The Apocalypse
9 Not Today
Notas iniciais
10
POV Carl
Abri a porta. Michonne estava parada de frente a ela, com lágrimas no rosto.
A abraçei fortemente, esbanjando toda a saudade que senti. Ela me soltou e sussurrou.
— Vá falar com ela.
Estranhei o que ela disse até olhar para a entrada da casa. Ela vestia uma camiseta cinza suja de sangue e terra e jeans. Seus cabelos castanhos estavam espalhados pelas suas costas e ombros e seus lábios ressecados por conta das longas caminhadas no sol. Os seus olhos negros jorravam lágrimas por seu rosto branco como neve. Mesmo assim, ela estava linda.
Corri até ela, desejando que as lágrimas em sua face evaporassem assim que a abraçasse. Coloquei as minhas mãos em volta de seus ombros, tentando a proteger de tudo que aconteceu. Ela enlaçou seus dedos nos meus e olhou em meus olhos.
— Oi. – ela sussurrou, como se fossemos velhos amigos que encontraram — se na rua, em um mundo normal.
— Oi. – sussurei de volta, colando minha testa na dela. Ela exalava uma combinação de cheiros única que eu queria guardar num pote para o resto de minha vida. Eu me sentia em casa.
(…)
POV Emily
Rick estava mal. Ainda estava bem machucado da luta com o Governador. Acho que o pior era que ele sabia disso.
Eu estava sentada no chão da ‘nossa sala de estar’, lendo um dos livros que tinha pegado na prisão : Agatha Christie. Rick estava mexendo em uma mochila no outro canto da sala e ouvia Carl e Michonne rir na cozinha. Até agora tudo bem.
Logo cansei de ler e fui vasculhar um pouco a casa. Entrei em um dos quartos. Era muito maneiro. As paredes eram pintadas de verde escuro e havia cartazes por todo o lado. Uma lareira servia de apoio para vários itens de decoração e tinha até um videogame com uma televisão em um canto. Haviam prateleiras de livros que eu adoraria ler.
‘Foco, Emily. Vamos pegar algumas roupas.’ pensei. Fiz um coque improvisado no meu cabelo e fechei a porta. Troquei minhas roupas sujas e suadas por uma camiseta incrível (e gigante) do Green Day e uma bermuda que tinha improvisado de uma calça jeans do antigo dono.
Quando abri a porta para sair do quarto dei de cara com Carl, com o punho levantado como se fosse bater na mesma. Ele olhou para mim.
— Gostei da sua camiseta. – falou. Sorri.
— Tem algumas no armário, se quiser. – falei descendo as escadas.
Eu não sei porque, mas sentia que estava me afastando do Carl. Parecia que esse era meu instinto natural de sobrevivência. Eu não queria me afastar de Carl, mas parecia que era necessário.
Me sentei no sofá, cansada de não fazer nada. Logo chegou Rick e Michonne.
— Vou buscar suprimentos com Carl. – anunciou Michonne. Vi a cara de Rick quando ela disse isso e ele parecia incomodado.
— Eu fico aqui com Rick. – falei. Rick franziu a testa.
Fomos para a varanda, junto com Carl que acabara de chegar.
— Quanto tempo vão demorar ? – perguntou Rick.
— Encher a sacola não vai demorar muito. – falou Michonne.
— São 8:15 agora.
— A gente volta ao meio dia.
— Obedeça ela. Entendeu. – falou Rick, entregando uma arma para Carl. – Ei, ta tudo bem ?
Antes de responder Carl olhou para mim discretamente. Aposto que Michonne tinha percebido.
— Tá, eu… só to com fome.
— Tá bom. Eu vejo vocês daqui a pouco.
Continuei na varanda, observando eles irem. Quando não conseguia mais observá – los, entrei e começei a empurrar o sofá, para prender a porta.
— Eu ajudo. – disse Rick.
Fizemos isso e depois Rick anunciou que ia dormir em um dos quartos. Deitei no sofá e li um pouco até sentir a fadiga tomando conta de meu corpo. Quando estava quase dormindo, começei a ouvir passos na frente da casa. Olhei pela janela e vários homens vinham em direção a casa. Peguei minha mochila e subi as escadas correndo para avisar Rick. Entrei no quarto onde ele dormia e sacudi seu braço. Ele acordou subitamente e olhou em volta. Levei meu dedo indicador aos lábios indicando silêncio e apontei para baixo. Ele entendeu e entrou debaixo da cama.
Olhei em volta do quarto e notei um móvel, com uma distância razoável entre ele e o chão, que ficava de frente para a cama de Rick. Escorreguei para debaixo dele, ficando em posição fetal, abraçando meus joelhos para que não aparecessem. Um homem entrou no quarto e revistou o armário. Não conseguia ver seu rosto. Olhei para Rick que estava com os olhos fixos no cara. O cara deitou na cama, o que fez Rick se assustar. Ouvi passos subindo as escadas. ‘Ferrados. Nós estamos ferrados.’ pensei.
