The Best Job
37 Preparação para a viagem

Dois dias já haviam se passado desde a declaração de amor de Koala.
Ela dissera que o ama…
E estava extasiado.
Era a primeira vez que ouvia as palavras saindo da boca dela. Já desejara tanto ouvi-las, sonhara tanto com elas que mal conseguia acreditar que eram reais. Segundos não foram suficiente para fazê-lo raciocinar, sua barriga revirou-se de modo estranho e os movimentos de sístole e diástole se intensificaram como nunca em toda sua vida. Parecia um adolescente, mas estava emocionado demais até para sentir vergonha disso.
— Sabo, você está bem?
A pergunta o tirou de seus devaneios. Dragon o encarava com uma expressão esquisita, e rezou para que não estivesse corado pois, por Deus, sentia as bochechas quentes. Dragon não era o tipo de homem que sabia lidar com assuntos amorosos, portanto, seria um pouco esquisito se tivesse que se abrir com ele e explicar a coloração diferente.
— A-Ah, sim, por que? — tentou se recompor, se ajeitando na poltrona da sala do líder.
— É que você está… — ele levantou a mão e parou no meio do caminho, como se fosse apontar para algo no próprio rosto e depois desistiu. — Nada, esqueça. — balançou a mão, espantando o assunto no ar.
— Bem, o que ia dizendo…? — ele ajudou a trocar de assunto, antes que Dragon mudasse de ideia.
— Como já disse, preciso que se infiltre na casa do Conde de Applefield. A filha do conde é simpatizante com a nossa causa e está nos ajudando a incriminar e acabar com os planos da Condessa. — ele explicou apontando em uma folha na mesa o local em que a ilha ficava no mapa. — a área nobre fica deste lado. — ele apontou para o sul da ilha. — mas vocês desembarcarão no porto da cidade, onde podem se misturar com a população. A garota os esperará lá, então…
— Ela vai nos infiltrar na casa. — Sabo completou, pegando o mapa com as próprias mãos. — imaginei. Agora, não entendo uma coisa… Por que uma menina nobre iria querer entregar a própria mãe? Não me parece muito comum.
— A Condessa é madrasta dela. Se casaram há três anos, mas não sei muitos detalhes da vida deles. — esclareceu descansando as costas na poltrona. — o que precisa fazer é se infiltrar dentro da mansão, roubar todos os documentos que ela tem e entregá-los à própria Melidish.
Ia perguntar quem era Melidish, mas muito provavelmente se tratava da filha do Conde. Estudara o caso há algum tempo, e realmente não esperava que Dragon fosse enviá-lo pessoalmente para a missão. Era um membro de alta classe, e uma missão daquelas qualquer membro meramente capacitado para a arte da espionagem conseguiria – ou até Marion, mesmo sendo uma criança.
— Por que ela nunca tentou roubá-los?
— Ela não nos informou. Pergunte a ela quando encontrá-la.
Pelo que sabia, a Condessa de Applefield estava criando documentos falsos que passavam a guarda de tudo o que era do marido para ela própria quando ele viesse a falecer, incluindo a guarda da enteada e toda a região do condado. Logo, com todo o poder do condado em suas mãos, iria cobrar impostos e taxas abusivas da população a fim de lucrar às custas do povo.
— Devo ir sozinho? — Sabo perguntou.
— Não. Quero que Koala vá com você.
— Hack também?
— Só vocês dois está de bom tamanho.
Sabo fitou-o confuso. Dificilmente era enviado para uma missão apenas com Koala. Será que Hack estava ocupado com outros assuntos?
— Depois que acabarem... — Dragon disse. — não precisam se apressar em voltar.
Foi quando o Conselheiro entendeu o que Dragon planejava fazer.
Era evidente no sorriso simples do líder que ele estava ajudando Sabo. Pensou que, provavelmente, um tempo a sós com Koala em um lugar diferente tornaria a atmosfera mais fácil para um possível flerte.
Iria aproveitar bem essa chance, até porque, poderia ser sua última.
(…)
No dia seguinte, Koala já estava preparando as malas.
