The Bet (JPLE)
11 Perigo: Dia do Vermelho
Notas iniciais
Por James Potter
Eu estava vestindo, como ela mandara, a camisa, quando eu a ouvi gritar do andar debaixo. Era um grito de raiva e eu soube imediatamente o por quê de ela estar berrando daquele jeito. E eu sabia que estava lascado. Eu ia comer o pão que o diabo amassou.
Como todos os homens nesse mundo sabem, mulheres têm problema sério com quartos desarrumados e, principalmente, com banheiros. Infelizmente, eu havia feito a asneira de deixar o banheiro todo bagunçado e com a tampa da privada levantada. Quando eu ia aprender que eu não estava mais na minha casa?
Fiz uma careta ao ouvir seus passos se aproximando. Eu estava terminando de vestir a minha calça quando Lílian apareceu com o rosto vermelho. Ela ficava tão linda com raiva! Isso é sinônimo de que ela se importava comigo, certo?
Eu sorri e disse:
– É melhor soltar o ar, Evans. Tá ficando roxa.
Ela me encarou com aqueles olhos perfeitamente verdes. Deus, dai-me forças para eu não agarrá-la ali mesmo! Eu não podia perder aquela aposta. Não quando...
– O que você fez com o meu BANHEIRO? – Ela gritou, fazendo-me sair de meus devaneios e olhá-la com atenção. Sem esperar a resposta, ela gritou ainda mais – Eu vou até o banheiro e o encontro todo BAGUNÇADO! COMO VOCÊ FEZ AQUILO? SABE QUEM VAI LIMPAR TUDO QUANDO VOLTAR? EU!
E, então, ela chorou. Sabe, chorou de verdade. Com lágrimas e tudo. E eu não sabia o que fazer; nunca fui de consolar as mulheres. Nem quando Alice chorava eu conseguia fazer alguma coisa.
Contudo, ela ainda chorava e eu tinha de falar alguma coisa. Ou pelo menos demonstrar alguma reação. Portanto fui até ela.
Assim que eu toquei seus cabelos, Lily me repeliu, dando um tapa em minha mão. Eu a olhei resignado e surpreso ao mesmo tempo. Que mulher estranha! Eu tento ajudá-la e ela me bate!
– Não toque em mim, Potter! – E limpou as lágrimas dos olhos sem me olhar.
– Você começa a chorar do nada, eu tento consolar-te e você vem com cem pedras na mão? – perguntei incrédulo, pegando minhas coisa.
Ela saiu de perto de mim e foi buscar a própria bolsa. Eu a esperei no mesmo lugar, com os braços cruzados e com as chaves do carro nas mãos. Quando ela voltou, passou direto por mim desceu as escadas. Sem nem ao menos me olhar. Coloquei a mão na testa e a segui.
Meu carro estava parado em frente à casa dela. Lily me esperava com as coisas dela nas mão. Depois que passei pela porta, ela a trancou e seguiu em frente. Seguiu sem falar comigo. Revirei os olhos e fui atrás dela. Quando a alcancei, segurei seu braço. Ela girou e me olhou.
– Está indo aonde, Evans? – indaguei com um quê de irritação na voz. Lily ergueu uma das sobrancelhas.
– Para onde mais eu iria, Potter? Para a escola – respondeu ela também irritada.
– Eu tenho carro, Lily – falei balançando a cabeça.
– É Evans para você, Potter – retrucou ela, me fazendo recuar, surpreso. – E, além do mais, o ponto de ônibus fica bem ali na frente.
Eu a soltei e bufei. Apontei para o ponto de ônibus e disse:
– Então vai lá! – E dei as costas, me afastando dela. – Ah – virei a cabeça para trás –, não se esqueça de voltar e pegar seu guarda-chuva!
Balancei a cabeça e entrei no carro. Quando eu ia pisar no acelerador, a figura de Lílian apareceu e bateu no vidro. Eu ri e abri a porta para que ela entrasse.
Ela sentou-se no banco do carona e, sem olhara para mim, disse:
– Obrigada.
– Deu sorte de eu ser legal e não lhe deixar a pé na chuva – falei, já com o carro em movimento. Revirei os olhos e mais nada falei.
