The Archetypes
2 Capítulo 2: Hermit, the Frog
Notas iniciais
O sol já se punha quando eles chegaram em Long Island. A feição das meninas era a pior possível. A mais velha ainda estava mais “aceitável”, pois sempre continha um pouco de bom humor consigo, ainda mais com a felicidade que exalava do sátiro ao seu lado. Porém, a mais nova estava terrível. Não na aparência – apesar de ambas estarem com as roupas um tanto amassadas e com cara de sono -, mas sim no humor. Se sentia irritada, estressada, e pronta pra dar um soco na primeira pessoa que lhe tirasse do sério. Mal sabia que isso não demoraria a acontecer.
Haviam parado o carro num campo não muito longe da tal “Colina Meio Sangue”. Cansadas, irritadas, com fome e com sono, saíram do carro arrastando as mochilas sem um pingo de vontade de subir uma colina.
– Vamos, falta pouco. São homens ou ratos? Ah... Esqueçam. – Gary tentava animar as novatas no lugar, mas resolveu se calar ao receber um olhar mortal de Sabrina. Nem mesmo as piadinhas do garoto estavam a ajudando, ou seja, a situação estava crítica. Amanda se limitou a soltar um suspiro, se colocando a subir a colina em silêncio, assim como os outros.
Passaram na frente de um grande pinheiro, e nele havia um dragão, enrolado em meio o tronco e os galhos. A ruiva olhou extasiada para o animal, afinal, era um dragão. Já a morena se limitou a olhar pelo canto do olho. Adorava esse ser mítico, mas estava cansada e irritada demais para dar muita atenção.
Todos passaram na entrada do tal Acampamento e já podiam ouvir as vozes. Gary murmurou algo e indicou uma casa de dois andares, clara e com uma varanda espaçosa.
– Temos que ver Quíron. Depois, levo vocês para o chalé 11.
– Ainda com essa história? Sinceramente eu não acredito que sejamos filhas de deuses. – disse Amanda, ajeitando a mochila nas costas.
– Acreditem em mim, vocês são.
– O que é chalé 11? – Sabrina resolveu se manifestar, afinal, tinha em mente que “não poderia ficar de mal humor para sempre”.
– Chalé de Hermes. Todos os novatos que ainda não foram reclamados ficam lá. – o sátiro respondeu com calma, analisando o local como quem sentiu saudades de casa.
– Ah, que ótimo. Hermes é o deus dos ladrões, certo? – a mais velha disse, olhando para a mochila a qual guardara o celular com receio. E não era para menos, afinal.
– Se eu fosse você teria cuidado mesmo. – uma voz masculina se manifestou atrás da moça em meio a risos. – Nós não perdoamos ninguém.
– Chris, não assuste as novatas. – Gary disse, mas acabou rindo junto. Sinto que devo dar uma descrição de Chris, afinal ele será muito presente nessa história. Ele é um rapaz de mais ou menos 19 anos de idade. Cabelos e olhos num tom castanho escuro. Atlético, sarcástico e “engraçado”. Esse é Chris Rodriguez. Mas vamos voltar a história.
– Vocês são novas por aqui, certo? Seus nomes... – o garoto perguntou em meio a risos.
– Amanda Cianci e Sabrina Paes. – a mais velha disse cuidadosamente, analisando o rapaz. – E você é...
– Chris. Chris Rodriguez, filho de Hermes. – ele soltou um sorriso irresistível para metade da população feminina, mas a moça apenas balançou a cabeça.
– Prazer. Então Gary, você disse que iria nos levar até o tal Quíron. Faça as honras.
– Ok... – ele tentava segurar o riso ao ouvir as palavras da ruiva. – Vamos. – voltou a andar, sendo seguido pelas moças.
– Boa sorte para descobrir o patrono olimpiano de vocês. – o moreno falou, cruzando os braços.
– Obrigada. Acho que vamos precisar. – recebeu de volta da mais velha, que logo sumiu de sua vista junto aos outros.
Alguns minutos se passaram antes de conseguirem chegar a tal Casa Grande. Gary bateu algumas vezes na porta, que foi aberta por um homem. Que tinha o corpo de cavalo.
– Centauro... – a mais nova disse, talvez num tom um tanto admirado.
– Exatamente, minha jovem. Vocês devem ser as novatas. Entrem, por favor. – ele deu alguns passos para trás, permitindo a entrada dos três, que se colocaram lado a lado. Amanda se colocou a observar a decoração do local, de um modo curioso que sempre lhe aparecia ao chegar perto de um lugar com arquitetura diferente. Já Sabrina, não conseguia tirar os olhos das chamas que queimavam numa lareira. Não era um fogo qualquer. Era diferente. Era quase mágico. Mas os devaneios de ambas foram interrompidos pelo leve bater de cascos do diretor de atividades do acampamento.
– Suponho que Gary já tenha comentado sobre mim. Meu nome é Quíron, prazer em conhece-las...
– Sabrina. – a mais nova voltou os olhos para ele, já mais calma.
– Amanda. – sorriu gentilmente olhando para o centauro.
– Gary. – o sátiro soltou em um balido, logo após arrotando enquanto comia uma lata de Pepsi, sentado numa poltrona, e receberam um olhar de "sabemos" de todos no local.
– É um prazer. – o centauro soltou um sorriso caloroso para as moças, indicando que elas podiam sentar. Eram um tanto tímidas quanto a isso, mas o cansaço venceu e se permitiram sentar um pouco mais relaxadas. – Creio que desejam uma explicação.
– Por favor não coloque algum tipo de filme ou palestra gravada. – a mais nova choramingou o que fez o centauro soltar uma risada calorosa, como a que um tio dá aos seus sobrinhos.
