The Beach House
2 Rescue
Notas iniciais
Depois de terminarem a tarefa, Olivia levou Jen até o quarto de Amanda, que discutia com a bolsa de viagem.
– Estamos interrompendo alguma coisa? — indagou Olivia, rindo. Jen riu também, e Amanda corou.
– Não, não estão atrapalhando nada! — disse ela, sorrindo. Olivia entrou no quarto, cumprimentou Amanda com um abraço e deixou Jen ali.
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Na cozinha, Fin e Munch tentavam fazer um lanche, mas não tinham muito sucesso.
Olivia apareceu bem no instante ao qual Elliot entrou lá, o que a fez recuar alguns passos. Os homens se enrolaram mais ainda — mesmo com duas mãos a mais.
Olivia saiu de detrás da pilastra e pôs-se ao lado de Fin, para ensiná-los como se fazia, para que ela não precisasse preparar os lanches. Durante todo o tempo que fazia os sanduíches, sentia o olhar de Elliot cravado em si, muito mais, quando distribuiu os pratos, e quando Elliot roçou seus dedos nos dela de propósito!
Olivia recolheu os dedos rapidamente, e quase fez o prato estilhaçar-se no chão, se ele não houvesse segurado-o com força. Dickie avisou ao pai que sairia para comprar carne, já que estava quente, e iriam fazer churrasco.
– Certo. Tem dinheiro? — perguntou ele. Dickie assentiu.
Virando-se para Olivia, ele deu-lhe um abraço, e, depois, um beijo na bochecha.
– Que bom que veio, Liv. — disse ele, acenando.
Olivia sorriu, e abriu a geladeira, para começar a guardar as coisas que havia utilizado. Elliot a impediu, segurando seus pulsos.
– Elliot, me solte. — pediu, baixo.
– Por que eu deveria? — indagou, sorrindo maliciosamente.
– Porque você sabe que eu não gosto disto. — disse ela.
– Não, esse não é um bom motivo. — disse ele, apertando um pouco mais.
– Porque você está me machucando, talvez. — disse, gaguejando. Ele a soltou.
– Fine, you won this time. — disse ele, pegando o prato novamente, e saindo na direção da churrasqueira.
Olivia respirou fundo, e massageou o pulso dolorido. Terminou de ajeitar os utensílios e seguiu para seu quarto, onde Jen já havia colocado roupas de banho.
– Jen, oi. — disse, esperando ficar sozinha. A menina a fitou.
– Liv! — e pulou em seu pescoço.
– Ei! — disse, rindo.
– Estou indo à praia, quer ir comigo? — indagou a menina, rindo. Olivia fingiu pensar. Não queria sair.
– Seguinte: a gente só vai andar na areia, nada de tirar a roupa e ficar seminua lá, calma! — riu a mais nova. Olivia não aguentou e riu também.
– Certo, aqui tem bicicleta? — indagou a morena. A menina assentiu. — Ok, espere só um minuto. Jen assentiu, e saiu do quarto.
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Olivia pôs uma blusa mais solta, gostava da sensação do vento percorrendo seu corpo, uma calça jeans, e um tênis de corrida. Deixou os cabelos soltos, e abriu a porta, deparando-se com ele ali.
– Liv... — começou ele. Ela o empurrou, saindo do quarto.
Elliot não relutou em segui-la.
– Por que está fugindo de mim? — indagou ele, puxando-a pelo antebraço.
Ela o fitou incrédula.
– Eu nunca, nunca fugi de você. Você foi o que fugiu de tudo e de todos. Não é? — indagou, não esperando resposta, e saiu andando.
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Encontrou Jen parada ao lado de uma bicicleta.
– Só achei uma... — murmurou a jovem — Mas eu vou andando, eu prefiro.
– Tem certeza? — indagou Olivia, olhando-a confusa.
– Sim. — respondeu, gaguejando.
Olivia assentiu, e subiu na bicicleta. Jen sorriu para ela, vendo como ela estava contente. Sabia que aquilo tinha alguma coisa relacionada à casa, ou ao pai de Richard. Ambas saíram lado a lado, Olivia na bicicleta e Jen andando. Após uns cinco minutos de um desconfortável silêncio, Jennifer disse:
– Sabe, ele realmente deve ter passado por algo muito barra pesada para ter feito aquilo.
– Como? — indagou Olivia, completamente alheia ao que a garota falava.
– Elliot. Ele deve ter passado por algo muito difícil para ter tomado uma decisão tão drástica como essa...
– Ele? Ele passou? Todos nós passamos por coisas difíceis, e nenhum de nós saiu assim, sem se despedir... — interrompeu a morena, porém, por sua vez, foi interrompida pela companheira de caminhada:
– Eu ainda não acabei... — disse Jen.
Ela não era alta, ou grande, e, muito menos, a mais experiente, mas sua confiança e sua firmeza faziam-na uma das detetives mais duronas do esquadrão, depois de Olivia, é claro.
– Fine, go on.– disse Olivia, dando um leve suspiro.
– Sim, eu disse que ele passou por aquela situação, e as decisões feitas por ele, durante, e depois da situação, foram que fizeram todos os outros sofrerem. Eu ouço boatos, sabe? Sobre o que aconteceu, mas nunca soube da história em si. Stabler e tudo o que tem haver com ele, é meio que um assunto proibido na delegacia. — disse a garota. Olivia bufou.