Ficamos em silêncio a viagem toda. De vez em quando, eu lançava uns olhares a ela, esperando que explodisse. Mas Lily manteve-se calada o tempo todo desde que me agradecera e foi aí que eu comecei a pensar... Meu Deus, como eu me dei mal nessa! Choros à toa, surtos de personalidade, gritaria por coisas fúteis...
Eu estava na zona de perigo: hoje era o dia em que todos os homens na face da Terra temiam. E os que ainda não presenciaram deveriam temer mesmo sem conhecer. Hoje era o dia do que eu chamo de “Sinal Vermelho”. Para aqueles que pouco entendem sobre o “Sinal Vermelho”, irei explicar: tensão pré menstrual. Eu sabia disso, pois passei mais da metade da minha vida com duas mulheres, passando por isso todo santo mês. Se nesse período elas não fossem tão... assassinas, eu teria pena delas.
Só que, com a Lily nessa fase, seria pior do que aturar duas mulheres juntas. Sério. Eu adorava a Lily, mas ela seria pior do que um monstro. Se ela era daquele jeito amigável no dia a dia, não queria imaginá-la ne TPM; já que ela parecia estar constantemente de mau humor. Bem, pelo menos comigo e com Sirius. É... hoje seria difícil.
Finalmente, estacionei em uma das vagas destinadas aos professores. Durante a viagem, eu a vi balançar as pernas. Mordi o lábio inferior ao ver que ela usava saia. Ela saiu mais do que depressa do carro, sem ao menos me esperar. Revirei os olhos e saí logo depois. O tranquei e me dirigi para a escola, balançando a cabeça.
Consegui alcançá-la antes que sumisse. Lily me olhou, mas nada falou. Seus olhos eram tão verdes e hipnotizantes e eu poderia fitá-los o dia inteiro. Quando ela me olhava, eu podia me ver e eu sabia que ela estava me vendo. Mas eu sabia que aquilo nunca iria acontecer, a não ser que ela desistisse da aposta.
– Foi impressão minha, ou vocês vieram juntos no mesmo carro? – A voz da minha irmã veio detrás de mim.
Nos viramos e Alice nos encarava com uma das sobrancelhas erguidas, de braços cruzados. Dei um sorrisinho e Alice não deixou-se levar.
– O que está acontecendo entre vocês? – Ela estreitou os olhos e depois os arregalou. – Vocês estão juntos?!
– Não! – gritou Lily. – Claro que não!
– Então o que está acontecendo? – Alice nos olhou. Eu a conhecia muito bem e sabia que ela não desistiria tão fácil.
– Pergunte ao seu querido irmão. – Respondeu Lily. – Agora, se me derem licença, vou para minha sala.
Ela saiu, me deixando sozinho com Alice. Se eu contasse para ela, eu sobreviveria? Talvez sim.
– Vai me dizer? – pressionou Alice, batendo os pés no chão. Suspirei e me rendi.
– Eu estou morando com a Lily – falei depressa.
Se Alice estivesse bebendo alguma coisa, agora seria o momento em que ela cuspiria tudo, jogando jatos de líquido em meu rosto. Pois, a cara que ela faz dizia que o desejo dela era fazer aquilo. Tentei sorri para amenizar a situação.
Às vezes, parecia que Alice era a mais velha da família. Ela era muito mais responsável e eu era o atentado. Contudo, ela não levava a responsabilidade aos extremos, como certas pessoas orgulhosas.
– Você o quê?! – gritou Alice alarmada.
– Mas eu não estou namorando com ela – expliquei para me defender. – É só uma aposta que fizemos. Não se exalte.
– Você é maluco, James?
– Er... não – sorri.
– Isso não vai dar certo...
– Vai, sim. Te amo e tenho que trabalhar, não é – interrompi, já dando a volta e indo para a sala dos professores. – Vejo você depois – e mandei um beijo.
(…)
– Oi, amor – eu olhei para o Sirius. Como eu já havia dito, nas horas vagas eu e ele tínhamos um caso.
Brincadeira. Eu era muito macho. E meu coração era apenas de uma mulher; só não vou dizer qual.
– Oi, linda – falei e o bobão riu, sentando-se ao meu lado.
– Pontas, eu vi sua mulher segurando a saliva para não dar uma detenção para um aluno – ele ria, cretino. – Aquela mulher vai pegar fogo qualquer dia desses. Desculpe, esqueci que ela era sua esposa.
Revirei os olhos e o olhei.
