Notas iniciais
Olha eu aqui para o encerramento dos nossos queridos Marotos, dessa vez com o não tão adorado, Peter Pettigrew, adianto que foi muito divertido escrever isso e que é meu favorito.
Recomendo que leiam The Golden Boy, The Lost e He isn't a boy antes, mas é só um conselho.
COMENTEM PARA EU SABER SE FIZ ESSA PARADA DO JEITO CERTO!

Peter Pettigrew era o pior dos Marotos, jamais seria difícil afirmar tal coisa, afinal, pobre garoto, não tinha um terço da beleza ou da inteligência que os outros tinham. Estavam todos errados. Peter Pettigrew era o melhor dos Marotos, ele não era o que seus amigos eram; não era inconsequentemente hipócrita como Sirius, ou adoravelmente egoísta como Remus, muito menos estupidamente piedoso como James e, por não possuir tais características, era considerado o mais sem graça, já que as pessoas costumavam ver apenas o lado reluzente daqueles três.

Isso. Wormtail podia não ser bonito ou inteligente, mas tinha sua sanidade intocada se comparada a loucura tangível dos deuses que os alunos de Hogwarts veneravam de modo cego e burro. Era o melhor de todos eles por simplesmente conseguir raciocinar de forma racional e ética, não havia ansiedade, hipocrisia ou egoísmo, apenas uma vontade imensa de se mostrar mais poderoso do que o mundo pensava que era. Talvez seus cabelos fossem de um tom de palha mortiço e seus olhos castanhos aguados, contudo, sua mente afiada e ainda sã batia em muito o acúmulo de conhecimento vazio do Lupin.

Pobre menino, queria gritar os pecados de seus amigos para que aqueles projetos de bruxos vissem que os Marotos nem eram tanto assim, entretanto, sabia bem que, se o fizesse, seria eternamente odiado, afinal, quem acreditaria na sombra? Quantas não afirmariam que era apenas inveja? Longe de Peter invejar aqueles três, quem gostaria de vivenciar os problemas e as epifanias? Ele não embora também tivesse seus próprios problemas; filho bastardo de uma mestiça pobre, mas o Pettigrew não queria a família de Sirius com seus dogmas e problemas com egocentrismo, não era inteligente como Remus, mas de que valeria isso se havia a licantropia?

Não sabia por qual motivo não desejava entrar na pele de James que tinha a, aparente, vida perfeita, talvez fosse a personalidade do rapaz Potter que era piedosa, estúpida e ansiosa, o que nada combinava com a mentalidade ambiciosa e fria do mesmo. Só sabia que estava muito bem sendo a “sombra” dos supostos grandes por enquanto, todavia, a guerra batia à porta e ele havia decidido seu lado naquele conflito mesquinho e burro.

Não fora por concordar com os ideais que juntara aos Comensais da Morte, fora para destoar dos amigos e pela suposta garantia de poder e segurança.

Era um rato detestável escondido pelos corpos enormes de animais maiores? Talvez fosse, mas que mal havia nisso? Sirius usava seu nome e beleza para subir na vida, já Remus suas mentiras e James a admiração alheia, então por que não ser um oportunista que precisava ser menor para enfim ascender? Suspirou e depois sorriu, sabendo que, mesmo se houvesse mal, não seria persuadido daquela jornada para crescer e os custos também não importavam muito, quando importariam se a sombra da grandeza pairava em cada ato?

As pessoas esperavam negações e retiradas, talvez, afinal era um covarde, porém, indo mais profundo do que a camada de medo, havia a ambição descontrolada e, quando esses se mesclavam, era melhor simplesmente torcer para não ser um dos que seriam afetados, porque Peter não pararia antes de alcançar a tão sonhada glória e jamais se importaria se estava sendo mais um sonserino do que um grifinório, no fim, tanto a serpente quanto o leão queriam a coroa de louros, mas só um conseguiria e Pettigrew conseguira a façanha de ser os dois ao mesmo tempo.

