The Bet (JPLE)
32 Dias de treinamento
Notas iniciais
Eu olhava de longe Remus treinar – da melhor maneira que encontrou – aquelas crianças. James e eu acompanhamos a jornada de nosso amigo, vendo-o pesquisar sobre orquestras e corais, tentando achar alguma coisa que fizesse aquela turma saber cantar alguma coisa.
Ouvi passos e olhei para trás, vendo que Sirius vinha tranquilamente até a mim. Voltei a observar Remus treinando as crianças; pelo o que eu vi essa última semana, eles vinham progredindo... falando nisso, James não deixava eu ver o "treinamento" que estava fazendo para o dia da competição e isso me deixava curiosa. Mas ele não me deixava chegar perto. Não seria fácil ganhar dele assim.
– Achei que estivesse no ginásio – disse Sirius, com as mãos nos bolsos.
– James está lá. – Eu o olhei. – Se ele não me deixa ver o que ele está fazendo, não deixarei que ele veja o que eu estou treinando com as crianças.
– E o que você está treinando? – perguntou ele, divertido. Eu o olhei mais uma vez, desconfiada.
– E eu deveria? Você é amigo do inimigo – respondi e ele riu.
– Você guarda meu segredo até hoje. Devo algo a você – Sirius falou, olhando para o amigo. – E, além disso, eu quero muito ver James de uniforme de empregada – ele voltou a me fitar, com um sorriso sacana nos lábios.
Eu fiquei olhando-o por algum tempo, decidindo se contava ou não sobre o meu desespero. Eu era um desastre em relação à esportes e James estava avançando mais do que eu! Aquilo estava me sufocando; talvez Sirius me ajudasse em algo. Afinal, aquele corpo não ficou sarado sozinho.
– Eu estou desesperada, Sirius! – Ele me olhou, franzindo a testa. – Eu não sei o que fazer, é sério.
Ele ficou em silêncio, voltando a ver Remus arrumando as crianças. Sirius ainda tinha um sorriso nos lábios. Eu já disse que, tanto Sirius, quanto Remus eram bonitos? Acho que não, já que a beleza de James (para mim) ofuscava a deles. (James realmente não precisava saber disso. Ele não iria aguentar o peso da cabeça, de tanto que o ego dele ia crescer). Mas Sirius e Remus eram bem bonitos mesmo; eu via como as mulheres davam em cima deles. Sirius ria, porém, não dava atenção e Remus, bem, ele dizia que tinha namorada. Tão diferentes, mas tão parecidos... a amizade deles parecia vir desde pequenos, como se fossem irmãos.
Sirius voltou a me fitar, talvez ponderando se traía o amigo ou não. Eu o olhei e acho que algo em minha expressão o fez suavizar o olhar que me lançava e abriu a boca para dizer algo, quando a voz de James o interrompeu. Alguém ia ficar de castigo...
– Ei, o que vocês estão fazendo aqui? – perguntou James, estreitando os olhos e cruzando os braços.
– Vendo o Remus coordenar as crianças a cantar – respondeu Sirius, olhando para o amigo. – Você está bem? Seus olhos estão com algum problema ou...?
Eu ri e James me olhou, desconfiado. Sorri de lado, olhando-o fixamente e o vi vacilar diante do meu olhar penetrante. Ele balançou a cabeça e se aproximou da gente; eu sorri mais uma vez e, mesmo estando na área de trabalho e em breve seria o dia em que eu saberia se eu ou ele venceria, não aguentei: eu o abracei. Os músculos dele relaxaram e seus braços fortes me apertaram contra seu corpo perfeito. Eu me sentia... amada.
Nos afastamos, mas seu braço permaneceu ao meu redor de meu corpo. Era bom estar ali; parecia que a curva de seu corpo fora feita para encaixar-se ao meu. Nesses últimos dias, estar ligada a James de todos os modos, fez meu amor, minha paixão, por ele aumentasse. E aquilo estava errado, porque eu ainda me lembrava da aposta e de Snape. Se eu não contasse a James que eu não havia terminado com Snape, se ele voltasse... a aposta, o motivo, James... eu perderia tudo. E teria sido em vão. O meu amor por James teria sido em vão. Porque ele tem sido sincero comigo e eu...
