei fundo e disse à minhas amigas que eu já voltava. Elas já sabiam o que estava acontecendo, mas eu fingi que não. Ora, eu não podia ficar com ciúmes dele. Isso não era certo. Contudo, para um casal que se odeia, mas que agora faziam sexo semanalmente, nada me impedia de ir lá e esfregar na cara dela quem era que mandava.
Honestamente, não gostava disso. Mas era mais forte que eu. Ainda que ele não soubesse, eu tinha que cuidar do que era meu.
Parei às costas de James e depois continuei a andar, passando a mão pela sua cintura e fazendo-o me olhar, com um sorriso nos lábios. Ele pegou minha mão e me juntou ao seu corpo.
– Como está, Remus? – perguntei e ele me olhou, nervoso.
– Nervoso – respondeu, dando um sorriso amarelo. Eu sorri com confiança.
– Você vai se sair bem. Eu vi o quanto você se esforçou.
– Obrigado, Lily — ele sorriu, dessa vez, com mais animação. Ouvi Sirius bufar.
– A ela você escuta – reclamou Sirius. – Mas, quando eu falei isso, só faltou entrar em colapso.
Eu ri e olhei significativamente para a professora. Ela me olhou e seu braço pendeu ao lado do corpo; tentei não sorrir presunçosamente. James era tão cego e não viu que eu tomei o controle da situação.
– Tudo bem, querida? – provoquei.
– Não sabia que estavam juntos – ela respondeu, franzindo a testa. O som do riso de James reverberou pelo meu corpo.
– A gente está morando juntos tem um tempo. Era inevitável que nós não ficássemos juntos de alguma forma, Jean. – Ele informou. – Mas é sério que não viu? – A tal da Jean negou com a cabeça. James me olhou. – Acho que preciso exibi-la mais pela escola, Lírio.
Revirei os olhos e tentei não sorrir triunfante. Jean ficou surpresa e decepcionada; James Potter, o professor garanhão, estava junto de uma mulher. Uma mulher apenas. E James nunca ficava com uma mulher só.
Jean se afastou, pedindo licença, constrangida demais para falar mais alguma coisa. Eu sorri, finalmente, em triunfo e encarei meus amigos. Eu poderia deixar James naquela hora, mas seu abraço estava tão reconfortante e bom... eu realmente podia ficar ali o dia inteiro, que não me cansaria nem reclamaria.
– Se eu não a conhecesse bem, Lily, diria que você estava com ciúmes – provocou Sirius. Eu o olhei e vi que o cachorro ria maliciosamente; estreitei os olhos em ameaça silenciosa.
James virou o rosto para me encarar e eu tentei não ficar corada. Mas isso era algo que eu não conseguia controlar.
– Isso é verdade, Lily? – James perguntou e eu fingi que dar de ombros não queria dizer nada. Mas, para mim, queria dizer muito.
– A gente tem... feito sexo e você acha que vou deixá-lo se contaminar com outra mulher? Para depois vir até a mim? – fiz uma pausa. – Claro que não.
– Ou seja, ciúmes – rebateu James, sorrindo.
– Você que disse – dei de ombros mais uma vez. Eu nunca daria o braço à torcer.
Ficamos em silêncio e seu braço ainda estava na minha cintura. Então, a voz de Frank Longbottom foi ouvida pelo microfone e eu, James e Sirius prestamos atenção. Estava na hora e Remus já havia ido se reunir com a turma.
– Bom dia, senhoras e senhores – começou ele. Frank era bem bonito; cabelos castanhos e olhos da mesma cor, um corpo forte e alto, parecia ser muito simpático. – Como a maioria já sabem, todo ano fazemos competições para que os alunos tenham espírito esportivo e que saibam agir diante de uma competição. Hoje, será o coral que irá se apresentar. O professor Remus Lupin – aqui, foram ouvido os gritos de Dorcas se sobressaírem dos outros, fazendo Frank sorrir –, guiará a turma da quinta série e a professora Marie Jackson guiará a turma da quarta. Lembrando que este evento, essas competições, são amistosas. Nenhum aluno ganhará prêmios especiais, apenas medalhas. Agora, sem mais delongas, Remus Lupin e sua turma!
Eu e James trocamos olhares, mas James tinha um sorriso discreto nos lábios. Quando se tratava dos amigos, James era ele mesmo. Sem truques e sem provocações. E eu gostava disso nele.
Remus foi para a frente do palco improvisado e assentiu. A turma dele deu um sorriso nervoso e, então, começaram a cantar. E querem saber? Remus havia feito um ótimo trabalho com aquelas crianças.
