The Best Job

44 O melhor trabalho


Notas iniciais
Como já citei antes, comecei The Best Job em um impulso, quando fiquei tão feliz pela aparição de Sabo e Koala como uma dupla que tudo sobre eles me deixava em êxtase. Um dia, fui procurar uma fanfic deles na internet, como de costume, mas não achei absolutamente nenhuma em português, considerando que eles eram personagens relativamente novos. UmA pessoa, que não faço ideia de quem seja, postou na internet uma simples comic da Koala acordando o Sabo, penteando seus cabelos e o ajudando a se vestir, o que me deu um estalo de ideia para uma trama. (link da comic no final) Por isso, decidi criar TBJ, e esta passou a ser a primeira fanfic focada em Sabo e Koala em pt-br (até onde eu sei) e a mais antiga da internet, num recorde excepcional de seis anos e meio. Aproveitem o capítulo, e, como sempre digo... Tenham uma boa leitura ♥

Koala mal sabia o que responder. Aquele havia sido um dia tão tranquilo e pacato, que achava que nada poderia abalá-la naquele momento. Mas Sabo conseguiu não só a deixar sem palavras, mas também paralisada, o que justificou seus muitos segundos apenas encarando-o.

— Koala? – ele a chamou, tirando-a do transe. – tudo bem?

— Eu... Eu... – passou a mão pelos cabelos, nervosa. – está brincando comigo? Isso não tem graça.

— Meu amor, eu nunca brincaria com isso. – ele riu de leve, achando graça. Pegou nas mãos dela, trêmulas. – eu pensei bem e percebi que a quero como minha esposa, e isso se tornou mais importante pra mim, principalmente depois de tudo o que passamos para ficar juntos, tantas idas e vindas. E... Nós temos uma filha, uma filha linda, fruto do nosso amor. Por que não oficializar tudo? Fazer um casamento que nos lembraremos pelo resto da vida? Não sei se e quando teremos outra oportunidade como essa.

Isso a fez lembrar de sua mãe. Quando era bem pequena, antes de se tornar escrava, sua mãe sempre lhe dizia que queria que ela se casasse com um homem bonito, honesto e que, acima de tudo, tivesse um bom coração. Um homem que pudesse amar de verdade, e que a amasse com o mesmo fervor.

Via tudo isso em Sabo. Ela o amava... Amava tanto que doía.

— Sim... – ela murmurou, sentindo lágrimas quentes descerem por sua bochecha fria. Puxou- mais para perto e aconchegou-se nele, fechando os olhos. – me caso com você...

Emocionado, Sabo tirou a aliança menor da caixa – que, coincidentemente, era da mesma medida que seu dedo mindinho, e disse isso ao atendente da joalheria para acertar o tamanho. Em seguida, colocou-a delicadamente do dedo de Koala, e a sua em seu próprio dedo.

— Temos que ir dormir. – disse a ela, em voz baixa. – amanhã temos um longo dia.

—Hm... – sua namorada assentiu, mas sem fazer menção de sair do abraço.

“Namorada” não, corrigiu-se. Noiva. E por pouco tempo.

(...)

No dia seguinte, todos os membros do bando dos chapéu de palha chegaram à pequena vila, fazendo seu estardalhaço de sempre. Junto a eles havia também Kaya e seu pequeno filho, Shinji, um garotinho de quase dois anos, de pele negra e cabelos cacheados, que foram apenas para passar um pouco mais de tempo com Usopp.

A notícia do casamento chocou o bando inteiro, e as meninas logo trataram de organizar tudo, enquanto os homens ficaram responsáveis por tomar conta da bebê Sammy e de organizar a pequena festa que fariam depois. Tudo teria de ser feito com muito sigilo e de forma cautelosa, para que não chamassem a atenção da marinha. A vila Foosha não era uma área exatamente guardada, mas uma dose a mais de cuidado poderia evitar acontecimentos desastrosos. Eles ainda eram considerados criminosos, afinal.

— Você está linda! – Nami exclamou, quando o fatídico dia finalmente chegou.

— Ele realmente lhe cai bem. – Robin opinou, fechando seu livro.

— Acham mesmo? – preocupada, Koala se olhou no espelho pela milésima vez. – depois que tive a Sammy engordei um pouco, principalmente o peito.

— Sei o que está passando. – com o filho adormecido no colo, Kaya deu um sorriso empático. – eu também engordei um pouco, mas não se preocupe. Você está ótima, Koala-san.

