The Best Job

10 Liberdade


Notas iniciais
Olá, pessoal o// Desculpem pela demora, é que eu estive bem ocupada ultimamente... Sem falar que eu tive que revisar o arco dos ASL todinho @-@ mas tenho que admitir que foi bom :') Enfim... Quando as letras estiverem em negrito, é porque o Sabo está narrando. Se estiver em itálico, é porque é um pequeno flash back, narrado por mim. E se a letra estiver normal, é porque voltou para o atual, com Sabo e Koala, entenderam? Bem, sem mais delongas... Espero que gostem! ^-^

Eu nasci numa família nobre, numa parte da cidade onde apenas os nobres podiam morar. Quando era pequeno e morava com meus pais, não tinha nenhum amigo; pois, segundo eles, eu só deveria fazer amizade com nobres de níveis mais altos.

Sabo olhava pela janela de seu quarto, observando uns meninos ricos da região brincarem com uma bola. O loiro, assim como todo menino de 4 anos, sentira vontade de abandonar a pilha de livros em sua frente para ir se divertir também.

– O que está olhando aí?! — perguntou sua mãe, aparecendo na porta. Desconfiada, ela olhou pela janela. — nem pense em brincar com esses meninos, o pai deles está quase falindo, logo logo serão pobres, uns inúteis! Por que que você não faz algo que preste e faz amizade com o filho dos Melograno? A família dele tem sangue da família real!

– Eu tentei mamãe, mas ele roubou os meus brinquedos e ainda me bateu... Eu falei pra senhora! — retrucou o pequeno, frustrado só de lembrar, aquele garoto havia ficado com seu carrinho favorito.

– Hunf, isso não aconteceria se você tivesse nascido igual a mim. — disse a mulher visivelmente irritada, ela virou de costas, saindo do quarto.

– Nossa, isso é tão cruel... — comentou Koala de olhos arregalados, como uma mãe podia ser assim? Como isso pode ser chamado de mãe?

Com meu pai as coisas não eram diferentes. Ele estava sempre ocupado e sempre exigia que eu fosse o melhor nos estudos e em me socializar com os riquinhos. O que ele mais dizia pra mim quando era pequeno, era que eu devia me tornar um homem adequado para me casar com uma moça muito rica, para assim expandir os negócios da família.

– Me casar com uma moça rica? — perguntou o pequeno loirinho, não entendendo muito bem o que seu pai diria.

– Isso mesmo. De preferência uma milionária, não, uma princesa! Assim, expandirá os nossos negócios. — respondeu Outlook, sem nem mesmo olhar para Sabo.

– Tá bom! — assentiu a criança, achando que poderia agradar o pai, sorriu, decidido que faria aquilo futuramente para deixá-lo feliz.

Eu não reclamava de nada porque ainda era uma criança inocente, mas a raiva ao perceber com o tempo que eu não era nada mais que um objeto de meus pais para garantir riqueza e status foi crescendo cada vez mais... E eu fugi para o Terminal Cinza.

– Você é um fracote. — disse um menino de cabelos pretos, que parecia ter uns 5 anos. Ele estava em cima de entulhos, e viu quando Sabo passou correndo e caiu, logo depois, chorando pelo joelho ralado.

– Não sou não!!! — retrucou o loiro muito irritado. Secou suas lágrimas e se levantou, pronto para brigar. Observou o moreno descer, e ficar a frente dele.

– Nunca te vi por aqui. — afirmou o garoto misterioso, dando uma olhada em Sabo de cima à baixo. Ele estava sujo e machucado.

– Eu sou daqui agora. Não tenho ninguém. — disse Sabo com um olhar cabisbaixo. — e estou fome... — murmurou para si mesmo, sentindo seu corpo fraco e o enjoo o consumirem.

– Meu nome é Ace. — disse a outra criança com um olhar sério.

– Sou o Sabo.

Lá eu conheci um garoto que, apesar de ser uma criança de 5 anos, parecia ser barra pesada. Acabei fazendo amizade com ele. Descobri que ele era orfão, e morava com bandidos das montanhas. Eu sempre dizia para ele morar comigo no Terminal Cinza, mas ele recusava dizendo que o longo e perigoso caminho que fazia diariamente servia como treinamento.

– E quem era esse garoto? — Koala perguntou, prestando atenção em cada detalhe do que Sabo dizia. Sabo lentamente levantou sua mão, e ela a seguiu com o olhar, vendo que ele apontava para um dos cartazes.

Esse garoto... Era Portgas D. Ace.