Levantei o olhar para olhá-lo. Seu perfil era alinhado; James, para mim, era simétrico. Perfeito de todos os lados. Puxa vida, como eu não queria amá-lo! Ele percebeu que eu o olhava e abaixou o rosto. Seu sorriso maroto abriu-se em seus lábios, quase pedindo que eu os beijasse ali mesmo. Um arrepio percorreu pelo meu corpo quando James passou de leve os dedos em minha cintura e subindo para o meu braço.
– Eu sei que sou lindo, Lil's. Mas eu deixo você me olhar – ele disse e eu ri, balançando a cabeça.
– Eu é que deveria deixar você me ver — rebati e ele continuou a me olhar. – Lembra não? No meu quarto...
– Ei! – ouvimos a voz de Sirius nos censurar. – Eu ainda estou aqui – ele estremeceu. – Eca.
Nós rimos e eu balancei a cabeça, cutucando Sirius com o cotovelo. Ele revirou os olhos, mas deu um sorriso. Voltamos a observar Remus se concentrar em ensinar (ou tentar) as crianças a cantar. Eu não tinha ideia do que fazer para vencer essa nova aposta; eu estava perdida.
Queria poder saber como James estava indo, mas eu tinha certeza de que ele nunca falaria. Eu o conhecia muito bem.
– Como está sua parte da aposta, lírio? – James pergunta de repente. Olhei de soslaio para Sirius, que evitou me olhar. Voltei a encarar James.
– Bem, bem – respondi. – E você?
James me lançou um sorriso malicioso:
– Digamos que a gente vai abalar aquela sua casa quando eu te ver no uniforme de empregada.
Comprimi os lábios, irritada. Ah, mas quem ia ver alguém de uniforme seria eu. Eu não ia deixar James ganhar nessa nem a outra.
– Veremos – disse eu, crispando os lábios.
(...)
Estávamos eu, Lene e Dorcas na minha casa, enquanto os meninos estavam na antiga casa de James. Nós estávamos sentadas no sofá; Lene estava deitada, com as pernas apoiadas nas minhas coxas e Dorcas estava deitada no outro sofá, com seus cabelos louros espalhados como um leque a sua volta. Havia algumas garrafas de refrigerante e cerveja, e duas caixas de pizzas vazias e uma pela metade em cima da mesa de centro.
Decidimos fazer a noite só das garotas, pois estávamos há muito tempo sem ficar juntas fofocando. James, Sirius e Remus estavam ocupando muito o nosso tempo e nós quase não nos víamos. Lene ficava com medo de interromper algo e não ia tomar café aqui em casa; Dorcas estava sempre muito ocupada na delegacia e Remus tinha de passar lá para buscá-la e ficarem juntos à noite; e eu, estava sempre concentrada em não perder nenhum jogo de James.
Em certo momento mudamos do assunto sobre nossa infância, para a aposta do momento. O que me deixou tensa, é claro. Eu tentara reunir as crianças e fazer algum tipo de "treinamento", contudo não havia sido muito produtivo. Eu era realmente péssima em esportes. E eu estava vendo a vitória de James dançando na minha frente.
Sim, eu havia pesquisado sobre o basquete. Provavelmente, tiraria um 10 se a prova fosse dissertativa; mas a prática... eu ficava envergonhada pelo meu time. Ninguém estava interessado, porque eu não era professora de Educação Física, eu não sabia como treinar um time, eu não sabia coordená-los em uma quadra. Fora que eu não queria que James visse minha desgraça. Então, o tempo estava passando e eu não havia dado um passo certo na direção certa.
James ganharia e eu teria de ouvi-lo se gabar pelo resto da vida.
– James não pode ganhar essa aposta – eu ia falando.
– E por que não? Deixe-o vencer – disse Lene, estendendo a mão para outro pedaço de pizza.
– Não entende? – Eu a olhei. – Eu já perdi aquela aposta. Eu amo James, como jamais amei alguém na minha vida! Eu não posso deixá-lo ganhar nessa.
– Talvez nenhum dos dois tenham ganhado... – comentou Dorcas do outro sofá. Abri a boca para perguntar do que ela estava falando, mas ela se ergue do sofá, subitamente animada. – Ei, você quer um lugar onde James não veja você ser um fiasco treinando as crianças, não é?
