The Bet (JPLE)
39 Eu aceito
Notas iniciais
— Você acha que eu vou ser um bom pai? — perguntou James, num sussurro.
— Vai, sim. – Respondi com um sorriso e no mesmo tom de voz, porém, cheia de certeza. O que era sem sentido, pois só estávamos eu e ele em casa.
— Como pode saber? – ele levantou o olhar para me ver. Realmente tinha dúvida em seus olhos.
— Além da minha incrível capacidade de sentir? – James assentiu e eu balancei a cabeça, suspirando logo em seguida. – Houve uma vez, naquela excursão, quando achamos Matt num quiosque de comida... você o pegou no colo, desesperado, e o abraçou, sentindo um alívio imenso. Foi aí que eu percebi que, se tivesse um filho, você seria um ótimo pai.
— Mas eu sou irresponsável. E Matt não é o meu filho – pontuou ele, ainda parecendo temeroso.
— Mas você criou uma relação com ele, que, quando ele ligou da escola naquele dia, nem eu nem você verificamos se era mentira. A verdade é que nós nos importamos demais com Matt. E com o nosso filho não será diferente. – Expliquei e James continuou a me olhar. – Você pode ser uma peste quando quer, mas saber pôr ordem. Nosso filho ou filha terá um ótimo pai.
James ficou em silêncio, ponderando sobre o que eu havia acabado de dizer. Ele tinha voltado para minha casa e estávamos deitados em minha cama de casal. Eu estava com a cabeça apoiada em seu peito, enquanto um dos seus braços estava em torno de mim e uma das suas mãos acariciava a minha barriga.
— Obrigado, Lily. – Disse, por fim.
— Pelo o quê? – franzi a testa.
— Por me amar – respondeu ele e depois soltou uma risada. – Credo, isso é tão piegas. Mas é o que eu sinto. Desculpe por fazer você passar por tudo aquilo...
— Se não tivesse o feito... não, eu o teria notado de uma forma ou de outra – falei e ele riu outra vez; eu acompanhei. – E você teria dado um outro jeito especial. Era para nós ficarmos juntos, James... é estranho, mas nós teríamos ficado juntos com ou sem aposta. Eu sinto isso.
— Não apenas em sua barriga, né? – James me lançou um olhar divertido.
— É – eu sorri.
— Desde a primeira vez que eu te vi, senti isso. Mas você era tão desligada! – exclamou ele, magoado. – E não me via, não importava o que eu fizesse. Só via o seboso, vai entender.
Balancei a cabeça e me ajeitei na cama, para poder pegar o rosto dele em minhas mãos.
— Eu ter parado na mesma escola que você, não foi uma coincidência. Creio que foi o destino... – respondi, seriamente. – E devo confessar que, quando você me deu aquele susto e quando eu te vi, eu achei você a pessoa mais bonita que eu já tinha visto. Meu coração até acelerou.
— Meu coração se acelera quando eu me vejo no espelho e quando eu te vejo – disse ele e eu ri, balançando a cabeça. – Eu sempre amei você, Lírio.
— Eu acho que sempre te amei também... só não sabia. Precisei de uma aposta ridícula para enxergar. – Dei um sorriso significativo.
— Eu estou feliz, Lily. – E pousou a mão na minha barriga.
— Eu também. – Respondi. – Eu também.
(...)
E agora eu me olhava no espelho. Nem parecia que eu estava de quatro meses! Meu vestido branco, simples, descia em cascatas pelo meu corpo, disfarçando minha barriga. Dorcas e Lene pareciam tão emocionadas quanto eu.
Gostaria de poder dizer que eu aceitara aquele pedido da primeira vez que James o fizera. Não. Eu o enrolei o máximo que eu pude, de propósito. Porque era óbvio que eu queria vê-lo se desgastar o máximo possível pelas semanas em que ele não quisera me ouvir. Não que eu tenha dito isso a ele.
Mas devo dizer que o pedido que me fez aceitar realmente mereceu meu sim, finalmente. Era fim de ano na escola e sempre tinha uma apresentação antes do baile de formatura. James sempre tivera uma enorme criatividade, como no dia em que ele me pedira desculpas por ser um idiota – mas, que na realidade, não passava de um mal entendido. E ele usou essa habilidade para me pedir em casamento, usando meu ponto fraco: meus alunos.
Como sempre, eu chegava antes de todos para ajudar e para ver o que faltava na decoração. Mas tudo estava escuro e sem ninguém pelo salão. Eu já estava surtando, quando um holofote acendeu-se em meu rosto. Levei um susto, o bebê se mexeu em minha barriga. Pousei a mão na barriga, tentando acalmar a mim e ao meu filho. Olhei para os lados, mas nada.
— Tá legal, isso não tem graça – murmurei e caminhei em direção ao holofote, a fim de desligá-lo. Mas algo atrás de mim, uma risadinha, me fez virar. Aquilo estava é me assustando.
Voltei a olhar para frente e, no fim do salão, tinha uma figura alta e máscula parada, com um microfone nas mãos. Eu conhecia aqueles cabelos de longe. Eles nunca ficariam arrumados – e nem queria que eles ficassem.
Caminhei lentamente até onde ele estava, olhando-o desconfiada.
— O que é isso, James? – perguntei, minha voz fazendo eco. Então, as luzes que deveriam já estar acesas, iluminaram todo o salão. E eu perdi o fôlego.
