Notas iniciais
Oi gentee! Fiquei super feliz em ver os comentários de vocês, e como e estou de muito bom humor hoje, estou adiantando o 1º capítulo. Como eu disse nas notas da história, essa fanfic é acidentalmente inspirada em Querido John. "Acidentalmente" porque quando eu comecei a escrevê-la, falei sobre ela com algumas amigas, e elas me disseram que estava muito parecida com Querido John, e eu que nunca li o livro e só vi metade do filme nem tinha me tocado disso HEUHEUEHEUHUEHE
Esse capítulo é o ponto de vista da Jo em Big Time Decision, já revi esse capítulo tantas vezes que se houver algo errado eu me enforco! HEUHEUEH Mas eeeeenfim, espero que vocês gostem da fanfic que escrevi com muito amor e carinho, e não esqueça de comentar sua opinião. Boa leitura!
Xoxo!

I thought you’d still be mine when I kissed you goodbye. (Want U Back – Cher Lloyd)


Setembro de 2012


Eu juro que estou à beira de um colapso nervoso. Acho que deve ser normal sentir isso após passar tanto tempo longe na Nova Zelândia, e de repente ter que voltar para casa às pressas. Eu não sei direito como tudo aconteceu, mas parece que o público-teste realmente odiou o primeiro filme, então... Queimaram o set de filmagens. Então os outros dois filmes foram cancelados. Certo, eu fiquei bem abalada por ter sido cancelado e que todo o meu trabalho de meses não havia agradado o público. Mas logo a minha tristeza passa quando eu penso que logo estarei em Palm Woods novamente. Ah, como eu sinto saudades daquele lugar. E especialmente de uma pessoa que mora lá.

Confesso que eu só consegui pensar em Kendall desde a hora em que o avião decolou da Nova Zelândia, indo em direção a Los Angeles. Quero dizer... Para falar a verdade, eu só consegui pensar em Kendall todo este tempo que estive fora. Porém, ao mesmo tempo em que eu sentia um friozinho na barriga só de pensar em vê-lo, abraçá-lo, beijá-lo novamente... Eu também sentia medo. Muito medo. As piores coisas possíveis se passavam pela minha cabeça. Do tipo, e se Kendall me esqueceu? E se ele não quiser mais nada comigo? Ou pior, e se ele se cansou de me esperar e arrumou uma nova namorada linda, gostosona e mil vezes melhor que eu?

Não, não, não. Eu até tento frear o máximo que eu posso esse tipo de pensamento, mas é inevitável. No entanto eu tenho que acreditar que vai dar tudo certo. Kendall ainda gosta de mim o tanto quanto eu gosto dele. Ele ainda está me esperando, eu sei disso. “Nós vamos continuar de onde paramos”, é nessa frase que eu prendo a minha esperança até hoje.

Quando cheguei a Los Angeles, eu senti como se o meu nervosismo houvesse dobrado, triplicado, quadruplicado. Meu coração parecia que iria explodir dentro do peito. Após eu pegar minha mala, o motorista já estava a minha espera no aeroporto, segurando uma plaquinha escrito “Jo Taylor”. Ele me levou até carro que estava do lado de fora, e quando saímos, eu dei um grande suspiro ao sentir o ar desta cidade novamente. Durante o caminho, o motorista percebeu o meu nervosismo evidente, e colocou umas músicas animadas para tentar me ajudar. Não funcionou muito bem, mas valeu a pena a tentativa. Quando estávamos a poucos quarteirões de Palm Woods, ele me fez uma pergunta.

– Desculpe-me se estou me intrometendo, mas alguém sabe que a senhorita está na cidade?

– Somente os meus amigos de Palm Woods não sabem. Eu queria fazer uma surpresa para eles. – Eu respondi sorrindo, imaginando a cara de Kendall ao me ver.

– Isso parece ser muito bom! Aposto que todos ficarão muito felizes em te ver.

Eu apenas sorri como resposta, e pensei “Eu espero”, ao me perguntar se Kendall realmente ficaria feliz em me ver novamente.