Nós esperamos e a música começou a tocar. Eu estava admirada e nunca tinha visto James e Sirius tão orgulhosos do que agora. E eu amava isso neles. A amizade que os três construíram... era igual a minha com as meninas.
Espere! Oh sim, espere um minuto Senhor Carteiro.
Espere! Espere Senhor Carteiro
Senhor Carteiro, olhe e veja. (Oh sim)
Se há uma carta em sua bolsa para mim
Por favor, por favor Senhor Carteiro
Fiquei esperando por muito muito tempo
Desde que eu ouvi notícias da minha garota
Eu não acreditava que era aquela música que eles estavam cantando. Era contagiante e eu me peguei cantando junto com James e o resto do colégio.
Deve haver alguma palavra hoje
De minha namorada que está tão distante
Por favor, Senhor Carteiro, olhe e veja.
Se há uma carta, uma carta para mim.
Fiquei parado esperando aqui, Senhor Carteiro
Tão pacientemente, por apenas uma carta ou por apenas um cartão
Dizendo que ela está voltando para casa, para mim
Sorri e olhava para James, sentindo-me animada e encenando a música. Ele me observava e, de vez em quando, jogava a cabeça para trás para poder rir com as minhas gracinhas. Eu ainda sentia o seu perfume em minha pele; era delicioso e estimulante.
Eu dei a volta em seu corpo e fui parar ao lado de Sirius, cantando. O cachorro me pegou pela cintura e me balançou no ritmo. Nunca me senti assim em toda minha vida. Eu realmente estava vivendo. E com os homens que eu nunca imaginei que faria amizade.
Torcia para que aquilo nunca acabasse. Já não me imaginava sem eles. Sem nenhum deles.
Por favor, Senhor Carteiro
Senhor Carteiro, olhe e veja. (Oh sim)
Se há uma carta em sua bolsa para mim (Por favor, por favor Senhor Carteiro)
Fiquei esperando por muito muito tempo
Desde que eu ouvi notícias da minha garota
Você passou por mim por muitos dias
Veja as lágrimas que estão em meus olhos
Você não pára para me fazer sentir melhor
Deixando-me um cartão ou uma carta
As crianças cantavam bem. Claro, elas não eram profissionais, mas estavam bem para crianças que só treinaram por algumas semanas. Remus era bom nisso; eu nunca tinha reparado.
Sirius continuava a me balançar, rindo e, enquanto ele me girava, eu olhava para James. Ele sorri genuinamente para nós dois, sem nenhum ressentimento ou ciúmes em sua expressão, revelando que ele sabia e entendia que não havia (e nunca haverá) algum tipo de outro sentimento entre Sirius e eu além de uma amizade esquisita.
Pisquei em sua direção e James balançou a cabeça, sorrindo. Eu amava aquele sorriso. Era verdadeiro e contagiante; agora eu entendia o porquê das pessoas ficarem encantadas com James. Ele não se esforçava para que as pessoas gostassem dele. Ele era exibido? Sim. Ele era implicante? Sim. Mas quando era ele mesmo... as pessoas gostavam dele de graça.
Sirius me girou outra vez e eu estava começando a achar que ele estava tentando me deixar tonta.
Senhor Carteiro, olhe e veja. (Oh sim)
Se há uma carta para mim
Fiquei esperando por muito muito tempo
Desde que eu ouvi notícias da minha garota
Você tem que esperar um minuto, um minuto
Espere um minuto, um minuto
Confira e veja, mais uma vez para mim.
O cachorro, de repente, me mandou diretamente para os braços de melhor amigo, fazendo-me chocar contra o peito de James. Levantei meu olhar e James sorria. Eu estava começando a achar que ele teria uma paralisia na bochecha, de tanto que ele sorria. Mas eu gostava assim.
Você tem que esperar um minuto, um minuto
Você tem que esperar um minuto, um minuto
Senhor Carteiro, oh sim
Entregue a carta, o mais rápido melhor
A música estava no fim e o coro estava fazendo um ótimo trabalho. Desviei meu olhar do de James para olhar Dorcas, sorrindo, orgulhosa. Ela transbordava amor por Remus e aquilo me deixava feliz.
Voltei a olhar para a pessoa que eu amava, tentando saber se ele correspondia. Entretanto, eu nunca conseguia saber o que ele escondia por trás daqueles óculos. Talvez, eu nunca saberia.
Você tem que esperar um minuto, um minuto
Espere um minuto, um minuto
Você tem que esperar um minuto, um minuto
Espere um minuto, um minuto
A música acabou e Remus ajudou as crianças a alcançarem a última nota. Todos aplaudiram com entusiasmo e Remus virou-se para a plateia com o rosto pegando fogo, agradecendo.