— Não deixou que Sabo a visse, não é? – Makino perguntou.

— Não. Ele ficou bem chateado por não ter conseguido conversar comigo. – disse a ela.

— Nós a roubamos de manhã cedo. Superstições existem por algum motivo, e não vamos arriscar Koala logo no dia de seu casamento. – Nami mexia no vestido da noiva, dando mais volume. Ela era, de longe, a mais envolvida em toda a história do casamento.

— Como ela vai fazer para ir até a ponta da ilha vestida assim? – Kaya perguntou.

— O prefeito virá de carroça buscá-la. – Makino disse a ela.

— Imagino que o resto de nós terá que andar. – Nami ironizou.

— Não é nada que já não tenhamos feito antes. – disse Robin.

Concentradas na conversa, as quatro mulheres pareciam não notar Koala ali, suando de nervosa. Sua barriga se revirava e se qualquer alimento fosse posto perto de seu nariz, vomitaria ali mesmo. Eram sintomas comuns de quando ficava ansiosa, — curiosamente, a maioria deles envolvendo Sabo.

Não queria admitir, mas estava com medo. A partir daquele dia, sabia que sua vida mudaria, e tinha receio em descobrir se era para melhor ou para pior.

(...)

Era engraçado ver Blaze, sempre tão sujo, vestido em uma roupa tão arrumadinha. Todo o conjunto que ele usava – uma calça com suspensórios, uma camisa de botões e uma gravata vermelha – era emprestado do filho do açougueiro da vila, mas combinava perfeitamente com Blaze e seu cabelo cor de rosa penteado para o lado.

— Parece até que uma das vacas lambeu minha cabeça! – ele reclamou para Sabo.

— Verdade. – Sabo riu de leve. – mas quero que fique assim até, no mínimo, a cerimônia ter acabado. Depois pode se bagunçar à vontade.

— Uhhh e eu posso comer aquele bolo ali? – apontou eufórico para o bolo branco de cinco andares que Sanji preparara para a ocasião.

— Pode, mas vai ter que ser mais rápido que seu tio Luffy.

Temeroso com a ideia de perder a prova do bolo, o menino foi até Luffy para dar seu ultimato. Riu mais uma vez dele. Era um garoto muito esperto, gostava dele cada dia mais.

Seus nervos voltaram a ficar à flor da pele quando anunciaram a chegada de Koala. Tudo tinha sido preparado de forma muito improvisada: invés de acontecer na igreja, decidiram que a cerimônia seria celebrada no ponto mais extremo da montanha onde. Segundo Makino e os outros membros da vila, fora ali onde Ace se despedira da ilha ainda quando jovem. A visão do mar tornava a decoração simples ainda mais bela, além de ser, claro, uma grande satisfação para os noivos ter aquela paisagem em um momento tão importante.

O coração de Sabo disparou ao finalmente vislumbrar Koala. Era impressionante como, após anos, ela ainda despertava nele os mesmos sentimentos de quando se notou apaixonado por ela. Ela estava linda. Os cabelos agora um pouco mais crescidos que antes tinham sido arrumados em um coque, e decorado com um véu para trás, e seu vestido era branco, como de costume, com uma saia repleta de anáguas e um laço no abdômen.

Emocionado, sentiu vontade de chorar. Piscou, afastando mentalmente a ideia vergonhosa. O som do violino de Brook ressoou, e todos observaram Koala se aproximar, sozinha, a não ser por uma pessoa: Sammy, com sua fofura no máximo, vestida toda de branco em um vestido cheio de babados, além de um laço branco na cabeça. Ela babava a própria mão, indiferente ao que acontecia ao seu redor.

Quando Koala finalmente terminou sua breve caminhada, entregou Sammy para Nami, uma de suas madrinhas, junto à Robin. Luffy e Zoro foram escolhidos os padrinhos, fazendo par com as duas.

— Você está maravilhosa. – Sabo sussurrou para ela, enquanto o padre falava. – acho que me apaixonei.

— Seu bobo. – ela corou. – preste atenção no padre.

O resto do casamento se desenrolou de forma normal, apesar dos membros anormais que ali estavam. Na hora das entregas das alianças, Blaze, um pajem um pouco atrapalhado, acabou correndo e derrubando-as no chão junto com a almofada. Foi hilário ver a noiva, o noivo, o padre e o menino abaixados na grama, procurando os minúsculos objetos.