Os nossos alunos, já vestidos para o baile que aconteceria dali a pouco, balançavam-se com uma música de fundo lenta, segurando cada um uma letra das frases: "Professora Lily, por favor, aceita logo o pedido de casamento do professor Potter. Nós queremos nos formar!", enquanto o resto dos alunos cantavam uma melodia que eu não conhecia.
Logo depois, Sirius e Remus apareceram, junto com as duas Alice e Frank Longbottom. Eu ri e balancei a cabeça para ele, ainda não acreditando.
— Lily – James me chamou e eu o olhei. – Pela trigésima vez, quer se casar comigo?
Claro que eu queria me casar com ele. E, depois de tudo aquilo, dizer não seria uma grande idiotice minha. Afinal, meus alunos queriam se formar.
— Sim! – todos gritaram em comemoração. Eu ri mais. – Vamos, nossos alunos têm que se formar!
Eu sorri para mim mesma no espelho. Eu estava bonita e tudo a minha volta estava colorido. O amor nos faz ver coisas. A porta foi aberta e Marlene e Dorcas entraram. Eu olhei para elas pelo espelho.
— Vamos?
— Sim – respondi, sorrindo.
Nós não nos casamos em uma igreja. Achamos mais bonito e melhor nos casar no quintal maravilhoso da casa dos pais de James. Era primavera, então tudo estava lindo. As árvores estavam verdes e balançavam com a brisa gelada da montanha, arbustos cheios de flores coloridas acompanhavam o caminho de pedras até onde o altar fora montado. Lene havia prendido fitas decorativas, com aquelas lanternas estilo japonesas para quando ficasse de noite.
Quando saí da casa, Lene e Dorcas foram na frente, junto de Sirius e Remus. Eu ia entrar sozinha, porque não tinha pai, mas, de repente o pai de James estava ao meu lado, sorrindo para mim. Ele me ofereceu o braço e eu aceitei, sorrindo ainda mais. Estava me controlando para não chorar e estragar bela maquiagem.
Então a música começou e eu e Charlus Potter me guiou até o altar que os pais de James mandara fazer. E James me esperava em cima dele.
Era a visão mais bonita que eu já havia apreciado. James estava de terno e gravata, seus cabelos estavam bagunçados (eu percebi que estavam um pouco duros e vi que tentaram colocar os cabelos dele para trás com gel), como sempre e, para completar, ele me olhava. Era a mesma expressão de admiração que ele me dera quando me vira pela primeira vez. E era tudo o que eu precisava.
Quando eu cheguei até o altar, Charlus entregou a minha mão para James e eu subi com um sorriso incrível no rosto. Eu nem sabia se a minha bochecha estava doendo de tanto sorrir.
O juiz de paz começou a dizer o que tinha de dizer e, então, chegou na parte em que devíamos falar nossos votos. Eu quis ir primeiro.
— Se me dissessem alguns meses atrás, que eu estaria com James Potter em cima de um altar, eu teria pensado em duas coisas: rir até chorar e depois me matar – comecei e todos riram. Mas eu olhava para James e o meu sorriso era dirigido apenas para ele. – Mas agora eu vejo que nós damos certo. Que eu e você somos o certo um para o outro. É estranho, porque eu e você somos diferentes ao extremo. Então talvez seja por isso que conseguimos ser tão... perfeitos. – Ele riu e eu também. – E pensar que só estamos juntos por causa de uma aposta... e quer saber? Eu não me arrependo nem de um segundo. E eu realmente desejo ter percebido enquanto ainda éramos jovens. Mas talvez assim tenha sido melhor. Eu quero que saiba que eu amo você – completei, passando a mão em minha barriga. – Nós amamos você. Agora, é isso que importa.
James sorriu e, segurando minhas mãos nas suas, disse seus votos:
— Tem pessoas que se perguntam como alguém pode amar uma pessoa por tanto tempo? Como não acaba a paixão, como não acaba o encanto... bem, talvez não haja explicação. Eu não sei se acredito em amor à primeira vista, porque eu não me apaixonei por você de repente. Venho te amado por muito tempo? Sim. Mas quando eu conheci você de verdade... nossa, foi algo muito forte. – Ele fez uma pausa. – É estranho, porque você demorou muito tempo para me amar. Talvez tenha sido o meu incrível senso de humor – eu ri e balancei a cabeça. – Entretanto, mesmo entre todas as nossas discussões, toalhas espalhadas pela casa e brigas... só fizeram com que eu a amasse mais. Estou tão feliz que possamos crescer juntos, sermos uma família. Ah, Lily Evans. Eu amo você e amo a nossa bebê – eu ergui uma das sobrancelhas. – Tenho uma coisa para você. – Ele largou minhas mãos por alguns segundo e mexeu no bolso do terno. Quando voltou, em suas mãos estava a minha pulseira. Um dos grandes motivos de eu ter aceitado a aposta... e ele guardara todo aquele tempo! – Eu jamais daria essa pulseira para alguém, lírio – James pegou o meu pulso e o girou, para colocar a pulseira. – Ela sempre esteve comigo, como uma lembrança. Mas agora não preciso, pois você está comigo.
Eu sorri entre lágrimas de emoção. O juiz disse mais algumas palavras, James colocou a aliança em meu dedo e logo depois eu coloquei a dele em seu dedo.
— Pode beijar a noiva.
Eu olhei para o meu marido, sorrindo. Ele tinha um sorriso genuíno nos lábios e era lindo de se ver. Então James me puxou pela cintura e finalmente beijou a noiva.
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