The Aquaman!
1 Rei de um reino lendário, herói de um mundo eterno
Notas iniciais
Cardumes passavam, tubarões passavam e até balias. Mas por mais que pudesse andar, ainda estava preso. Um mero peixe poderia ir mais longe do que ele conseguia imaginar. Suas pernas eram fortes, seus pulmões poderiam suportar uma corrida de dias, mas as paredes, por mais que invisíveis, ainda eram um obstáculo grande de mais para um mero homem, mesmo que fosse o príncipe de um reino lendário.
– Viver além da terra, correr além da água e respirar fundo ao mergulhar. Palavras ditas por uma jovem boca de um jovem garoto. Um príncipe que não queria se tornar rei, mas ser um peixe livre.
– Jovem Orin, os jogos vão começar. Todos o esperam. – Disse um homem, diferente do que se esperava. Era um servo, mas era livre e servia por vontade, não por obrigação ou necessidade.
– De novo? Já não é a quinta partida essa semana? Podiam durar menos.
– Talvez, mas os guerreiros se divertem, é o que conta. E o senhor sempre gostou algo o incomoda?
– Eu gostaria de sair, ir para fora, mas já sei o que dirá.
– Eu direi que isso não é impossível. Depois que sua mãe morreu, seu pai caminhou até uma praia e esperou, contigo em seus braços prestes a morrer, até que eu apareci. E naquele momento eu disse ‘’Ele será o rei de um reino lendário, e o herói de um mundo eterno. ’’ Basicamente quis dizer que apesar de seus deveres de reinar em Atlantis pela linhagem real de sua mãe, também tem o dever de viver a cima nós, como o filho de dois reinos.
– Acho que ninguém me contou essa parte da história antes. – No começo o olhar parecia distante, mencionar sua mão lhe causava alguma tristeza, mas o resto do que ouvirá acabou lhe lembrando que viver feliz é honrar a morte de quem morreu por ele. – Mas vou ter que esperar muito, não?
– Jovem Orin, você talvez tenha que esperar 10 anos ou talvez 5 segundos. Depende mais do senhor do que de nós. – Aquelas frases ainda eram confusas, ele tinha apenas 11 anos, e não imagina como faria para poder sair da onde muitos gostariam de entrar. E os jogos começaram e terminaram. E aquilo ainda estava em sua mente e ficou por algum tempo.
– Guerreiros, os mais formidáveis e corajosos que já conheci! Não estão aqui parar morrer por nosso deleite, mas sim parar mostrar como um guerreiro de atlantis sobrevive. QUE OS JOGOS COMECEM!
– ORIN, ORIN! VIVA AO REI ORIN! Uma multidão gritava, o povo esperou oito anos por isso, o dia em que o verdadeiro rei de Atlantis daria inicio aos jogos.
– Acho que conseguiu animar a todos?
– Acho que o senhor devia pensar em ser narrador de combates, senhor. O servo permaneceu, havia perdido um braço recentemente lutando contra tubarões que invadiram as águas de Atlantis.
O combate entre os guerreiros era selvagem e respeitoso ao mesmo tempo. No final só um ficava de pé e ajudava os outros a se levantarem. Um guerreiro dava tudo de si e mostrava seu poder, mas não havia honra se um companheiro morresse ao final. Com todos envolvidos nas festividades demorou para se notar a alteração na vida marinha fora de Atlantis. Uma barreira se ergueu quando Atlantis começou a ser atacada, mas ao se verificar, não era de fato um ataque, mas vários animais marinhos morrendo e indo contra Atlantis, o casco de um navio afundou próximo a cidade.
– O que é isso? Reforcem a barreira, abram os abrigos. PREPAREM UM ESQUADRÃO DE ATAQUE! Se for necessário, iremos revidar. Apesar de não parecer um ataque e sim uma morte coletiva dos animais marinhos, Orin pretendia estar pronto para atacar, se necessário para sobrevive.