— Vai precisar de um vestido. Não, um não, dois vestidos! — Padomi exalava animação entre suas pilhas e pilhas de roupas espalhadas pelo quarto. Koala dissera a ela que precisava de algo para se infiltrar na casa de um nobre, e a Ria não perdeu tempo em retirar todo o seu enxoval de vestidos para mostrá-la.
— Padomi, eu preferia algo mais simples, que desse para disfarçar e fingir que sou uma nobre, caso necessário. — Koala explicou, sentindo uma gota de suor descendo pela bochecha. — eu não sou uma convidada, sou uma espiã, esqueceu?
— Bobagem. — ela balançou a mão, como se pudesse espantar no assunto no ar. — não é porque é uma espiã que não pode se vestir bem. O que acha desse? — ela lhe mostrou um vestido verde menta. Koala fez uma careta. Provavelmente ficaria bem em Padomi, mas nela própria…
— Melhor outro tom. — sugeriu após decifrar a expressão de Koala. — talvez um rosa… Acho que tinha um por aqui… — murmurava com metade do corpo dentro do armário.
Koala riu sentada na cama, dividindo espaço com outros vestidos antes rejeitados. Gostava mais da Padomi atual, a namorando e grávida. Depois de se acertar com Rokka, tinham se tornado mais amigas do que nunca. E, para sua surpresa, Ria acabara por ser a melhor amiga que poderia querer. Nunca fora tão próxima assim de Iennifer, e Robin fazia falta no seu dia a dia.
— Koala, em sempre quis te perguntar… — Padomi saiu do armário repentinamente, olhando para a moça sentada. Koala sorriu confusa com a repentina pose da mais nova. — você já transou com o Sabo-san?
Ela engasgou, sentindo as bochechas arderem.
— P-Por que você está perguntando isso? — pegou a xícara e o pires do criado-mudo e bebericou o chá, numa tentativa frustrada de tapar uma parte do rosto.
— Eu vi vocês se pegando uma vez, aí pensei que talvez, não sei… — fingiu-se inocente. — tivessem avançado mais um pouco. — deu ombros. — e aí? Fizeram? Ou não?
— … — Koala franziu a testa, odiando-se por ainda se sentir quente. Até que, por pressão do olhar carregado de expectativa da amiga, revelou: — não, nunca fizemos.
— O que?! Por que?! — ela parecia decepcionada, e foi até Koala, segurando nas mãos dela. — não me diga que o Sabo-san é… — Ria fez uma expressão de quem queria dizer “aquilo”.
E Koala se sentiu uma criança perto dela, porque não fazia ideia do que poderia ser “aquilo.”
— É…? — incentivou ela, vendo que Padomi não concluiria seu pensamento sozinha.
— É… — deu ainda mais alguns segundos para que a instrutora se tocasse, mas logo desistiu. — Ora bolas, quero saber se ele é brocha!
— Sabo-kun não é impotente! — defendeu o parceiro prontamente, ficando de pé no impulso. Ao ver que tinha exagerado, sentou-se novamente, com mais vergonha do que antes, mesmo achando que fosse impossível.
— Então você já viu…?
Lembrou das vezes que já viu e sentiu a ereção dele por cima das roupas. Pelas atitudes dele, estava mais que claro que Sabo não tinha problema algum quanto à possibilidade de ser impotente. Apenas nunca haviam feito amor, bem…
Por causa dela.
— Nunca vi, mas já senti. — admitiu, incomodada pelo olhar animado da nova amiga. — Sabo-kun é bem fogoso, se é o que tanto quer saber. — então murmurou para si mesma: — me surpreendeu bastante a animação sexual dele.
— Sabia! — disparou ela, quase gritando. — não vai demorar muito para vocês começarem a ter uma vida sexual, e aí vou poder dividir meus assuntos com você.
— Você já pode dividir comigo. Sou virgem, não inocente.
— Ah, mas não é a mesma coisa. — retrucou com um biquinho, voltando a se concentrar nos vestidos. — queria alguém como eu sabe? O ideal seria alguém também grávida, mas como isso é algo impensável, apenas uma outra mulher mais experiente já seria o bastante.