— Achei. – uma mão de Robin brotou no chão, assustando o senhor idoso, que precisou de alguns minutos para se recompor.

Por fim, a troca de alianças finalmente foi feita, e, com um brilho no olhar, Sabo disse a ela:

— Meu amor é seu.

Koala sorriu, deixando algumas lágrimas acumuladas nos olhos.

— Meu amor é seu. – ela repetiu.

A revolucionária pegou Sammy de volta no colo, e, para sua surpresa, Sabo se virou e pegou Blaze do chão, que assistia a tudo com bastante tédio. Ao ouvir o “pode beijar a noiva” do padre, os dois se aproximaram e deram um simples selinho.

— Que nojo! – Blaze gritou, fazendo todos rirem, novamente.

Até ali, Koala estava preocupada. Já se sentia esposa de Sabo desde o momento em que sabiam que teriam um bebê e formariam uma família. No entanto, o casamento tornara tudo assustadoramente oficial, principalmente quando parava para refletir como, nunca em sua vida, acreditara que iria se casar e ter um filho.

Mas ao ver os olhos negros de Sabo, tão cheios de amor, seu coração se acalmou.

E, de alguma forma, tinha certeza de que tudo daria certo.

(...)

— Blaze?

O menino, agora todo suado de tanto festejar com o bando e com o rosto cheio de glacê de bolo, se aproximou do casal. Koala e Sabo estavam sentados nas cadeiras, descansando de toda a agitação dos mugiwara. O bando de Luffy não era muito bom em planejar um casamento, mas no quesito festejar, eles eram os melhores.

— Que foi, tio?

Sabo tinha uma expressão séria no rosto, deixando Blaze um pouco apreensivo. O loiro olhou para a esposa, como se se comunicassem pelo olhar, e se virou de novo para o sobrinho.

— Percebi que você gosta muito de piratas. – disse ele. – pode me dizer o por quê?

— Por que... – Blaze murmurou, confuso. O menino olhou para o chão, organizando as ideias em sua mente. Para a surpresa dos dois, respondeu com convicção: — eu não gosto mais de piratas.

Sabo e Koala arregalaram os olhos e arquearam as sobrancelhas. Antes que perguntassem mais sobre aquilo, o garoto continuou:

— Eu não odeio piratas. – explicou em seu tom infantil. – mas é que eu não gosto mais tanto deles.

— Por que não, querido? – Koala indagou.

— Porque eu gosto mais de vocês. – o tom dele era mais animado. – vocês... Vocês... Vocês mudam o mundo! Vocês param guerras, e param os caras maus da marinha! Vocês ajudam pessoas pobres! E... E... Um montão de coisa boa! E é tão incrível que eu quero ser assim um dia. – embora dissesse para os dois, o olhar de admiração de Blaze era para Sabo. – quero ser como vocês, tio Sabo. Como você.

Sabo se levantou da cadeira e, de forma calma, agachou-se na altura de Blaze. Mirou nos olhos violeta do sobrinho, e seu tom era terno quando perguntou-lhe:

— Se é assim que quer, então, Blaze... Gostaria de saber se quer se juntar a nós. Aos revolucionários.

(...)

Queridos Chapéu de palha

Queremos agradecer imensamente pelo apoio que nos deram durante toda a viagem. Sammy nasceu e teve suas primeiras semanas de vida no Thousand Sunny Go, e isso jamais será esquecido. Infelizmente, pecamos ao amar demais nosso pequeno milagre, de forma que se tornou impossível entregá-la à irmã mais velha de Nami-san. Sinto muito, e espero que entendam. Estamos quase chegando à nossa base, e não saberemos como a notícia de nossas decisões sobre o futuro serão acatadas.

Quanto à Blaze, não conheço menino mais feliz no mundo. Ele veio o caminho todo empolgado com o navio dos revolucionários, e insistiu para que Sabo e eu o treinássemos todos os dias. Seu cabelo já está até caindo nos olhos, pois ele se recusa a cortar até que fique do tamanho do de Sabo, que se tornou seu mentor.

Desejo a vocês tudo de bom e, mais uma vez, agradecemos por todos os momentos incríveis que passamos juntos. Vivam suas vidas da melhor forma possível, e, desta mesma forma, viveremos a nossa.

De sua irmã de coração, Koala.

Koibito-chan!!!