– Você realmente quer conversar sobre isso? — perguntou a mais velha. A menina riu.
– Não, imagina. Eu realmente prefiro me matar de andar, embaixo de um sol quente, do que ficar na piscina tomando uma limonada bem gelada. — respondeu Jen em um tom sarcástico. — Claro que sim, Liv, eu só te chamei pra essa caminhada porque eu sei que esse seria o único jeito que nós poderíamos conversar sem interrupções, e, claro, sem riscos de você sair correndo para fugir do assunto. — concluiu ela.
– Ok, então. Vamos sentar. — respondeu Olivia, parando e descendo da bicicleta, e, em seguida, sentando-se no chão. Jen sentou-se ao seu lado, e fitou-a pelo canto do olho, esperando que ela começasse a falar. Olivia simplesmente encarou o oceano.
"Por onde devo começar?" perguntou-se internamente "Pelo começo, é óbvio" respondeu-se, também internamente. "Mas por qual começo?" indagou novamente.
– Você quer saber desde o começo, onde as coisas começaram a mudar, ou, desde quando tudo mudou? — disse Olivia, finalmente.
– Quando as coisas começaram a mudar. — respondeu Jen, ansiosa para a história.
– Tudo bem, mas se prepare que a história pode ser longa. — brincou Olivia.
– Sem problemas.
"Ok, here we go" pensou ela.
– Elliot e eu fomos parceiros por cerca de doze anos, quase treze. Desde o nosso primeiro dia como parceiros, houve essa estranha conexão entre nós. Acho que era um dos motivos que muitas pessoas que conhecemos durante esses anos achavam que nós estávamos juntos, mas, enfim, depois de um caso, nossa parceria ficou extremamente abalada, porque nós dois quase passamos uma linha muito perigosa entre amizade e... Algo, digamos, além. No dia que fechamos este caso, nós conversamos. Sabe, as coisas que ele me disse durante todo o decorrer daquele caso, e durante a conversa, me magoaram muito. Durante aqueles dias ele me decepcionou muito, muito mesmo. Por isso, no mesmo dia, eu acabei me transferindo para outro departamento. Eu só queria esquecer, não, não é bem essa palavra, recomeçar, eu queria recomeçar. E, parecia que eu estava conseguindo, mas, durante um caso eles precisaram da ajuda, justamente, do departamento para onde eu havia me transferido, e foi só eu olhar uma vez para ele, que todo o progresso que eu tinha feito naqueles últimas semanas foram completamente transformados em cinzas. Depois disso, eu acabei voltando para a SVU. Então, nossa parceria realmente melhorou, porém, pouco tempo depois, eu acabei me envolvendo em um caso, e fui, praticamente obrigada, a entrar em uma missão infiltrada do FBI, e de novo, deixei Elliot para trás, sem ao menos um adeus. Quando finalmente voltei de tal missão, as coisas entre nós foram de mal a pior. Nós estávamos sempre discutindo e nos alfinetando, e foi preciso que um caso nos atingisse para que nossa amizade voltasse a ser como era antes. Mas, na verdade, as coisas só voltaram ao normal mesmo entre nós, não muito antes do tiroteio acontecer.
– Tiroteio? — estranhou Jen. Olivia sorriu tristemente.
– É, esse tiroteio foi o que motivou Elliot a deixar a NYPD.
– Ok, então me conta logo. — disse a ouvinte.
– Bem, — começou Olivia, só para ser interrompida pelos gritos de Fin, que vinha correndo na direção delas.
– Jen! Jen! — disse ele, finalmente alcançando-as.
– O que foi dessa vez, Tutuola? Não consegue abrir a garrafa de cerveja, ou o Munch se cortou com a faca de carne de novo?
– Não, não foi nada disso... — ele pausou, enquanto tentava recuperar o fôlego — você faz mergulho, não faz?
– Faço, por quê? — indagou Jen. Imediatamente Fin pegou seu pulso e começou a puxá-la na direção da casa. Olivia começou a seguí-los.
– Fin, what the hell is wrong with you?– perguntaram as duas, enquanto tentavam acompanhar a corrida frenética de seu amigo de volta à casa
– Nick! Ele teve a brilhante ideia de nadar para as pedras para poder saltar, ao invés de pegar a trilha. Ele estava chegando, quando uma onda gigante passou por cima dele. Depois disso, nós não conseguimos mais vê-lo! — gritou Fin, por cima do ombro.
– Ah, meu Deus! — gritou Jen.
••
Eles finalmente chegaram ao local da praia onde seus amigos estavam juntos, todos olhando para o mesmo ponto, perto das pedras. Jen analisou o local onde Nick havia desaparecido.
– Droga! — exclamou ela, e, logo em seguida, saiu em disparada pela trilha que levava às pedras.
Todos os outros seguiram-na de perto. Quando finalmente chegou à pedra, retirou sua blusa e seu short, ficando, assim, só de biquíni.
Preparou-se para pular e perguntou:
– Há quanto tempo ele sumiu?
– Mais ou menos três minutos... — respondeu Cragen, olhando no relógio.
Quando a última palavra deixou a boca de seu capitão, ela pulou.
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