– Obrigada pela parte que me toca – desdenhei, revirando os olhos, e Dorcas me ignorou.
– Eu tenho um lugar perfeito para vocês treinarem! – Ela exclamou e eu e Lene trocamos olhares. – É um pouco longe, mas eu sei que os pais de seus alunos confiam em você. Aceita ou não?
Eu fiquei observando-a, ponderando e pesando os prós e os contras. Talvez fosse realmente mais empolgante para os meus alunos "treinarem" em algum lugar diferente da escola, onde todos os viam como um fracasso.
Dorcas estava me dando tudo de bandeja e eu não podia recusar aquela oferta. Meus alunos iam ficar orgulhosos em ter uma professora de história que sabia treiná-los em algum esporte. E eu adorava quando todos ficavam deslumbrantes quando eu dissesse que seria a treinadora deles, em um esporte.
– Sim, aceito – respondi e ela fechou os olhos, sorrindo.
– Segunda eu levo você para dar uma olhada – Dorcas bocejou e eu assenti, bocejando também. – Meninas, estou com sono.
– Ai, Doe! – Lene se pronuncia. – Poxa, a gente não fica juntas assim desde que tínhamos cinco anos. E você quer dormir?
Dorcas deu outro bocejo antes de responder:
– Eu trabalho o dia inteiro. Tenho direito de dormir, Marlene.
– Ah, fala sério – Lene revirou os olhos. – Nada de verdade ou consequência?!
– Nada – respondi e ela bufou. Eu ri e descansei a cabeça nas costas do sofá, também sentindo o sono chegar. – Você tem que parar de beber essas coisas – apontei para a cerveja.
– Engraçadinha – Lene deu uma risada sarcástica.
– A gente te ama – disse Dorcas com a voz sonolenta, mas divertida. Lene bufou mais uma vez.
– Vocês são tão caretas!
– Somos as vozes da razão – rebati e Dorcas riu. – E você anda muito com Sirius.
– E o que isso tem a ver? – Lene me lançou um olhar penetrante.
– Calma, esquentadinha. Sirius é nosso amigo também – levantei as mãos. – Mas que ele gosta de desvirtuar o caminho das pessoas, gosta – eu ri e depois parei. – James é igualzinho.
Dorcas levantou a cabeça para me olhar do outro sofá.
– Você gosta mesmo do James? – perguntou-me ela. – Eu ouvi dizer que vocês dois fizeram uma aposta muito séria. Com contrato e tudo.
– Gosto, mas ele não. Tenho certeza que ele só está comigo por causa daquela garota que nem apareceu na festa de Natal dos pais dele – respondi, olhando para a garrafa vazia de meu refrigerante. – Ele ama outra... – Então balancei a cabeça. – Não quero pensar nisso. Dói saber que ele pode estar apenas brincando comigo. Prefiro ignorar tudo isso por enquanto.
Dorcas me olhava seriamente e eu não conseguia entender o motivo.
– Talvez tudo isso não seja uma brincadeira para ele também – disse ela. – Talvez ele a ame de verdade.
– Duvido muito – e abri outro refrigerante.
(...)
– É este o local – Dorcas disse e saiu da viatura. Eu a segui, fechando a porta do carona. Era noite e havia alguns adolescentes naquela quadra, jogando basquete. Eles pareciam fazer aquilo quase que naturalmente.
Dorcas foi na frente, com seu jeito policial. Seus cabelos estavam presos num coque apertado e usava o uniforme da polícia de Londres. Eu é que parecia uma madame do subúrbio, com o meu vestido azul tubinho e um terninho cinza e cabelos soltos. Aquelas crianças iam achar que eu era uma rica metida.
Eu havia deixado minha bolsa no carro e andava atrás da minha amiga, que parecia conhecer aqueles adolescentes. Pelo o que eu via, não era a primeira vez que Dorcas aparecia ali. E as crianças pareciam adorá-la.
– Oi, Harry! – cumprimentou Dorcas da grade que separava a quadra da calçada. Eu fiquei estática ao ouvir seu nome. Eu sempre disse à Marlene que queria ter um filho chamado Harry.
Um garoto que parecia ter uns 16 ou 17 anos parou com a bola nas mãos. Quando viu Dorcas parada na grade, o garoto largou a bola e correu até minha amiga; à essa altura, eu já estava parada atrás dela.