– Ela está no “Dia do Vermelho” – respondi.
– Ah, já a está defendendo? – Ele fingiu estar emocionado, me deixando irritado.
– Não ouviu o que eu falei, não? – perguntei com rispidez.
– Claro que eu ouvi. Mas lamento, cara, eu saí de casa muito cedo para presenciar os ataques de sua querida irmã – disse o exibido, rindo.
Quando eu ia rebater, a porta foi aberta e a primeira coisa que eu vi foi os cabelos flamejantes de Lílian adentrando a sala. Ela parou e cruzou os braços.
– O quê? – perguntei com cautela.
– Você vai me levar para casa? – Ela foi direta. Eu ergui uma das sobrancelhas.
– Vou – respondi lentamente.
– Pode ser agora?
Tirei os óculos e segurei a ponte do nariz, logo depois passando a mão no rosto. Suspirei e recoloquei os óculos.
– Claro, querida – falei com um sorriso malicioso.
– Guarde suas gracinhas para a mulher que ache alguma graça em você – respondeu ela com frieza.
– Continue com a malcriação, que o papai aqui lhe deixa a pé – disse eu com um sorriso.
– Ok. Eu vou a pé, então – ela se virou para a porta e saiu.
Sirius me encarava com a boca a berta, impressionado. Quando ele ia abrir a boca, eu ergui o dedo indicador e ele logo a fechou.
– Três, dois... um... – sussurrei e a porta novamente abriu-se, revelando uma Lily com cara de quem chupou limão e não gostou. Sorri mais uma vez e provoquei. – Mudou de ideia?
– Rá, rá. Conseguiu o que queria – resmungou ela. – Agora pode me levar para casa?
– Posso, amor – falei e ri ao vê-la trincar os dentes. Levantei-me e peguei minhas coisas. – Tchau, Almofadinhas.
– Tchau, veado – disse ele me olhando, sabendo que eu ia retrucar.
– É cervo, Sirius! – gritei antes de bater a porta na cara dele enquanto eu havia sua risada de cachorro.
Lily me seguiu e parou na entrada da escola, pois estava chovendo. Como eu havia previsto. E o motivo dela volta e mudar de ideia.
Fui pegar o carro, me molhando todo por sinal, e parei em frente a entrada para que ela pudesse entrar sem se molhar tanto. Fomos em silêncio para casa e, quando finalmente chegamos, ela saiu e eu a imitei. Ela abriu a porta da casa e eu já entrar, quando ela colocou a mão no meu peito, para me impedir.
Por um instante fugaz, pensei que ela me deixaria do lado de fora. Porém, meu medo foi extinguido ao ouvir suas palavras:
– Se pensa que vai entrar todo molhado na minha casa, está enganado. Espere um segundo que eu vou lhe trazer uma toalha que não esteja molhada.
Ela sumiu de vista para pegar a toalha enquanto eu esperava do lado de fora, começando a sentir frio. Provavelmente, quando ela chegasse aqui, ela me encontraria em um bloco de gelo.
Vi sua sombra se aproximando da porta e agradeci a Deus por isso. O vento estava cortante e a chuva parecia não querer cessar. Ela jogou a toalha e eu me enxuguei; tirei meus sapatos e pude entrar na casa quente e aconchegante de Lily.
Não falei nada e percebi que ela me olhava. Ergui uma das sobrancelhas e ela suspirou.
– Hã... – parecia que ela estava em conflito interno, então eu esperei. Para minha surpresa, de novo, ela começou a chorar. Encurtou o espaço que havia entre nós e me abraçou. Isso mesmo que você leu, me abraçou!
Envolvi os meus braços em sua cintura e a puxei mais para mim. Era tão bom senti-la em contato com a minha pele, senti-la em meus braços... Se concentre James. Não perca essa aposta, não perca essa aposta, não perca essa...
Lily, cedo demais, separou-se de mim e limpou os olhos.
– Me desculpe por hoje... Eu não estou nos meus melhores dias – explicou Lily. – Boa noite, Potter.
Ela se encaminhou para as escadas e logo depois as subiu correndo,se trancando no quarto em seguida.
– Boa noite, Lily – sussurrei.
Agora, se o “Dia do Vermelho” fora bom ou não, eu não sabia dizer. Apenas que foi a melhor sensação que tive em tê-la em meus braços.
Notas finais
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