Notas iniciais
Espero que gostem da leitura e se quiserem dar sua opinião ou alguma sugestão, comentem. Eu não prometo nada mas vou tentar postar uma vez por semana, dependente da minha agenda.

1

As primeiras notícias apareceram no rádio e na televisão. ‘Evidentes sinais de decomposição, violência e canibalismo se encontram nas vítimas da doença. Sugerimos que estoquem comida e água para três semanas. Essa é uma mensagem do governo americano. Evidentes…’. Essa era a mensagem que se repetia e se repetia em todos os meios de comunicação.

Ah, esqueci de dizer. Meu nome é Emily Grace. Eu morava em uma casa com minha família, na Geórgia, onde estou até agora.

Minha família. Me dói tanto pensar neles. Dos carinhos e na comida do meu pai, dos cabelos de minha mãe, que sentia o cheiro sempre que a abraçava quando uma coisa ruim acontecia. Antes de tudo isso começar coisas ruins era eu ralar a perna em uma aula de basquete, mas agora tenho medo de coisas mais importantes. Tenho medo de acordar e não estar viva, de não conseguir sobreviver.

No começo, achava que só eram diferentes, não mortos ou canibais, somente diferentes. Acho que foi por isso que não consegui proteger as pessoas em volta de mim. Eu não enxergava o que estava acontecendo e muitas das pessoas que conhecia eram iguais á mim. Elas tentaram morrer, e muitas conseguiram, ou foram mortas por aquelas ‘coisas’. Eu tentava não me culpar pela morte das pessoas mas sabia o que tinha acontecido. Como todas aquelas pessoas tinham sido mortas.

Logo depois de tudo acontecer eu estava sozinha, sem ninguém. Eu entendia o que aquelas coisas eram e o que elas faziam. Achava que seria mais fácil assim. Mas não foi. Ficou ainda mais difícil encontrar comida e todas as noites tinha medo de dormir e não acordar mais.

Mas eu vivia. Dia após dia. Mês após mês. Tentando não morrer, assim como aconteceu com meus pais

Quando tudo começou eu estava no refeitório comendo quando me lembrei que precisava conversar com a Srta. Moore sobre o dever de casa. E perguntar como ela estava. Mais cedo, durante a sua aula, ela estava tossindo muito e a sua pele estava com uma cor estranha.

Fui até a sua sala e bati na porta. Como não ouvi nada, entrei na sala.

— Senhorita Moore – chamei por ela. Como ela não atendeu á porta, entrei no quarto. Ele estava com muitos livros e uma vitrola tocava uma música antiga. Procurei pela minha professora no quarto e percebi que ela estava de costas, saindo de debaixo da cama.

— Professora – perguntei um pouco assustada e ela se virou. O que vi quase me fez vomitar. Sua pele estava pálida, quase branca e seus olhos estavam claros e opacos. Mas o que mais me assustou foi uma grande mancha de sangue em sua boca e seus dentes. Ela percebeu que estava lá e avançou contra mim lentamente. Abri a porta do quarto e sai correndo pelos corredores, sem me importar com as crianças que estavam em volta de mim que me olhavam assustadas. Logo ouvi uma gritaria e as crianças do corredor estavam correndo em minha direção.

Quando virei no corredor, uma cena me assustou ainda mais. Várias daquelas coisas estavam debruçadas sobre corpos de alunos, os comendo. Passei correndo pelos corpos e desci as escadas correndo. Tropeçei no último lance de escada e saí rolando. Quando me levantei, as paredes e o teto estavam girando. Eu não conseguia distinguir o que acontecia em volta de mim e sai do prédio dos dormitórios, cambaleando. O sol bateu em minha cara, me fazendo ficar cega por uns instantes e depois começar a correr. Correr era só o que eu pensava. A última coisa que me lembro é ter ido para a quadra e me escondido no armário de bolas.

Um ano e oito meses depois…

‘Corra, corra, corra, não olhe para trás…’ Era o que eu repetia em minha cabeça várias vezes. Eu conseguia lidar com um errante, mas 3X1 era sacanagem. Meus pulmões ardiam e meus pés estavam cansados, mas eu não poderia parar ou seria pega. Logo avistei uma cidade, com várias casinhas idênticas uma á outra. Me escondi atrás de uma árvore e esperei todos os errantes passarem, enquanto prendia minha respiração. Quando o último ia passar, soltei o ar que estava prendendo e ele me ouviu.

Metade da sua cabeça estava podre e havia um facão fincado em suas costas. Como estava sentada na terra atrás de uma árvore, ele se jogou em cima de mim, tentando me morder. As minhas mãos estavam nos seus ombros e a minha faca no meu cinto. Usei as minhas pernas para chutar a barriga do errante, mas estava mais difícil pegar minha faca. Finalmente consegui e a enfiei em sua cabeça fazendo voar um pouco de sangue em meu rosto. Limpei – o com a manga da minha camisa xadrez azul, peguei o facão das costas do errante e continuei andando.

‘Droga eu preciso de um banho’ pensei. Não via um espelho há dias mas sabia que estava imunda. Fazia tanto tempo que não tomava um banho. Meu cabelo cheirava muito ruim e estava sempre me atrapalhando. Uma vez eu quase o cortei, mas desisti por causa do tempo que passei esperando-o crescer e a minha mãe o adorava. Uma lágrima silenciosa desceu pelo meu rosto ao lembrar dela.