Um navio totalmente negro navegava matando e derrubando tudo a sua frente, acabava transmitindo algum tipo de som que praticamente derretia o cérebro dos animais e estava começando a afetar a barreira que mantinha Atlantis segura.
Com o tridente em mão e sua armadura pesando o corpo o rei resolveu que deveria ir até a fonte do problema. Apesar de alguns servos se candidatarem para ir primeiro e guerreiros prontos para destruir qualquer ameaça. Aquele é um momento por qual todo homem espera, e ainda mais quando se é um rei. O momento em que você toma a linha de frente e encara o que tiver de encarar. O rei saiu, subindo além da cidade lendária. Poucas memórias eram as que ele tinha de ter ido tão longe, de subir tanto.
–Continuem avançando, temos que chegar logo com esse carregamento. Dizia um homem para os tripulantes do navio.
– Não entendo por que estamos usando essa arma, não era para ser discretos?
– Mas já que alguém tentou intervir é melhor destruir tudo em nosso caminho desde já, não é? Dois homens sussurravam enquanto pararam de ouvir o som perturbador que o sonar fazia. A mancha de sangue na água já não se alastrava mais como antes e no final de tudo um homem pulou a bordo do navio chamando a atenção de todos por suas vestes.
– Mas o que é isso? Não sabia que isso havia se tornado uma festa a fantasia. Gritou um dos homens, todos encaravam Orin.
– Devem recuar, devem deixar esse local e desligar essa maldita arma de matança.
– Sinto muito soldadinho dos mares, mas temos um prazo. E não damos carona. O que estão esperando? Ataquem esse infeliz. Gritou o capitão do navio.
Dois homens partiram para cima de Orin, a resposta do rei dos mares foi rápida. Cravou o tridente na perna direita de um dos homens o jogando para o alto e o fazendo bater com força no chão. O outro foi jogado para cima pelo cabo e Orin chutou sua coluna o fazendo se juntar com o outro homem.
– Você manda homens para atacar um rei?
– Um rei? Acho que estamos enfrentando algum apaixonado pela natureza ao extremo. EU OS PAGO PARA DORMIR? Perguntou o capitão e a reposta foi simples e direta. Os dois homens se levantaram, o ferimento na perna de um deles não fazia a mínima diferença em seus movimentos.
– Hum... Acho que isso pode ser algum desafio. Disse Orin quando o homem que feriu a perna voltou a atacá-lo, seu rosto ficou levemente roxo um uma coronhada, e caiu ao chão com uma pancada que levou do outro com o extintor de incêndio.
– Um rei? Só vejo mais um idiota caído perante meus pés. Dizia o homem da perna ferida enquanto com a mesma chutava Orin. Ele rangia os dentes com cada pancada, segurou firme o tridente e se levantou, cortando a perna do homem fora e o jogando a ao mar.
– Sim, um rei, e um rei piedoso. Pegou o homem que lhe derrubou pelo pescoço e depois de bater sua cabeça no mesmo extintor o jogou ao mar. — Mas afinal, eu não controlo tubarões, como vou impedir que tenha raiva.
– Acho que não estou diante de qualquer comedor de cenouras, não? Ataquem seus infelizes. Alguns realmente atacaram, mas outros se jogaram ao mar em botas que fora simplesmente destruídos por tubarões irados, peixes surgiam impedindo que alguns homens fossem longe ou se quer fossem fora d’água respirar, quanto aos outros? Bem, o rei dos mares quebrou as pernas de um por um, até o último cair de cara sobre o traseiro de outro.
– Se engana se acha que simples homens vão me impedir de levá-lo paras profundezas e dar ao meu povo o prazer de sentenciar o infeliz que causou mortes de cidadãos de Atlantis.
