The Bet (JPLE)

12 As aparências do Potter enganam


Notas iniciais
Sei que eu demorei a postar, mas a minha vida está começando a complicar...

Por Lílian Evans

Tudo bem. Eu, definitivamente, odeio TPM. Era um dos dias em que eu esqueço quem sou e deixo minhas emoções comandarem o meu corpo. E eram muitas emoções que eu tinha. Mas aquilo eu já estava dando um jeito. O que eu não conseguia dar um jeito era em minha mente; minha perversa mente.

Depois de chorar feito um bebê na frente do Potter (duas vezes), eu o abracei. Mas não era por isso que minha mente perversa – ok, esse foi um dos motivos. Foi ao sentir o corpo dele no meu que desencadeou aquele sonho. Um sonho que Lene se mataria para que eu descrevesse. E, eu detestava admitir, adorei a sensação dos braços de Potter me protegendo.

Agrh! Para de pensar nisso, Lílian. Eu não ia pagar indenização alguma! Eu me recusava a fazer isso.

Levantei-me da cama e fui até o armário escolher uma muda de roupa. Depois, eu fui para o banheiro – que eu lembrei que tinha que limpar – e levei um susto. Só não gritei porque eu estava admirada.

O banheiro, que antes estava uma bagunça, agora estava mais do que limpo e arrumado. Ou melhor: não havia nada de Potter ali. Nada. Ainda encantada, tomei banho, me vesti e arrumei os meus cabelos. Desci as escadas e fui para a cozinha para tomar o café da manhã. Sentia saudades de tomar café com Lene; ela sempre o fazia. Sinceramente, do jeito que ela era, eu não sabia como acordava tão cedo.

Quando cheguei lá, nada estava fora do lugar. Muito menos Potter bebendo no copo do liquidificador, como eu esperava ver. Para minha surpresa, ele estava sentado à mesa, com xícaras e copos, pães e bolos, chás e cafés, queijo e presunto... Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo.

Ao me ver ali, Potter sorriu. Era o mesmo sorriso arrogante, mas ainda assim, charmoso. Por que ele estava fazendo aquilo comigo?

– Espero que não se importe, eu comprei esses pães e fiz o café – disse, parecendo orgulhoso de si mesmo. – Ah, e eu arrumei a bagunça no banheiro. Desculpe por aquilo.

Balancei a cabeça, saindo do meu transe e indo sentar-me em uma das cadeiras de frente para ele.

– Acho que vou abraçar você mais vezes – soltei essa sem querer. Arregalei os olhos, fazendo uma careta. Em seus olhos, eu vi algo brilhar e logo depois ele abriu um sorriso. Eu já disse que ele era lindo? O sorriso dele, não ele.... Espera aí. O quê?

– Eu posso me acostumar com isso – respondeu ele. – Não vai comer – Potter apontou para a comida à nossa frente, mas eu não me mexi. – Eu não envenenei a comida, pode deixar.

– Eu... não é isso – falei, abobada.

– É o quê, então? – perguntou Potter distraído com uma torrada na mão.

– Tenho medo de falar e estragar esse sonho – respondi pegando alguns pães e passando manteiga neles, enquanto Potter ria. Ele estava diferente... Eu só naõ sabia se aquilo era de verdade ou se ele estava me enganando. E, sinceramente, eu tinha medo de perguntar.

Nós comemos em silêncio, mas de vez em quando, ele fazia alguma piada. Por exemplo, ele não estava usando o copo do liquidificador. Depois que ele me ajudou a tirar a mesa, eu fui para um banheiro e ele para o outro para escovar os dentes. Eu pensava no sorriso que ele dera.

Quando eu voltei, Potter já me esperava arrumado. Ele me olhou de um jeito diferente e fiquei tão vermelha, que provavelmente eu estava da cor dos meus cabelos. Potter desviou o rosto e eu pude ver que ele sorria de canto. Deus, eu nunca o vira com vergonha! O que estava acontecendo ali?

– Vai comigo ou quer ir na chuva hoje? – perguntou recobrando o seu jeito maroto. Só que eu não fiquei com raiva, pois ele perguntara de um jeito diferente.

– Bem, acho que não tenho escolha, não é? – sorri e ele me acompanhou. Passei na frente dele para abrir a porta e o deixei passar logo em seguida. – Só não espere que eu vá lhe abraçar novamente.

– Puxa, só porque eu disse que poderia me acostumar com essa ideia – brincou, arrancando um sorriso meu. O que estava acontecendo com ele, meu Deus? Essa mudança foi só porque eu o abracei? Eu não estava em minhas perfeitas condições e minha menstruação havia, enfim, descido. Então era para eu estar com raiva dele o tempo todo, certo?