Ele e as crianças saíram do palco improvisado, vindo em nossa direção. Dorcas pulou no pescoço dele, beijando todo o rosto e onde conseguia alcançar. Nós sorrimos, orgulhosos para o nosso amigo.
– Sério, Dorcas, pode largar o Remus um pouquinho? – pediu Sirius. – Ele é meu namorado primeiro. Tenho direitos.
– Pensei que eu fosse o seu namorado, Almofadas – reclamou James, ainda me abraçando. Eu, Lene e Dorcas rimos.
– Acalmem-se, queridos – disse Remus, abrindo os braços. – Tem Remus para todo mundo.
Rimos bastante e todos nós o abraçamos, parabenizando-o pelo trabalho incrível que fizera. Ele ficou bem corado, mas sorria para todos.
Quando aquela tarde de competição acabou, James levou-nos para minha casa em seu carro, em silêncio. Assim que estacionou, ele me olhou.
– Sexta é o nosso dia, lírio. Que vença o melhor.
(…)
Sexta chegou e eu estava nervosa. Quando James estacionou em uma das vagas para os professores. Nós dois não dissemos nada para provocar o outro e nos separamos. Ele foi para o auditório e eu fui para o ginásio.
Dorcas estava ali com Harry. Eu sorri, feliz por saber que ele queria me ver brincar em ser uma professora de Educação Física. Eu acenei e minha turma entrou logo atrás de mim. Eles ficaram perto do aro e eu fui até Dorcas e Harry.
Sirius apareceu assim que eu abracei Harry. Lene e ele disseram que tinha de haver alguém como testemunha, sem que nenhum mentisse. Por isso, Sirius havia ficado comigo e Remus com James, para que não ocorresse o risco de Sirius roubar para ele.
Alice Potter foi para o meio da quadra, e os poucos espectadores que estavam ali ficaram quietos enquanto ela dizia as regras e apresentava os times. Eu não ouvia nada do que ela dizia, sinceramente. Eu só despertei quando Alice disse o meu nome. Eu sorri e acenei para quem estava ali.
Meu olhar procurou o de Harry e, quando eu o achei, ele movimentou os lábios em um "Você vai se sair bem. Sabe que consegue." Não sei se aquilo funcionou, mas assenti mesmo assim.
Eu não estava preocupada com a aposta no fim das contas. Eu estava com medo de fazê-los perder; de não ser uma boa treinadora, como James certamente o era. Mas tentei não me prender tanto a esse pensamento. Eu deveria focar nos meus alunos, que depositaram fé em mim e esperavam que eu os guiasse até a vitória.
Eu tentava ser confiante assim. Mas não dava.
Sirius tentou ser o juiz, mas Alice nem deixou que a possibilidade acontecesse, já que ele poderia roubar para mim. O que eu, sinceramente, não duvidava. Com Sirius era assim: se James não estivesse com ele, Sirius ajudaria o amigo mais próximo, não importava com o quê. Se era para roubar em um jogo, ele faria mais além do que roubar.
Então o apito soou e eu despertei. Meus alunos se espalharam nas posições corretas e eu fui andando pela quadra, os observando. Eles escolheram o lado em que queriam ficar e logo depois o juiz jogou a bola de basquete para o alto e Victor Parkison, do meu time, pulou, alcançando a bola para o nosso lado.
Eles correram pela quadra, e eu gritava alguma coisa aqui, outra ali, acompanhando-os no mesmo ritmo. Gritei para Maya Colton não andar com a bola, que passasse para o coleguinha do time.
Nosso time foi o primeiro a marcar ponto. Ouvi as comemorações de Sirius e Dorcas. Eu sorri, mas não olhei para eles, senão perderia a concentração. Mas no meio do primeiro tempo, o outro time marcou dois pontos, de modo que o placar ficou: 03x08. Quase entrei em pânico. Já havia tido três faltas e eu estava começando a achar que eu iria perder aquela aposta e a confiança dos meus alunos.
Então eu pedi tempo e os reuni perto de mim. Eles estavam agitados e eu penei para ter a atenção deles. Portanto, eu fiz a coisa mais sábia de todas:
– CALADOS! – Eles pararam e me olharam, como se estivessem me vendo pela primeira vez. – Nós vamos conseguir sair dessa. Eu não treinei vocês para perderem desse jeito. Faltam três minutos para terminar o jogo, eu sei que dá para conseguir virar esse placar. Tudo bem?
– Professora, aquele tal de Hanson não saí da minha cola – reclamou Jonathan Lopez. – E esse idiota é gigante!