– Não se preocupe, querida. Esse procedimento já foi abortado a muito tempo. Vamos lá. Vocês sabem que seu amigo é um sátiro. Mas o que vocês podem não saber é que grandes forças estão em ação nas suas vidas. Os deuses, essas forças, estão vivos. – ele deu uma pausa para absorverem a informação, e continuou. – Vocês podem escolher entre acreditar ou não, mas o fato é que imortal significa sim imortal. Podem imaginar isso? Não morrer nunca? É assim que funciona para os deuses. Eles não morrem. Talvez seus corpos sim, se desgastem, se exaustem. Mas sua essência, sua força, seu poder, tudo isso continua vivo. Lendas que os deixam fortes. Enquanto houver quem acredite neles, eles continuarão vivos. – o centauro andou até uma grande janela e olhou para fora, suspirando. – E, como seres vivos, eles possuem vontades. E dessas vontades, desejos, fetiches, nascem os semideuses. – qualquer outro poderia levar aquilo como ofensa, mas o modo como ele pronunciava as palavras, de um modo carinhoso e cuidadoso, não ofendeu as garotas. Apenas as deixou estáticas.
– Então semideuses realmente existem... E o senhor diz que somos um deles... – a mais velha respirou fundo, tentando processar toda a informação recebida naquele momento.
– Certamente, querida. Não apenas porque vocês semideuses emanam o poder recebido de seus pais. Mas também porque nenhum mortal pode cruzar a entrada do Acampamento Meio Sangue. – ele sorriu gentilmente e indicou a saída. – Por hora, é isso. Creio que a viagem até aqui deve ter sido cansativa. Gary, leve as moças para o Chalé 11, e diga a Chris para arranjá-las camas.
– Sim, Quíron. Vamos, meninas. – ele disse, saltitando para fora, sendo seguido pela moça mais velha que racionalizava tudo o que havia ouvido.
– Senhor... – a mais nova tomou coragem e pronunciou, timidamente. – Então o senhor acha que... Que somos mesmo filhas de deuses gregos?
– Tenho certeza, querida. – ele olhou para a moça com calma.
– Então... Isso explicaria tudo... Tudo o que passamos até agora? As moças, líderes de torcida da escola... O manticore... Meu professor... – ela respirou fundo ao receber um balanço positivo com a cabeça do centauro. – E... E você sabe de que deus podemos ser filhas?
– Eu gostaria de saber. Porém, só saberemos quando o seu pai e a mãe dela reclamarem vocês. – ele suspirou. Gostaria de simplesmente saber, mas os deuses tinham um pensamento um tanto problemático. A moça suspirou. Se sentia estúpida por fazer aquelas perguntas, mas sentiu necessidade de confirmar suas suspeitas.
– Obrigada, Quíron. Desculpe por tomar seu tempo. – colocou a mochila nas costas, indo até a saída.
– Não se preocupe com isso. Apenas descanse. Teremos jogos amanhã de manhã. Boa noite. – sorriu gentilmente para ela, numa tentativa de animá-la.
– Certo... Boa noite. – saiu, suspirando. Gostaria de perguntar que tipo de jogos seriam, mas o cansaço, o sono e o baque das informações falaram mais alto. A distração foi tanta que acabou esbarrando num garoto que aparentemente iria até a casa grande.
– Desculpe. Eu estava distraída. – murmurou, logo soltando um suspiro.
– Não se preocupe. – ele disse, aparentemente calmo. Ela acabou levantando os olhos para ver o rapaz. Olhos castanhos, cabelos negros num cacheado singelo. Poucos centímetros mais alto do que ela, uma expressão gentil, emanando calor, literalmente. O rapaz parecia ter trinta e nove de temperatura, pois ao esbarrar nele, a garota quase pode sentir uma queimadura. – Prazer, Leo Valdez. – ele sorriu, e, após alguns momentos em silêncio, ele sussurrou. – Essa é a hora que você diz seu nome.
– Ahn... Sabrina. Sabrina Paes. – piscou algumas vezes e respirou fundo, voltando a expressão entediada ao rosto.
– Você é nova aqui? – ele perguntou, numa tentativa de puxar assunto, olhando para a moça com curiosidade.
– É o que parece. – talvez ela não quisesse ser tão.... Grossa. Mas era dela. Não sabia lidar com pessoas que não conhecia.
– Já sabe quem é o seu pai ou mãe olimpiana? – ele não pareceu estar afetado, mas ela bufou.
– Eu acabei de chegar. Certamente não. – olhou diretamente para o rapaz e por algum motivo sentiu a temperatura cair. Um silêncio constrangedor tomou conta do local, e ela se apressou em dizer. – Eu vou para o chalé 11. Minha prima deve estar me procurando.
– Ahn... Até depois então. – ele sorriu um pouco constrangido. – Foi um prazer te conhecer.
– É. Um prazer. – sorriu de canto de um modo considerado indecifrável, dando um aceno leve antes de andar atrás do tal chalé 11. Digo indecifrável pois poderia ser interpretado tanto quando um sorriso sarcástico quanto como um sorriso distraído. No momento, foi um pouco dos dois.
Após alguns belos minutos andando sem rumo, ela encontrou a prima em frente a uma construção marrom desgastada, com um caduceu médico como símbolo na parte superior.
– Até que enfim princesinha, estávamos esperando você. – a mais velha disse, cruzando os braços e revirando os olhos, recebendo uma bufada em resposta.
– Eu esbarrei com um garoto na saída. – fez uma careta e recebeu uma risada de volta. – Não ria, você sabe que não me dou bem com estranhos.
– Exatamente por isso. Vamos, Chris conseguiu camas para gente. E sinceramente, eu não vejo a hora de colocar minha cabeça num travesseiro e poder descansar.
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