The Author
2 Lost - Parte 1
Notas iniciais
As estantes lotadas de livros se abriram vagarosamente — como portas -, mostrando um cômodo escuro, envolto em tantas sombras que era impossível de se ver o que estava além dele.
Maria foi a primeira a se levantar após o pequeno “terremoto”, e após sacudir o casaco para retirar a poeira, adentrou na sala. Ela não aparentava ter medo, mas sim curiosidade em relação à nova descoberta; diferentemente do irmão, que arregalou os olhos e permaneceu imóvel.
– Pode ser perigoso — Henry falou com um pouco de dor, pois a queda o fez torcer o tornozelo, mas ele se levantou para acompanhar a garota.
– Vocês vão se machucar — João disse preocupado, mas também não os impediu de continuar.
Maria pisava confiante em direção ao cômodo, já Henry caminhava com dificuldade, e franzia o cenho toda vez que seu pé direito tocava o chão. Assim que a garota loira fez a “passagem” entre o “claro” e o “escuro”, luzes se acenderam, fazendo com que ela piscasse várias vezes para a visão se adaptar. Talvez fosse algum sensor de presença que havia captado a movimentação, mas eles sabiam que era mais do que isso, e se chamava Magia.
As paredes estavam cobertas por espelhos de diferentes formas e tamanhos, com as molduras gastas pelo tempo. Para a infelicidade de ambos não havia nada de muito espetacular, exceto por uma mesa de madeira que estava bem no centro, e sobre ela havia uma folha de papel e um tinteiro.
Assim que percebeu que os outros dois não tinham morrido, João seguiu em frente e ficou admirando alguns espelhos. Maria se aproximou bem depressa da mesa e pegando a folha, pôs-se a ler em silêncio, mas logo o irmão veio perturbá-la ao tentar enxergar o texto que estava no papel.
– João, sai daqui! — ela exclamou furiosa, mas o garoto não lhe deu ouvidos.
– Agora! — Henry falou num tom sério, e o outro obedeceu sem reclamar.
Eles não tinham ideia do quanto estavam errados em mandá-lo embora. E agora, dessa vez, Maria leu um trecho em voz alta:
“Quando qualquer folha de papel é atingida pela tinta, ela se torna mágica, principalmente a feita com materiais raros e complicados de se encontrar:
Pelo de lobo
Uma lasca de unha de um ogro
Uma pitada de pó das fadas
Uma pérola das profundezas do mar
Um pequeno fio de ouro
A jóia mais preciosa da coroa
E o consentimento do Autor”.
E logo abaixo, havia uma anotação:
“Somente a Floresta Encantada vai poder me ajudar nessa jornada”.
– A tinta é mágica, só pode ser — Henry disse.
Maria cruzou os braços de forma irritada, havia pensado o mesmo, mas ele tinha sido mais rápido na resposta, e ela detestava aquilo.
– E se nós formos até a Floresta Encantada procurar por ele? — Henry perguntou.
– É arriscado, se mexermos no passado o futuro pode não acontecer. — Maria falou baixo — Apesar de ser uma boa ideia, Henry...
Além das paredes espelhadas, o menino mais novo encarava enraivecido a folha de papel amassada que Henry havia deixado lá. “Será que se eu escrever aqui acontece alguma coisa?”, ele se perguntou.
Rapidamente, João retirou o tinteiro do casaco surrado, e em seguida olhou para a caneta encaixada no abajur sobre a mesa, e mesmo puxando-a com dificuldade, conseguiu retirá-la. Ainda com dúvida, ele se perguntou se o que estava pensando em fazer era arriscado.
– Vamos para a Floresta Encantada! — ouviu a irmã exclamar.
Então ele teve certeza. Pôs-se a escrever.
“Henry e Maria, que estavam no quarto cheio de espelhos, ouviram um barulho vindo do carpete”.
Após João escrever a última palavra, um ruído oco percorreu o outro cômodo, aquilo realmente estava acontecendo.
– O que é isso? — Maria se assustou.
– Não parece ser nada bom. — Henry disse ao guardar a folha no bolso — Vamos sair daqui assim que... Onde está o tinteiro?
“Eles se surpreenderam quando um portal muito brilhante surgiu no chão e eles foram sendo puxados para lá, a Floresta Encantada os esperava”.
Os dois foram em direção ao outro cômodo, mas quando se deram conta, estavam diante de uma imensa cratera brilhante no chão. Tentaram correr, mas suas forças não foram o suficiente.
– Maria! — o menino mais novo se desesperou ao ver a irmã.
