The Best Of Both Worlds
6 É claro que elas funcionam
Carmen
Não era possível que algo tão irrelevante e de estremo perigo fosse necessário para funcionar. Claro que James e inclusive eu sabiamos os riscos em não se utilizar nanites ou algo que tivesse uma compossição semelhante aos mesmos. Sabiamos e não ocorreu nada naquele dia, talvez a fama de loucos prevalecesse na família mesmo, menos em Elena.
Naquele dia não foi apenas minha face de dececpção que chamou a atenção de tia Alana, ela parecia reconhecer o clima de derrota que nós três exalavamos e veio ao nosso encalce, abraçando a mim e Elena e beijando seu marido, o encorajando a não desistir, como sempre fazia. Aquele tipo de atitude que me fazia crer que era o que alguns de nós tinha, a vontade de não desistir e seguir em frente.
Abandonando ambos e acompanhando Elena até a cozinha, atacamos o que seria a janta antes de Alana dizer que tudo estava pronto e ao ter terminado, saimos da cozinha em pasos leves, mas não adiantou muito ao ouvir os resmungos que Alana gritou para que ouvissemos.
— Acho que nunca irei largar de ter essas atitudes de crianças – Elena ria, limpando um pouco do pure que ficou em seu cabelo loiro – Você era assim, Carmen?
Ela entraria naquele assunto novamente e a mesma sendo muito pequena na época, não tiverá as mesmas experiências que eu naqueles tempos. Detestava lembrar quando entramos ainda pequenas na casa de nossos tios e chorando com uma irmã mais nova nos braços, querendo os pais de volta.
— Era pior – Sorri de maneira cúmplice, engolindo junto da saliva a tristeza – Vamos, amanhã temos aula e eu terei de ficar o resto da tarde no observatorio.
Foi estranho vê-la concordar e dormir cedo, deixando-me com culpa por não ter tempo com a minha própria irmã, a deixando de lado como pais ocupados de crianças fazem, mas eu não seria como um.
Passando a mão pelos cabelos para poder me tranqulizar, andei até meu quarto e me arrumei para poder dormir, deixando tudo organizado num quarto que não tinha nada que fosse para se destacar além da cama, escrivaninha e um armário. Às vezes, eu e Elena eramos diferentes não apenas em aparência e sim na personalidade, fazendo com que qualquer um achasse justo nos classificar como loucas por nós mesmas referirmos uma a outra como irmãs.
Deitando e conseguindo ter um sono sem sonhos, um som cortou a tranquilidade que eu poderia ter para dormir. O barulho que cortava as duas horas da madrugada vinham do porão, fazendo-me entrar em pânico e levantar afobada, um pouco tonta por ter levantado de mal jeito.
Correndo escadaria abaixo e encarando a sala iluminada e a porta para o porão aberta, tentando respirar com tranquilidade e afastando por diversas vezes os fios de cabelo que vinham de encontro com meu rosto ao descer novamente outro lance de escadas.
— Que diabos está acontecendo? – Gritei assustada, observando tio James mexer no painel no final da sala e no controle remoto do seu experimento – James? – O chamei em um tom desesperador, alarmado.
— Estou dando conta do recado!
— E eu acredito – Ironizei amarga – O que voce fez? – Indaguei furiosa e o mesmo pareceu irritado com a pergunta, virando-se para me encarar de forma carrancuda.
— Eu não fiz nada, sua máqui–
— Ela também é sua! – o cortei, mais irritada ainda, indo até onde o mesmo estava e tomando o controle portátil – Por que apenas a parte que não tem importância é a que está justamente em casa? – Reclamei.
— Boa pergunta, que tal perguntar para a máquina? Ah, não podemos! Advinha, ela não fala!
— Conte algo novo – Respondi ao rolar o olhar e tentar inutilmente utilizar a senha no controle.
Fumaça não saia apenas do painel de controle como também do controle portátil, chegando a esquentar tanto e me fazer o mesmo cair no chão. Olhei horrorizada para tio James e buscava na memória que tipo de coisa ou substancia causaria tal efeito, claro que não seria aquele efeito diante de duas pessoas que não tinha espectativa nenhuma de uma máquina declarada falha a horas atrás.
— James? – Era óbvio que minha voz não mascarava o temor, olhava do painel para as bases que estavam no chāo e que pareciam abrir alguma coisa, como o portal acinzentado do dia anterior, mas também parecia lutar para não abri-lo.
— Isso nunca é bom... – Ele sussurrou, ficando ao meu lado – Saía daqui!
— Ficou louco? – Indaguei incrédula, olhando para a base que tinha o portal sobre si.
— Eu estou mandando, Carmen! Saía! Sei o que fazer – Falou e me vi obrigada pela primeira vez a seguir uma ordem de meu tio, saído do porão e indo até o meu quarto.
Batidas na porta me fizeram sair de um transe, a abrindo e vendo Elena segurando um ursinho de pelúcia dela quando era pequena. Sua cara de sono era evidente e sorri de forma descontraída, não querendo deixar que a mesma visse minha face preocupada e que não perguntasse do que estivesse acontecendo lá embaixo.
— Não adianta disfarçar, eu não consigo dormir por causa do barulho e posso ficar parecendo um zumbi amanhã por não dormir... – Reclamou, bochechando.
— Não é nada Elena, não era nada demais. Então pode ficar tranquila – Falei com humor, bagunçando seu cabelo e a empurrando para fora do meu quarto – Vá dormir.
— A casa não vai explodir não, né? – Indagou desconfiada e tive de rir com isso, mesmo que em partes eu desconfiasse que a casa fosse explodir.
— Claro que não – Respondi e a mesma não pareceu convicta da resposta, mas acabou por dar de ombros e entrar no quarto.
O barulho do porão tinha por fim acabado e suspirei longamente em alivio, voltando a descer até lá e ver entre toda aquela bagunça de antes tio James com um pequeno recipiente e me encarar sério.
— O que aconteceu dessa vez?
— Acho que não precisaremos saber como os nanites reagem ao portal tridimensional dimensional... Acho que já tivemos a resposta a alguns minutos atrás... – Faliu, jogando o recipiente para mim no ar e acabei por pega-lo, vendo que havia um pequeno tecido no mesmo – Pelo que eu saiba, nanites são apenas de transferência de ar como algum gás mostarda ou por sangue, não sei o porquê, mas Elena os tem em si agora e adivinhe – Riu amargo.
— É por causa daquele garoto, Rex? Mas... Seria impossível... – Falei incrédula, sussurrando enquanto olhava para o recipiente.
— E é, mas ela consegue de alguma maneira ter nanites nela enquanto no último ano o tal Rex retirou essas coisinhas de qualquer ser vivo na Terra. Sua mãe deve ter feito alguma coisa em si ou em Elena quando a mesma era pequena.
Engoli em seco com a teoria de tio James e sentia minhas mãos tremularem.
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