Um grito e som de crianças correndo foram ouvidas quando Sabo e Koala desceram dos cavalos, junto aos outros revolucionários da frota que os trouxera até ali. Todas as crianças – Nina, Rock, Tora, Marion, Aurora, e até Shin, que se convertera em um adolescente – falavam e se penduravam neles, sem esperar até mesmo que tirassem suas capas de viagem empoeiradas.

— Quer ver o meu dente que caiu?! – Nina pulava como uma verdadeira coelha.

— Não, ela vai ver minha nova invenção! – Rock tomou o lugar dela. – Koala-san, eu inventei um novo protótipo de máquina que reutiliza a força do...

— Eu fui promovido, sabiam?! – Shin interrompeu o mais novo. – vou a mais missões agora.

— Ei! Eu queria falar primeiro! – um reclamou, gerando uma discussão entre eles.

Um voz grossa e firme os fez se calarem:

— Todos vocês, quietos!

Aproveitando a deixa de Rokka, que aparecera com um bebê no colo, Sabo pôs Blaze, que até então estava oculto atrás das pernas de Sabo, no meio das crianças, recebendo olhares atentos deles.

— Este é meu sobrinho. – disse a eles. – ele se juntará a vocês a partir de hoje, espero que sejam bons amigos e o ajudem no que precisar.

Por alguns segundos, nenhuma criança falou, todos os pequenos olhos apenas analisando o novo garoto. Inusitadamente, Marion, um dos mais novos e o que menos falava, foi o primeiro a dizer:

— S-Seja bem-vindo, qual é o seu nome?

— Blaze! – o menino abriu um sorriso.

Logo em seguida o grupo de crianças começou a conversar animadamente e, antes que descarregassem tudo para enfim adentrar a base, viu-os correndo para dentro como uma manada de bois. Koala ficou feliz em vê-lo se entrosar com os outros recrutas.

— Parece que eles não notaram essa coisinha aí. – Rokka comentou, com um sorriso de lado.

Sabo puxou a capa, revelando Sammy dormindo calmamente em seu braço. Sorriu para o cozinheiro.

— Muitas coisas aconteceram, meu amigo. Onde estão todos?

— No salão principal, aguardando vocês com uma festa surpresa. – ironizou.

— Seu estraga-prazeres! – Koala deu uma cotovelada amigável em sua costela. – que menino lindo! É o Jay, não é? Posso segurar?

— Não.

Koala revirou os olhos. Certas pessoas nunca mudavam.

Mas era bom estar de volta.

(...)

— Entre.

Sabo adentrou o escritório de Dragon com uma ideia concretizada na cabeça. Após procurar Blaze, que corria por aí conhecendo tudo, pediu desculpas aos amigos e disse que tinha que resolver um assunto importante antes de se juntar a eles. Tirou a capa de viagem, e, com Sammy no colo e o sobrinho ao seu lado, foi encarar seu superior.

O olhar do imponente Monkey D. Dragon varreu o cômodo, olhando calmamente para o menino, que se escondeu um pouco atrás de Sabo, em seguida parando em Sammy, que estava perfeitamente aconchegada nos braços do pai. Com quase um ano, o bebê já estava com uma cabeleira farta, mostrando suas madeixas loiras onduladas idênticas as do pai.

— Ela se parece com você. – Dragon comentou. – este é o Blaze?

— Portgas D. Blaze. – confirmou. – novo membro. Meu sobrinho e novo braço direito.

O líder franziu o cenho. Com o tom sério e decidido, ele disse ao homem:

— Desde que me resgatou de Goa, o senhor fez mais do que qualquer um já tinha feito. O senhor me tratou, me treinou, me deu um teto, comida e um objetivo. Objetivo esse que é o que nós dois queremos há muito tempo. – fez uma pausa para respirar. – acredito que isso não seja o que você queria para mim, porque ter um filho significa muita responsabilidade, e não é algo simples de se conciliar com o que fazemos aqui.

— Seja claro, Sabo. – pediu ele. – aonde você quer chegar?

— Decidimos ficar com Sammy. – finalmente falou, deixando a voz tremer num vacilo. – não vamos entregá-la. A ninguém.

Aqueles segundos de silêncio, que mais pareciam horas, não foram o suficiente para aplacar a perseverança de Sabo.