– Atlantis? Sério? Bem, devem ter ótimas camisas de forças lá. Apesar de que se é rei como diz, irá merecer algo feito de madeira. O Capitão pulou contra Orin segurando duas espadas, o rei foi ferido varias vezes, cortes em seu rosto eram marcas de que todo homem pode ser ferido, até um rei. Suas pernas embora fortes, o obrigavam a se ajoelhar totalmente feridas. Com a espada em seu pescoço olhou nos olhos do homem que o fizera ajoelhar.
– Acho que até um rei pode ser abatido. Você não é qualquer traficante, é?
– Isso é só metade do carregamento. Você se meteu em um baita esquema, nós não queremos pescar peixes raros. Iremos matar pessoas raras. E com honra vou por sua cabeça junto aos meus troféus.
– Hum... HAHAHAHAHA, eu fico honrado. Minha cabeça não é assim tão desejada já faz alguns anos. Mas infelizmente, eu aprendi da última vez que às vezes, a vida do rei é a melhor espada para cortar o inimigo. Mesmo com a lamina fria em seu pescoço, Orin, se levantou segurando firme o tridente que sentiu perfurar o peito do inimigo e sua espada corta o lado direito do seu pescoço, um ferimento fundo, mas não o suficiente para tirar a vida do rei.
Alguns homens chegaram ao navio e a primeira visão que tiveram foi a de Orin jogando o homem para o lado e se dirigindo a cabine, enquanto os soldados se ajoelhavam perante o rei.
– Se levantem, peçam para alguma equipe remover o navio que afundou para longe, ou para trazer para cima, vou alertar as autoridades humanas sobre isso e não os quero xeretando em... Ahhhhhhhhhh! Com um grito que fez até os animais pararem e silenciarem-se, Orin se ajoelhou enfrente a porta apertando as mãos contra os ouvidos e com os olhos fechados com força.
– Senhor? O que foi? Os homens correram até Orin para ajudá-lo, mas de nada serviu, o mesmo se contorcia. Imagens passavam por seus olhos, por mais que os fechasse para não ver. Tudo embaçado, água batendo contra, só conseguiu ver uma praia, homens descendo de um barco, atirando em algumas pessoas, homens e mulher de jaleco sendo jogados na areia feridos, como lixo, os olhos começaram a se fechar, o som da água era o restava e no final voltou a si.
– O que? Não entendo o que foi isso? Um efeito de alguma droga? Não, sei que não.
– O que foi? Novamente o soldado perguntou.
– Nada, voltem para baixo e façam o que disse, deixe que cuido desse navio depois, mas se notarem algo que não seja as autoridades se aproximando, detenha, evitando mortes. Orin pulou na água, os tubarões e peixes o davam passagem enquanto o mesmo nadava mais rápido do que o normal, não sabia como, mas sabia para onde ir.
Meus pensamentos estão confusos, minha mente parecia estar em outro corpo, mas eu acho que era sobre isso que ele falava. Sou rei de Atlantis, mas meu outro povo precisa de mim e o povo do qual sou rei, me avisou.
Orin chegou à praia que viu, por perto foi capaz de avistar um golfinho morto flutuando, de algum modo sabia, dali veio tal visão. Homens e mulheres mortos no chão, fumaça em um prédio a gente, pela primeira vez, era sua primeira visão de tantos prédios e infelizmente com pessoas correndo e morrendo.
– Acho que é isso que se diz com ser o herói de um mundo. Suas pernas já não ajoelhavam mais, agora corriam e rápido. Homens de preto se concentravam em um prédio com caixas, infelizmente corpos eram a trilha para tal caminho. Com o tridente em mãos entrou no prédio, novamente chamando a atenção de todos.
– Quem é você? Gritou o homem no comando enquanto os outros vinte apontavam suas armas para Orin.
– Já fui chamado de Arthur, atualmente sou chamado de Rei Orin, mas para corja humana como vocês... AQUAMAN! E o tridente bateu contra o chão, soando o som de uma nova era. O Rei dos mares... É o herói de toda terra, seja ela molhada ou seca.
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