– João, eu te odeio! — ela gritou antes de desaparecer por completo.
– O que eu fiz? — o mais novo colocou as mãos na cabeça.
...
P.O.V EMMA ON
Eu realmente estava numa situação complicada: Evitar que Leroy quebrasse o nariz de Killian com um só soco, ou, impedir que Regina incinerasse minha mãe com um só olhar. Por fim das dúvidas, escolhi a segunda opção.
– Regina, isso não vai nos levar a nenhum lugar. — a adverti tentando fazer com que ela soltasse os ombros de Mary Margaret — Assim nunca vamos achar o Henry!
– Eu tenho certeza de que ele ficou na casa de seus pais essa manhã, Srta. Swan!
– Henry não apareceu por lá. — Mary tentava se soltar — Além disso, notícia ruim vem a cavalo, não é assim que dizem? Aposto que ele está bem e...
Naquele instante, avistamos uma pequena criança correndo em nossa direção. Era João, que tinha pequenas lágrimas brotando de seus olhos.
– Maria e Henry... foram para a Floresta Encantada — ele fez uma pausa — E a culpa foi minha.
– Tinha que ser o garoto mais idiota de todos! — Regina assumiu a pose de Rainha Má.
Por um milagre, ela soltou Mary Margaret e como se fosse explodir o garoto, fez um movimento com as mãos. Corri para protegê-lo e evitar algo pior. Resultado? Emma sendo arremessada a três metros de distância. Aquilo me causaria pelo menos duas semanas de dor na coluna.
– Ai... — reclamei.
Regina veio até mim rapidamente e ajoelhando-se no chão, me encarou com... receio, talvez até com medo. Nunca a vi romper as barreiras assim tão rápido. Um arrepio percorreu minha espinha assim que ela segurou em minha mão em um ato de desculpa.
– Você está bem? E — eu... me descontrolei um pouco — aquela era a Regina Mills gaguejando?
– Imagino se tivesse se descontrolado muito. — reclamei — Estou bem.
Ela sorriu de forma sincera para mim, e como aquele sorriso era perfeito, ainda mais com aquela cicatriz. Até parei de sentir dor por alguns segundos, mas depois voltei à realidade. O que eu estava pensando? Tinha mais prioridades a tratar do que ficar admirando o sorriso dela.
– Por onde começamos? — perguntei ao me levantar com dificuldade.
– Na casa do Autor — ela me respondeu — Tenho certeza de que se eles conseguiram ir para a Floresta Encantada, eu também conseguirei.
– Nós conseguiremos. — falei — Não vou te deixar ir sozinha até lá.
– Vou com vocês. — João disse a ponto de chorar — Eu sou um idiota mesmo.
Regina se aproximou do garoto, e eu realmente pensei que ele seria reduzido a cinzas, mas não. Ela abaixou-se na mesma altura dele e disse:
– Prove que você sabe fazer algo certo e... — suspirou — cuide bem dessa cidade por mim, ok? — podia jurar que ela agia como uma mãe.
– Mas... Sério?
– Sem “mas”! — falou autoritária — Sei que você é esperto o suficiente para me ajudar, ou estou errada?
– Eu posso fazer isso — ele a abraçou de repente — Obrigado.
Regina se soltou e foi caminhando em direção a casa do Autor sem falar absolutamente nada. Ela podia ter usado magia, mas preferiu caminhar de forma lenta. Algo a incomodava, e um conflito interno a estava deixando confusa, eu tinha certeza.
– Perdeu alguma coisa, Srta. Swan? — ela voltou a ser quem era. Devo ter ficado vermelha de vergonha, não percebi que a estava encarando por tanto tempo.
– Sabe, nunca pensei que você fosse ser tão gentil com uma criança que não fosse o Henry... — ela se transportou até a casa do Autor, me deixando sozinha.
Eu e minha boca grande!
P.O.V EMMA OFF
...
Como se estivesse numa montanha-russa, Henry desceu a toda velocidade do portal, mas ao contrário do brinquedo, ele caiu com força em meio a folhas e raízes que amorteceram a queda. Quando abriu os olhos, se deparou com muitas árvores. “Onde eu estou?”.
Logo, ouviu um grito agudo e em seguida, o som de algo se chocando na água. Sua respiração falhou por um instante.
– Maria?! — ele gritou indo em direção ao barulho.
"Minha mente está turva mas
Meu coração é pesado, não se nota?
Eu perco a trilha que me perde
Então aqui vou eu".
Same Mistake — James Blunt
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