Nós éramos conhecidos por nossos roubos, e nossa força anormal para duas crianças tão pequenas. Treinávamos, e roubávamos, para quando fizéssemos 17 anos, zarpar para o mar para virarmos piratas... Por isso, durante cinco anos, nós juntamos uma quantia altíssima de dinheiro. Uma vez o Ace veio com uma grana alta, e eu fiquei impressionado. Ele havia roubado dos piratas do Bluejam, um pirata perigoso. Nesse mesmo dia, um garotinho havia seguido Ace por aquele caminho extremamente perigoso. Além dele ter ouvido nossa conversa sobre sermos piratas no futuro, ele viu nosso esconderijo secreto de dinheiro.

Koala arregalou os olhos, olhando bruscamente para o cartaz ao lado do de Portgas D. Ace.

– E-Então essa criança era o...

Luffy. Esse menino era Monkey D. Luffy. Ele tinha 7 anos naquela época, e era um moleque chorão e escandaloso haha. Ele acabou sendo capturado pelos piratas que nos procuravam por causa do dinheiro que Ace roubou, e o torturaram para fazê-lo falar onde estava o dinheiro. Ace e eu não demos muita atenção para o sequestro, realmente achamos que ele abriria o bico e todo o nosso dinheiro iria por água abaixo.

Horas se passaram e nada dos piratas chegarem. Foi aí que eu percebi... Que ele ainda não havia confessado.

Nós fomos até o esconderijo deles, e resgatamos o Luffy com muito custo. De inicio, ele pareceu apenas um menininho mimado e chorão, só aí então que percebemos que, assim como nós dois, ele era só no mundo.

Logo, nos tornamos amigos.

Me mudei para onde eles moravam, e a dona da casa era Dadan, "a bruta, feia, chata, mandona e preguiçosa". Foi um tempo bom... Nós passamos meses nisso. Acho que foi a melhor época da minha vida.

– Olha só... A vista daqui é alta! Olha Ace, Sabo!! — Luffy gritava lá do topo da árvore, parecia encantando com a altitude.

– Desce daí, Luffy! Se você cair pode se machucar! — gritou Ace irritada com tamanho descuido de seu irmão mais novo.

– Luffy, é melhor você não se debruçar assim! — gritou Sabo, mais preocupado que irritado.

– Não vou me machucar mesmo se cair, eu sou de borrach-

No mesmo instante o garoto cai, fazendo os dois garotos levarem um choque. Logo, seus instintos de proteção falaram mais alto, e eles pegaram o garoto antes que este caísse no chão.

– FICOU MALUCO?! — esbravejou Ace dando um soco na cabeça de Luffy. Este começou a chorar, e foi para trás de Sabo para se proteger.

– Vamos Ace, não precisa bater mais nele... — Sabo disse, tentando ajudar seu irmão mais novo. — acho que Luffy já aprendeu com o susto.

– Por isso você é meu irmão preferido, Sabo... — comentou o pequeno com a voz embargada por conta do choro.

Percebemos então, que ambos os três almejávamos ser capitães, e que eventualmente iríamos nos separar. Logo, decidimos beber sakê juntos, pois quando homens compartilham sakê, eles se tornam irmãos. Assim, mesmo estando a léguas de distancia, ainda estaríamos ligados por nossos laços de irmandade.

– Isso... É lindo! — confessou Koala com os olhos brilhando. Seu sorriso se desfez quando viu que o brilho nos olhos de Sabo haviam desaparecido.

Meu "pai" acreditava que eu estava morto, mas acabou descobrindo que eu estava vivo. Ele contratou piratas para me pegar e me levar pra casa. Eu não queria ir, obviamente, mas ele deixou bem claro que se eu não seguisse suas ordens... Ele mandaria os piratas matarem Ace e Luffy.

Lá em casa, as coisas voltaram a ser como eram antes: podres. Acredita que eles adotaram um garoto pra me substituir caso eu não tivesse sucesso em obter mais riquezas para eles? Mas isso nem me importava muito. O que realmente me preocupou foi quando descobri que, como os Tenryuubitos estavam visitando nosso reino, o rei decidiu que iria "eliminar toda a sujeira"... Ou seja, eles iriam queimar o lixão inteiro, o lugar onde muitas pessoas moravam.

– ... — Koala arregalou os olhos assim que ouviu a palavra "tenryuubitos", e o ódio por eles voltou num passe de mágica.

Tentei impedir, já que até mesmo meus irmãos estavam em perigo... Mas eu era só uma criança. Não consegui fazer nada. Nesse dia, a raiva e a angustia me consumiram, e eu me encontrei com um homem encapuzado na rua, e ele entendeu toda o meu ódio por aquelas pessoas...

