The Art of Moving On
5 Capítulo 4
Notas iniciais
It’s just ten years, but it’s such a long time. In a heartbeat, I would do it all again. (Nothing Left To Lose – The Pretty Reckless)
6 anos depois
Outubro de 2022
Como todas as manhãs, eu entrei na famosa cafeteria onde eu sempre tomo meus cafés da manhã desde que eu me mudei para esse bairro há alguns anos, e me sentei à mesma mesa ao lado da janela. Aquele lugar era tão adorável que eu não me importava com a monotonia. Eu pedi o de sempre, também: Um cappuccino com bastante chantilly e um croissant quentinho. O melhor é que eu já era cliente da casa ali, já era quase parte da família, todos eram muito amáveis comigo. Logo meu pedido chegou e eu pude me deliciar com meu café da manhã fresquinho.
E como em todas as manhãs, eu olhei para a fora da janela enquanto tomava meu cappuccino, e comecei a me nostalgiar com as lembranças. As boas e as ruins. De alguma forma, eu não me arrependia de nenhuma. Todas faziam parte do meu passado, e querendo ou não, eu aprendi muita coisa com elas. Tudo que sou hoje eu agradeço às coisas que me aconteceram ao longo de todos esses anos.
Então, as memórias passaram como um clipe na minha cabeça.
Quando eu decidi deixar Palm Woods e seguir minha vida. Quando eu me mudei para um novo apartamento em Los Angeles. Quando eu conheci pessoas novas. Quando eu abandonei a série para aceitar as propostas de filmes. Quando a minha carreira decolou. Quando eu fiquei com alguns garotos. Quando eu ganhei muito dinheiro. Quando eu ia às festas de premiações, e levava todos os prêmios para casa. Quando eu fiquei com outros garotos. Quando eu me mudei para este bairro. Quando eu senti que havia chegado onde eu sempre quis chegar.
Às vezes eu sinto que a minha “missão” está completa, que eu já fiz tudo que queria fazer, e que se eu morresse aqui e agora, eu estaria satisfeita e não havia nada com o que se arrepender. Porém, outras vezes eu insisto em sentir que ainda me falta alguma coisa. Mas o que é?
– Jo?
Eu abaixei minha xícara e levantei o olhar para a voz que me chamou. Meu coração parou com o susto. Nem mesmo se dez, vinte, ou cinquenta anos se passassem, eu poderia esquecer aquele rosto. Aquelas sobrancelhas grossas. Aquele nariz ligeiramente grande. Aquele cabelo loiro jogado pra trás. Aqueles olhos verdes. Aquelas covinhas quase cobertas pela barba por fazer. Aquele sorriso.
– Kendall?
Eu abri um sorriso com surpresa, e para não ser mal educada, eu me levantei para cumprimentá-lo. Nós dois nos atrapalhamos, pois não sabíamos se tratávamos com um aperto de mão ou com um abraço alguém que não víamos há tanto tempo. Decidimos o abraço. Uau. Aquilo sim era o cúmulo da nostalgia. E Kendall continuava com o mesmo cheiro doce.
– Quanto tempo! – Ele disse, provavelmente sem encontrar nada melhor para dizer.
– Meu Deus! – Eu disse, sem ter nada bom para dizer também. Então nós ficamos nos olhando com sorrisos idiotas, sem saber o que falar. Comecei a me sentir desconfortável naquela situação. Na verdade, eu nem sabia como agir. Eu não sabia se eu estava feliz ou assustada por revê-lo após tanto tempo, e dava para ver que Kendall estava se sentindo da mesma maneira que eu. – Hum... Quer sentar?
– Claro. – Nós sentamos, ele de frente para mim.
– O que faz por aqui, Kendall? – Perguntei, tentando quebrar de vez o gelo.
– Eu me mudei para cá recentemente, então resolvi dar uma caminhada para conhecer os arredores.
– Sério? Então... Nós somos vizinhos.
– É. – Ele confirmou com uma expressão tão atordoada quanto a minha. Ambos de nós não conseguíamos acreditar que isso estava mesmo acontecendo. Se Kendall soubesse o quanto eu sonhei e imaginei cada detalhe desse reencontro, porém, eu cria piamente que nunca iria acontecer…
Até então eu não havia me tocado do quão forte e acelerado meu coração estava batendo. Parecia que eu estava prestes a explodir dentro do peito. Mas não era só a presença de Kendall que causava esse efeito em mim. Eram todas as memórias que vinham junto com ele.
Kendall tomou a liberdade de fazer seu pedido, um chocolate quente. Havia tantas coisas que eu queria saber, tantos assuntos pendentes, que eu decidi puxar o assunto.
– E aí, me conta. Como vai a vida? – Acabei soando desesperada em vez de natural e amigável.