Koala sorriu, olhando para a barriga dela, obviamente ainda pequena.
— Você prefere uma menina ou um menino? — perguntou, de repente interessada pelo assunto.
— Eu não me importo muito. — Padomi sorriu, instintivamente posando as mãos sobre a barriga. — mas adoraria que fosse um menino.
— Rokka também quer um menino?
— Ele prefere que seja menina. — Padomi revirou os olhos. — também gosto da ideia de ter uma menininha, mas ele iria estragá-la de tanto mimo. — mostrou outro vestido, que Koala também recusou.
— Imagino que já tenha pensando nos nomes para os dois casos. — Koala terminou de beber o chá, pousando o conjunto de volta no criado-mudo.
— Pensei, mas ainda não comentei com Rokka, então não é certeza. — sussurrou, cogitando a possibilidade dele aparecer no quarto a qualquer momento. — se for menino, pensei em Lupus. Ru-Pu-Su. — repassou as vogais no sotaque japonês. — R do Rokka, P de Padomi e S de Sabo.
— Sabo? — ecoou ela.
— Não me entenda mal, não tenho nenhum interesse pelo seu homem. — apressou-se em dizer, para evitar qualquer mal-entendido. — é só que… Sabo-san salvou nossas vidas, sabe? Queria homenageá-lo dessa forma.
— Não há problema algum. — Koala sorriu, pousando a mão sobre a dela. — apenas fui pega de surpresa. Não achei que fosse mencionar Sabo-kun. — explicou-se. — mas e se for menina?
— Pensei em Mikasa. Mi de Padomi, Ka de Rokka e Sa de Sabo. Mas não tenho muita certeza se o Rokka vai gostar desse nome…
— Sabe que Sabo não liga para isso, não sabe? Podem escolher o que quiserem, não precisam se prender a isso.
— Sei… — suspirou. — talvez Rokka me ajude a ter alguma ideia, caso essa seja rejeitada, ele fez metade do serviço, afinal. — sorriu azedo, fingindo lamentar pela sementinha em seu ventre. Mas Koala sabia que ela estava feliz, e muito. — enfim, decidiu qual vestido levar? Acho que já lhe mostrei tudo do arsenal.
Era curioso que ela se referisse a seus vestidos como parte de um “arsenal”, quando tinha certeza de que havia um arsenal de verdade. Padomi era afeiçoada a armas de fogo.
— Olha, sinceramente, posso pegar qualquer coisa, deixei de me importar há alguns minutos. — deu ombros, já cansada. — vou pegar qualquer azul básico e ir logo. Sabo-kun já deve estar me esperando para…
Teria terminado a frase se Padomi não tivesse dado um grito de surpresa enquanto pulava, parecendo ter descoberto a cura do câncer. Sem dizer uma palavra, a menina meio-lobo se esgueirou para debaixo da cama e puxou um baú de tamanho médio.
— Consegui esse vestido em uma missão, anos atrás, mas não pude usar porque não cabia, era jovem demais. — explicou-lhe, colocando o baú em cima da cama, ao lado de Koala. — e além de tudo, nunca tive uma oportunidade. — acrescentou. — mas certamente você terá, e ele é tão maravilhoso que qualquer mulher ficaria esplêndida nele.
Iria refutá-la imediatamente, mas quando Ria retirou cuidadosamente o vestido de dentro do baú, ficou sem ar. Aquele era, sem dúvida, o vestido mais lindo que vira em toda sua vida. Não era uma mulher ambiciosa, – estava longe disso – mas não era imune a extasiar ao ver uma peça de roupa bonita.
— Que lindo… — foi o que disse, mesmo que as palavras não expressassem exatamente o que sentia. — como você…?
— Fiz uma amiga muito rica, e ela me deu de presente. — explicou sorrindo. — vai ser perfeito, não é? Disse que queria algo azul.
Antes de Koala poder responder, a atenção das duas foi desviada para batidas à porta. A dona do quarto apressadamente pôs a peça de volta ao baú e respondeu que entrasse. E, como imaginavam, era Sabo arrumado de mochila pronta para mais uma missão.