Sequei – a e respirei fundo. Não tinha tempo para fraquezas.‘JSS, Emily. Vamos lá. Você consegue.’

Voltei minha atenção a cidade que ficava um quilômetro de onde estava. Andei até lá. As ruas estavam sujas com sacolas plásticas, papel e até alguns órgãos na calçada.

‘Tripas embrulhadas. Legal’ pensei enquanto andava em direção á primeira casa da calçada esquerda. Andei até a varanda e respirei fundo antes de abrir a porta, com a minha faca em punho. Gostaria de ter uma arma, mas não tinha conseguido nenhuma desde… aquilo. Ainda sinto calafrios do que aconteceu.

Flashback ON

Já tinham se passado cinco meses desde que começou. Em todos os lugares se encontravam aquelas coisas. Eu tentava não matá-las na maioria das vezes.

Uma vez, estava em uma casa e tinha um homem lá. Ele era forte e grande e com feições duras. Tentei sair da casa sem que ele me visse, mas ele me viu.

— Olá, garotinha. – disse ele para mim, com um sorriso assustador no rosto. Eu tentei correr e ir embora, mas ele segurou minha cintura e me jogou no sofá da sala me prendendo contra ele. Ele começou a tirar minha calça mas eu revidei, chutando seu rosto. Mesmo assim ele era mais forte do que eu.

— Nossa, que garotinha bravinha. — disse ele. – Me avise se doer.

Começei a chorar e nesse momento, um zumbi atacou ele por trás, o fazendo cair do sofá. Saí correndo e peguei uma arma que estava em cima da mesa. Subi as escadas da casa e entrei em um dos closets, segurando a respiração. Fechei a porta e escondi a arma atrás de mim.

Logo o homem abriu o closet de novo, só que dessa vez, com uma mordida no ombro. Olhei para ela e ele seguiu meu olhar.

— Bom, eu não tenho muito tempo. Vamos aproveitar. – ele se aproximou de mim rapidamente. Quando ele estava bem perto, puxei a arma, apontei para sua barriga e atirei. Ele caiu do meu lado, com uma cara de ódio.

— Filha da mãe. – disse ele.

— Me avisa se doer. – falei sorrindo e atirando em sua cabeça.

Flashback OFF

Bom, voltando á realidade, tentei abrir a maçaneta, mas estava trancada. Recuei um pouco e me joguei contra a porta, abrindo-a. A casa foi iluminada pela luz do dia e um pouco de pó subiu. Tossi imediatamente. Olhei direito para a casa. Era bonita. Tinha uma sala com um sofá gigante e uma estante de livros separando – a da cozinha. Andei até a estante. Tinha vários livros e quadrinhos de super heróis. Peguei vários quadrinhos do Batman, Vingadores, Homem Aranha e do Super Homem, mas um volume me chamou atenção.

Retirei da estante e olhei a capa. Tinha uma garota ruiva com um vestido verde água tomara que caia. Parecia interessante. Coloquei tudo na minha mochila e andei até a cozinha. Era uma cozinha grande, com um balcão no meio. Vasculhei os armários e achei vários enlatados de pêssegos em calda, meus favoritos. Olhei em outro armário e tirei a sorte grande : tinha várias latinhas de refrigerante dentro. Peguei três e coloquei na minha mochila e peguei uma e beberiquei um pouco.

Fui para o andar de cima e entrei no primeiro quarto. Parecia ser um estúdio de gravação. Tinham vários microfones e gravadores. Tinha até uma vitrola no canto da sala, em cima de uma pequena mesinha. O que me chamou atenção foi um pequeno aparelho com fones de ouvido que estava em uma das gavetas : um Ipod. Coloquei um dos fones no meu ouvido e dei play na Música 1. Era Hooked a Feeling do Blue Swede.

I can't stop this feeling

Deep inside of me

Girl, you just don't realize

What you do to me

When you hold me

In your arms so tight

You let me know

Everything's all right.

I-I-I-I'm hooked on a feeling

I'm high on believing

That you're in love with me

Lips as sweet as candy

It's tasty on my mind

Girl, you got me thirsty

For another cup of wine

Got a bug from you, girl

But I don't need a cure

I'll just stay a victim

If I can for shure

All the good love

When we're all alone

Keep it up girl

Yeah, you turn me on

I-I-I-I'm hooked on a feeling

I'm high on believing

That you're in love with me

All the good love

When we're all alone

Keep it up girl

Yeah, you turn me on

I-I-I-I'm hooked on a feeling

I'm high on believing

That you're in love with me

I'm hooked on a feeling

And I'm high on believing

That you're in love with me

I say I'm hooked on a feeling

And I'm high on believing

That you're in love with me

Hooked on a feeling

Ouvi a música enquanto mexia no quarto. Andei até a mesinha de cabeceira de duas gavetas e abri a primeira. Quando fechei a primeira gaveta, ouvi um clique atrás de mim. Era alguém destravando uma arma, que estava apontada para minha cabeça.

— Vire ou estouro seus miolos, garota. – disse uma voz de garoto.

‘Droga’ pensei.

E a música ainda estava tocando no Ipod, o que deixou tudo muito mais estranho.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)