Foi aí que eu comecei a ficar com medo. Tive medo de permanecer ali, preso, e ficar igual a eles. Então, decidi partir no dia seguinte. Talvez isso fosse uma decisão egoísta, não avisei nem ao Ace e nem ao Luffy, mas eu não aguentaria viver daquela maneira, como um animal de circo. Levei minha bandeira, e roubei um barco pequeno de um pescador qualquer.

Eu carregava esperanças e sonhos comigo. Entretanto, meu maior erro foi ir embora na mesma hora em que o enorme navio dos tenryuubitos estava chegando em Goa.

Sabo parou de olhar para um canto qualquer, e olhou fixamente nos olhos de Koala. Ela nunca havia o visto tão sério quanto estava.

Eles atiraram em mim. E foi assim... Que eu consegui essa cicatriz.

Koala passou de leve a ponta de seus dedos na cicatriz de Sabo, pasma com o que acabara de contar.

Atiraram pelo simples fato de eu estar navegando ao lado deles. Esses porcos imundos que não podem nem ser considerados humanos...

Logo, fui considerado morto.

E realmente, eu estaria morto. Isso... se não fosse pelo Dragon. Ele me salvou, e me levou com ele à beira da morte.

Não sei bem o que aconteceu. Só sei que quando acordei, estava num navio em alto-mar, e um homem com um rosto enorme estava me encarando.

Sabo riu, enquanto se lembrava de Ivancov. O sorriso dele a tranquilizou mais.

Sabo se levantou da cama, sentindo dores em todo seu corpo. Não estava enxergando direito, parecia que algo estava tapando seu olho esquerdo. Passou a mão em seu rosto, percebendo que estava com ataduras na parte esquerda do rosto. Na verdade, estava com ataduras em muitas partes de seu corpo.

Olhou para frente, vendo um homem — ou pelo menos, algo próximo disso — de cabelos roxos o encarando. Era o homem mais estranho que havia visto em toda sua vida.

– Quem é você?! Onde eu estou?! — disse o garoto pulando da cama e encostando na parede, ele parecia estar com medo e confuso.

– Se acalme, chibi-boy. Consegui salvar seu olho, mas vai acabar morrendo se ficar fazendo movimentos bruscos assim! — bronqueou o homem em tom reprovador. — vou te levar ao Dragon se quiser esclarecer tudo, ok? Mas depois você vai descansar.

Iva-san era incrível... Então, ele me levou até o Dragon. Eu não estava entendendo diabos do que estava acontecendo, e estava desconfiando de todas aquelas pessoas. Mil coisas se passavam pela minha cabeça, e uma delas, era a possibilidade daquele ser um navio pirata que me resgatou para servir a eles como um faz-tudo assim que ficasse bom.

Logo, cheguei até a sala de Dragon, e ele estava lá, mexendo em alguns papéis.

Sabo, ainda desconfiado, sentou-se calmamente na cadeira que ali estava. Em nenhum momento desviou seu olhar dos olhos de Dragon, e o homem fazia o mesmo. Aquele olhar era realmente assustador, capaz de fazer crianças da sua idade tremerem de medo, mas ele queria mostrar para aquele homem da tatuagem no rosto que ele não era uma simples criança ferida.

– Vejo que acordou. — disse Dragon, iniciando um diálogo. Ele olhou para as ataduras do garoto, provavelmente os machucados ainda estavam doendo, esse deveria ser um menino bem valente. — você passou três dias inteiros dormindo.

– Quem é você? — perguntou Sabo, sem rodeios. O homem não respondeu, porém continuou a olhar para ele da mesma maneira. Logo, depois que sua visão melhorar um pouco, ele começou a ter uma noção de quem estava em sua frente. — espera... Eu já te vi em algum lugar...

– Sou aquele que quer mudar o mundo. — disse convicto. — e você é o garoto que disse coisas que eu nunca esperaria de uma criança de Goa. Onde estava com a cabeça quando navegou na mesma hora que os Tenryuubitos? — perguntou Dragon, claramente calmo. O menino pareceu não entender bem.

– Tenryuubitos? Eu nem me lembrava que eles estavam chegando naquele mesmo dia... — respondeu Sabo, ainda meio confuso.

– E o que um garoto como você queria saindo para o mar sozinho? — perguntou o Monkey, já imaginando a resposta.

– Liberdade.

Dragon arqueou as sobrancelhas, não esperava que ele respondesse com tanta convicção no olhar.

– Você partiu para o mar para ser um pirata livre. — afirmou ele, entendo o que o loiro dizia. Ele suspirou, continuando: — tenho certeza de que, pra um garoto como você dizer aquelas coisas que eu ouvi em Goa, deve ter passado por poucas e boas. Sei também que deve saber de como esse mundo está podre.