— Passou um furacão aqui dentro? — o loiro olhava arregalado para a bagunça, e as duas apenas riram dele. — enfim… — alternava o olhar entre as duas moças, julgando-as doidas. — está pronta, Koala? Temos que partir. Todos estão reunidos lá fora.
— Já vou indo. Pode esperar um minuto? — ela respondeu, e ele respondeu com isso sorriso, assentindo.
Depois que o conselheiro se retirou, Padomi fitou-a com um sorriso provocante.
— Ele é caidinho por você. — declarou.
— Não seja boba. — desviou o olhar, corada.
— É sim, e você sabe disso. — pôs um ponto final no assunto, cruzando os braços. Em seguida, tirou o vestido de dentro da sacola e o embalou em um papel. — cuide bem dele, ok?
— Padomi, não tenho certeza se é…-
— Sem discussões!- a gestante interrompeu, abrindo a bolsa de Koala e colocando o pacote lá sem um pingo de acanhamento. — faremos assim: você vai levar também, ahn… — deu uma breve olhada em volta, e pegou um vestido qualquer. — este aqui! Bem simples. No entanto, se você tiver uma oportunidade de ir em um evento maior, não hesite em usar o azul, certo?
— Tenho certeza de que não vou precisar. — pegou o simples da mão de Padomi, colocando-o na bolsa.
— Mas se precisar…
— Ok, ok. — Koala riu, revirando os olhos. — eu uso o vestido.
Padomi sorriu, extasiada. Sentia-se a fada madrinha da Cinderella.
E, percebeu, até que era uma posição muito boa. Tivera sorte de Sabo avisá-la a tempo para preparar um vestido muito lindo para Koala.
(…)
— Que caras são essas? Vamos passar só duas semanas fora.
O cavalo estava pronto e se preparavam para partir, já na entrada principal da base, mas todos os seus amigos estavam parados com expressão de tristeza, como se fossem passar um mês fora.
— Não, não, não, Sabo-boy! Não tente enganar a minzinha aqui. — Ivankov exclamou, balançando o dedo indicador no ar para Sabo. — sei muito bem que demora um mês para ir e voltar de Applefield.
— Um mês passa voando. — Koala tentou amenizar a situação.
— Um mês é uma eternidade! — Nina descabelou-se em exagero, gritando.
— Vamos sentir saudades. — Aurora falou cabisbaixa.
— Eu não vou. — Rock virou a cara, de braços cruzados. Koala teve que segurar o riso para não gargalhar de seu jeito tsundere.
— Vai sim, deixa de ser mentiroso. — Padomi apareceu dando-lhe um cascudo na cabeça, e o menino logo caiu no chão com a cabeça ardendo. Após uma série de risadas, ela virou-se para Koala, apontando para alguém atrás dela. — tem alguém aqui que quer falar com você.
O conselheiro e a instrutora olharam por cima do ombro de Padomi, e se surpreenderam ao ver Leroy, uma vez que, mesmo morando na mesma localização, parecia impossível encontrá-lo desde o dia em que se declarara. Koala percebeu que Kirara e Rokka estavam atrás dele também, ainda de avental, porém Sabo nem notou a presença deles; estava mais concentrado sobre o Leroy queria com sua parceira.
— Posso? — Leroy sorriu triste, indicando com a mão um ponto mais distante, provavelmente para conversarem a sós. Ao notar o olhar nebuloso de Sabo atrás dela, disse a ele: — não precisa se preocupar, vamos só conversar.
— Eu não teria com o que me preocupar, Koala é forte e autossuficiente. — disparou com o semblante sério, cruzando os braços da mesma forma que Rock, anteriormente.
— Sabo-kun. — ela advertiu, e ele ficou quieto. Em seguida, voltou-se para Leroy. — claro que podemos conversar, Iriel-kun. Só não posso demorar muito porque...-
— Cinco minutos. — Sabo intrometeu-se de repente, sem fitá-los. — estaremos saindo em cinco minutos.
Koala teve que segurar a vontade de voar no pescoço dele.