Por que raios isso mudou?

Eu o observei enquanto dirigia. Ele tinha um sorriso nos lábios e parecia ser tão sincero, que eu não pude evitar de sorrir também. Será que isto significava que eu poderia chamá-lo de James? E por que ele parecia estar tão feliz? Por que ele dirigia tão... alguém não-Potter? Ele não era o Potter que eu conhecia. Só não sabia se eu gostava.

Ele parou o carro e descemos. Caminhamos lado a lado, sem brigar uma vez sequer e isso era raro de se ver. Será que ele estava drogado? O que ele colocou naquele chá? Eu balancei a cabeça, estava ficando louca. Potter nunca faria alguma coisa desse gênero, fosse o que ele fosse.

O quê? Eu já o estava defendendo? Achei que ele realmente tinha posto algo no meu chá. Balancei a cabeça novamente.

Chegamos no corredor que separava o ginásio da outras salas de aula. Ele me olhou e sorriu, um sorriso que chagava aos seus olhos, um sorriso verdadeiro. O meu coração parou diante àquele gesto e vi que algo mudara entre nós. Algo que aquela aposta ridícula não teria feito meses antes. E eu comecei a me perguntar se eu já não havia perdido só por sentir aquela sensação em meu estômago.

Porém, ainda havia uma pergunta que não queria calar: eu deveria confia? E, além disso, eu tinha Severus. Mas, mesmo ele, eu já estava começando a me questionar se aquilo tudo daria certo. Ele estava longe há tempo demais; e nem ligar, ele ligava. E o Potter era tão...

Eu realmente estava enlouquecendo.

– Nos vemos no almoço? – perguntou ele sorrindo.

– Acho que... sim. – Eu, com certeza, concordei com aquilo?

Se é que isso era possível, seu sorriso alargou-se em sua bela face. Eu não ia admitir que estava apaixonada por ele...

Ops.

(…)

O sinal bateu e eu liberei meus alunos para o recreio enquanto eu arrumava minhas coisas para poder me encontrar com o Potter. Me encontrar com o Potter... Eu ri comigo mesma, balançando a cabeça.

Tranquei a sala e me dirigi para a sala dos professores, a fim de deixar minhas coisas para almoçar. Mas, antes que eu virasse no corredor, eu ouvi vozes. E uma delas eu conhecia muito bem. Bem até demais.

Se eu me arrependi de ter ouvido tudo?

Digamos que a resposta era sim. Eu me arrependi de tudo. Até de admitir que eu gostava daquele crápula. Ele falava com uma mulher.

– O quê? – Ele riu. – Óbvio que não.

– Então por que está fazendo isso? – perguntou a mulher de voz desconhecida.

– Você está na minha área de trabalho. – Retrucou ele, rápido. – Depois a gente conversa sobre isso.

Houve alguns barulhos de passos, mas que logo pararam. Eu me escondi mais na parede.

– Eu não vou deixar você ir, antes que me explique tudo. – Exigiu ela. Ouvi Potter bufar de impaciência, uma pausa e logo depois a voz dele era tudo o que eu podia ouvir. Todas as suas palavras.

– Não significa nada, está bem? Ela não significa nada. Agora, se já ouviu o que queria, eu vou me retirar. Tenho um...

Ela o cortou, mas eu não precisava ouvir mais nada. Saí de lá correndo com lágrimas nos olhos. Como eu pude ser tão estúpida! Como eu pude pensar que, por dois segundos, Potter mudaria? Agora era eu que tinha o coração partido. Não ele.

Fui direto à direção e entrei na sala de Alice Longbottom. Ela me encarou assustada e me perguntou o que estava acontecendo. Eu apenas balancei a cabeça e pedi que ela me liberasse, pois eu não conseguiria trabalhar daquele jeito. Alice foi compreensiva e me deu dois dias de folga. O meu estado devia estar deplorável.

Depois de agradecê-la, eu saí e liguei para Marlene. No mesmo segundo, ela disse que já estava pegando suas coisas. Tomei cuidado para que o Potter não me visse. Ele me enganou direitinho e agora eu sofria por isso; parecia que o meu coração tinha sido arrancado do meu peito e que nunca mais fosse voltar para o seu lugar. Há quanto tempo eu sentia isso por ele?

Eu me deixei levar pelas aparências. Por um Potter que nunca existiu e que nunca vai existir. Afinal, como diz o ditado, as aparências enganam.

Ou melhor: as aparências do Potter enganam.

Eu enfiaria meus sentimentos no fundo de algum lugar escuro em mim e me concentraria. Eu iria ganhar aquela aposta. Nem que seja a última coisa que eu faça.

Notas finais
Espero que gostem e...
Comentem!