Notas iniciais
Oi gente! Desculpa ter demorado tanto. Justo quando eu ia postar esse capítulo o meu computador ficou dando problema. Minha mãe me enrolou semanas pra levar pro concerto, até que ela enfim levou, ai demorou mais um século pra ficar pronto. Mas eu estou de volta, e é isso que importa! Lembrando que ainda estamos no POV da Lucy, esse capítulo é uma continuação do anterior. Espero que gostem e que tenham uma boa leitura, não esqueçam de comentar! Xoxo!

'Cuz I can't make you love me, if you don't. You can't make your heart feel something it won't. (I Can't Make You Love Me – Bonnie Raitt)

–... Cartas que Kendall escreveu pra você durante todos esses anos, mas que ele nunca teve coragem de te entregar. Ele escrevia toda vez que sentia sua falta. – Expliquei.

– Oh. – Jo não tinha nada a dizer, estava sem fala diante daquilo tudo.

– Bem, você pode imaginar o quão brava eu fiquei...

– Amor, cheguei! – Ouvi Kendall anunciar ao entrar pela porta da frente. Eu respirei fundo e juntei minhas mãos apoiando minha testa nelas, com os meus cotovelos na mesa.

– Estou na cozinha. – Eu disse de volta com frieza. Eu estava fazendo o meu máximo para não me levantar para ir encontrá-lo no corredor e enchê-lo de tapas. Eu estava fazendo o possível para não explodir naquele exato momento.

Kendall foi meu marido por seis anos. Foram seis anos de mentira. De um casamento de mentira. De um amor de mentira. Seis anos de pura palhaçada, canalhice, enganação. E mesmo sendo o culpado de tudo isso, Kendall caminhou até mim sorridente, mas quando ele se inclinou para me beijar, eu desviei o rosto, e ele acabou beijando o ar.

– O que foi Lucy, tá tudo bem? – Kendall notou logo de cara que havia algo errado.

– Não, Kendall. Não tá tudo bem. – Eu disse, fria e mortal como o iceberg que afundou o titanic.

– O que aconteceu? Tem a ver com o Francis? – Ele exaltou-se preocupado com o nosso filho. Só agora que ele resolveu se preocupar com Francis, que também foi fruto de um amor de mentira?

– É entre mim e você, Kendall.

Nessa hora a expressão de Kendall ficou assustada e confusa ao mesmo tempo. Ele me olhava como se eu precisasse ser mais clara para que ele pudesse entender. Eu me levantei, andando controladamente devagar até o balcão da pia, e encarei o ralo, para só então me virar para encarar para Kendall, que ainda me olhava do lado da mesa. Vendo que eu ainda não sabia como eu ia começar a falar, ele resolveu tomar uma iniciativa tardia.

– Como assim entre mim e...

– Kendall. – Eu o cortei. – Eu quero me separar.

Nem eu sei como eu consegui dizer aquelas palavras. Eu nunca me imaginei tendo que dizer aquilo na minha vida, muito menos para Kendall. E o rosto dele congelou com o choque.

– S-separar? Mas o que há de errado com o nosso casamento, Lucy? A gente pode ao menos conversar? Por que você quer se separar? – Ele mandou as perguntas sem nem conseguir parar pra respirar, e deu alguns passos em minha direção.

– E-eu não posso continuar com você no presente se você nunca superou o seu passado, Kendall. – Eu disse da maneira mais controlada possível. Mas, eu juro, eu só precisava de uma faíscazinha para entrar em chamas e explodir.

– Como assim, Lucy? Do que você tá falando?

E essa foi a faísca.

– "Como assim?" – Eu remedei, dando um passo a frente com a expressão mais indignada do mundo. – Você tem certeza de que não sabe do que eu tô falando? Então quer dizer que você não sabe nada sobre aquela porra daquela caixa de som oca que você usa só pra esconder dentro um saco de pano onde você guarda todas as provas do amor infinito que você ainda sente pela Jo?!

O rosto de Kendall paralisou por completo, como eu imaginei. A máscara dele havia caído, ele não tinha absolutamente nada a dizer, porque ele sabia que tudo era verdade. Ele apenas recuou até parar na mesa, onde ele apenas passou as mãos no rosto.

– Como você achou isso? – Ele perguntou num fio de voz, que eu mal consegui ouvir.