– Ahm… Vamos ver. Eu lancei meu 2º álbum solo faz algumas semanas.
– Foi? Que bom! Sabe, eu ouvi falar muito bem do 1º. Mas eu não… Não tive oportunidade de ouvi-lo ainda. – Porque sempre que uma música dele tocava na radio eu mudava de estação. Kendall deu um sorriso de canto.
– É muito bom ver as pessoas gostando do meu trabalho, porque agora que sou artista solo, às vezes tenho que me virar praticamente sozinho.
– Confesso que eu fiquei bem surpresa quando soube que Big Time Rush tinha acabado.
– Pois é… Já faz tanto tempo… Mais de quatro anos. – Por um momento vi as expressão dele ficar mais séria.
– Mas qual foi o motivo?
– Ah… Na época ficou difícil de conciliar trabalho e família, sabe? Depois que Francis nasceu, tudo ficou complicado. Com o tempo, eu já não tinha mais ânimo para a banda, eu vivia cansado, e Lucy estava no auge da carreira dela, ela não podia parar naquela hora. A banda já não era a mesma, então achei melhor sair, e consequentemente, Big Time Rush acabou.
Sim, eu havia escutado toda a explicação. Mas eu só havia prestado atenção em uma coisa.
– Espera. Francis é seu…?
– É... Meu filho se chama Francis.
Engoli em seco aquilo. Filho? Kendall teve um filho com Lucy? Um filho? Isso sim que é seguir em frente. Meu peito apertou. A ideia de que Kendall se esqueceu de mim à ponto de fazer um filho com Lucy me deixou de olhos arregalados. Se eu não sempre evitasse saber de qualquer noticia sobre Kendall e Lucy, talvez eu não estivesse surpresa agora.
– Oh. E… Como vai a Lucy?
Kendall coçou a nuca e olhou pra baixo por um segundo. Ele demorou um pouco mais que o normal para responder a pergunta.
– Nós nos separamos.
Eu definitivamente estava despreparada para aquela informação.
– Hã? Quando isso aconteceu?
– Faz quase um mês.
– Mas… Porque vocês se separaram? – Eu não sabia qual informação havia me chocado mais. A do filho, ou a da separação. Acho que as duas juntas, porque, afinal, quando você se casa com alguém e tem um filho com essa pessoa, todos esperam que vocês fiquem juntos para sempre.
– Por que… nós estávamos brigando muito, não tava mais dando certo. Nós fizemos o que era melhor.
– Oh. – Continuei sem reação. O chocolate quente que Kendall havia pedido chegou. Enquanto ele tomava pequenos goles da bebida quente, eu aproveitei pra tentar comer a o resto do meu café da manhã. Mas eu não conseguia digeri-lo. Ficava entalado na garganta junto com todo o peso de reencontrar Kendall.
– Sua vez. Me fale da sua vida. – Kendall resgatou o assunto, assoprando o vapor que saia da xícara. E ao contrário dele, eu não tinha novidades bombásticas para contar. Minha vida sempre foi muito normal. – Fiquei sabendo que quase todos os anos você leva um Oscar pra casa.
– Faço o que posso. – Eu disse, arrancando uma leve risada dele que me fez rir um pouco junto com ele. Então, falei sobre o filme que eu estava participando agora, e depois falei as propostas de filme que recebi, em seguida sobre os filmes que em breve estariam em cartaz.
– Uau, você está trabalhando bastante. – Kendall comentou. E era verdade. Durante esses dez anos desde que deixei Palm Woods, quase tudo que fiz foi relacionado a trabalho. Já não sei se me sinto mal ou orgulhosa de mim.
– Falando em trabalho, olha a hora. – Disse checando meu relógio de pulso e vendo que em meia hora eu tinha que estar no estúdio. Tirei o dinheiro do café e do croassaint da bolsa e coloquei na mesa.
– Já vai?
– Preciso ir. – Falei já me levantando. Kendall se levantou também para se despedir de mim. Ele acabou insistindo em ter o número do meu telefone. Como eu estava com pressa de verdade, troquei rapidamente números com Kendall.
– Foi bom te ver, Jo. – As covinhas dele apareceram timidamente quando ele sorriu.
– Foi bom te ver também, Kendall. – Inclinei-me para dar um beijo amigável no rosto dele. Infelizmente, este me afetou mais do que deveria. – A gente se fala.
– A gente se fala.
Mesmo depois de deixar a lanchonete, a minha mente ainda estava presa lá, relembrando de cada detalhe deste café da manhã mais que único.
“Mas você acaba voltando pra mim e eu voltando pra você. É como se tivéssemos um imã. Um pólo positivo atraído por um negativo. É a física. Até a natureza conspira ao nosso favor.”
Querido John
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