Enfim, chegamos ao tão famoso Hotel Palm Woods. Aposto que o motorista conseguia ouvir de longe meu coração batendo forte. Eu tive que respirar fundo várias vezes para normalizar meus batimentos cardíacos extremamente acelerados. Desci do carro e parei no lugar, encarando o prédio. Dei um suspiro nervoso, enquanto sentia a brisa fresca e o calor de Hollywood que eu tanto senti falta.

– Bem-vinda ao lar, de novo. – Murmurei para mim mesma.

O motorista me ajudou a tirar a minha mala do porta-malas, em seguida nós nos despedimos e ele me desejou um bom dia. E esse seria sim um bom dia. Arrumei minha bolsa ombro e alinhei o casaco antes de começar a caminhar em direção a entrada de Palm Woods. Assim, logo que entrei, notei de cara que haviam muitas pessoas novas. Muitas. Mas eu nem sei por que estou surpresa, afinal é como sempre dizem: “Pessoas de todos os cantos vem para Palm Woods em busca de fama e fortuna”. Então hoje, para eles, eu era a garota nova. Porém apesar de parte dos moradores ter mudado, este lugar continuava exatamente com o mesmo “espírito Palm Woods”.

Quando parei no balcão da recepção, vi o mesmo antigo gerente, Reginald Bitters, sorrir para mim. Ele era o único deste hotel que sabia da minha chegada, é claro. Nunca imaginei que estaria feliz por vê-lo de novo.

– Seja bem-vinda de volta, Jo.

– Obrigada, Bitters. – Agradeci com um sorriso nervoso. Logo ele me entregou as chaves do meu novo apartamento, 3B. – Tenha um “Palm Woods day”. – Eu me atrevi a dizer a famosa frase antes de Bitters, e em resposta ele sorriu de volta.

– Igualmente.

Agora eu estava bem menos nervosa por rever todo mundo. Vai ficar tudo bem. Eu sei que vai. Tudo apenas voltará a ser como era antes.

Apertei o botão dos dois elevadores do saguão, e enquanto esperava algum deles descer, eu não via a hora de largar as minhas coisas no meu novo apartamento e ir correndo para o 2J ver Kendall, e os meus amigos também.

Mas parece que quanto menos tempo falta para eu poder vê-lo, com mais saudades eu fico. E quando nos reencontrarmos, eu não vou fazer como quando eu viajei, quando eu não tive coragem de dizer para Kendall como eu realmente me sentia, quando tudo que eu queria dizer me ficou entalado na garganta. Eu queria ter dito que eu não iria conseguir ficar sem ele, que eu não queria nunca ter que deixá-lo, que eu o amo. Mas dessa vez eu vou dizer tudo. E dizer que eu ainda o amo, sem sombra de dúvidas. Quando eu estava prestes a desistir e ir pela escada, finalmente, o elevador chegou. A porta dele se abriu, mas... antes que eu desse um passo para frente, eu congelei de horror com a visão a minha frente.

Meu coração parou de bater por um segundo, e em seguida tive a impressão de que ele despencou do meu peito, chocando-se contra o chão duro e se quebrando em mil pedaços. Meu queixo caiu, meus olhos arregalados lutavam para não se deixarem transbordar de lágrimas. Eu perdi meu chão. Tudo que eu mais temia acontecera.

– Kendall?

Assim que a minha voz fraca disse seu nome, o único garoto que amei na minha vida desgrudou seus lábios dos da garota com quem estava se beijando. Beijando.

– J-jo?! – Kendall disse de volta, tão surpreso quanto eu.

– Então, esse é a surpresa do final! – A voz de Katie ecoou pelo saguão, e eu não entendi nada.

– Jo voltou! – Disseram em coro ela, Sra. Knight e Buddah Bob.

Se o meu objetivo era fazer uma surpresa para Kendall, eu fui bem sucedida. Tão bem sucedida que eu até ganhei outra surpresa de volta. A garota, de alguma forma, compreendera tudo. Kendall então se afastou completamente dela.

– V-você está na Nova Zelândia, gravando um filme! Três filmes! – Kendall disse, confuso nas suas palavras e muito aflito.