Eu olhei para o Harry e ele ergueu o polegar. Não sei como ele ainda tinha fé em mim. Balancei a cabeça.
– Ok – eu olhei para cada um deles, pensando. – George, você protege Jonathan. Troque de lugar com Kate. – Eles assentiram. – Agora voltem lá e mostrem para o que vieram fazer!
Bati palmas e eles sorriram, pulando e voltando para a quadra. O juíz soou o apito mais uma vez e vi que meus alunos foram mais motivados para a quadra, e a mudança que eu fizera nas posições entre Kate e George deu certo. O Hanson não conseguia chegar perto de Jonathan, que era um dos melhores jogadores do time.
Eu acompanhei os passes, os movimentos, chamando atenção de algum deles vez ou outra, quando Luccas Jonhoson marcou ponto fora do garrafão, valendo três pontos. Comemorei, pois faltavam dois pontos para alcançar o placar do outro time. E ainda tínhamos dois minutos de jogo.
Gritei mais incentivos e eles pareciam me ouvir, pois marcaram mais dois pontos seguidos, conseguindo ficar empatados com o outro time. Eu estava eufórica. Eu ganharia aquela aposta e Sirius parecia estar vibrando por saber que veria James Potter de empregada. E eu estava vibrando porque eu conseguira fazer algo que eu nunca imaginara. E porque meus alunos estavam se saindo bem.
Então houve a falta mais absurda do mundo. Um garoto do outro time empurrou com força total Gregg Jekins no chão. Ele escorregou com força e eu olhei para o tempo; 55 segundos para acabar o jogo e nós ainda estávamos empatados. Fui até Gregg e o ajudei a levantar, perguntando se ele estava bem. Ele respondeu que sim e foi até o juíz, para cobrar a falta.
Eu estava aflita. Essa seria a nossa última chance. Se ele não fizesse aquele ponto, eu perderia a aposta. Mas eu não perderia o que aprendera. Apesar de pensar na aposta, eu pensava nos meus alunos. Em como eles confiaram em mim, ainda que no início tivessem certas dúvidas. Eu os trouxera até ali. Eu os fizera quase ganhar, se Gregg errasse. E eu estava orgulhosa deles.
Gregg quicou a bola no chão algumas vezes e eu olhei para Sirius, Dorcas e Harry, que também pareciam nervosos e entretidos com o jogo que eu achava que não seria emocionante. Voltei a olhar para Gregg e o juíz apitou, sinalizando que ele podia jogar. Olhei para o relógio. 30 segundos. Gregg flexionou os joelhos. 20 segundos. Gregg levou a bola acima da cabeça, do jeito que eu ensinara depois de saber por Harry. 10 segundos. Greeg arremessou a bola. 5 segundos. A bola bateu no aro da cesta. 3 segundos. E a bola finalmente entrou na cesta.
O relógio parou e depois disso eu não ouvi mais nada. Apenas Sirius, Dorcas, Harry e toda a minha turma vieram para cima de mim. Eu gritava, comemorava, quase chorava. E quase ficava surda.
Na hora, eu pensei em James. Será que ele conseguira? Será que ele perdera? Qual de nós dois vestiria um uniforme de empregada? Bem, não tinha como saber. Eu apenas sabia que eu tinha ganhado o dia só por ver o orgulho nos olhos de meus alunos.
Quando eu pude, puxei Harry para um abraço e segurei seu rosto de um jeito maternal:
– Obrigada, Harry – agradeci e ele sorriu, feliz. – Sério, você foi... ótimo.
– Que isso, Lily – Harry desperdiçou o meu pedi de agradecimento com um abraço. – Você que foi ótima.
Eu o afastei e analisei seu rosto. Ele era um garoto bonito e com talento. Mordi o lábio, prometendo a mim mesma que o recompensaria. Harry era bom demais para não ter seu merecido reconhecimento (não apenas porque eu iria colocar o nome do meu filho igual ao dele).
– Vou lhe recompensar, prometo. – Harry abriu a boca para dizer que não precisava e eu o interrompi antes que falasse: – Não me obrigue a lhe dar um sermão por causa disso agora. – Ele riu. – Você é um ótimo garoto.
– Obrigado, Lily. – E me abraçou mais uma vez.
Assim que todos se acalmaram, eu, meus amigos e meus alunos ficamos na quadra, apreciando o gosto da vitória daquele dia. Eu não sabia se nós iríamos ganhar na final. Mas sabia que eu tinha ganhado o melhor dia da minha vida. Eu estava feliz. E, se eu tivesse de vestir um uniforme para pagar essa aposta, eu o faria com um sorriso. Porque tinha valido a pena cada segundo.
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