The Battle of Two Worlds
2 Capítulo 1 - Mentiras e Loucuras
Notas iniciais
A sala do trono era sim, um dos maiores salões do castelo.
Quinhentas pessoas poderiam se acomodar nela sem muito desconforto. Porém, naquele momento havia nela apenas cinquenta.
O rei ocupava seu trono, como de costume, seu filho mais velho e herdeiro estava de pé á sua direita, seu mensageiro e dez nobres de maior importância e influência se acomodavam nas cadeiras postas nos lados do salão. Outros soldados se encostavam nas pilastras, bocejando discretamente.
E mais vinte soldados entraram pelas portas. Andaram até uma distância respeitosa do trono e se ajoelharam.
–Levantem-se — ordenou o rei, um vago traço de tédio visível em sua voz — meu mensageiro me diz que trazem uma importante informação.
–Se me permite, Majestade, não é uma mensagem tão importante assim...
–É sim! É importante! Vocês tem que me escutar! Eu não sou louco! — interrompeu-o o jovem soldado. O homem que o segurava cutucou-lhe as costelas com a ponta da lança, e o jovem fez uma careta de dor, parando.
–E oque é, então?- o rei perguntou, irritado.
–Majestade — o homem que foi interrompido era Daisin, o comandante da guarda do rei. — Dyan está dizendo mentiras desde que saímos do Eld. Nada do que diz faz sentido.
–Bem pode ser loucura. – respondeu o rei, o tédio voltando.- A missão em que enviei dez dos meus melhores batedores e caçadores falhou, pelo que vejo. Onde estão Teior, Vidar e Luin?
–Eles morreram... majestade. – Dyan olhou para cada um da sala, não conseguia ficar quieto. – Morreram, um por um sim, mortos por flechas, tão rápido que eu mal percebi, flechas do demônio!...
–Sim, morreram, mas não sabemos como... – Daisin não acreditava em Dyan, por mais que ele jurasse em nome de Deus e em nome de Tehlu e todos os anjos.
–Apenas três? E onde o restante de vocês estava quando isso aconteceu?- o rei empertigou-se em seu trono. Givod Astariel, seu filho, inclinou-se no ouvido do pai e sussurrou:
–Pai, todos eles estão mentindo. Olha para o modo como se comportam.
Os sete soldados estavam agitados, porém os treze posicionados atrás deles mal se moviam. A afirmação do príncipe tinha várias chances de estar errada.
–Enviei dez soldados competentes, ou eu pensei que fossem competentes, capazes de realizar a simples tarefa de preparar ou reconhecer os primeiros quilômetros do Eld. E voltam para mim apenas sete, e um louco e mentiroso entre eles. – o rei estava furioso. A perda de Vidar, Luin e Teior lhe custava caro.
–O que o leva a mentir dessa forma para mim, Dyan?- o rei inclinou-se para frente, falando num tom mais baixo, ameaçador.- Conseguiu minha confiança para depois me enganar e me levar a tomar atitudes erradas?
–N-não, senhor... quer dizer, majestade. Perdão, meu rei, eu... – atrapalhou-se com as palavras, subitamente confuso. O rei voltou a se acomodar no trono. Bem, parece que ele recuperou um pouco de sua sanidade, pensou.
–Majestade, por todo o crédito que me deu, escute oque eu digo: há demônios, criaturas, sombras naquela floresta. Eles se escondem e quando menos espera te matam, rápida e silenciosamente, na calada da noite ou no auge do meio-dia...
O rei suspirou.
–É só isso que tem a dizer?
–Isso é tudo oque precisam saber. Lá é perigoso.
–Muito bem!- ele se levantou – Levem-no de volta a seus aposentos, até eu tomar uma decisão do que fazer com todos vocês. Podem se retirar.
Todos os que estavam na sala o reverenciaram. Gavan I Calanthis levantou e seguido pelos outros nobres, saiu da sala. Dyan não estava louco. Estava sentindo os efeitos do que viu e do que sentiu.
Medo era só um detalhe. Oque eles ainda iriam descobrir era ainda maior do que isso.
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