Porém, no fim, se afastaram um pouco do grupo e começaram a conversar, com um espectador em especial com os ouvidos bem atentos na tentativa de escutar sobre o que tanto falavam. Nina até mesmo brincou sobre ele parecer desejar ser uma mosca só para ir até lá disfarçadamente. Todos riram, por isso achou prudente ficar quieto invés de ser sincero.
Ele desejava realmente se tornar uma mosca.
(…)
Alguns minutos depois, o sol já estava se pondo e alaranjava todo o ambiente em volta de Sabo e Koala. O cavalo já galopava a todo vapor, e Sabo segurava a língua com toda sua força de vontade para não perguntar sobre o que a parceira conversava com Leroy. Estava morrendo de ciúme – ele próprio admita, era visível – mas também não queria invadir a privacidade dela desse jeito.
— Sabo-kun… — ela chamou-o baixo, mas conseguiu escutar. Ela estava abraçada às suas costas, com a cabeça encostada. Se não estivesse guiando o cavalo, teria virado para olhá-a. Devia estar linda.
— Sim?
— Você ainda tem raiva do Iriel-kun?
Sabo suspirou, abaixando o olhar. Ainda nutria certa raiva pelo rapaz ter tentado avacalhar com seu jantar romântico, mas estava na cara que não era aquilo que Koala desejava ouvir.
— Por que você quer saber disso? — perguntou.
— Não queria que ficasse com raiva dele. — confessou-lhe, aconchegando-se mais no calor das costas dele. O vento estava bem forte e, apesar da capa e do casaco, ainda sentia um pouco de frio. Ele gostou da aproximação.
— Por que?
Koala se deteve. Não achava certo compartilhar o passado de Iriel daquela forma, ainda mais quando tinha certeza de que ele não gostaria que Sabo soubesse.
Ele a dissera, certa vez, quando ainda era seu aluno, que havia nascido surdo de ambos os ouvidos. Não lembrava de quase nada de quem eram seus pais verdadeiros, apenas que o rejeitaram aos dois anos de idade, ao perceber a deficiência. Porém, como obra do destino, ele fora achado na rua por uma moça muito gentil, que cuidou dele como se fosse a verdadeira mãe.
Ela era rica; nunca se casou, e herdou todo dinheiro do falecido pai. Foi uma boa mãe, leu muitos livros e procurou ajuda sobre como ensiná-lo a ler e a escrever, e por muito tempo tiveram uma vida pacata e pacífica. No entanto, em um belo dia, quando Leroy já estava com dez anos, a Marinha invadiu a mansão sob a missão de eliminá-lo, alegando que ele tinha sangue de um pirata famoso. Iriel não sabia se era verdade ou não, mas não importava.
Sua mãe fora morta aquele dia, e sua casa incendiada.
A mulher se esforçara muito para passar o pequeno Iriel pela passagem secreta da casa, e acabou pagando com a vida.
Logo em seguida foi encontrado por Lindbergh, que o juntou aos outros membros mirins do exército revolucionário e meses depois conseguiu criar aparelhos que o permitissem escutar e aprender a falar.
“Minha mãe era muito romântica. Dizia a mim que, quando me apaixonasse, não deveria desistir fácil” ele dissera à Koala, enquanto conversavam, instantes atrás “Acho que entendi do modo errado. Fui insistente demais, e acabei ficando cego. Me desculpe.”
A instrutora já tinha desculpado-o há tempos, mas ele sentia necessidade de reafirmar. Isso a deixou feliz, sabia que ele era uma boa pessoa.
“Nesses últimos dias, tenho conhecido melhor outra pessoa.” continuou, com as bochechas coradas. “ela levou comida pra mim quando me recusei a sair e ir comer. Nos conhecemos melhor e aí… Bem… Ah, você sabe.”
— Você sabia que a Kirara-san e o Iriel-kun estão namorando? — ela disse de repente, surpreendendo Sabo. Como ela ficara em silêncio depois da pergunta dele, achou estranho ela retomar o assunto Leroy do nada.
— Estão? Nunca nem os vi conversando.
— Eles estão se conhecendo ainda, faz pouco tempo.
— Tem gente que começa a namorar logo, mesmo. Eu fico feliz por eles.