Sirius também, mesmo sem querer, tinha aquela honra, entretanto, desperdiçava tal característica com surtos de egocentrismo e hipocrisia. Peter sentia repulsa pelo Black em muitos casos e se perguntava como alguém podia estar confortável sendo a escória de tantas maneiras, ele mesmo era – supostamente – os restos de apenas umas poucas coisas e sentia isso pesando, no fim, era uma das escassas coisas ligadas a personalidade que o antigo herdeiro Black conseguia o superar.

Se Wormtail quisesse ser sincero, diria que todos os Marotos tinham o brilho da Sonserina em seus corpos, contudo, apenas ele conseguia explorar isso e, embora o arrependimento batesse em alguns momentos, sentia muito orgulho de suas escolhas passadas mesmo que seu braço esquerdo ainda doesse e os “futuros colegas” o olhassem torto por ser um servo daqueles “leões” estúpidos e traidores. Isso fazia de Peter um traidor dos dois lados? Quem sabe, mas ele faria de tudo para ser reconhecido como, tudo mesmo, as consequências que se explodam!

Gostava da sensação de estar acima daquelas mentes fechadas e facilmente ludibriadas, afinal, era de se esperar que o mais inteligente fugisse das suspeitas, não é mesmo? Lupin afirmava em segredo – ou nem tanto assim – que era o melhor mentiroso e que sabia jogar como ninguém, mas como jurar ser o melhor quando não se sabe de tudo sobre todos? Peter sorria arrogante ao notar que se mantinha, literalmente, acima de todos aqueles animais, seu sorriso apenas se alargava ao ver a estupidez e futilidade que permeavam as atitudes dos demais.

James era um cervo e, alguns desses animais, eram conhecidos por morrerem por causa de extrema coragem e arrogância, lhe fazia sentido, afinal, por mais ansioso e recluso que o mesmo fosse fora dos olhares, essas características estavam grifadas em cada passo calculado e gargalhada sonora. O Potter queria atenção, na verdade, queria que os murmúrios de feitos corressem de boca em boca.

Sirius era um cão sarnento, dócil com quem cuidasse de si e agressivo com desconhecidos, era um vira-lata habituado ao lixo e a desonra. Esse tipo de animal costuma ser morto nas estradas trouxas de madrugada, constara risonho e cheio de escárnio, mas por enquanto deixaria que o filhote abandonado fingisse que era de raça nobre. O Black lutava para alimentar as mentiras de que era grande enquanto não era ninguém.

O Lupin era um lobo solitário e, para o divertimento total de Wormtail, lobos solitários não costumam durar nas florestas.

Não ligava se estava sendo mais como eles do que gostaria, nenhum buscava glória ou poder, todos tinham objetivos pacatos ou nem objetivos tinham, mas Peter? Peter sonhava com a grandeza! Suas aspirações eram enormes para um rapaz tão pequeno, todavia, dizem para não julgar por aparência e o mero bajulador era um perfeito exemplo para tal afirmação. Seu exterior era medíocre, porém seu interior era uma máquina calculista e pronta para pisar em quantos forem precisos para alcançar o topo do mundo bruxo.

Amélia Pettigrew não sabia que havia criado um monstro bastardo.

Suas reflexões eram muitas enquanto bebia doses e mais doses de uísque de fogo, suas intenções não eram aas de ficar bêbado, mas a bebida âmbar fora ainda mais tentadora e agora sabia que já perdera o controle total de suas ações. Isso era evidenciado nos gestos cambaleantes e lerdos. A garrafa estava quase no fim, da mesma forma que a paciência do jovem também estava. Perdera o autocontrole para os sussurros de que era inferior; como tais bruxos idiotas e fúteis podiam acusar Peter Pettigrew de ser inferior, pensava enquanto levava mais do álcool aos lábios sedentos.

Deixe que pensem, dizia sua racionalidade, mas seu lado emotivo que fora tão bem escondido gritava exatamente o oposto, entretanto, seus sonhos – ou quem sabe delírios de um homem são – necessitavam daquela máscara de burro e feio. Por enquanto era melhor ser o jovem e atrapalhado Peter do que qualquer outra coisa, repetia e repetia tal coisa enquanto sua coordenação motora se perdia para a bebida alcoólica. Sua vontade era usar as imperdoáveis que aprendera recentemente com Snape, porém o foco deveria estar em seu disfarce e em nada mais, principalmente se o resto fossem suposições infantis de adolescentes ainda mais infantis.