– Bem... O estúdio testou o primeiro filme, e o público-teste odiou e queimou sala de exibição, aí o estúdio cancelou a continuação dos filmes, então eu voltei para cá e... – Eu não conseguia dizer mais nada, pois estava fazendo o máximo para engolir o choro. Nenhum de nós dois conseguia dizer mais nada. Então a garota, percebendo o que estava acontecendo, resolveu tomar uma iniciativa.

– Jo! – Ela disse, saindo o elevador e vindo para o meu lado para me cumprimentar. – Eu sou Lucy. Eu... Escutei bastante sobre você. – Ela falou, fazendo uma careta de quem não tinha certeza se aquela era a coisa certa a se dizer.

– Oi... Então, vocês dois estão... namorando? – Perguntei impulsivamente. E por mais que me doesse saber a resposta, eu ainda queria ouvi-la.

– Oh. Acho que poderia se dizer que... – Lucy tentou me responder, mas nem ela mesma sabia. – Ah... Kendall? – Ela olhou para ele pedindo por ajuda, como se só ele tivesse a resposta. Mas em vez de dizer algo, Kendall continuou com a mesma cara de susto sem saber o que fazer. Então, apertou qualquer botão do elevador e as portas se fecharam, nos deixando sem resposta alguma.

Após alguns segundos, a ficha de tudo que havia acontecido persistia em não cair. Só o que eu sabia era que meu peito doía, como se eu tivesse levado um soco. Quem me dera tivesse sido isso.

– Hum... Jo?

– Sim? – Foi então que eu me virei para olhá-la, e finalmente notei, o que me assustou, o fato de Lucy ser extremamente diferente de mim. Ela possuía uma beleza exótica, daquelas que consegue se destacar em multidões e deixar todos boquiabertos. Lucy tinha mechas vermelhas tingidas em seu cabelo negro, que brilhava com quase a mesma intensidade da escuridão de seus olhos levemente puxados. Ela tinha um estilo rockeira, rebelde, sem falar que ela parecia ser muito mais segura, forte e confiante do que eu, que sou essa coisa frágil, fraca e insegura. Lucy era muito melhor que eu. Talvez Kendall tenha me trocado ao perceber isso. Não, não, não... Kendall não é assim. Tenho certeza de que ele teve motivos muito mais claros e coerentes.

– É... Me desculpe pelo que aconteceu, eu juro que eu não sabia que você iria voltar. Se eu soubesse, eu nunca teria feito isso, é sério. Mesmo se eu gostasse muito de Kendall... como eu estou gostando agora. – Ela disse com sinceridade.

– Kendall nunca comentou se eu iria voltar um dia? – Eu tenho que parar de me torturar com essas perguntas.

– Na verdade... Kendall nunca me falou nada sobre você. Tudo que sei foram outras pessoas que me contaram, e só me disseram que você foi embora, mas não que um dia você voltaria. – Ela franziu os lábios. – Desculpa. – Ela falou como se precisasse tomar a culpa pelo erro dos outros. Eu apenas balancei a cabeça positivamente e forcei um sorriso de canto para ela. Nesse momento, o elevador abriu e dessa vez ele estava vazio. Sem surpresas.

– Tá tudo bem. – Eu menti descaradamente quando entrei no elevador. Qualquer um que me visse na fila do pão sabia que eu não estava nada bem. Lucy também deu um sorriso de volta. Por um momento vi que nós duas nos sentíamos da mesma maneira, a única diferença era que ela conseguia esconder isso melhor que eu. Que vergonha, eu que sou a atriz daqui! Eu que deveria estar sorrindo radiante apesar de estar em pedaços.

Bem, mas pelo menos Lucy esteve disposta a me explicar alguma coisa, como uma pessoa madura faria. O que me fazia sentir pior era que Kendall havia apenas fugido, amedrontado. Se ele soubesse que eu estaria sofrendo muito menos se ele tivesse me dito naquele minuto que cansara de me esperar e resolvera seguir em frente com a vida dele...