— Faremos dessa uma base mais segura, traremos todos os revolucionários da base da ilha de Shot Green, no South Blue, que foi invadida e desativada, pois eles são combatentes fortes e tem uma força bélica maior do que temos aqui. Além disso, traremos mais tritões para as lições de luta dos recrutas mais novos da base 8 e 11, que virão para cá, e assim vamos suprir a falta de mestres. Será como a antiga em Baltigo, mas mais moderna e segura. E este – pôs a mão na cabeça de Blaze. – como já disse, é o meu sobrinho, que será treinado especialmente por mim com a principal missão de proteger Sammy.

Quando Dragon olhava para Sabo, via a si mesmo muitos anos atrás, quando teve de deixar Luffy, ainda muito bebezinho, em Goa para seguir os seus próprios ideais. Nunca confidenciara isso a ninguém, mas não houvera sequer um dia, em toda sua vida, que não pensasse no filho ou se ele estava bem. Sonhava acordado sobre coisas frívolas como ensiná-lo a andar de bicicleta ou a melhor forma de caçar besouros no verão. Quase esboçou um sorriso ao notar seus devaneios bobos em uma hora como aquela.

— Parece que você planejou tudo muito bem.

— Sim. – Sabo concordou, tirando um monte bloco de papéis da grossura de uma palma da bolsa que carregava. – está tudo aqui, escrito à mão. Se tiver alguma dúvida, ficaria feliz em saná-la.

— Você cresceu muito, filho.

O conselheiro arregalou os olhos, surpreso pelas palavras e o tom paternal de seu superior. Dragon não era um homem mau nem cruel, mas raramente demonstrava seus verdadeiros sentimentos. Naquele momento, no entanto, ele mostrava um lado que nunca havia visto.

— É um homem agora, responsável por duas... – olhou para Blaze por um instante. – três vidas, e admiro isso em você. Mas não acha que está sendo imprudente sujeitando um bebê a esse ambiente, quando há outra opção mais segura?

— Acho. Sou egoísta e a quero conosco. Me desculpe.

Minutos de um silêncio tenso se instalaram no escritório, o suficiente para começar a deixar Blaze, que até então se mantivera anormalmente quieto, impaciente para voltar à agitação e guloseimas da festa no terraço.

— Tio Sabo, vai demorar? – sussurrou, puxando sua calça.

Dragon sorriu de canto olhando para o menino.

— Vou analisar essa documentação. Pode ir, está dispensado, Sabo.

O loiro se curvou para o líder, mas, antes que se retirasse, Dragon pediu para Sabo passar um recato.

Um recato muitíssimo importante.

(...)

O clima estava lindo aquele dia. Era um típico dia de primavera, com um frio modesto e as árvores que podiam ser vistas do alto daquela construção estavam floridas e animavam o ambiente. Diversas comidas tinham sido preparadas, desde os mais simples à doces elaborados. Em um clima de piquenique, fora ideia de Tora estender mantas no chão para comer. Todos os seus amigos o fizeram, aproveitando o dia de folga para gozar da paz e tranquilidade.

Koala estava sozinha, mais afastada, sentada em uma manta vermelha e organizando os sanduíches que pegara em pequenos pratinhos. As crianças, que antes estavam eufóricas com sua chegada, agora brincavam com algo que envolvia um taco e uma bola, e disputavam para ver quem ganharia. Era bom vê-las brincando.

Quando começou a sentir falta de suas crianças, como um passe de mágica, Sabo surgiu na pequena festividade, com um sorriso estampado no rosto. Ele se sentou junto à ela, enfiando um sanduíche na boca.

— Falou com Dragon-san? – perguntou a ele, com um fundo de medo.

— Falei. – confirmou, de boca cheia. Engoliu antes de continuar. – ainda teremos que rever os documentos e aprovar, mas ele deu o seu aval.

Uma felicidade imensa invadiu seu coração. Olhou para a filha, sentada entre eles, agitando as mãos para Blaze, que também atacava um sanduíche.

— Beezu! – ela balbuciou sorrindo, fazendo os pais arregalarem os olhos. – Beezu! Beezu!

— Ah meu Deus! – Koala quase gritou. – a primeira palavra!

— Não foi papai? – Sabo resmugou.

— Foi Blaze! Foi meu nome! – Blaze deu um largo sorriso, revelando um dente da frente faltando. – acho que eu sou o mais especial.

— Então eu sou mais mais especial. – o pai da menina acrescentou.

— Sou mais mais mais especial ainda!