– Parece que você não escondeu tão bem quando pensou, né? Adivinha como eu achei. Eu acabei tropeçando nela e o fundo falso caiu, quando eu resolvi ir limpar a sua sala de música! Já que eu sempre pedia e você sempre me enrolava, dizendo que ia limpar, mas nunca ia. Se você tivesse limpado sua sala de música como eu sempre te pedi, eu nunca teria achado. Que chato, né? O engraçado era que você me dizia que nunca tinha tempo pra nada, mas pra comprar uma caixa de som falsa e pra escrever todas aquelas cartas você teve!

– Eu as escrevia quando você não estava por perto... – Kendall acrescentou.

– Não piora as coisas pro seu lado, se faça esse favor. – Eu disse, pausando para respirar.

Então eu surtei de novo.

– Ah, então quer dizer que você só esperava eu desaparecer para você começar a aflorar seu amor pela Jo naquelas cartas? Nossa, você acabou de ser eleito o filho da puta do século, Kendall Knight! – Eu fiquei tão irritada que comecei a chorar de ódio. – Como você pode? Como você pode mentir pra mim todos esses anos?! Como você teve a cara de pau de me pedir em casamento, de prometer passar o resto da sua vida comigo, enquanto você queria estar com ela?! – Senti uma explosão de fúria me possuir, coisa que eu jamais sentira antes. Eu praticamente corri até Kendall e o segurei pela gola da camisa, fuzilando-o com o meu olhar. A minha visão estava turva por causa das lágrimas e a única coisa que consegui focar foi o rosto assustado do meu marido. – Você escreveu cartas pra ela, mas nunca teve coragem de entregá-las. Você guardou suas fotos com ela. Você nunca deixou de amar ela nem por um segundo, mas mesmo assim dizia que me amava. Eu me entreguei de corpo e alma a esse casamento, Kendall, mas você jogou tudo fora. Porque você é um mentiroso, covarde, canalha! – Exaltei entre os dentes trincados. Então comecei a acertar seu peitoral repetidas vezes com meus punhos fechados. – Como você pôde fazer isso comigo, Kendall?! Como você pode fazer isso com o nosso filho?! Como. – E eu o bati no peito pausadamente. – Você. – De novo. – Pôde?! – E de novo, até que Kendall segurou meus pulsos, obrigando-me a encará-lo.

– Eu sinto muito. – Ele disse com fraqueza na voz, parecia que ele estava prestes a chorar também.

– Não. Você não sente. Se você sentisse, teria tido o mínimo de compaixão comigo, com Francis. Mas não, você só pensou na Jo. – Ele largou meus antebraços com impulso, me fazendo calambear para trás. – Jo! Jo! Jo! Não é nela que você pensa o tempo inteiro? Na garota que desistiu de você há 10 anos? Que seguiu em frente com a vida dela e que hoje em dia nem se lembra mais do seu nome? É essa Jo, né? Pois eu espero que você se divirta muito sozinho enquanto espera ela um dia voltar pra você. Porque eu não vou ficar aqui que nem uma idiota, servindo apenas de uma "distração" pra você enquanto ela não reaparece na sua vida, afinal, eu sei que a primeira coisa que você vai fazer quando ela aparecer, é ir correndo para os braços dela. Eu sei que é.

Os olhos de Kendall estavam cheios d'água, pronto para desabar, então ele se virou e saiu da cozinha, pisoteando com força o chão. Eu fui para a pia, e tive que apoiar bem as minhas mãos na bancada para eu não cair de tanto que eu chorava. Apesar de ter desabafado tudo que eu tinha pra desabafar, eu ainda me sentia péssima. Um lixo. Sentia-me enganada, usada, iludida. A minha raiva era tanta que eu derrubei tudo que tinha em cima da bancada. O vaso com as rosas e o escorredor lotado de pratos, copos e talheres. Tudo foi ao chão. E eu também fui eventualmente quando eu me sentei, pois eu não me aguentava mais de pé. E eu fiquei lá, até Kendall descer e passar pela cozinha com uma mala.

– Depois eu peço pra alguém vir buscar o resto das minhas coisas depois. – Ele disse, e depois de olhar pra mim, olhou para a bagunça que fiz. – Por favor, não perca a cabeça, pense no Francis. Ele precisa muito mais de você do que de mim. Ele sempre precisou. – Então ele se dirigiu à porta da frente da casa, à saída da minha vida.