– Algum problema, policial? – O tal de Harry perguntou formalmente. Mas depois eu vi seu sorriso de lado; ele tinha pele morena, olhos escuros e corpo atlético (talvez ele passasse muito tempo jogando ali).
Dorcas riu; parecia que ela adorava aquele garoto. Como se fosse seu filho.
– Fale comigo direito, garoto – ela disse num tom sério, fingindo que o estava repreendendo. Ele sorriu; seus dentes eram brancos. – Trouxe alguém para conhecer a quadra – Dorcas deu espaço para Harry me ver.
Seus olhos pousaram primeiro em meu cabelo, depois desceram para meus olhos e, por fim, minhas roupas engomadinhas. Harry voltou a olhar para Dorcas, com as sobrancelhas erguidas. Ele parecia petulante, porém era um garoto tão bonito! Com certeza, se eu tivesse um filho homem, seu nome seria Harry.
– Quem é a madame? – perguntou.
– A madame ali é a ruiva mais esquentada que eu já conheci. – Eu a repreendi com o olhar. Dorcas riu. – Está vendo?
– Dorcas! – Ela riu mais uma vez e eu balancei a cabeça. – Olá, Harry. Meu nome é Lily Evans.
Harry deu um sorriso simpático:
– Harry Burton. Então, senhorita Evans o que quer num lugar como este?
Eu olhei para Dorcas e ela assentiu para mim. Dei um sorriso tímido e o garoto me encorajou, sorrindo também.
– Bem, eu sou péssima em esportes – comecei e Harry me olhou, como se houvesse percebido que eu não era boa desde que me vira. – Mas eu fiz uma aposta com um cara...
– Aposta?! – Ele riu e eu fiquei o olhando. – Amo apostas e algo me diz que esse cara é seu namorado.
Eu fiquei vermelha:
– É, mais ou menos isso. Eu preciso de ajuda para ganhar essa aposta.
Parecia que aquele garoto poderia viver sorrindo para sempre. Olhei para Dorcas e ela também sorria. Então ele disse:
– Se é amiga da Meadowes, é minha amiga. Começamos amanhã, depois que você chegue do trabalho. Ah, e venha de tênis e uma roupa confortável. Eu sou um garoto muito educado, mas há outros que não são.
Dorcas o agradeceu e eu também. Logo depois fomos de volta para a viatura. Eu a observei sentar-se no banco do motorista e dar partida. Eu me sentia pouco desconfortável naquele carro de polícia e também me perguntava onde estava o parceiro de Dorcas.
Ela dirigia como se nada de estranho houvesse acontecido há poucos minutos. Eu ainda a olhava, mas Dorcas nem deu sinal de que conhecer um menino de 17 anos e que ele tivesse liberdade para falar daquele jeito comum fosse um pouco incomum. Então eu tive que perguntar:
– De onde você o conhece?
Dorcas me olhou rapidamente antes de voltar a prestar atenção na estrada. Ela sabia que eu estava falando de Harry.
– Quando eu estava terminando o meu treinamento, quase virando uma oficial, eu vi esse garoto no meio da rua, enquanto fazia patrulha – disse Dorcas e depois suspirou, continuando: – Ele estava sendo espancado por três garotos mais velhos e parecia que ia morrer... eu fiquei desesperada. Ele só tinha treze anos!
– Então você o salvou – completei e Dorcas assentiu. – O que havia acontecido? – perguntei depois de uma pausa.
– Você viu que aqui não é o lugar mais belo que já esteve – Dorcas fez uma curva e eu prestava atenção. – Existe rivalidade entre alguns grupos e Harry foi confundido com um dos rivais.
– Como você sabe?
– Eu já o tinha visto antes, indo para escola com a avó – respondeu Dorcas.
– Ah – falei.
– Ele é um garoto muito talentoso. E muito gentil.
– Eu vi. Talvez ele seja um ótimo jogador profissional no futuro – falei, tentando agradá-la. Dorcas comprimiu os lábios e assentiu.
(...)
No fim, eu não precisei ir àquela quadra toda segunda-feira. Harry acabou achando um lugar perto da escola. Bem, ele achou, mas eu tive de falar com o dono do lugar, pois Harry não tinha como conseguir a confiança do proprietário.