A guerra estava aí e quantos deles sabiam empunhar varinhas do modo correto? Ele se perguntava cínico sabendo que o início seria vantajoso para os Comensais, mas se esses não soubessem manter a vantagem... não era bom provocar pessoas humanizadas, elas, em algum ponto, se enfurecerem com as perdas e ganham força e empenho para lutar. Peter não queria ver o momento que as batalhas se tornassem sangrentas demais e os corpos se amontoassem dos dois lados do conflito. Pettigrew só almejava a glória pessoal e os louros.

Ansiava o momento onde poderia ser aclamado. Se os Comensais ganhassem, poderia afirmar que participara dos mesmos desde os primórdios das batalhas, se começassem a perder, podia informar o outro lado sobre as últimas estratégias dos seguidores do Lorde das Trevas, era um plano que só poderia falhar em condições extremas e quase impossíveis. As pessoas iriam o julgar pela marca que carregava em si? É óbvio que iriam, mas ele não iria recuar por medo, não agora que já fora tão longe do certo e tão perto da glória.

Será que algum desses grandes bruxos já foram como eu? Tão sedentos que precisaram se aventurar nos caminhos que contornam a ética? Ele se perguntava enquanto tremia e atirava o pequeno copo de vidro ao chão, perdera a paciência para virar dose atrás de dose e agora bebia direto do gargalo enquanto ponderava sobre as recentes decisões e a trilha que o mundo bruxo havia escolhido. Será que, em algum momento, encontraria pessoas tão hábeis a jogar aquele como ele mesmo era? Dúvidas sobre o futuro pairavam pela cabeça de Peter Pettigrew, mas, qualquer que fosse seu destino, sabia que estava fadado a marcar livros de história bruxa.

Será que estava tão perdido quanto os seus amigos? Talvez estivesse, porém, que importava? A honra nunca fora natural para um rato, era sempre o acúmulo, seja lá do quer for. Alguns ratos queriam amor, outros desejavam poder, já Peter queria aclamação e grandeza, seria pedir demais um pouco disso? Não nascera excepcionalmente bonito, mas alguém havia agraciado sua existência com a frieza, esperteza e ambição. Nunca fora dito que os heróis precisavam ser muito corajosos.

Sabia que estava perdido, completamente perdido, mas se se perdesse naquela maré escura e negra que estava próxima, seria capaz de vencer. Os que se afogam conseguem vencer, aceitara após diversas reconsiderações e hesitações. Já passara da hora de sair das sombras, os amigos queriam a fênix, Dumbledore e as promessas de um mundo que jamais existiria, já ele desejava a serpente, Voldemort e os juramentos vazios de uma ordem tirana. Não faria muita diferença quando, no final, tudo acabasse destroçado e Peter fosse um dos poucos que resistiriam a enxurrada e a destruição total da moral e ética de certas pessoas.

Potter, Black e Lupin nasceram grandes em suas respectivas famílias, foram grandes em suas vidas, mas não passavam de pecadores comuns agraciados com beleza física e um mundo cego. Pttigrew nascera como um calvário para sua mãe, vivera na sombra de deuses falsos e idiotas, contudo, não passava de um garoto cheio de metas amaldiçoado com a falta de beleza física e um mundo cego.

Notas finais
Ficou bom? Espero que tenham gostado de ver Peter de uma forma um pouco diferente da do normal e, não, eu não gosto dele.
Foi muito divertido fazer essas ones dos Marotos e agradeço a todos os comentários, eles me impulsionaram a escrever mais rápido para não deixar leitores na mão. Salazar Potter, Eliza e Cristal Cipriano Black têm meus obrigadas eternos por serem fofinhos e fiéis até nos meus pequenos hiatus de falta de inspiração, mas a todos que comentaram, saibam que eu amo vocês demais!
Peço comentários, nem que seja um simples gostei.
Abraços,
Bastarda de Ned Stark.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!