– Espera! – Eu disse, me levantando e enxugando meu rosto. O barulho das rodinhas da mala parou. Ao chegar à porta, parei de frente pra Kendall e tirei a minha aliança do dedo e coloquei em sua mão. – Parabéns. Você conseguiu arruinar a minha vida, a do seu filho, e a sua num golpe só. Espero que você esteja muito satisfeito.

Kendall apenas engoliu em seco, se virou e saiu. Eu fechei a porta assim que ele pôs o outro pé pra fora. Escorei as minhas costas na porta e fechei os olhos, tentando fazer as lágrimas pararem de cair, mas foi inútil. Quando eu abri os olhos, eu avistei ao longe, no alto da escada, agarrado ao corrimão, Francis. Que ótimo. Eu fui até onde ele estava, o levantei no colo e comecei a andar em direção ao quarto dele. Eu o deitei em sua cama e o embrulhei, e por incrível que pareça, ele não pestanejou. Eu não queria que ele me visse chorar, tentei ao máximo esconder, mas foi inevitável. Por sorte, ele não questionou nada. Eu dei um beijo de boa noite no alto da testa branquinha dele, e saí do quarto para deixá-lo dormir em paz.

– Mamãe. – Francis me chamou quando eu estava fechando a porta. Foi quase. – Pra onde o papai foi?

– O seu pai? Ele... ele viajou pra fazer shows, uma turnê que nem aquela, lembra? – Eu inventei a primeira mentira que me veio à cabeça, e no mesmo segundo eu me senti mal por estar mentindo para o meu filho.

– É por isso que a senhora tava chorando? Porque ele vai viajar?

– É, Francis, é... Agora vá dormir.

– Mas mãe, quando ele vai voltar? Ele vai demorar? – Maldita seja esta fase em que as crianças começam a questionar tudo.

– Eu não sei, amanhã a gente conversa. Boa noite. – Eu fechei a porta, sem ter o risco de ouvir mais perguntas de Francis. Senti-me mal por ter sido tão fria, mas foi necessário. Eu não aguentava mais escutar nada. Eu precisava de férias... da vida. Então eu fui para o meu quarto, completamente cansada física e psicologicamente, mas apesar do cansaço, eu me perguntava se eu iria conseguir dormir esta noite. Provavelmente não.

Pelo visto, as minhas noites se tornarão bem longas durante as próximas semanas."

– Algumas semanas depois da briga, creio que eu estava mais calma, e Kendall me ligou pedindo para conversar comigo. Ao contrário do que pensei, ele não queria me de volta, não queria tentar se explicar, nem nada. Ele só queria conversar comigo. E eu, que apesar de magoada ainda morria de saudades dele, acabei aceitando. Nos encontramos nessa mesma lanchonete, e foi aqui que Kendall me confessou tudo. Tudo mesmo. Me contou desde o dia da sua volta para Palm Woods. Ele havia decidido ficar comigo, mas quando ele chegou e disseram-no que você havia acabado de ir embora num taxi, ele sentiu um peso cair sobre suas costas. Então, foi bater na minha porta. Ele sabia que iria sentir as consequências de seus atos pelo resto da vida. Kendall reconheceu que o que fez comigo foi a pior canalhice do mundo, que ele devia ter sido honesto desde o inicio, mas ele resolveu guardar pra si porque ele realmente achou que eu conseguiria fazê-lo se esquecer de você. Mas... Eu não consegui. – Falei, olhando para baixo o tempo todo. Eu não suportaria o olhar de pena de Jo para mim. – Kendall não te tirava da cabeça de maneira nenhuma, por mais que ele tentasse. E ele tentou muito. Então ele viu que única forma de aliviar a aperto constante em seu peito era escrevendo as cartas. – Tive coragem de olhar para os olhos de Jo, e vi que ela tentava ao máximo não demonstrar emoção nenhuma. Não estava funcionando muito bem. – Sim, doeu muito ouvir aquilo, mas eu aguentei até o final. Meu único consolo foi quando Kendall me disse que ele sim me amou, que ele chegou a acreditar que ao meu lado ele seria feliz para sempre, e que teria de volta a paz que você levou consigo quando foi embora. Mas você insistia em ficar grudada na mente e no coração dele.

Eu parei para respirar um pouco, e pedi para o garçom uma água para eu poder recuperar minha saliva e a minha força, eu tinha que continuar forte. Então notei que a expressão de Jo estava completamente congelada, ela estava sem palavras, muda. E continuou assim até depois de eu beber a água e voltar a falar.