Sabo ficou calado, apenas ouvindo o que o mais velho dizia.

– Não vou te obrigar a ficar. — continuou o Monkey. — posso dar um jeito de te deixar na próxima ilha, ou fazê-lo voltar para o seu reino, caso esteja com vontade de ficar com entes queridos de lá.

– Tenho vontade de ver o Luffy e o Ace...

O nome "Luffy" chamou atenção de Dragon.

– ...Mas não vou fazer isso, disse a eles que seria livre e eu serei. — completou o garoto, certo do que queria. Se lembrava muito bem da carta que escrevera para seus irmãos...

"Ace, Luffy... Vocês estão bem, né? Eu quero tanto ver vocês. Sou como um animal em uma jaula. E não parece que eu vá conseguir viver neste país por muito tempo. A cada dia o ar em minha volta fede a falta de humanidade.

O que é liberdade? Onde ela se encontra?

Ace, Luffy, vocês se machucaram naquele incêndio? Estou preocupado, mas acredito que estejam bem. Me perdoem, mas quando vocês dois lerem isso, eu já estarei...

No mar...

Muita coisa aconteceu, e eu decidi partir assim que podia. Aonde vou... Bem, um lugar que não seja aqui... E então irei ficar mais forte e me tornar um pirata. Serei o pirata mais livre que qualquer outro, e me encontrar com vocês dois de novo. Vamos nos encontrar de novo com certeza, nesse livre, e gigante oceano!!

Outra coisa, Ace, quem de nós é o mais velho? É meio esquisito dois irmãos mais velhos e um irmão mais novo, mas esses laços são meus preciosos tesouros...!

Luffy ainda é um bebê chorão fraco, mas...

Ele é nosso irmão mais novo.

Tome conta dele por mim."

– Você quer ser livre, certo? Mas apenas livre? — perguntou o D, com um ar sábio. — por que além de ser livre... Não tenta mudar as coisas "erradas" deste mundo que vivemos?

Essa proposta fez Sabo arregalar os olhos.

"Mudar as coisas erradas deste mundo"...

Foi aí que o Dragon me fez pensar sobre a ideia de "mudar as coisas erradas deste mundo", e acabei me tornando seu pupilo.

– Uau... Sabo-kun, essa é realmente uma história incrível! Eu nunca imaginaria que você passou por tudo isso! — exclamou Koala maravilhada, juntando as mãos de Sabo. — eu entendo toda a sua determinação, mais do que ninguém você sabe como a terra é um lugar tão... Podre.

– Sim, eu sei. — respondeu sério, lembrando-se de cada coisa que havia visto ao longo desses 10 anos. — eu... *snif* mantenho o cartaz do Luffy e do Ace aqui, para poder me lembrar deles.

– E isso? O que é? — indagou ela, pegando calmamente um caderno grosso. Sabo sorriu, causando mais curiosidade nela.

– "As Aventuras dos Piratas ASL" é um livro que eu escrevo sobre as nossas trapalhadas de quando éramos crianças. "ASL" era nosso símbolo, que quer dizer "Ace", "Sabo" e "Luffy".

– Ahh... E você já o terminou? Posso ler? — Koala estava ansiosa para ler aquele livro, parecia ser muito interessante.

– Não terminei ainda... — hesitou o loiro, corando levemente. — ...mas se você quiser ler, eu posso te emprestar. Menos aos sábados, porque nos sábados eu continuo a escrever.

– Eu quero sim! — retrucou imediatamente, muito animada. — então era disso que todos estavam falando... — murmurou para si mesma.

Ela olhou bem para Sabo, ele ainda parecia cansado e ofegante, e suas pálpebras parecia pesadas. Havia se esquecido do fato dele estar doente.

– Ok, agora deixe e durma um pouco. — Koala disse gentilmente, cobrindo-o com o edredom e o fazendo se deitar.

– Eu não estou com sono... — bocejou ele, parecendo estar lutando contra o sono. Ele rolou na cama, pousando sua cabeça no colo de Koala. Segundos depois, ele já estava dormindo em sono pesado, ali mesmo.

Vê-lo ali, indefeso e sereno fez o estômago de Koala revirar, e suas bochechas corarem por algum motivo.

Fez carinho nos cabelos loiros dele sem perceber, enquanto observava aquela enorme cicatriz no olho esquerdo.

Sentia que o entendia... Mais do que todos.

Oh, por que será que só esse idiota lhe causava sensações tão diferentes?

Notas finais
Espero que tenham gostado :3