Primeiro, Harry quis que eu treinasse com ele. Portanto, eu fui num dia de sábado até a quadra onde eu tentaria treinar as crianças. Tive de contar a James o que eu ia fazer; o tempo que nós ficamos afastados um do outros fora por causa da falta de informação. Então, eu disse a ele o que eu iria fazer, mas não aonde seria e me certifiquei que ele não soubesse. Dorcas cuidaria dele para mim.
Fui um fiasco nos primeiros dias. Fui tão mal, que eu tive certeza que Harry ficara impaciente comigo. Tinha vezes que ele não conseguia e se dobrava de rir (o que eu ficava irritada; parecia que ele era um James II da vida e isso me tirava do sério) e outras em que ele me corrigia de forma bruta. Mesmo me irritando, eu estava aprendendo alguma coisa.
Certo dia, Marlene disse que eu estava mais magra de tanto que eu corria e tentava fazer cestas com Harry, que realmente era um amor, quando não estava rindo da minha desgraça na quadra ou corrigindo-me. Era como se, dentro da quadra, ele fosse meu treinador; fora dela, ele era um... amigo. Nunca pensei que um garoto poderia ser um amigo.
– Vou ver o jogo – comentou Harry no último treino. – E eu quero vê-la por em prática tudo o que eu ensinei.
– Você não vai me ver treinar as crianças em quanto isso? – perguntei franzindo a testa.
Harry deu um sorriso cúmplice:
– Talvez eu veja, talvez não...
– Isso não é justo, Harry. Como eu vou saber se estou indo bem?
– Você é inteligente, tenho fé em você – ele piscou um dos olhos. – Até mais, Lily.
Harry se afastou de mim e eu fiquei no meio da quadra, com cara de tacho. Agora, eu estava realmente ferrada. A competição seria daqui a duas semanas e eu teria apenas uma semana e meia para poder organizar aquela turma em uma equipe. James deveria estar se saindo melhor do que eu. Eu já estava vendo que perderia.
(...)
– Olha o que a gente comprou! – exclamou Lene, certo dia, balançando um cabide com alguma roupa guardada dentro de um saco. Sirius carregava um igual entre os dedos.
Eu e James nos olhamos e depois voltamos o nosso olhar para nossos amigos.
– O que é isso? – perguntei, indiferente. Estava corrigindo alguns trabalhos.
– Venha ver, Lil's – disse Lene; eu a olhei e vi seu sorriso brincar em seus lábios. – Acho que vocês vão gostar.
James suspirou e se levantou do sofá enquanto eu me levantava da cadeira em que estava sentada, indo até nossos amigos. Ergui uma das sobrancelhas quando peguei o cabide que estava na mão de Lene e James olhava para Sirius com a testa franzida.
Então eu abri o zíper. E caí na gargalhada.
O que Lene e Sirius haviam comprado eram o uniforme de empregada para a minha aposta com James. Um era do meu tamanho e o outro era do tamanho de James, que também riu ao ver a roupa que talvez usaria em breve.
– Eu estou louco para te ver de empregada, Pontas – riu Sirius e James deu um soco no ombro do amigo de brincadeira.
– Eu vou vencer, Almofadinhas – disse James, convicto. Eu ri.
– Veremos – falei.
– Sim... eu verei você de empregada – James deu um sorriso malicioso.
Balancei a cabeça e voltei a sentar-me na cadeira. Mesmo corrigindo alguns deveres, também estava avaliando algumas táticas que Harry me ajudara a fazer no dia anterior.
James tentara descobrir com quem eu anda treinando e eu falava para ele não se preocupar. James não estava convencido; mas como eu não perguntava o que ele estava fazendo para a competição (mesmo que a curiosidade me matasse por dentro), ele também não tinha autoridade de perguntar o que eu andava fazendo.
Eu estava melhor em treinar as crianças. Antes, elas não me respeitavam; agora, nossa relação estava bem melhor. Eu poderia ver até uma chance de ganharmos; não somente a aposta, mas o campeonato (ou algumas partidas). Estávamos trabalhando em equipe, finalmente.
Olhei para James mais uma vez. Ele estava deitado no sofá, vendo alguma coisa na televisão. Eu poderia vencer essa aposta... bem, pelo menos essa.
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