Koala não prestou muita atenção em quantos “mais mais mais” especiais se seguiram, apenas riu e se perguntou se algum ser divino poderia transformar todos os próximos dias de sua vida em dias como aquele. Era uma ideia sonhadora, que sabia que era inviável. Porém, decidiu ela: viveria todos eles com o objetivo de viver o máximo de momentos felizes possíveis.

— Ah, Koala. – Sabo tapou a boca de Blaze, para que ele não pudesse continuar. – Dragon-san mandou um recado para você.

— É mesmo? E qual é?

— Ele disse que você está dispensada. Seu trabalho acabou.

Entendeu imediatamente o que seu líder queria dizer. A missão que a levara até ali, a de cuidar de Sabo, finalmente estava completa. Seu marido não era mais um garoto de dezenove anos imprudente, ele era um homem adulto, que a amava e era amado na mesma intensidade, que cuidaria e seria cuidado da mesma forma, e colaborariam juntos para cuidar de Sammy e de Blaze.

— Acabou, então... – murmurou. – que pena. Esse foi o meu melhor trabalho.

Anos depois, após muitas lutas e sacrifícios, o exército revolucionário tivera êxito em seu golpe e um novo governo foi instaurado, com os principais cabeças da causa, agora no poder. Sabo, um ex-nobre desertor, menino de rua, se tornou novamente o segundo em comando, mas agora de um modelo de governo ainda em formação. Koala, apesar de suas obrigações como líder da nova academia de formação de policiais, jamais deixou de dar atenção aos filhos, bem como Sabo.

Com a maioridade, novos casais foram se formando. Tora e Rock, assim como Shin e Aurora e Nina e Marion, se casaram um após o outro. Todos assumiram posições importantes em suas respectivas áreas de interesse, além de dedicar seus esforços também para causas como a proteção e prevenção de abusos de menores.

Padomi e Rokka, nunca mudaram. Leroy, para a surpresa de todos, levara a sério seu relacionamento com Kirara, a ajudante de cozinha, e desse relacionamento surgira uma linda menina. Tamura, o jovem secretário, agora era responsável por todos os documentos da biblioteca mundial, e a cada dia mais continuava derrubando papéis. Liam assumira sua posição como líder do ministério da economia, enquanto Iennifer se tornara a ministra da saúde.

Sammy, de doze anos, se convertera em uma menina muito bela e esperta, de longos cabelos loiros que caiam como cascatas em suas costas, além de olhos azuis escuros idênticos aos da mãe. Curiosa por natureza, era comum que ela lhe perguntasse sobre coisas do passado que eram mais complicadas do que poderia pensar.

— Mas como a sua história com o papai começou? – ela perguntava. – me diz, por favor. Sabe que eu adoro histórias de amor.

Sorriu para a filha e começou a contar, com emoção na voz:

— Tudo começou com uma missão, um conselheiro dorminhoco, memórias perdidas, mentiras e companheiros exóticos...

Via em seus olhos que, assim como ela, anos atrás, sua filha estava amando, e talvez nem houvesse se dado conta disso. Tudo o que desejava para ela era que, assim como sua história, tivesse um final feliz, ainda que necessitasse de muita resiliência. Afinal, uma paixão podia durar um dia, mas quando era amor... Ah, aí era para a vida toda. E quanto à pessoa pela qual Sammy estava encantada, bem...

Isso já era outra história.

FIM

Notas finais
Apesar deste ser, oficialmente, o último capítulo de The Best Job, um epílogo junto de uma arte final comemorativa ainda serão upados aqui. Portanto, guardarei meu suor dos olhos para o epílogo final, e não me despedirei aqui. Mas é impossível finalizar o 44 sem comentar como tudo isso me tornou muito emotiva, por isso, talvez o capítulo tenha ficado muito meloso, com muito foco na nova família Sabo+Koala+Sammy+Blaze kkk enfim... O que acharam?! ♥ Sinto muito, de verdade, se o final não tiver agradado a todos, e, como sempre, estou ansiosa pelo feedback de vocês e, pela penúltima vez, aguardo os comentários de The Best Job ♥ Link da comic: (https://imgbox.com/Nv9hLSDc pag 1) (https://imgbox.com/BlMgQJ3P pag 2) OPS: O nome Shinji, do filho de Usopp, é uma brincadeira com o próprio nome do Usopp, que vem de “Uso”, mentira. Já Shinji vem da palavra “Shinjitsu”, que significa verdade.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!