Eu entrei no meu apartamento novo e pequeno tentando manter a calma. Eu sabia que me alterar a ponto de sentir raiva de Kendall não iria me levar a lugar algum. Mas era difícil não sentir nem que fosse um pouquinho de raiva naquele momento, depois de tudo que eu havia presenciado. Mas mesmo assim eu decidi tentar. A partir daquele instante, eu realmente tentei fazer o que eu podia. Tentei não me sentir mal, tentei me manter positiva a todo tempo – por mais que parecesse ser uma tarefa impossível –, criei coragem e tentei ir falar com Kendall, mas estranhamente nenhum dos amigos dele sabia onde ele estava. Eu até tentei desabafar com Camille que eu encontrei no corredor, ela estava a caminho do 2J. Ela disse-me que teria uma conversinha com ele, e eu quase tive certeza que ou ela iria chegar gritando ou iria logo dar uns bons tapas na cara dele. Eu juro que tentei de tudo. Tentei me animar, tentei esquecer tudo por um momento, eu tentei. Mas não consegui.

Então, tive a ideia de tentar encarar a situação por um ângulo diferente. Isso! Se eu tentar me por no lugar de Kendall, talvez eu consiga entendê-lo melhor.

Comecei a imaginar. Imaginei eu, perdidamente apaixonada por uma pessoa, que de repente tivesse que ir embora, por um tempo muito longo. A pessoa que eu amo tem que ir embora porque aquilo faz parte do sonho dela, e eu não poderia impedi-la de seguir seus sonhos. Então eu a deixo ir. Eu fico extremamente triste, desanimada no começo. E com razão, afinal, a pessoa que eu mais amo havia ido embora para viver seus sonhos, e eu não estava incluída neles. E a pior parte de tudo era que a pessoa não dava mais sinal de vida, como se houvesse esquecido de mim. Mas com o tempo eu começo a me sentir melhor, de vez em quando eu tinha as minhas recaídas e ficava deprimida novamente, mas passava. Então, uma pessoa nova entra na minha vida. Uma pessoa que se mostra disposta a concertar o meu coração partido. Uma pessoa que me ajuda a me levantar quando eu caio. Uma pessoa que faz o meu coração bater forte de novo. Mas de repente, a pessoa que havia ido embora com parte de mim resolve voltar sem aviso prévio. Meu coração vira de cabeça pra baixo. O que faço? Estou confusa, perdida, assustada. Eu... fujo com medo, pensando que assim meus problemas iriam embora sozinhos, mas eles não vão. Então eu torno a me perguntar: O que faço?

Eu não poderia culpar Kendall por seguir em frente com a vida dele, afinal, eu nunca iria querer que ele passasse todos os dias da minha ausência sofrendo de saudades. Deve ter sido inevitável, quando Kendall conheceu Lucy, eles se gostaram de uma maneira que eu jamais vou entender. Não foi justo com Kendall eu voltar assim, do nada. Eu devo ter bagunçado a cabeça e o coração dele. Não posso culpá-lo por ficar confuso.

No entanto, mesmo com toda essa confusão de sentimentos, eu o quero de volta. É uma pena que isso não depende de mim, depende de Kendall. Se ele quiser voltar comigo, ótimo, mas e se ele não quiser? E se ele quiser ficar com Lucy? Eu quero que seja Kendall feliz, mas eu não quero estar aqui para vê-lo ser feliz com outra pessoa. É tortura demais pra mim, e eu não sou de ferro. Então, decidi ir tentar falar com Kendall novamente, mas como era de se esperar, ele não estava.

– Eu acho que cometi um erro ao pensar nós poderíamos apenas continuar de onde havíamos parado... – Eu disse para Logan e Camille, que me olhavam com compaixão na porta do 2J. – Digam para Kendall que se eu não ouvir nada dele até de noite, eu vou embora de Palm Woods.

Eu ignorei o barulho que veio de dentro do apartamento e que me assustou, e esperei Logan parar de tossir para me despedir com um sorriso fraco dele e de Camille, que pareciam bem chocados, e voltei cabisbaixa para o meu apartamento.

Este retorno para Palm Woods não estava saindo nada como eu havia imaginado.



“Apenas me diga o que você quer de mim. Porque… quero dizer, você quer que eu vá embora?”

Querido John