– Kendall me implorou perdão e pediu para que ao menos continuássemos amigos, porque senão ele se sentiria culpado pelo resto da vida, e ele realmente não queria perder minha amizade. E eu, que devia estar de TPM no dia porque meu coração estava mais mole que gelatina, o perdoei. Depois desse dia, nos encontramos mais vezes, apenas para conversar e falar sobre a vida. E todos os dias que nos encontrávamos, ele quase sempre acabava falando de você, nem que fosse por um segundo. Eu conseguia ver no fundo dos olhos dele que ele faria de tudo só pra te ter outra vez.

Pronto. Falei tudo que eu tinha pra falar. Fiquei então em silêncio, apenas esperando Jo processar as informações. Mas após algum tempo, comecei a ficar impaciente, e ela notou.

– Por que... Porque você tá fazendo isso, Lucy? – Jo perguntou, provavelmente achando tudo aquilo um absurdo.

Nem eu sabia direito porque, mas eu tinha quase certeza de que se eu não amasse tanto Kendall, eu não estaria fazendo nada disso. Estranho, né? Fazer o quê.

– Eu não aguento mais ver Kendall tão triste, desanimado... Esse não é o Kendall que eu conheço, e eu realmente quero que ele volte a sorrir como antes. Eu... só quero que Kendall seja feliz. E se para isso for preciso que eu faça com que ele e o amor da adolescência dele voltem a ficar juntos, – Dei ombros. – Que seja. Eu sei que você pode fazer Kendall feliz, Jo. Eu realmente acredito que vocês foram feitos um para o outro. E além do mais, o que eu sinto por Kendall vai passar, não se preocupe. Sei que um dia eu vou encontrar a minha pessoa certa também. Pode demorar, mas eu sei que vou achar. – Eu disse, confiante, e sorri sem mostrar os dentes. – Tudo que estou fazendo poder parecer loucura pra você, Jo, mas se você estivesse no meu lugar, iria me entender.

– Eu... Eu entendo... Foi assim que eu me senti quando fui embora. Eu também só queria que Kendall seguisse a vida dele e fosse feliz. Mas Lucy, agora, eu não posso... Eu...

– Jo, eu já disse tudo que eu tinha pra dizer. É sério. O que mais você quer que eu diga pra fazer você acreditar que Kendall ainda te ama e vocês tem que ficar juntos?

– E-eu não sei, eu não sei. – Ela suspirou. – Só sei que não consigo simplesmente engolir tudo que você me disse, é informação demais pra mim! Eu não posso apenas aceitar Kendall de volta na minha vida como se nada houvesse acontecido, como se todo o tempo que eu passei tentando esquecê-lo houvesse sido em vão.

Foi a minha vez de suspirar. Não acredito que vou mesmo dizer isso. É a minha última esperança de dar uma sacudida nessa garota.

– Jo, sabe qual era o nome que Kendall queria colocar no nosso filho assim que soubemos que era um menino?

– Não tenho ideia. – Respondeu ela com sinceridade. – Mas o que isso tem a ver com...

– Ele queria por Joseph.

Jo

Eu arregalei meus olhos castanhos. Sim, eu tomei um susto daqueles. Joseph? Como ele teve coragem de sugerir justo esse nome?

Informação demais! Informação demais!

– Assim que ele sugeriu, eu não estranhei nada, até achei bonito. Afinal, eu nunca soube o seu nome de verdade, eu sempre te conheci apenas por "Jo". Mas um dia, eu liguei a televisão e lá estava você, dando uma entrevista, e ouvi te chamarem por "Josephine". Primeiro eu tomei um susto e desliguei a TV na hora, mas não comentei nada com Kendall porque achei que fosse somente uma mera coincidência. Mas hoje em dia eu sei que não foi.

Ficamos em silêncio por algum tempo, pois eu estava em estado choque. Eu abaixei minha cabeça e passei as mãos pela caixa no meu colo. Kendall realmente queria dar ao seu filho um nome igual ao meu? Porque? Porque ele escreveu todas aquelas cartas, guardou todas aquelas lembranças? Porque... Ele ainda me ama de verdade. Depois de tudo que Lucy me disse, depois de todas essas evidências, não há mais dúvidas nem incertezas. Kendall nunca me esqueceu.

E, pra ser sincera, nem eu o esqueci.

“Finalmente compreendi o que o verdadeiro amor realmente significa (…) O amor significa pensar mais na felicidade da outra pessoa do que na própria, não importa quão dolorosa seja sua escolha.”

Querido John

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.