The Beauty And The Brute
10 X. Será Azar?
Notas iniciais
Espero q gostem, se tiver bastante reviews, pode até demorar, mas eu atualizo de novo :)
Enquanto isso, quem quiser olhar as outras fics ("Marte Me Espera" é uma boa, pq to escrevendo todo dia praticamente agora). Podem se distrair um pouco. :)
Boa leitura, obrigada por todos os reviews, super estimulantes.
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
– Vince... – perguntei a ele no café da manhã. – Você tem tanto dinheiro... Você... Doa para instituições de caridade uma parte não é?
Na verdade estava meio preocupada com a resposta que podia me dar.
– Não.
Assim que disse eu abri a boca, horrorizada.
– Vince...!
Pronunciei, decepcionada.
– O que foi?
– Não sabe que é importante ajudar os necessitados?
– Necessitados...?
– Nunca assistiu um jornal na televisão?
– O que é que tem o jornal?
– Escuta, assim como eu perdi meu pai, várias pessoas perderam seus parentes numa tragédia no Haiti faz algum tempo, sabia? Não acha isso horrível?
– Bem...
– Não quero ouvir, — interrompi antes que me dissesse mais absurdos. — escuta... Você tem muita sorte que nasceu numa família rica, mas existem muitas pessoas que passam fome, não tem nem um terço do que você tem, moram nas ruas, passam frio, não tem dinheiro, casa, alimento... O que acha disso...?
Ele parou por um instante e em fim me deu uma resposta decente:
– Horrível.
– Não gostaria de fazer com que se sentissem melhor? Você também ia gostar de receber ajuda se fosse uma dessas pessoas?
– Gostaria.
– Você usa todo o dinheiro que você ganha?
– Isso é impossível.
Riu alto.
– Porque não usa grande parte desse dinheiro para ajudar milhares de pessoas que passam por isso, assim elas vão ficar agradecidas?
– Hm... – suspirou. – Tudo bem, pode usar o seu cartão, fala com a Kathrin, sei lá, ela ajuda você com isso. Eu vou pro trabalho.
Levantou-se da cadeira, acreditando ter encerrado o assunto. Soltei um suspiro denso. Seria um longo trabalho pela frente despertar o amor ao próximo no coração de Vincent. E Kathrin? Pensei que não teria mais de lidar com aquela dondoca.
– Vince... – o parei antes que saísse. Ele virou-se para mim, para ouvir o que eu tinha a dizer. – Seja gentil no trabalho está bem?
– Sabe, eu devia dizer isso pra você, você é minha “filha”.
Ironizou, tirando sarro. Revirei os olhos, bem humorada.
– Mas nós somos diferentes. – debati. – Muito diferentes.
– Acho que sei disso....
Se aproximou e inclinou-se para me beijar. Lentamente, quase que fez minha alma sair do corpo com tanta graciosidade no seu beijo.
Antes de ir embora, lançou-me seu olhar intenso, e despediu-se:
– Então é minha vez de te dar instruções: “Seja boazinha na escola”.
E deu as costas enquanto eu ria, mostrando-lhe a língua.
Mordi o lábio e olhei em volta. Não posso mentir que aquilo era um tanto desconfortável. Quando era mencionada a nossa relação “pai e filha” que nunca existiria, me dava calafrios. Porque eu pensava muito sobre isso, e sabia que talvez não fosse realmente seguro. Se algum dia o nosso segredo for revelado, as consequências seriam drásticas, e piores do que nunca.
E o fato de que eu nunca teria um pai, ou alguém responsável por mim realmente. Já que Vincent seria sempre meu “namorado”, me deixava em dúvida sobre se eu conseguiria. A final tenho apenas dezesseis anos e preciso ter alguém responsável por mim, que cuide de mim, não é sempre que conseguirei fazer as coisas sozinha. Mas eu daria um jeito, eu iria pedir a ajuda dele, pediria ajuda à Lilian. Não deixaria que isso nos separasse.
No mesmo momento, o meu celular vibrou no meu bolso. Eu tirei-o de lá e li o visor: Lilian.
Senti um calafrio. Não falei com ela desde o dia em que voltei para a casa de Vincent direito. Devia certas explicações a ela. Engoli o seco, e atendi:
– Alô...?
– Val...?
Certificou-se.
– Sim, Lil. Pode falar.
– Bom, eu tive de te ligar não é? Depois de tudo o que aconteceu. Preciso saber como você está.
Baforou, tentando se conformar com aquela situação.
– Estou ótima, tia. – tentei ser o máximo convincente. De fato eu estava me sentindo ótima, mas o motivo devia parecer ser comum. – está tudo bem.
– Mas por que fez isso, querida? – sua voz entoou preocupação. – não entendo o que houve.
– As coisas estão diferentes agora, eu sempre vou considerar vocês meus pais. Mas não posso mais deixar o Vincent, nós criamos laços. De pai e filha...
Tentei disfarçar minha indiferença ao pronunciar “pai e filha”... Era tão estranho.
– Mas e se ele voltar a ser um crápula? Se as coisas mudarem de forma?
– Não vão. Confio nele, e vocês também podem confiar.
– Então terá condições. – afirmou, séria. Engoli o seco um pouco nervosa com o que seria. – Eu e Jafar queremos conhecê-lo. Pessoalmente, conversar com ele. Ele terá de ganhar nossa confiança.
Pairei. Minha boca abriu, fechou... Minutos se seguiram em que não sabia como responder aquilo. Aquilo era seguro? Me parecia altamente arriscado. Vincent estava mudando, mas suas mudanças ainda estavam em processo. Não sei se conseguiria conquistar a confiança de Lilian e Jafar que eram extremamente protetores em relação a mim.