O conselheiro esperava que Koala tivesse entendido a indireta, mas como nenhum movimento diferente indicou que ela captara a mensagem, suspirou.
Iennifer e Liam estavam juntos de novo, Padomi e Rokka estavam namorando e com um bebê à espera, e até o chato do Leroy – graças a Deus – começou a namorar Kirara e deixou sua parceira em paz.
E ele e Koala…
Nada. Ainda na mesma.
Se não conseguisse fazê-la aceitar seu pedido de namoro nessa viagem…
Tinha medo de acabar desistindo.
(…)
Dragon saiu da sacada de onde podia ver a saída do quartel general. Assim que Sabo e Koala sumiram de vista em seu cavalo, todos se dissiparam e voltaram às suas atividades normais. Ele, por sua vez, não foi diferente. Tinha alguns assuntos financeiros a resolver com Liam mais tarde, e, mesmo sem a mínima vontade de resolver aquilo, não tinha Sabo para substituí-lo ali, teria que fazer.
Pegou um pouco de conhaque e virou num copo, se sentando atrás de sua mesa. Às vezes um pouco de álcool fazia bem.
Ouviu batidas à porta, e como julgou ser Mahara Liam, apenas mandou que entrasse. No entanto, arqueou as sobrancelhas ao ver Tamura – o jovem de cabelos verdes e óculos que, por algum motivo, estava sempre andando pelos corredores com uma pilha de papéis prestes a cair – passando pela porta em prantos, suado e ofegante.
— D-Dragon-san! Licença! — ele disse um pouco alto demais, apoiando nos joelhos para recuperar o fôlego. Ele tinha corrido até ali?
— O que foi? — o líder se levantou, intrigado.
— O pássaro acabou de chegar com a correspondência. — disse o esverdiado. Dragon não conseguiu entender porque ele estava tão agitado por causa de um jornal. — e o que chegou não foi o jornal… Foi uma carta. O senhor não vai acreditar em quem assinou como remetente… — ele retirou pesarosamente a carta do bolso, estendendo-a para o superior com um olhar nebuloso. — o que o senhor acha que esse pirata quer?
Dragon olhou o nome escrito no envelope, sem rodeios.
“Monkey D. Luffy”
Luffy? Voltou o olhar para o jovem, que parecia ansioso para saber sua opinião sobre a carta. Se outra pessoa tivesse posto as mãos na carta, pensaria que era apenas Robin querendo se comunicar com os antigos amigos, mas Tamura costumava ter esses pensamentos pessimistas e sempre esperava pelo pior.
— Não se preocupe, pode ir. — acenou com a cabeça para a porta, transparecendo tranquilidade. Isso acalmou o outro, que se curvou e saiu de sua sala calmamente, mesmo que sem retirar os olhos do envelope.
Após alguns segundos observando a carta, abriu-a. Não adiantaria ficar encarando sem fazer nada. E, quando abriu o lacre, surpreendeu-se ao ver duas folhas juntas. O que Luffy tinha tanto a dizer que precisaria de duas folhas para caber?
Dragon pegou uma das folhas e começou a ler atentamente.
“Pai
O primeiro pedido que devo lhe fazer é para não contar desta carta para Sabo. Deve ter reparado que, dentro do envelope há duas folhas e há um motivo para isso: esta é endereçada a você e a outra a ele, mas não quero que diga nada sobre esta aqui em especial. – ao menos por enquanto. —
Preciso que entregue a carta ao Sabo daqui a sete anos. Não sei como estará minha vida até lá, e não tenho certeza se terei como entregá-la, por isso, conto com você para fazer isso por mim. Sei que o fará. Mas, se quiser saber o motivo de eu enviar essa carta ao Sabo, acho que tem o direito de saber, já que me fará esse grande favor. Devo pedir, por favor, que queime essa folha após a leitura.
Pois bem, a questão é simples: quando morreu, todos acharam que o sangue de Ace havia se dissipado do mundo. No entanto, parece que não foi bem assim…
Em outras palavras, nosso irmão, Ace…
Teve um filho.”
Fale com o autor