(…)
Já estávamos lá faz um tempo. Aquele homem continuava dormindo e ouvi mais passos vindo em direção ao homem da cama.
— Confortável ? – perguntou o sujeito.
— Veio me acordar pra ver se estou confortável ? — reclamou o outro.
— Eu quero deitar.
— Mais dois quartos pra escolher.
— São camas de criança. Eu quero essa aqui.
O homem começou a caminhar do lado da cama.
— Esta é minha. – disse ele e ouvi um rangido indicando que o homem levantou da cama. ‘Eles não vão brigar, não agora.’
— Não é não. Vai ter que procurar cama em outro lugar.
Eles começaram a brigar e Rick olhava para todos os lados procurando um buraco para se esconder (literalmente). O cara da cama foi derrubado pelo outro e ele caiu de costas para o chão, avistando eu e Rick.
— Len ! Len, para ! – falou ele, tentando alertar o ‘amigo’ sobre nós. O meu coração subiu pela boca diante da ação. O homem continuava tentando alertá – lo enquanto era sufocado, até que ele parou de se mexer.
— Essa cama é minha, otário. – disse o outro, que deitou na cama. ‘Isso parece um deja – vu.’
Rick continuou olhando para mim, com o corpo do homem morto separando – nos e limitando minha visão. Esperamos mais um pouco e contei com os dedos até três, mostrando para Rick quando deveríamos sair de nossos esconderijos. Saímos lentamente para não acordar o homem.
— Tony, Len, desçam logo aqui.
Corremos para o quarto maneiro, sem saber para onde ir. Conseguíamos ouvir passos em nossa direção. Ficamos encostados na parede verde escura, ao lado do vão da porta que separava uma parte do quarto de outra. Um homem andava pelo quarto fuçando nas coisas até que parou no vão, jogando uma bolinha de tênis na janela, me fazendo estremecer. Ouvi ele indo embora, pela batida da bolinha no assoalho. Soltei um suspiro, rezando para que ele não voltasse. Rick olhou e ele já estava longe. Ele tentou forçar a janela, mas ela não abria.
— Sai da minha frente, palhaço. – falou uma voz, vindo distante.
— Cala essa boca ! Eu quero dormir. – disse o cara da cama.
— Ei, tem uma mulher ficando aqui. – gritou outro. ‘Será que é Michonne ? Se for, mas e o Carl ?’
— O quê ? – reclamou o da cama.
Andamos de volta para o quarto e Rick pegou um troféu para se defender.
— Desçam aqui.
— É gostosa ?
‘Ah, vai tomar no meio do seu…’
— Ela não ta aqui ainda.
— Tá animado porquê então, porra ?
— Eu achei a blusa dela. Ela deve ter lavado de manhã. Tá cheirosa.
— Tá, você achou uma blusa. Ela deve estar aqui longe.
— Por que ela lavaria a blusa pra acabar deixando aqui ? Ela vai voltar.
A conversa continuou e nós continuávamos tentando achar um modo de sair daqui. Corremos para o quarto do homem morto, para pegar a arma e voltamos diante de um idiota que anunciou ‘Peraí, vou pegar a arma.’
Corremos para o banheiro e Rick fechou a porta lentamente. Olhei para o lado e tinha um homem cagando. A primeira coisa que eu pensei ? Oi.
Ele tentou avançar em Rick, que rebateu com o troféu. Rick pegou uma arma e tentou enforcá – lo com ela. O homem tentou pegar a tesoura e eu que fui mais rápida, a peguei. Em um segundo, fiquei em dúvida do que fazer. No outro, a tesoura já estava enfiada no crânio do homem e um pouco de sangue na minha cara. Limpei – o com a mão, enquanto Rick me fitava. Ele pegou a arma e apontou para a porta.
— Ei, eu faço isso. – falei, segurando a arma pesada e apontando – a para a porta. Ele abriu a janela e pulou – a com facilidade. Tentei fazer o mesmo, mas tive que me apoiar primeiro para conseguir. Pulei do telhado sem fazer barulho mas Rick bateu a perna e fez um ruído enorme. Corremos para a parede da parte de trás da casa, Rick com a arma e eu sem nada para me proteger. Depois que vimos que tudo estava estava bem, corremos para a varanda da frente.
Ouvímos a porta abrindo e nos esgueiramos, para a pessoa não nos ver. Ele sentou na varanda e cuspiu no chão. 'Porco idiota.'
Estava com tanto ódio dele que não vi duas figuras se aproximarem da casa. Eram Carl e Michonne.
Já estavamos prontos para matar o cara até que ouvimos um errante, que provavelmente chegou perto da casa. O homem correu para ajudar os ‘amigos’ a matá – lo e corremos em direção a Carl e Michonne.
— Vão ! – falou Rick e corremos como se não houvesse amanhã.
Não seria hoje que nós descansariamos.
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