– Ah... – pigarreei, tentando ganhar tempo para responder. – Vou falar com ele sobre isso e te ligo de volta para marcar quando podem se conhecer. Pode demorar, ele é bem atarefado.
– Hm... – blefou, pensativa do outro lado da linha. – Tudo bem. Mas até três dias para me ligar com a resposta. Não vou deixar ele me enrolar.
– Claro.
Fiquei ainda mais nervosa.
– Um beijo querida, qualquer coisa me ligue.
– Tudo bem, outro beijo.
Desliguei. E na mesma hora um peso caiu sobre minhas costas. As coisas estavam complicando toda vez que pensava estarem melhorando. Estava me sentindo caminhando sobre uma corda bamba.
Qualquer deslize poderia fazer com que Lilian e Jafar não permitissem que eu continuasse com Vincent. Qualquer olhar diferente que pudéssemos lançar sobre o outro sem querer, qualquer grosseria do Vincent, poderia ser fatal. Lilian era muito detalhista, poderia notar qualquer coisa, com o mínimo de evidência. E Jafar, era muito protetor, faria de tudo para ter certeza de que Vincent era capaz de cuidar de mim, inclusive poderia provocá-lo, na tentativa de despertar alguma atitude que o incriminasse.
Seria uma situação delicada, de muitos riscos e me deixava desesperada saber que teria de passar por isso.
******
Foi quando Vincent chegou em casa que me preparei para dar a notícia. Não sei o que ele acharia da ideia de ter que passar pela aprovação dos meus tios. Mas tinha certeza que seria algo que não deixaria ele tranquilo.
Esperei que tomasse banho e viesse jantar, para que ficasse relaxado antes de receber a notícia.
Assim que se sentou, comecei a armar o terreno:
– Então... – sorri, sorrateira. – Como foi no trabalho?
Ele franziu um pouco o cenho. Nunca havia nada para contar sobre o trabalho, começar com aquela pergunta só fez com que o deixasse desconfiado, parabéns para mim.
– Nada de mais. Coisas chatas de negócios que você não gostaria de ficar sabendo. – hesitou por uns instantes, ainda analisando as minhas intenções com o começo daquela conversa. – E alguma coisa aconteceu com você hoje?
Fugi do contato visual e suspirei, já não tinha mais como dar voltas, era melhor contar de uma vez:
– Tudo bem é que.... Minha tia Lilian, está querendo conhecer você pessoalmente, ela e Jafar, o meu tio. Querem saber se podem confiar em você para deixar que eu fique aqui.
Vincent ficou um tempo calado e pensativo.
– Eles podem vir ao baile.
Sugeriu, e estava mais calmo do que pensei.
– Baile? Não daria certo, eles nunca fora num evento formal, não saberiam como agir e nem teriam nada para vestir. Seria péssimo.
– Vestimenta não é um problema, poderia escolher um vestido e um smoking para eles e mandar como um presente meu, seria até uma forma de mostrar “gentileza”. E no baile, eles me veriam na hora perfeita, já que eu tenho de ser gentil e cordial com os convidados e estarei sempre preocupado em demonstrar nossa relação “pai e filha comuns”. Não teriam riscos. Poderia ensinar a eles as normas de etiqueta que te ensinei e tudo daria certo.
Hesitei, para pensar melhor no assunto. Olhando daquela maneira, não aparentava ser uma má ideia. Seria perfeito se conseguisse fazê-los acreditar que o Vincent do baile era o Vincent verdadeiro.
– Acho que pode ser uma boa.
Sorri, minimamente, ainda um pouco preocupada. Ele beijou meu rosto, demoradamente.
– Agora se tranquiliza. – sibilou no meu ouvido, sua voz aveludada relaxou meus músculos. – Vai dar tudo certo. Ninguém vai tirar você de mim.
Fitei o chão, num suspiro, estava tentando fazer eu mesma acreditar nisso.
– Você não tem medo? – me virei para encará-lo, num murmúrio. – De que algo nos separe?
Ficou sério. Olhou para os lados, respirando densamente, parecendo muito incomodado. Em seguida grudou o seu olhar no meu, intenso.
– Escuta Valerie... – respirou fundo, parecia não saber como dizer isso. – Antes de você, eu não tinha nada a temer na minha vida. – foi sincero, abrindo um mínimo sorriso no meu rosto. – Desde que você chegou, não tenho pensado em outra coisa, senão não perder você. Sabe que não é só um corpo pra mim, não é? Sabe o quanto é importante pra mim? Faz tempo que não durmo mais pensando se estou fazendo você feliz, ou se o que estou fazendo é o melhor pra você. Não é só o fato de estar com você, é sua segurança, sua felicidade, tudo... – balançou a cabeça atordoado. Ainda estava perplexa com toda aquela declaração vindo dele. – Sabe o quanto isso é assustador pra mim? Preciso que pelo menos enquanto estiver com você, me faça esquecer de tudo isso, senão não vou aguentar tudo isso.
Toquei seu peito, tentando não o deixar mais angustiado e o beijei, ternamente, para acalmá-lo aos poucos. De longe, essas eram as palavras das quais nunca imaginei ouvir na vida. Sem dúvida alguma, não sabia da metade do sentimento de Vincent até ali.
Ele me apertou contra seu corpo, num abraço quente, confortador. Não podia mais demonstrar tanto medo. Não sabendo de todo o medo que ele já tinha. Podia ser mais velho, mas sabia que tinha muito mais preparação pra enfrentar aquelas dificuldades do que ele.
Pela primeira vez, eu tinha que demonstrar ser forte.
Notas finais
Espero ver vcs em breve :)
obrigada por terem lido.
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
Fale com o autor